Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10

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Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10
Álbum de estúdio de Raul Seixas, Sérgio Sampaio, Edy Star e Miriam Batucada
Lançamento 21 de julho de 1971 (1971-07-21)
Gravação Duas semanas entre junho e julho de 1971
Estúdio(s) Estúdios CBS, no Rio de Janeiro
Gênero(s) MPB, rock psicodélico, marcha, valsa, samba, bolero, choro, baião e partido-alto
Duração 29:35
Idioma(s) Português
Formato(s) LP e CD (relançamentos em 1995, 2000 e 2010)
Gravadora(s) Discos CBS, Rock Company e Sony Music Entertainment
Produção Raul Seixas e Mauro Motta
Cronologia de Álbuns de estúdio por Raul Seixas
Raulzito e os Panteras
(1968)
Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock
(1973)
Cronologia de Sérgio Sampaio
Eu Quero É Botar meu Bloco na Rua
(1973)
Cronologia de Edy Star
Sweet Edy
(1974)
Cronologia de Miriam Batucada
Amanhã Ninguém Sabe
(1974)

Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 é um álbum de estúdio do cantor, compositor e produtor Raul Seixas, do cantor e compositor Sérgio Sampaio, do cantor, ator, dançarino, produtor teatral e artista plástico Edy Star e da cantora Miriam Batucada, lançado em 21 de julho de 1971 pela gravadora Discos CBS e gravado em duas semanas entre junho e julho de 1971 nos Estúdios CBS, no Rio de Janeiro.

Este disco é a segunda tentativa de Raul Seixas de iniciar uma carreira artística de sucesso, após o fracasso com o único disco lançado pelo seu primeiro grupo, já no final da Jovem Guarda. É, também, a estreia discográfica de Sérgio Sampaio, Edy Star e Miriam Batucada, embora apenas o cantor capixaba fosse continuar em uma linha próxima a deste disco.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Gravação, produção e lendas sobre a realização do disco[editar | editar código-fonte]

Foi gravado em 1971 nos estúdios da CBS, no Rio de Janeiro, pelos quatro kavernistas. Quando lançado, o disco não obteve sucesso nem de público nem de crítica. Foi abandonado à própria sorte até mesmo pela gravadora, cujos executivos tanto no Brasil como na matriz, nos Estados Unidos não gostaram do resultado final. Com isso, não houve investimento em divulgação do trabalho nas rádios e programas musicais da época.

Muitas lendas cercam esse disco que traz 11 faixas intercaladas por vinhetas. A principal delas diz que Raul, Sérgio, Edy e Míriam gravaram as músicas às escondidas, à noite, sem que ninguém na CBS soubesse, e que por esse motivo Raul Seixas, então um bem-sucedido produtor da gravadora, teria sido demitido. No entanto, segundo Edy Star, único sobrevivente dos quatro artistas (Raul morreu em 1989, Sérgio e Míriam em 1994), o trabalho foi profissional e feito com o conhecimento da gravadora. Durou 15 dias, com hora marcada no estúdio e anuência do diretor artístico da CBS. E Raul não foi demitido. Tanto que no ano seguinte, em 1972, produziu o compacto Diabo no Corpo, de Míriam Batucada, e o LP de estreia da cantora Diana, na própria CBS. Raul só saiu da gravadora meses depois desse último trabalho, sendo contratado pela RCA Victor.

A ideia inicial foi de Raul Seixas, inspirado pelos recém lançados discos Freak Out (1966), de Frank Zappa, e Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967), dos Beatles, além da brasileira Tropicália, mas a obra foi levada a cabo em conjunto pelos quatro 'kavernistas'. Cada um cantou duas canções sozinho – Raul e Sérgio cantaram juntos outras três. Raul tocou praticamente todos os instrumentos. As composições são todas de Raul e Sérgio Sampaio, exceto "Soul Tabarôa", de Antônio Carlos e Jocáfi e "Chorinho Inconsequente", parceria de Sampaio com Edy Star.

