Estação Ferroviária de Santa Comba Dão

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Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a estação na Linha da Beira Alta, que serve a cidade de Santa Comba Dão. Se procura a antiga estação na Linha do Tua, que servia a localidade de Santa Comba de Rossas, veja Estação Ferroviária de Rossas.
Santa Comba Dão
Inauguração 3 de agosto de 1882
Linha(s) Linha da Beira Alta
(PK 85,474)
Linha do Dão (des.)
(PK 0,0)
Coordenadas 40° 23′ N 8° 7′ W
Concelho Santa Comba Dão
Serviços Ferroviários Regional, InterCidades, Sud Expresso, Lusitânia Comboio Hotel
Serviços Serviço de táxis Bilheteiras e/ou máquinas de venda de bilhetes Acesso para pessoas de mobilidade reduzida Lavabos Sala de espera Telefones públicos

A Estação Ferroviária de Santa Comba Dão, igualmente denominada por Vimieiro, é uma interface de caminhos de ferro da Linha da Beira Alta, que serve a cidade de Santa Comba Dão, no Distrito de Viseu, em Portugal. Também serviu de entroncamento com a Linha do Dão durante o funcionamento deste troço, de 25 de Novembro de 1890[1] a 1990.[2]

Caracterização[editar | editar código-fonte]

Localização e acessos[editar | editar código-fonte]

A estação situa-se junto à localidade de Vimieiro, tendo acesso pela Rua da Estação.[3]

Descrição física[editar | editar código-fonte]

Em Janeiro de 2011, apresentava 3 vias de circulação, com 433, 420 e 311 m de comprimento; as plataformas tinham todas 367 m de extensão, e 45 a 50 cm de altura.[4]

Mapa dos caminhos de ferro em 1895.

História[editar | editar código-fonte]

Século XIX[editar | editar código-fonte]

Planeamento e inauguração[editar | editar código-fonte]

Quando foram feitos os primeiros estudos para a construção da Linha da Beira Alta, o engenheiro Boaventura José Vieira projectou a linha saindo da Estação Ferroviária de Coimbra-B, atravessando o Vale de Coselhas, passando pela Portela de Santo António e seguindo a margem direita do Rio Mondego até Santa Comba Dão, traçado que foi posteriormente modificado para começar a linha na Pampilhosa.[5]

A estação situa-se no lanço entre a Pampilhosa e Vilar Formoso da Linha da Beira Alta, que entrou ao serviço, de forma provisória, no dia 1 de Julho de 1882, tendo a linha sido completamente inaugurada, entre a Figueira da Foz e a fronteira com Espanha, no dia 3 de Agosto do mesmo ano, pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses da Beira Alta.[1][6]

Na altura da inauguração, a estação distava cerca de 2 quilómetros da localidade de Santa Comba Dão, pelo que, junto à estação, formou-se desde logo uma concentração populacional, de reduzidas dimensões, com armazéns, alojamentos e outros estabelecimentos comerciais, que viria a expandir-se e receber a denominação de Santa Comba-gare.[7] Esta povoação celebrizou-se por ter sido o local do nascimento e residência do estadista António de Oliveira Salazar.[7]

Ligação à Linha do Dão[editar | editar código-fonte]

A Linha do Dão foi um caminho de ferro entre a Estação de Santa Comba Dão e Viseu, que foi construído pela Companhia Nacional de Caminhos de Ferro.[8] Em 1 de Junho de 1890, chegou o primeiro comboio a Tondela, que partiu de Santa Comba Dão.[9] A linha foi inaugurada em 24 de Novembro desse ano[10], e entrou ao serviço no dia seguinte.[1]

Anúncio de 1903 acerca do transporte de vinho em várias estações da Linha da Beira Alta, incluindo Santa Comba Dão.

