Microcefalia

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Microcefalia
Tomografia da cabeça. Esquerda: normal. Direita: microcefalia
Classificação e recursos externos
CID-10 Q02
CID-9 742.1
DiseasesDB 22629

Microcefalia (do grego mikrós, pequeno + kephalé, cabeça) é uma condição neurológica em que o tamanho da cabeça e/ou seu perímetro cefálico occipito-frontal (OFC) é dois ou mais desvios padrão abaixo da média para a idade e sexo.[1] [2] Também chamada de nanocefalia, diferenciam-se diversas formas de manifestações clínicas e etiologias. A microcefalia verdadeira pode ser familiar e não necessariamente associada ao retardo mental[3] [4] distingue-se das cranioestenoses e de anomalias específicas ou déficits do crescimento cerebral, que, quer pelo pequeno tamanho da caixa craniana, quer pelo reduzido desenvolvimento do cérebro, é uma das causas de oligofrenia (déficit intelectual).[5] [6]

Etiologia[editar | editar código-fonte]

A microcefalia pode ser congênita, adquirida ou desenvolver-se nos primeiros anos de vida. Pode ser provocada pela exposição a substâncias nocivas durante o desenvolvimento fetal ou estar associada com problemas ou síndromes genéticas hereditárias.

Um bebê com microcefalia (à esquerda) em comparação com um bebê normal

Diversos fatores podem predispor o feto a sofrer os problemas que afetam o desenvolvimento normal da caixa craniana tanto durante a gravidez quanto nos primeiros anos de vida. Assim, as causas são divididas em duas categorias:[7]

Congênitas
Pós-natais

Observe-se que apesar da associação estatisticamente significativa da ocorrência de microcefalia em neonatos de mães diabéticas[17] ao contrário das crianças pequenas para idade gestacional, como assinala Philip[4] , os filhos de mães diabéticas apresentam um perímetro cefálico dentro dos limites normais, sendo, portanto relativa e aparente, a cabeça pequena em relação ao restante do corpo (macrossômico).

Entre as síndromes que frequentemente apresentam microcefalia pode se identificar as anomalias cromossômicas: S. de trissomia 13 (Síndrome de Patau); S. de trissomia 18 (Síndrome de Edwards); Síndromes 4p (Trissomia do braço curto do cromossomo 4); 4p- (S. da deficiência do braço curto do cromossomo 4 ou Síndrome de Wolf-Hirschhorn); 5p- (Síndrome da deficiência parcial do braço curto do cromossomo 5 ou Síndrome do miado do gato); 13q- (S. deficiência parcial do braço longo do cromossomo 13); S. da trissomia 10q parcial (S deleção parcial do cromossomo 10) e diversas outras síndromes com etiologia mais ou menos conhecidas, a saber: S. de Bloom, S. de Coffin-Siris ; S. de Cornelia de Lange; S. de DeSanctis-Cacchione;

Rubéola e outras infecções congênitas[editar | editar código-fonte]

Para Silva, 2000[19] entre os agentes vivos causadores de microcefalia estão: o citomegalovírus e o seu parente (Família: Herpesviridae) o vírus da herpes (simples), o vírus da rubéola e o protozoário Toxoplasma gondii. O vírus da imunodeficiência humana (HIV), segundo esse autor, está associado a uma forma de microcefalia adquirida que assim com as demais alterações neuropatológicas só se evidenciam meses ou anos após o nascimento.

No Brasil, suspeita-se que a entrada do vírus Zika tenha se dado durante a Copa do Mundo de 2014, quando o país recebeu turistas de várias partes do mundo, inclusive de áreas atingidas de forma mais intensa pelo vírus, como a África — onde surgiu — e a Ásia. No primeiro semestre de 2015, já havia casos confirmados em estados de todas as regiões do país. Com sintomas mais brandos que os da dengue e os da febre chicungunha (doenças também transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti), a febre Zika chegou a ser ignorada pelas autoridades de saúde; porém estudos indicam uma associação do vírus a casos de microcefalia congênita e síndrome de Guillain-Barré, condições raras que aumentaram de maneira incomum no país no ano de 2015.[15] [20] [21] [22] [23]

Com relação à microcefalia, o risco maior da infecção pelo Zika se dá na fase de desenvolvimento do córtex cerebral do feto, ou seja, os primeiros quatro meses de gravidez. No início da gestação, o vírus pode causar lesões no cérebro e interferir em fases do desenvolvimento do encéfalo. Não necessariamente uma grávida infectada pelo vírus Zika terá um bebê com microcefalia, porém estudos apontam um risco relevante, então se faz imprescindível o acompanhamento pré-natal para as gestantes, muito embora os danos causados no cérebro do feto em caso de microcefalia sejam irreversíveis.[16]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Dependendo da causa a microcefalia pode apresentar-se como anomalia isolada ou associada a outros problemas de saúde em manifestações sindrômicas tipo: paralisia cerebral, epilepsia, déficits de visão e audição retardo no desenvolvimento no desenvolvimento cognitivo, motor e fala.[24]

