Ochnaceae

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Flor de Campylospermum schoenleinianum

Flor de Campylospermum schoenleinianum
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Malpighiales
Família: Ochnaceae
DC.[1]
Géneros
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Ochnaceae, ou ocnáceas[2] é uma família de plantas angiospérmicas (plantas com flor - divisão Magnoliophyta), pertencente à ordem Malpighiales.[3] No Sistema APG III de classificação das plantas com flor, as Ochnaceae foram definidas de forma mais ampla, de modo a incluir cerca de 550 espécies,[4] e abrange as famílias Medusagynaceae e Quiinaceae, que alguns taxonomistas têm considerado como táxons segregados.[1] Numa pesquisa filogenética publicada em 2014, as Ochnaceae foram reconhecidas no seu sentido mais amplo,[5] mas dois estudos publicados no âmbito da APG III têm aceite a existência das pequenas famílias das Medusagynaceae e Quiinaceae.[4] [6]

As Ochnaceae, sejam definidas estrita ou latamente, são pantropicais na sua distribuição de espécies, havendo algumas espécies cultivadas fora da sua área de distribuição natural. Existe maior biodiversidade de Ochnaceae na região neotropical, com um segundo centro de diversidade na região afro-tropical.[5] Compreende principalmente arbustos e pequenas árvores, e, no género Sauvagesia, algumas poucas espécies herbáceas. Muitas são árvores de pequenas dimensões, com um único tronco ereto, mas baixo. As Ochnaceae distinguem-se pelas sua folhas pouco usuais. São frequentemente brilhantes, com nervuras paralelas pouco espaçadas, margens dentadas, e estípulas bem perceptíveis. A maioria das espécies é polinizada por vibração.[7] Em oito dos géneros da tribo Sauvagesieae, a morfologia da flor é modificada após a sua abertura, através da proliferação celular de tecidos internos da flor.[5]

Algumas espécies de Ochna são cultivadas como ornamentais.[8] Ochna thomasiana é, provavelmente, a que é mais frequentemente plantada mas é por vezes mal identificada na literatura hortícola.[9]

As folhas de Cespedesia chegam a atingir um metro de comprimento e são usadas em telhados de colmo.[10] É feito um chá de ervas com a espécie ruderal pantropical Sauvagesia erecta.

A evolução Ochnaceae apresenta caraterísticas pouco usuais, como a "reversão" para estados de caráter vistos como ancestrais ou primitivos. Por exemplo, a simetria floral actinomórfica reapareceu na subfamília Ochnoideae. Também dois clados de Ochnaceae, um nas Ochnoideae e outro nas Quiinoideae têm uma condição derivada próxima da apocarpia (separação completa dos carpelos), que se pensa ser um estado ancestral nas angiospérmicas.[11]

Conhecem-se fósseis atribuídos a Ochnaceae do Eoceno Inferior do Mississippi.[12] A idade da família é muito vagamente estimada em 100 milhões de anos.[13]

Muitos géneros botânicos têm sido incluídos nas Ochnaceae.[14] numa revisão taxonómica da família, decomposta em três famílias, em 2014, apenas 32 destes géneros foram aceites; um nas Medusagynaceae, quatro nas Quiinaceae, e 27 nas Ochnaceae, em sentido estrito.[4] Nesse mesmo ano, um trigésimo terceiro género, Neckia, foi revalidado de modo a preservar a monofilia de outro género, Sauvagesia.[5]

Os maiores géneros das ocnáceas são: Ouratea (200 espécies), Ochna (85), Campylospermum (65), Sauvagesia (39), e Quiina (34).[4] Nenhum dos maiores géneros foi sujeito a análise filogénica de sequências de DNA de genes selecionados. Num estudo da subfamília Quiinoideae, baseado na região espaçadora intergénica trn L-F, apenas nove espécies desta subfamília foram usadas como amostra.[15]

Géneros[editar | editar código-fonte]

A seguinte lista de 33 géneros inclui Neckia, revalidado em 2014,[5] mais os 32 géneros descritos na revisão de 2014 das Ochnaceae.[4] [16] [17] A classificação é de Schneider et al (2014).[5]

MEDUSAGYNOIDEAE
QUIINOIDEAE
clade
clade
OCHNOIDEAE
Testuleeae
Luxemburgieae
Ochneae
Lophirinae
Elvasiinae
Ochninae
Sauvagesieae

