Littorina littorea

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaLittorina littorea
Vista superior de uma concha de L. littorea (Linnaeus, 1758)[1], com a sua espiral visível.
Vista superior de uma concha de L. littorea (Linnaeus, 1758)[1], com a sua espiral visível.
Vista inferior de uma concha de L. littorea (Linnaeus, 1758)[1], sem o seu opérculo.
Vista inferior de uma concha de L. littorea (Linnaeus, 1758)[1], sem o seu opérculo.
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Classe: Gastropoda
Ordem: Caenogastropoda
Superfamília: Littorinoidea
Família: Littorinidae
Children, 1834[2]
Subfamília: Littorininae
Children, 1834[2]
Género: Littorina
Férussac, 1822[1]
Espécie: L. littorea
Nome binomial
Littorina littorea
(Linnaeus, 1758)[1]
Ilustração (1903) de uma concha de L. littorea (Linnaeus, 1758); a espécie-tipo do gênero Littorina Férussac, 1822.[3]
Sinónimos
Turbo littoreus Linnaeus, 1758
Turbo ustulatus Lamarck, 1822
Littorina vulgaris J. Sowerby, 1832
Turbo bicarinatus Woodward, 1833
Turbo carinatus Woodward, 1833
Turbo elongatus Woodward, 1833
Turbo sulcatus Woodward, 1833
Turbo ventricosus Woodward, 1833
Littorina bartonensis T. Brown, 1843
Littorina communis T. Brown, 1843
Littorina armoricana Locard, 1886
Littorina sphaeroidalis Locard, 1886
Littorina parva Teilman-Friis, 1898
Turbo litoreus (sic)
Littorina litorea (sic)
(WoRMS)[1]

Littorina littorea (denominada, em inglês, common periwinkle[4][5] ou common winkle[6], shore periwinkle[7] ou edible periwinkle[8]; em português, caramujo, borrelho, burgau, burrié[9] ou caracol-marinho (POR)[10]; em castelhano, bígaro común; em alemão, uferschnecke[11]; em francês, bigorneau[12]; em italiano, littorina comune)[13] é uma espécie de molusco gastrópode marinho-litorâneo do norte do oceano Atlântico, pertencente à família Littorinidae; sendo classificada por Carolus Linnaeus em 1758, como Turbo littoreus, na obra Systema Naturae; considerada a espécie-tipo do gênero.[1][3][14] Trata-se de uma espécie utilizada na alimentação humana[4], introduzida na costa leste da América do Norte; sendo coletada muitas vezes na costa do Pacífico, mas ainda não parecendo estar estabelecida em nenhuma região deste oceano.[15] Trata-se de uma espécie presente no território português, incluindo a zona económica exclusiva.[5]

Descrição da concha e hábitos[editar | editar código-fonte]

Concha engrossada, de espiral cônica e moderadamente alta, com dimensões aproximadas entre 1.5, 4 a 5 centímetros e 5 a 6 voltas, quando desenvolvida[5][7], globosa ou moderadamente alongada e com ápice pontiagudo; de coloração negra, cinzenta, castanha, mais raramente avermelhada ou amarelada; muitas vezes decorada com faixas onduladas e oblíquas de cor mais clara e esculpida com linhas espirais finas, atravessadas por linhas de crescimento, verticais, fracamente marcadas; com interior e columela brancos. Opérculo córneo, plano e paucispiral (com poucas voltas); auxiliando o molusco a reter água durante os períodos de estiagem.[6][7][8][16]

É encontrada em águas rasas da zona entremarés e zona nerítica, até os 60 metros de profundidade; muitas vezes expostas às ondas e aderidas às rochas, seixos, ou em planícies de marés lamacentas ou arenosas; também em bancos de mexilhões (Bivalvia), rasos ou profundos, da espécie Mytilus edulis.[5][8] Os animais da família Littorinidae se alimentam de substâncias vegetais.[17] Esses moluscos se alimentam predominantemente de diatomáceas que se fixam sobre algas, mexilhões e cracas.[5]