Século XX[editar | editar código-fonte]

Em 30 de Janeiro de 1905, Bernardino Machado deslocou-se a Viseu para a inauguração do Centro Republicano naquela cidade; na sua viagem, foi acompanhado desde Santa Comba Dão pelas comissões paroquiais e municipais de cariz republicano de Viseu.[11]

Em 1913, a estação de Santa Comba Dão era servida por carreiras de diligências até Rojão, Cardosa, Cancela, São João de Areias, Tábua, Seixos Alvos, Barras, Espariz, Coja, Venda da Esperança, Vendas de Galizes, Vila Cova de Alva, Avô, Pomares, Alvoco das Várzeas e Poço do Gato.[12]

Horários de todos os comboios em Fevereiro de 1917, incluindo os de Santa Comba Dão a Viseu.

Ampliação da estação[editar | editar código-fonte]

No ano de 1932, foi ampliada a plataforma entre as primeira e segunda linhas[13], e, no ano seguinte, foi construída uma fossa do tipo Mouras, modificadas as retretes, pintados os sinais, ampliado o dormitório do pessoal de máquinas, e instalada a linha telefónica desde estação estação até Viseu.[14] Em 1934, estavam em construção várias estradas, para ligar esta interface a várias localidades naquela zona[7], e a Companhia da Beira Alta realizou várias obras de reparação no edifício, tendo instalado um lambriz de azulejos no vestíbulo; construiu, igualmente, uma casa do tipo n.º 1 para duas famílias, e assentou uma placa de 12 metros, para rodar locomotivas, com a correspondente via de acesso.[15] Nesse ano, também estavam em projecto duas linhas ferroviárias a partir desta interface; no entanto, devido ao elevado volume de tráfego que já possuía, a estação encontrava-se a necessitar de vários melhoramentos, como a expansão do edifício, de forma a alojar mais serviços, a instalação de uma marquise na fachada da estação virada para a rua, e a construção de uma passagem superior sobre as vias da Linha da Beira Alta, de forma a garantir um acesso seguro à gare onde circulavam as composições da Linha do Dão.[7] Também em 1934, o chefe da estação foi premiado com 4 dias de licença, num programa da Companhia para o tratamento dos jardins nas gares.[16] No ano seguinte, voltou a ser premiado, desta vez com 5 dias de licença.[17]

Em 1935, a Companhia da Beira Alta tinha despachos centrais de camionagem, para transporte de bagagens, passageiros e pequenos volumes, em Tábua, Vila Nova de Oliveirinha, Coja e Portela de Cerdeira, ligados à estação de Santa Comba Dão.[18] Nesse ano, a Companhia fez grandes obras de reparação na casa do factor de 3.ª, instalou um novo marco fontenário, e construiu um hangar para resguardar as locomotivas.[19]

Em 1939, executaram-se trabalhos de reparação do edifício da estação, tendo sido feita a pintura completa e envernizados os exteriores, e instalados novos lambris de azulejo no vestíbulo, na sala de despacho de grande velocidade e na sala de terceira classe; também se reparou a retrete e o cais coberto.[20] Em 1940, esta estação era considerada uma das mais importantes na Linha da Beira Alta, embora não tivesse as dimensões suficientes para a sua categoria.[21]

Mapa do Plano da Rede de 1930, incluindo os dois projectos cancelados de Santa Comba Dão a Coimbra via Arganil e Penacova.

Ligação projectada ao Ramal da Lousã[editar | editar código-fonte]

Em 1927, quando se fizeram os estudos preparatórios para a revisão do plano ferroviário nacional, foi proposta a adaptação do Ramal da Lousã a via estreita, e o seu prolongamento até Santa Comba Dão, passando por Arganil, o que foi autorizado por um decreto no mesmo ano; no entanto, este projecto foi abandonado devido à crise ferroviária que se fez sentir na Década de 1930.[5]

Transição para a CP[editar | editar código-fonte]

Em 1 de Janeiro de 1947, tanto a Companhia da Beira Alta como a Companhia Nacional de Caminhos de Ferro foram integradas na Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.[22]

Encerramento da Linha do Dão e modernização da Linha da Beira Alta[editar | editar código-fonte]

Em 1990, foi suspenso o tráfego na Linha do Dão.[2]