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b Angiosperm Phylogeny Group (2009). «An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III» (PDF). Botanical Journal of the Linnean Society [S.l.: s.n.] 161 (2): 105–121. doi:10.1111/j.1095-8339.2009.00996.x. Consultado em 2013-07-06. 
  2. Priberam Informática, S.A. «Significado / definição de ocnáceas no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa». Consultado em 11 de abril de 2016. 
  3. Vernon H. Heywood, Richard K. Brummitt, Ole Seberg, and Alastair Culham. Flowering Plant Families of the World. Firefly Books: Ontario, Canada. (2007). ISBN 978-1-55407-206-4.
  4. a b c d e Maria do Carmo E. Amaral, and Volker Bittrich. 2014. "Ochnaceae". pages 253-268. doi:10.1007/978-3-642-39417-1_19 In: Klaus Kubitzki (editor). 2014. The Families and Genera of Vascular Plants volume XI. Springer-Verlag: Berlin, Heidelberg,, Germany. ISBN 978-3-642-39416-4 (print). ISBN 978-3-642-39417-1 (eBook). doi:10.1007/978-3-642-39417-1
  5. a b c d e f Julio V. Schneider, Pulcherie Bissiengou, Maria do Carmo E. Amaral, Ali Tahir, Michael F. Fay, Marco Thines, Marc S.M. Sosef, Georg Zizka, and Lars W. Chatrou. 2014. "Phylogenetics, ancestral state reconstruction, and a new infrafamilial classification of the pantropical Ochnaceae (Medusagynaceae, Ochnaceae s.str., Quiinaceae) based on five DNA regions". Molecular Phylogenetics and Evolution 78:199-214. doi:10.1016/j.ympev.2014.05.018.
  6. Zhenxiang Xi, Brad R. Ruhfel, Hanno Schaefer, André M. Amorim, Manickam Sugumaran, Kenneth J. Wurdack, Peter K. Endress, Merran L. Matthews, Peter F. Stevens, Sarah Mathews, and Charles C. Davis. 2012. "Phylogenomics and a posteriori data partitioning resolve the Cretaceous angiosperm radiation Malpighiales". PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences U.S.A.) 109(43):17519-17524. doi:10.1073/pnas.1205818109.
  7. Paul A. De Luca and Mario Vallejo-Marin. 2013. "What's the buzz about? The ecology and evolutionary significance of buzz pollination". Current Opinion in Plant Biology 16(4):429-435. doi:10.1016/j.pbi.2013.05.002.
  8. Anthony Huxley, Mark Griffiths, and Margot Levy (1992). The New Royal Horticultural Society Dictionary of Gardening. The Macmillan Press,Limited: London. The Stockton Press: New York. ISBN 978-0-333-47494-5 (set).
  9. Warren L. Wagner, Derral R. Herbst, and Sy H. Sohmer. Manual of the Flowering Plants of Hawaii, Revised Edition, 1999. Bishop Museum Press: Hololulu
  10. D. J. Mabberley (1 May 2008). Mabberley's Plant-book: A Portable Dictionary of Plants, Their Classification and Uses Cambridge University Press [S.l.] ISBN 978-0-521-82071-4. 
  11. Peter K. Endress. 2011. "Evolutionary diversification of the flowers in angiosperms". American Journal of Botany 98(3):370-396. doi:10.3732/ajb.1000299.
  12. Daniel Danehy, Peter Wilf, and Stefan A. Little. 2007. "Early Eocene macroflora from the red hot truck stop locality (Meridian, Mississippi, USA)". Palaeontologia Electronica 10(3):17A:31pages.
  13. Susana Magallon, Khidir W. Hilu, and Dietmar Quandt. 2013. "Land plant evolutionary timeline: Gene effects are secondary to fossil constraints in relaxed clock estimation of age and substitution rates". American Journal of Botany 100(3):556-573. doi:10.3732/ajb.1200416.
  14. «Ochnaceae». Consultado em 11 de abril de 2016. 
  15. Julio V. Schneider, Ulf Swenson, Rosabelle Samuel, Tod Stuessy, and Georg Zizka. 2006. "Phylogenetics of Quiinaceae (Malpighiales): evidence from trnL-trnF sequence data and morphology". Plant Systematics and Evolution 257(3-4):189-203. doi:10.1007/s00606-005-0386-5.
  16. Klaus Kubitzki. 2014. "Quiinaceae". pages 277-281. doi:10.1007/978-3-642-39417-1_22. In: Klaus Kubitzki (editor). 2014. The Families and Genera of Vascular Plants volume XI. Springer-Verlag: Berlin, Heidelberg,, Germany. ISBN 978-3-642-39416-4 (print). ISBN 978-3-642-39417-1 (eBook). doi:10.1007/978-3-642-39417-1
  17. William C. Dickison and Klaus Kubitzki. 2014. "Medusagynaceae". pages 249-251. doi:10.1007/978-3-642-39417-1_18. In: Klaus Kubitzki (editor). 2014. The Families and Genera of Vascular Plants volume XI. Springer-Verlag: Berlin, Heidelberg,, Germany. ISBN 978-3-642-39416-4 (print). ISBN 978-3-642-39417-1 (eBook). doi:10.1007/978-3-642-39417-1

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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