O principal sintoma é o perímetro da cabeça menor ou igual a 32 cm (o tamanho normal é entre 33 e 36cm, crescendo 7 a 8cm no primeiro ano de vida).[25] O espaço reduzido para o cérebro se desenvolver pode resultar em[26] [27] :

  • Sério déficit intelectual;
  • Atraso no desenvolvimento de movimentos e da linguagem;
  • Dificuldade de coordenação motora e equilíbrio;
  • Prejuízo no desenvolvimento do resto do corpo;
  • Convulsão;
  • Hiperatividade;
  • Menor estatura, possivelmente nanismo.

Quanto menor o perímetro, maior o atraso no desenvolvimento. O conjunto de manifestações sindrômicas dependerá das área cerebrais lesadas durante o desenvolvimento do processo patológico[28]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Depende da causa primária, mas não há cura. A intervenção precoce com terapias de suporte, tais como terapias da fala e ocupacional e a Equoterapia[29] ,podem auxiliar o desenvolvimento infantil e melhorar a qualidade de vida.[30] . Também é possível fazer uma cirurgia, nos dois primeiros meses de vida, para separar os ossos do crânio para evitar a compressão que ele exerce no cérebro[31]

Consequencias Sociais da Microcefalia no Brasil[editar | editar código-fonte]

Considerando o cumprimento das disposições legais em Saúde Familiar e o contexto Socioeconômico das Populações em vulnerabilidade no Brasil, o cenário atual é critico em relação aos requisitos básicos de Saúde Publica[32] , para a prevenção da Microcefalia por consequência de contágio com o Zika Virus e combate aos vetores. As crianças nascidas com microcefalia[33] nos dias atuais devem ter um acompanhamento por equipe multidisciplinar, semelhante ao de Portadores de Necessidades Especiais; tanto no que se aplica ao acompanhamento psicológico da família bem como os cuidados ao portador de microcefalia.

História[editar | editar código-fonte]