Míriam Batucada não foi a primeira opção de voz feminina no grupo. A prioridade era Diana, mulher de Odair José, mas como ela estava muito identificada com o iê-iê-iê e a música romântica, foi descartada. Em seguida, pensou-se em chamar Lena Rios (que, no ano seguinte, defenderia uma música de Raul – "Eu Sou Eu, Nicuri é o Diabo" – no VII Festival Internacional da Canção), que estava iniciando na CBS sob recomendação de Torquato Neto. Mas Míriam apareceu na gravadora e sua voz rouca e bom humor conquistou Raul, Sérgio e Edy.

Resenha musical[editar | editar código-fonte]

Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 traz músicas de vários estilos, como uma seresta (Sessão das 10) cantada por Edy; chorinho ("Chorinho Inconsequente") cantado por Míriam; e o único samba composto e gravado por Raul Seixas, "Aos Trancos e Barrancos".

Recepção[editar | editar código-fonte]

Lançamento[editar | editar código-fonte]

Fortuna crítica[editar | editar código-fonte]

Críticas profissionais
Avaliações da crítica
Fonte Avaliação
O Pasquim (1971) Favorável[1]
Última Hora (1971) Favorável[2]

O disco teve uma carreira curta devido ao recolhimento, tendo ficado, aproximadamente, um mês disponível no mercado. Isto não só prejudicou as vendagens como, também, a análise crítica do material. Sendo assim, a grande maioria dos críticos de música em atividade na época ignorou o lançamento do álbum. As únicas exceções foram o poeta piauiense Torquato Neto, em sua coluna no jornal Última Hora, do Rio de Janeiro, e o filósofo Luiz Carlos Maciel, que escrevia para o semanário brasileiro O Pasquim. Logo, é possível perceber que o disco teve alguma carreira - ainda que curta - entre divulgadores da contracultura brasileira.[3]

Relançamentos[editar | editar código-fonte]

Depois de muito tempo condenado ao ostracismo por ter ficado fora de catálogo, o disco voltou às lojas no formato CD, primeiro numa edição limitada da Rock Company (1995) e, depois, pela Sony (2000 e 2010). A edição de 2000 foi bastante criticada à época por não trazer as letras nem a contracapa com ficha técnica e fotos dos integrantes do grupo. A edição de 2010 tem capa e contracapa restaurados, encarte com ficha técnica e letras das músicas, e som remasterizado.[4] As edições de 1995 e 2000 são difíceis de encontrar atualmente, bem como os LPs originais, considerados itens de colecionador que valem pequenas fortunas. Surpreendentemente, a faixa "Eu Vou Botar Pra Ferver" tem sido tocada em algumas rádios.

Legado[editar | editar código-fonte]

Faixas[editar | editar código-fonte]

Faixas e créditos de autoria e de interpretações dados pelo Discogs.[5]

Lado A
N.º TítuloCompositor(es) Duração
1. "Êta Vida" (Raul Seixas e Sérgio Sampaio)Raul Seixas / Sérgio Sampaio 2:28
2. "Sessão das Dez" (Edy Star)Raul Seixas 2:44
3. "Eu Vou Botar pra Ferver" (Raul Seixas e Sérgio Sampaio)Raul Seixas / Sérgio Sampaio 2:25
4. "Eu Acho Graça" (Sérgio Sampaio)Sérgio Sampaio 2:49
5. "Chorinho Inconsequente" (Miriam Batucada)Edy Star / Sérgio Sampaio 1:56
6. "Quero Ir" (Raul Seixas e Sérgio Sampaio)Raul Seixas / Sérgio Sampaio 2:20
Lado B
N.º TítuloCompositor(es) Duração
1. "Soul Tabarôa" (Miriam Batucada)Antônio Carlos e Jocáfi 2:44
2. "Todo Mundo Está Feliz" (Sérgio Sampaio)Sérgio Sampaio 2:56
3. "Aos Trancos e Barrancos" (Raul Seixas)Raul Seixas 2:27
4. "Eu não Quero Dizer Nada" (Edy Star)Sérgio Sampaio 3:06
5. "Dr. Paxeco" (Raul Seixas)Raul Seixas 3:11
6. "Finale" (Raul Seixas, Sérgio Sampaio, Edy Star e Miriam Batucada)Raul Seixas / Sérgio Sampaio / Edy Star / Miriam Batucada 0:29
Duração total:
29:35

Créditos[editar | editar código-fonte]

Créditos dados por Rodrigo Moreira.[6]

Músicos[editar | editar código-fonte]

O disco foi gravado com integrantes das bandas Renato e Seus Blue Caps e Lafayette e seu Conjunto.

