Luísa de Hesse-Cassel

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Luísa de Hesse-Kassel)
Ir para: navegação, pesquisa
Luísa de Hesse-Cassel
Rainha da Dinamarca
Luisa wife of Ch9.jpg
Rainha Luísa da Dinamarca
Governo
Consorte Cristiano IX da Dinamarca
Casa Real Casa de Cassel
Vida
Nascimento 7 de Setembro de 1817
Cassel, Alemanha
Morte 29 de Setembro de 1898 (81 anos)
Bernstorff, Dinamarca
Filhos Frederico VIII da Dinamarca
Alexandra da Dinamarca
Jorge I da Grécia
Dagmar da Dinamarca
Tira da Dinamarca
Valdemar da Dinamarca
Pai Guilherme de Hesse-Cassel
Mãe Luísa Carlota da Dinamarca

Luísa de Hesse-Cassel (em alemão: Luise Wilhelmine Friederike Caroline Auguste Julie von Hessen-Kassel; Cassel, 7 de setembro de 1817 - Bernstorff, 29 de setembro de 1898) era uma nobre alemã, filha do conde Guilherme de Hesse-Cassel e da sua esposa, a princesa Luísa Carlota da Dinamarca.

Primeiros anos e antepassados[editar | editar código-fonte]

Luísa de Hesse era uma filha de uma família de uma família alemã antiga, os condes de Hesse-Cassel, mas viveu na Dinamarca desde os três anos de idade e tinha muitos antepassados dinamarqueses que a tornavam, na prática, dinamarquesa. De facto, devido aos conflitos dinásticos e políticos que ocorreram durante a sua vida, Luísa viu-se muitas vezes, devido à sua posição na linha de sucessão dinamarquesa, contra o nacionalismo alemão, dando mais importância aos interesses dinamarqueses.

Luísa era filha do príncipe Guilherme de Hesse-Cassel e da princesa Luísa Carlota da Dinamarca. A sua mãe viu-a tornar-se primeiro princesa-herdeira e depois rainha da Dinamarca. Os avós paternos de Luísa eram o príncipe Frederico de Hesse-Cassel, irmão mais novo do príncipe-eleitor Guilherme I de Hesse e a princesa Carolina de Nassau-Usinge. Os seus avós maternos eram a duquesa Sofia Frederica de Mecklemburgo-Schwerin e o príncipe-herdeiro Frederico da Dinamarca, regente da Dinamarca e da Noruega e filho mais novo do rei Frederico V da Dinamarca.

Era sobrinha do rei Cristiano VIII, que reinou na Dinamarca entre 1839 e 1848 e foi rei da Noruega por um breve período em 1814. Como tal, estava muito próxima da sucessão, depois de vários indivíduos da casa real da Dinamarca que eram já idosos e não tinham filhos. Enquanto crianças, Luísa, o seu irmão Frederico Guilherme e as irmãs eram os parentes mais chegados do rei Cristiano que tinham mais probabilidades de vir a ter filhos. Luísa era uma das descendentes femininas do rei Frederico III e tinha a possibilidade de vir a herdar o trono caso a linha masculina se extinguisse.

Casamento com o primo[editar | editar código-fonte]

Luísa casou-se no Palácio de Amalienborg no dia 26 de maio de 1842 com o seu primo em segundo-grau, o príncipe Cristiano de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glucksburg, que foi pouco depois escolhido para príncipe-herdeiro da Dinamarca e se tornaria no rei Cristiano IX.

Apesar do pai dele, Cristiano, ser um membro de uma linha secundária masculina da Casa de Oldemburgo, sendo um descendente directo em linha masculina do rei Cristiano III da Dinamarca e descendente agnático da condessa Hedvig de Schauenburg, mãe do futuro rei Cristiano da Dinamarca, cujos filhos se tornariam herdeiros do seu irmão sem filhos, o conde Adolfo VIII de Holstein, que morreu em 1459. Como tal, Cristiano tinha direitos de sucessão sobre os ducados de Schleswig-Holstein, mas não era o primeiro na linha.

Cristiano também era bisneto do rei Frederico V da Dinamarca através da sua mãe, Luísa Carolina, duquesa de Lyksborg, cuja mãe Luísa, condessa de Hesse-Cassel, era a terceira filha do rei Frederico. Cristiano, que ficou órfão muito novo, cresceu nos palácios dinamarqueses sob a protecção da sua tia, a rainha Maria Sofia Frederica, esposa do rei Frederico VI da Dinamarca.

A linha de sucessão dinamarquesa[editar | editar código-fonte]

A rainha Luísa.