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

Littorina littorea ocorria no mar Mediterrâneo[8] (ocupando toda a sua extensão, no Pleistoceno, com registros até o Golfo Pérsico).[5] Ela fora relatada por Di Natale (1982) na Sicília e por Barsotti e Campani (1982) perto de Livorno, no norte do mar Tirreno. A espécie não se estabeleceu e a população perto de Livorno fora extinta em 1988 (Johannesson, 1988). As introduções, pontuais e repetidas, são prováveis porque esta é uma espécie comercial, importada para países mediterrâneos através da Irlanda ou de outras áreas de produção na Europa Ocidental.[18] Ela é comum no canal da Mancha, mar do Norte e Báltico Ocidental[8][16]; e no nordeste do oceano Atlântico: do oeste da Groenlândia ao golfo de Kandalaksha, no mar branco, até Portugal e Espanha, na Península Ibérica.[5][14] Ela se estabeleceu, como espécie introduzida, no leste da América do Norte; e embora tenha sido encontrada na costa do Pacífico, em várias ocasiões, desde descobertas de indivíduos soltos a populações de vários milhares de caramujos, a maioria delas desapareceu.[15]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f «Littorina littorea (Linnaeus, 1758)» (em inglês). World Register of Marine Species. 1 páginas. Consultado em 26 de fevereiro de 2020 
  2. a b «Littorinidae Children, 1834» (em inglês). World Register of Marine Species. 1 páginas. Consultado em 26 de fevereiro de 2020 
  3. a b «Littorina Férussac, 1822» (em inglês). World Register of Marine Species. 1 páginas. Consultado em 26 de fevereiro de 2020 
  4. a b ABBOTT, R. Tucker; DANCE, S. Peter (1982). Compendium of Seashells. A color Guide to More than 4.200 of the World's Marine Shells (em inglês). New York: E. P. Dutton. p. 56. 412 páginas. ISBN 0-525-93269-0 
  5. a b c d e f g «Littorina littorea (Linnaeus, 1758) common periwinkle» (em inglês). SeaLifeBase. 1 páginas. Consultado em 26 de fevereiro de 2020 
  6. a b DANCE, S. Peter (2002). Smithsonian Handbooks: Shells. The Photographic Recognition Guide to Seashells of the World (em inglês) 2ª ed. London, England: Dorling Kindersley. p. 47. 256 páginas. ISBN 0-7894-8987-2 
  7. a b c «Littorina (Littorina) littorea» (em inglês). Hardy's Internet Guide to Marine Gastropods. 1 páginas. Consultado em 26 de fevereiro de 2020 
  8. a b c d e CAMPBELL, Andrew C.; NICHOLLS, James (1980). The Hamlyn Guide to the Seashore and Shallow Seas of Britain and Europe (em inglês). England: The Hamlyn Publishing Group. p. 150. 320 páginas. ISBN 0-600-34019-8 
  9. «caramujo». Infopédia - Dicionários Porto Editora. 1 páginas. Consultado em 16 de agosto de 2020 
  10. Valente, Maria João (2010). «Pequeno guia para identificação dos moluscos marinhos em contextos arqueológicos portugueses (v. 2)» (PDF). Universidade do Algarve - FCHS. 1 páginas. Consultado em 26 de fevereiro de 2020 
  11. LINDNER, Gert (1983). Moluscos y Caracoles de los Mares del Mundo (em espanhol). Barcelona, Espanha: Omega. p. 130. 256 páginas. ISBN 84-282-0308-3 
  12. Fonteː Wikipédia em francês.
  13. Fonteː Wikipédia em italiano.
  14. a b «Common periwinkle (Littorina littorea (em inglês). MarLIN - The Marine Life Information Network. 1 páginas. Consultado em 26 de fevereiro de 2020 
  15. a b «Littorina littorea (Linnaeus, 1758)» (em inglês). The Exotics Guide: Non-native Marine Species of the North American Pacific Coast. 1 páginas. Consultado em 26 de fevereiro de 2020 
  16. a b Kluijver, M.J. de; Ingalsuo, S. S.; Bruyne, R. H. de. «Mollusca of the North Sea - Littorina littorea» (em inglês). Marine Species Identification Portal. 1 páginas. Consultado em 26 de fevereiro de 2020 
  17. LINDNER, Gert (Op. cit., p.44.).
  18. «CIESM Atlas of Exotic Molluscs in the Mediterranean» (em inglês). CIESM - The Mediterranean Science Commission (www.ciesm.org). Dezembro 2003. 1 páginas. Consultado em 21 de setembro de 2020 
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