Ficha técnica[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Maciel, 1971.
  2. Torquato Neto, 1971.
  3. Moreira, 2003.
  4. Garcia, Lauro Lisboa (3 de março de 2010). «Relíquia de Raul Seixas em pacote de reedições». O Estado de S. Paulo. Consultado em 16 de janeiro de 2018. 
  5. «Sociedade Da Grã-Ordem Kavernista ‎– Sociedade Da Grã-Ordem Kavernista Apresenta: Sessão Das 10». Discogs. N.d. Consultado em 16 de janeiro de 2018. 
  6. Moreira, 2003, pp. 51-53.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ALBUQUERQUE, Teresa. Disco anárquico gravado em 1971 por Raul Seixas, Sérgio Sampaio, Edy Star e Miriam Batucada é relançado em CD. Correio Braziliense, 07 de março de 2010.
  • ARAÚJO NETO, Torquato Pereira de. Geleia Geral. Última Hora, agosto de 1971.
  • BITTENCOURT, Sérgio. Tamos aí. O Globo, 21 de julho de 1971, p. 5.
  • BOSCATO, Luis Alberto Lima. Vivendo a sociedade alternativa. Tese de Doutorado. São Paulo: FFLCH/USP, 2006.
  • COLOMBO, Patrícia. 'Achavam que éramos maçons', diz Edy Star sobre álbum com Raul Seixas. UOL, 20 de agosto de 2014.
  • FEREZINI, Edson Leão. Interinfluências entre o processo de consolidação do rock no cenário musical brasileiro e processos de renovação estética da MPB. Anais do I Congresso Internacional de Estudos do Rock. Cascavel: UNIOSTE, 2013.
  • GARCIA, Lauro Lisboa. Relíquia de Raul Seixas em pacote de reedições. O Estado de S. Paulo, 03 de março de 2010.
  • JORGE, Cibele Simões Ferreira Kerr. Raul Seixas: Um Produtor de mestiçagens musicais e midiáticas. Tese de Doutorado. São Paulo: PUC-SP, 2012.
  • KAISER, Millos. O primeiro gay a gente nunca esquece. Revista Trip, número 188, maio de 2010, pp. 120-125.
  • MACIEL, Luiz Carlos. Sessão das Dez. O Pasquim, agosto de 1971.
  • MENDES, André Carlos Moreira. As 'muitasmorfoses' ambulantes no rock de Raul Seixas: critica cultural, social e estética durante a repressão da ditadura militar (1968-1976). Monografia de Conclusão de Curso. Curitiba: Faculdade de História da UFPR, 2003.
  • MOREIRA, Rodrigo. Eu quero é botar meu bloco na rua: a biografia de Sérgio Sampaio. Rio de Janeiro: Muiraquitã, 2003.
  • MOTTA, Nelson. Recuerdos del anonimato. O Globo, 18 de fevereiro de 1974, p. 27.
  • PIMENTEL, João. Disco cultuado de Raul Seixas, Sergio Sampaio e cia. é relançado. O Globo, 14 de março de 2010, Segundo caderno, p. 2.
  • RADA NETO, José. O Iê-Iê-Iê Realista de Raul Seixas: trajetória artística e relações com a indústria cultural. Monografia de Conclusão de Curso. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2013.
  • RADA NETO, José. Raul(zito) Seixas como produtor musical: aprendizado prático e construção da imagem artística. Anais do XXVII Simpósio Nacional de História. Natal: ANPUH, 2013.
  • SOUZA, Lucas Marcelo Tomaz de. Eu devia estar contente: a trajetória de Raul Santos Seixas. Dissertação de mestrado. Marília: Unesp, 2011.
  • VALLE, Fernando do. O esquecido e genial disco 'A sociedade da grã-ordem kavernista apresenta sessão das dez'. Vi Shows, 20 de janeiro de 2016.
  • Miriam Batucada muda o ritmo no Novo 'long-play'. O Globo, 01 de setembro de 1971, p. 5.