A coroa da Dinamarca fazia parte da vida de Luísa desde os seus primeiros anos de infância. Quando o rei Cristiano VIII subiu ao trono em 1839, os principais candidatos eram:

  • O príncipe-real Frederico, depois rei Frederico VII da Dinamarca, filho único do rei, nascido em 1808, já se tinha divorciado uma vez e não tinha filhos. Morreu em 1863.
  • O príncipe-herdeiro Frederico Fernando da Dinamarca, irmão mais novo do rei, nascido em 1792, tinha-se casado há mais de dez anos e ainda não tinha filhos. Também morreu em 1863, alguns meses antes do seu sobrinho, o rei.

O príncipe-real e o príncipe-herdeiro eram os únicos descendentes agnáticos que sobravam. Depois deles, a Lex Regia de 1655, promulgada por Frederico III, permitia que a sucessão continuasse pela linha feminina e favorecia a parente feminina mais próxima do último monarca.

As seguintes linhas femininas estão organizadas segundo o grau de proximidade ao último monarca reinante, o rei Cristiano VIII:

  • A irmã mais velha do rei, a princesa Juliana da Dinamarca, nascida em 1788, era viúva e não tinha filhos. Morreu em 1850. Pouco depois da sua morte, a família de Luísa negociou a sucessão em seu favor através de renunciações e cedências.
  • A irmã mais nova do rei, a princesa Carlota da Dinamarca, condessa de Hesse, nascida em 1789 (mãe de Luísa). Tinha vários filhos, incluindo os abaixo referidos.
  • A prima em segundo grau do rei, filha mais velha do falecido rei Frederico VI, a princesa Carolina da Dinamarca, nascida em 1793, esposa do príncipe Fernando da Dinamarca (acima referido), casada há mais de dez anos e sem descendência. Morreu em 1881.
  • A prima em segundo grau do rei, filha mais nova do falecido rei Frederico VI, a princesa Guilhermina Maria da Dinamarca, nascida em 1808, estava divorciada do príncipe-real Frederico da Dinamarca (acima referido) e tinha-se casado com o duque Carlos de Lyksborg. Ainda não tinha filhos, mas, com quarenta anos de idade, havia ainda possibilidade de que tal viesse a acontecer, apesar de ser possível que fosse estéril. Na década de 1840 chegou-se à conclusão de não teria filhos. Morreu em 1891, sem descendência.
  • A prima direita do rei, filha legalizada do rei Cristiano VII e, para todos os efeitos, irmã do falecido rei Frederico VI, a princesa Luísa Augusta da Dinamarca, duquesa de Augustenborg. Nasceu em 1771 e morreu em 1843, teve vários filhos, dos quais os abaixo referidos.

Depois deles, os herdeiros bilaterais seguintes eram descendentes de filhas e filhos mais novos dos antepassados de Frederico V.

Havia três famílias jovens com grande potencial para herdar o trono que tinham descendentes para continuar a linha de sucessão. Estas famílias eram, por ordem de proximidade ao monarca reinante, os Hesse-Cassel, os Augustenborg e depois as famílias Lyksborg. Apenas duas destas famílias (os Augustenborg e os Hesse-Cassel) tinham mães que eram princesas da Dinamarca, mas os seus descendentes tinham nascido sem títulos dinamarqueses. Contudo, duas delas, os Augustenborg e os Lyksborg eram descendentes agnáticos dos antigos reis da Dinamarca.

Augustenborg[editar | editar código-fonte]

A família Augustenborg era o ramo agnático seguinte a Schleswig-Holstein e à casa real de Oldemburgo, logo a seguir à linha masculina do então rei da Dinamarca. A princesa Luísa Augusta da Dinamarca, irmã do rei Frederico VI, tinha os seguintes filhos:

