O Dia em que a Terra Parou (álbum)

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O Dia em que a Terra Parou
Álbum de estúdio de Raul Seixas
Lançamento dezembro de 1977 (1977-12)
Gravação 1977
Estúdio(s) Estúdios Level e Haway, no Rio de Janeiro; e estúdio Vice-versa, em São Paulo
Gênero(s)
Duração 34:40
Idioma(s) Português
Formato(s) LP e Fita cassete
Gravadora(s) Warner Music Brasil
Produção Marco Mazzola
Cronologia de Álbuns de estúdio por Raul Seixas
Raul Rock Seixas
(1977)
Mata Virgem
(1978)
Singles de O Dia em que a Terra Parou
  1. "O Dia em que a Terra Parou"
    Lançamento: 1977 (1977)
  2. "Maluco Beleza"
    Lançamento: 1978 (1978)
  3. "Maluco Beleza (compacto duplo)"
    Lançamento: 1978 (1978)

O Dia em que a Terra Parou é o sétimo álbum de estúdio da carreira solo do cantor e compositor brasileiro Raul Seixas, tendo sido lançado pela gravadora Warner Music Brasil, em dezembro de 1977. As gravações ocorreram durante aquele ano em três estúdios: o Level e o Haway, no Rio de Janeiro; e o Vice-versa, em São Paulo. Este álbum foi o primeiro a ser lançado após a mudança do cantor de gravadora. Também, foi o primeiro álbum inteiramente realizado com um único parceiro na composição das músicas, Cláudio Roberto, velho amigo do cantor. Ao mesmo tempo, representou uma mudança estética do cantor e de temática no disco, com Raul de cabelo curto e trajando terno e gravata enquanto canta letras que falam sobre uma busca e um desejo de emancipação pessoal.

O álbum teve uma crítica fria da crítica especializada, com casos de revanchismo pela mudança de gravadora. O consenso crítico foi de que o disco representou uma simplificação - uma popularização - nas letras e nas mensagens, creditada à parceria com Cláudio Roberto. O álbum foi bem divulgado, com o lançamento de dois compactos que se tornariam sucessos - a canção título e "Maluco Beleza"; um videoclipe musical; uma turnê em teatros pelo país; e participações do cantor em programas de rádio e televisão. As vendagens não foram boas para o padrão esperado pela gravadora, apesar do disco ser, hoje, considerado um dos pontos altos da carreira de Raul.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Durante sua carreira fonográfica como artista, após demitir-se do emprego de produtor musical na Discos CBS, Raul foi desenvolvendo a ideia de que sua gravadora não o considerava um grande artista do primeiro time da música popular brasileira, uma posição que permitiria que gravasse com absoluta liberdade artística e que sua relação com a gravadora fosse guiada pelo prestígio que a sua condição de contratado traria à gravadora, como ocorria com outros artistas como Gilberto Gil, Caetano Veloso ou Chico Buarque. Isto é, o cantor baiano não queria que a vendagem de seus discos não fosse determinante para o seu status dentro da gravadora, mas sim os seus resultados estéticos. Para a confirmação desta ideia, foi determinante a redução da vendagem de seu disco Novo Aeon, quando a gravadora passou a pressioná-lo pelo lançamento de um álbum que vendesse como os seus primeiros lançamentos - Krig-ha, Bandolo! e Gita.[1][2]

Logo, durante as sessões de gravação de Há 10 Mil Anos Atrás, o cantor testou os limites porque sabia que tinha um sucesso nas mãos.[3] Isto confirmou a sua hipótese e, com o lançamento e sucesso do álbum, o cantor decidiu gravar um disco com regravações de rocks antigos, inspirado pelo lançamento de Rock 'n' Roll, álbum de John Lennon. Assim, durante a finalização da produção desse álbum, Raul tomou a decisão de trocar de gravadora, deixando a Phonogram para entrar na recém aberta Warner Music Brasil. A escolha dessa gravadora foi determinada, também, pela descoberta de que Marco Mazzola, produtor de seus quatro primeiros álbuns na Phonogram, havia entrado na mesma gravadora, a convite de André Midani - também saído daquela gravadora.[4]

Gravação e produção[editar | editar código-fonte]

Todas as músicas foram compostas por Raul Seixas e Cláudio Roberto.

Resenha musical[editar | editar código-fonte]

Traz um de seus maiores sucessos, "Maluco Beleza", além de outros como "Sapato 36", "No Fundo do Quintal da Escola", "Que Luz É Essa?" (com participação de Gilberto Gil) e a canção título.

No disco, há duas incursões pelo funk nas faixas "De Cabeça-pra-Baixo" e "Tapanacara" (acompanhado pela Banda Black Rio),[5] essa última, uma resposta à canção "Odara" do álbum Bicho de Caetano Veloso,[6] lançado no mesmo ano.[7]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Lançamento[editar | editar código-fonte]

O disco representou uma ruptura estética para Raul. Agora, ele se mostrava de cabelos curtos e vestido de terno, contra uma imagem mais anti-sistema dos discos anteriores. Isto acarretou numa performance ruim em termos de vendas: o álbum encalhava nas lojas, mesmo vendido a dois cruzeiros.[8]

Relançamentos[editar | editar código-fonte]

Faixas[editar | editar código-fonte]

Todas as canções escritas e compostas por Raul Seixas e Cláudio Roberto

Lado A
N.º Título Duração
1. "Tapanacara"   3:08
2. "Maluco Beleza"   3:25
3. "O Dia em que a Terra Parou"   4:25
4. "No Fundo do Quintal da Escola"   3:00
5. "Eu Quero Mesmo"   2:38
Duração total:
16:36
Lado B
N.º Título Duração
6. "Sapato 36"   3:20
7. "Você"   3:11
8. "Sim"   3:28
9. "Que Luz É Essa?"   5:26
10. "De Cabeça-pra-Baixo"   2:37
Duração total:
18:02

Créditos[editar | editar código-fonte]

Créditos dados pelo Discogs.[9]

Músicos[editar | editar código-fonte]

Ficha técnica[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Rada Neto, 2013, pp. 157-163.
  2. Souza, 2011, pp. 135-138.
  3. Seixas; Essinger, 2005, p. 110.
  4. Medeiros, 2019.
  5. Silvio Essinger; Raul Seixas e Kika Seixas. Ediouro Publicações, ed. O baú do Raul revirado. 2005. [S.l.: s.n.] 116 páginas. ISBN 9788500017872 
  6. Pedro Alexandre Sanches (2004). Como dois e dois são cinco: Roberto Carlos (& Erasmo & Wanderléa). [S.l.]: Boitempo Editorial. 190 páginas. ISBN 9788575590584 
  7. Dunn, Christopher (2001). Brutality Garden: Tropicália and the Emergence of a Brazilian Counterculture. ISBN 978-0807849767.
  8. BARCINSKI, 2014, p. 66.
  9. «Raul Seixas - O Dia em que a terra parou». Discogs. N.d. Consultado em 7 de dezembro de 2017 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BARCINSKI, André. Pavões Misteriosos — 1974-1983: A explosão da música pop no Brasil São Paulo: Três Estrelas, 2014.
  • MEDEIROS, Jotabê. Raul Seixas: Não diga que a canção está perdida. São Paulo: Editora Todavia, 2019.
  • RADA NETO, José. O Iê-Iê-Iê Realista de Raul Seixas: trajetória artística e relações com a indústria cultural. Monografia de Conclusão de Curso. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2013.
  • SOUZA, Lucas Marcelo Tomaz de. Eu devia estar contente: a trajetória de Raul Santos Seixas. Dissertação de mestrado. Marília: Unesp, 2011.