Pessoas com microcefalia foram algumas vezes vendidas para "shows de horrores" na América do Norte e na Europa no século 19 e no começo do 20, onde eram conhecidos como "pinheads", cabeças de alfinete em inglês. Muitos eram apresentados como pertencentes a outras espécies (e.g., "monkey man", homem-macaco em inglês) e descritos como um elo perdido.[34]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. OPITZ, J. M.; HOLT, M. C. (1990). "Microcephaly: general considerations and aids to nosology". J Craniofac Genet Dev Biol 10 (2): 75–204. PMID 2211965 Abstract
  2. MACCHIAVERNI, Luzita M. L.; BARROS FILHO, Antonio A.. Perímetro cefálico: por que medir sempre. Medicina (Ribeirao Preto. Online), Brasil, v. 31, n. 4, p. 595-609, dez. 1998. ISSN 2176-7262. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/7730>. Acesso em: 01 jan. 2016. doi:http://dx.doi.org/10.11606/issn.2176-7262.v31i4p595-609.
  3. LIMA, Celso Piedemonte de. Genética Humana. SP: Harbra, 1996 ISBN 85-294-0033-X p.188
  4. a b PHILIP, Alistair G. S. Neonatologia. RJ: Guanabara Koogan, 1979
  5. Leviton, A.; Holmes, L. B.; Allred, E. N.; Vargas, J. (2002). "Methodologic issues in epidemiologic studies of congenital microcephaly". Early Hum Dev 69 (1): 91–105. doi:10.1016/S0378-3782(02)00065-8.
  6. LOPES, Daniela Vincci. Microcefalia. Fisioneuro Pesquisa Aces. Dez. 2015
  7. Ashwal, S.; Michelson, D.; Plawner, L.; Dobyns, W. B. (2009). "Practice Parameter: Evaluation of the child with microcephaly (an evidence-based review)". Neurology 73 (11): 887–897. doi:10.1212/WNL.0b013e3181b783f7.
  8. MENA K, Maria et al . Síndrome fetal alcohólico (S.F.A). Rev. chil. pediatr., Santiago , v. 53, n. 1-6, p. 127-133, dez. 1982 . Disponível em <http://www.scielo.cl/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0370-41061982000100015&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 31 dez. 2015. http://dx.doi.org/10.4067/S0370-41061982000100015.
  9. a b SMITH, David W. Síndromes de malformações congênitas. SP: Manole, 1985 p.635
  10. HADEED, A.J.; SIEGEL, S. R. Maternal cocaine use during pregnancy: effect on the newborn infant. Pediatrics. 1989 Aug;84(2):205-10. Abstract Aces 1/1/2016
  11. KESROUANI, A et al. Pathologic and laboratory correlation in microcephaly associated with prenatal cocaine exposure. Early Human Development , Volume 63 , Issue 2 , 79 - 81 Abstract Aces. 1/1/2016
  12. ARORA, Mala; SHARMA, Alok. A Practical Guide to First Trimester of Pregnancy. New Delhi: JP Medical Ltd, 2014 Google Books Aces. 1/1/2016
  13. McElrath TF, Allred EN, Kuban K, et al. Factors associated with small head circumference at birth among infants born before the 28th week. American journal of obstetrics and gynecology. 2010;203(2):138.e1-138.e8. doi:10.1016/j.ajog.2010.05.006. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2989671/ Aces. 1/1/2016
  14. Teratology in the Twentieth Century Plus Ten
  15. a b «Ministério da Saúde confirma relação entre microcefalia e o zika vírus». G1. Consultado em 28 de novembro de 2015. 
  16. a b «Entenda o que é a microcefalia e como se proteger do surto». G1. Consultado em 28 de novembro de 2015. 
  17. GARNE, E and et al, 'Spectrum of Congenital Anomalies in Pregnancies with Pregestational Diabetes', Birth Defects Res A Clin Mol Teratol. 2012 Mar;94(3):134-40. doi: 10.1002/bdra.22886. Epub 2012 Feb 28. PDF Aces. 1/1/ 2016
  18. BRUCK, Isac et al . Síndrome de rett relato de 7 casos. Arq. Neuro-Psiquiatr., São Paulo , v. 48, n. 4, p. 489-492, dez. 1990 . Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X1990000400014&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 31 dez. 2015. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-282X1990000400014.}}
  19. SILVA, Ronaldo J. M. Infecções congênitas (cap. 10) in: MELO-SOUZA, Sebastião E. Tratamento das doenças neurológicas. RJ: Guanabara Koogan, 2000
  20. «Fiocruz comprova relação entre zika e doença rara». Zero Hora. Consultado em 25 de novembro de 2015. 
  21. «Para infectologista, dengue deve ter mais atenção do que Zika». Jornal do Commercio. Consultado em 22 de novembro de 2015. 
  22. «Zika vírus já foi registrado em 14 estados, segundo Ministério da Saúde». G1. Consultado em 22 de novembro de 2015. 
  23. «Especialistas investigam aumento de casos de microcefalia no Nordeste». G1. Consultado em 22 de novembro de 2015. 
  24. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Protocolo de vigilância e resposta à ocorrência de microcefalia relacionada à infecção pelo vírus Zika / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. – Brasília: Ministério da Saúde, 2015 p. 19 PDF Aces. Jan.2016
  25. Natália Cancian (3/12/2015). «Ministério da Saúde vai rever critério para definir microcefalia». Folha de S.Paulo. Consultado em 4/12/2015. 
  26. [1]
  27. [2]
  28. Microcephaly (Small Head), Cerebral Palsy and Birth Injuries Reiter & Walsh ABC Law Centers Aces. Jan. 2016]
  29. Programa de Pós Graduação em Biotecnologia-Universidade Federal de São Carlos-SP- Jun 2016-Disciplina-Polimorfismos do DNA e Metabolismo-Prof. Dr. Euclides Matheucci Junior, Prof. Dr. Caio César Freire- Discente: João Gilberto Bernardi soares
  30. Mayo Clinic Staff. Microcephaly. Mayo Clinic Aces. 1/1/2016
  31. Beltrame, Beatriz (20 de janeiro de 2016). «Entenda o que é Microcefalia e quais são as consequências para o bebê». Tua Saúde. Consultado em 4 de fevereiro de 2016. 
  32. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Protocolo de vigilância e resposta à ocorrência de microcefalia relacionada à infecção pelo vírus Zika / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. – Brasília: Ministério da Saúde, 2015 p. 19 PDF Aces. Jan.2016
  33. Programa de Pós Graduação em Biotecnologia-Universidade Federal de São Carlos-SP- Jun 2016-Disciplina-Polimorfismos do DNA e Metabolismo-Prof. Dr. Euclides Matheucci Junior, Prof. Dr. Caio César Freire- Discente: João Gilberto Bernardi soares
  34. Mateen, Farrah J. (2010). ‘Pinheads’: the exhibition of neurologic disorders at ‘The Greatest Show on Earth’ [S.l.: s.n.] ISBN 21115959 Verifique |isbn= (Ajuda).