Levante integralista

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Intentona integralista ou Levante integralista foi uma revolta armada contra o governo brasileiro do Estado Novo ocorrido em 10 de maio de 1938.

História[editar | editar código-fonte]

Getúlio Vargas, desde a fundação da Ação Integralista Brasileira (AIB), tivera seu apoio, tendo em vista que seu principal líder, Plínio Salgado, almejava o cargo de ministro da Educação (segundo suspeita do próprio presidente, para influenciar a juventude). Mesmo assim, após a criação do Estado Novo, embora tivesse prometido, na presença do Ministro da Guerra Eurico Gaspar Dutra, ao chefe integralista Plínio Salgado, grande espaço de atuação para a ideologia integralista, Vargas decretou o fechamento de todos os partidos políticos nacionais, incluindo a AIB. A insatisfação dos integralistas materializou-se em dois levantes, ocorridos no intervalo de 60 dias[1].

O primeiro aconteceu em 11 de março de 1938 e envolveu a tentativa de tomada dos 3º BI (à época situado em Botafogo, no Rio de Janeiro) e 5º BI (Centro do Rio de Janeiro), neste último caso, com a participação do oficial de dia do batalhão, além da tentativa de sublevação do CFN. A atuação do Comandante da Polícia Militar do Distrito Federal, Coronel Mário José Pinto Guedes, [2]reagindo ao golpe foi decisiva: graças à ação da PMDF, em trabalho conjunto com os serviços de Inteligência (SNI), do Exército (SNI - Terra) e Marinha (SNI - Mar), em poucas horas a rebelião foi debelada, e os principais líderes foram presos.[1]

O segundo golpe aconteceu sessenta dias depois, com uma tentativa de tomar a Chefia de Polícia Civil e assassinar Filinto Muller, além da tentativa frustrada de resgate dos líderes Integralistas: Coronel Euclides Figueiredo e Otávio Mangabeira, no Regimento de Cavalaria da PMDF.[1] A principal atuação porém, foi o ataque por um grupo de 80 integralistas, entre a zero hora e as duas horas do dia 11 de maio de 1938, ao Palácio Guanabara, residência oficial do Governo Federal, em uma tentativa de depor Vargas e reabrir a AIB. Os integralistas, liderados por Severo Fournier, quase conseguiram entrar no palácio Guanabara e matar Getúlio, mas o Exército e a Polícia Especial chegaram no último momento e controlaram a situação.

Após o ataque ser contido muitos dos revoltosos foram fuzilados e presos. Como resultado, outros, em torno de 1.500 integralistas, foram presos e Plínio Salgado, líder da Ação Integralista Brasileira, foi para o exílio em Portugal, [3]de onde tentou reorganizar o movimento integralista.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CALIL, Gilberto Grassi. Os integralistas frente ao Estado Novo: euforia, decepção e subordinação. Artigo, Locus - Revista de História UFJF, 2010 [1]
  • CALIL, Gilberto Grassi. O Integralismo no pós-guerra: a formação do PRP, 1945-1950. Porto Alegre: Edipucrs, 2001. [2]
  • CALIL, Gilberto Grassi. Plínio Salgado em Portugal (1939-1946): um exílio bastante peculiar. Artigo, XXVI Simpósio Nacional de História, São Paulo - SP, 2011 [3]
  • MORAES, Márcio André Martins de. UMA REVOLUÇÃO QUE NÃO ACONTECEU: os integralistas de Garanhuns-PE pegam em armas para acabar com o Estado Novo (1937). Artigo, XXVII Simpósio Nacional de História, Natal - RN, 2013 [4]
  • VICTOR, Rogério Lustosa. A PESCA DO PIRARUCU: O INTEGRALISMO E O SEU LUGAR NA MEMÓRIA SOCIAL CONSTRUÍDA DURANTE O ESTADO NOVO. Artigo, Cadernos de Pesquisa do CDHIS, Uberlândia - MG, 2011 [5]
  • PIOVEZAN, Adriane. Rituais fúnebres militares: o túmulo dos Fuzileiros Navais mortos na Intentona Integralista de 1938. Artigo, XXIX Simpósio Nacional de História, São Paulo - SP, 2017 [6]
  • SCHIAVON, Carmem Gessilda Burgert. O OLHAR PORTUGUÊS ACERCA DA OUTORGA DA CONSTITUIÇÃO DE 1937 E SOBRE OS PRIMEIROS MOMENTOS DO ESTADO NOVO NO BRASIL (1937-1942). Artigo, Repositório Institucional FURG, Rio Grande - RS, 2010 [7]
  • FILHO, Pedro Gomes dos Santos CMG (RM1). Uma Longa Viagem de Instrução. Artigo, Revista Acadêmica da Escola Naval, Ano III, Número 3, 2008 [8]
  • SILVA, Giselda Brito. UMA PROPOSTA DE ANÁLISE INTERDISCIPLINAR PARA OS ESTUDOS DO INTEGRALISMO. Artigo, Revista de História Regional, Ponta Grossa - PR, 2002 [9]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c SILVA, Hélio. 1938 - Terrorismo em Campo Verde. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964
  2. O novo commando da Polícia Militar. O Imparcial, 3 de outubro de 1936
  3. CPDOC-FGV. Ação Integralista Brasileira (AIB)