Na Década de 1990, a procedeu-se à modernização da Linha da Beira Alta; este projecto contemplou a estação de Santa Comba Dão, onde foi construído um terminal de mercadorias, e foram renovadas as vias e as plataformas.[23]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c TORRES, Carlos Manitto (16 de Março de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 71 (1686). p. 133-140. Consultado em 5 de Fevereiro de 2014. 
  2. a b REIS et al, 2006:150
  3. «Santa Comba Dão - Linha da Beira Alta». Infraestruturas de Portugal. Consultado em 27 de Maio de 2017. 
  4. «Quadro resumo das características da infra-estrutura». Directório da Rede 2012. Rede Ferroviária Nacional. 6 de Janeiro de 2011. p. 70-85 
  5. a b SOUSA, José Fernando de (16 de Junho de 1940). «Coimbra e os Caminhos de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 52 (1260). p. 371-373. Consultado em 9 de Fevereiro de 2015. 
  6. «Cronologia». Comboios de Portugal. Consultado em 9 de Fevereiro de 2015. 
  7. a b c d URBANO, Abel (1 de Abril de 1934). «Ao Longo dos Caminhos de Ferro da Beira: Santa Comba Dão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 46 (1111). p. 197-199. Consultado em 9 de Fevereiro de 2015. 
  8. REIS et al, 2006:41
  9. NONO, Carlos (1 de Junho de 1948). «Efemérides Ferroviárias» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 60 (1451). p. 329-330. Consultado em 9 de Fevereiro de 2015. 
  10. NONO, Carlos (1 de Novembro de 1949). «Efemérides ferroviárias» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1485). p. 655-656. Consultado em 9 de Fevereiro de 2015. 
  11. AMARO et al, 2010:41-44
  12. «Serviço de Diligencias». Guia official dos caminhos de ferro de Portugal. 39 (168). Outubro de 1913. p. 152-155. Consultado em 13 de Fevereiro de 2018. 
  13. «O que se fez nos Caminhos de Ferro em Portugal no Ano de 1932» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 46 (1081). 1 de Janeiro de 1933. p. 10-14. Consultado em 1 de Setembro de 2011. 
  14. «O que se fez nos Caminhos de Ferro em Portugal no Ano de 1933» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1106). 16 de Janeiro de 1934. pp. 49–52. Consultado em 13 de Fevereiro de 2015. 
  15. «O que se fez nos caminhos de ferro em Portugal, em 1934» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1129). 1 de Janeiro de 1935. p. 27-29. Consultado em 10 de Outubro de 2012. 
  16. «Linha da Beira Alta» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 46 (1120). 16 de Agosto de 1934. p. 418. Consultado em 9 de Fevereiro de 2015. 
  17. «Ajardinamento das estações da Linha da Beira Alta» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1144). 16 de Agosto de 1935. p. 356. Consultado em 9 de Fevereiro de 2015. 
  18. «Companhia dos Caminhos de Ferro da Beira Alta» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 47 (1142). 16 de Julho de 1935. p. 310. Consultado em 9 de Fevereiro de 2015. 
  19. «Os Nossos Caminhos de Ferro em 1935» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 48 (1153). 1 de Outubro de 1935. p. 5-9. Consultado em 9 de Fevereiro de 2015. 
  20. «O que se fez em caminhos de ferro no ano de 1939» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 52 (1249). 1 de Janeiro de 1940. p. 35-40. Consultado em 9 de Fevereiro de 2015. 
  21. URBANO, Abel (16 de Maio de 1940). «O Caminho de Ferro da Beira Alta nas Comemorações Centenárias» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 52 (1258). p. 292-293. Consultado em 9 de Fevereiro de 2015. 
  22. AGUILAR, Busquets de (1 de Junho de 1949). «A Evolução Histórica dos Transportes Terrestres em Portugal» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 62 (1475). p. 383-393. Consultado em 9 de Fevereiro de 2015. 
  23. MARTINS et al, 1996:202

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • AMARO, António; MARQUES, Jorge (2010). Viseu. Roteiros Republicanos. Matosinhos: Quidnovi - Edição e Conteúdos, S. A. e Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. 127 páginas. ISBN 978-989-554-738-8 
  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]



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