  1. Cristiano (também conhecido por Cristiano Augusto), duque de Augustenborg, nascido em 1798 em Copenhaga. Tinha-se casado em 1820 com a condessa Lovisa-Sophie Danneskjold-Samsøe, uma nobre dinamarquesa e parente dos reis da Dinamarca que pertencia a um ramo ilegítimo da casa de Oldemburgo. O duque Cristiano, que em 1848 se tornou um rebelde, acabaria por vender os seus direitos de sucessão ao ducado de Schleswig-Holstein à Dinamarca após o Tratado de Londres de 1851, mas depois renunciou deles a favor do seu filho Frederico Augusto. Era cunhado do rei Cristiano VIII e sobrinho do falecido Frederico VI. Morreu em 1869 com vários filhos:
  • Frederico Augusto (Frederico Cristiano Augusto), duque de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Augustenburg, nascido em 1829 em Augustenborg. Era sobrinho da rainha Carolina Amália e sobrinho por casamento do próprio rei. Era também sobrinho-neto de Frederico VI. Em 1863 reclamou para si o direito de suceder ao rei Frederico VII, sucedendo-o no título de duque de Scleswig-Holstein. Morreu em 1880 com um filho e várias filhas.
  • Frederico Cristiano Carlos Augusto (1831-1917), casou-se com a princesa Helena do Reino Unido em 1866, passando a viver em Inglaterra.
  • Luísa Augusta (18231872)
  • Carolina Amélia (18261901)
  • Carolina Cristiano Augusta Emília Henriqueta Isabel (18331917)
  1. Frederico Emílio Augusto, nascido em 1800 em Kiel. Casou-se em 1829 com a condessa Henriette Danneskjold-Samsøe, uma nobre dinamarquesa e parente dos reis da Dinamarca que pertencia a um ramo ilegítimo da casa de Oldemburgo. Morreu em 1865 com os seguintes filhos:
  • Frederico Cristiano Carlos Augusto (1830-1881)
  • Luísa Carolina Henriqueta Augusta (1836-1866)
  1. Carolina Amália de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Augustenburg, nascida em 1796 em Copenhaga. Casou-se em 1815 com o rei Cristiano VIII da Dinamarca e morreu sem filhos em 1881.

Glucksborg[editar | editar código-fonte]

A família Glucksborg era um ramo secundário dos Schleswig-Holstein e da casa de Oldemburgo. Eram filhos da condessa Luísa Carolina de Hesse-Cassel, uma neta do rei Frederico V da Dinamarca:

  1. Carlos, duque de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glücksburg, nascido em 1813, casado com a princesa Guilhermina Maria da Dinamarca (acima referida) de quem não teve filhos.
  2. Frederico, duque de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glücksburg, casado com a princesa Adelaide de Schaumburg-Lippe. Os actuais duques de Schleswig-Holstein descendem dele.
  3. Guilherme (1816-1893)
  4. Cristiano (1818-1906), torar-se-ia o rei Cristiano IX da Dinamarca e marido de Luísa.

O casal teve ainda mais seis filhos.

O caminho para a sucessão[editar | editar código-fonte]

Como Luísa e Cristiano se tinham casado, a mãe, o irmão e a irmã de Luísa renunciaram aos seus direitos de sucessão em seu favor. A esposa do príncipe Cristiano era agora a herdeira mais próxima do rei Cristiano VIII e depois do rei Frederico VII.

O conde Frederico, um oficial do exército dinamarquês, tinha sido talvez um dos principais candidatos a suceder o rei Cristiano VIII da Dinamarca na década de 1840, tendo sido educado na Dinamarca.

Em 1847, o príncipe Cristiano foi escolhido, com o apoio das grandes potências europeias, para suceder o trono dinamarquês pelo rei Cristiano VIII, visto que este não esperava que o seu único filho, o futuro rei Frederico VII tivesse filhos. A justificação para esta escolha foi o facto de a sua esposa ser sobrinha de Cristiano VIII.

Rainha[editar | editar código-fonte]

A rainha Luísa já idosa.

Luísa abdicou dos seus direitos de sucessão a favor do marido em 1851. Tornou-se princesa-herdeira em 1854 e rainha-consorte em 1863. Luísa tinha uma relação complicada com o rei Frederico VII e a sua esposa, Louise Rasmussen, cuja união não via com bons olhos. Tinha passado grande parte da sua infância e juventude em Copenhaga. O casamento era visto como feliz e o casal ficou muito unido durante as lutas da sucessão. Luísa era devota ao marido e diz-se que ele dependia da inteligência, julgamento e força da esposa, que era considerada superior a ele.

O casal continuou a viver a vida de família simples e intimista a que se tinha habituado, mesmo depois de subirem ao trono. Quando a sua filha Tira deu à luz um filho ilegitimo nascido de uma relação com um oficial em 1871, a rainha Luísa conseguiu esconder a gravidez do publico. Luísa vivia uma vida isolada do seu povo com quem não tentava ter nenhum tipo de relação preferindo concentrar as suas energias na política e no seu esforço para arranjar casamentos favoráveis para os seus filhos que deram um estatuto internacional à monarquia dinamarquesa e lhe valeu a ela e ao marido a alcunha de "os sogros da Europa". As suas reuniões de família realizadas anualmente em Fredensborg fizeram com que a sua família se torna-se muito chegada e fizeram dela a figura mais importante no seu seio.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre uma Rainha é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.