Malpighiaceae

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaMalpighiaceae
Galphimia gracilis Bartl.
Galphimia gracilis Bartl.
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Angiosperma
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Malpighiales
Família: Malpighiaceae
Juss.
Subfamílias

Malpighiaceae é uma família botânica que atualmente compreende 75 gêneros e cerca de 1300 espécies distribuídas nos trópicos, especialmente na América do Sul. No Brasil há 38 gêneros, com destaque na região Centro-Oeste, que inclui maior parte da diversidade da família no Brasil.

O nome Malpighia foi idealizado por Carolus Linnaeus, em homenagem ao botânico e professor italiano Marcello Malpighi (10 de março de 1628-1694), que também escreveu uma ópera em latim em homenagem às plantas.

A família malpighiácea é composta principalmente por árvores e lianas que geralmente apresentam glândulas na base da lâmina ou no pecíolo, característica essa restrita à família. As flores são caracterizadas pela presença de um par de glândulas na base externa de cada uma das cinco sépalas, geralmente persistente no fruto; essas glândulas secretam óleos com finalidade de atrair polinizadores, em sua maioria abelhas.

A espécie de malpighiacea mais conhecida no Brasil é a Malpighia emarginata ou acerola que possui uma polpa carnosa de grande valor nutricional, pois é rica em vitamina C, sendo de grande importância econômica. Alguns gêneros dessa família são bem conhecidas na região nordeste do Brasil como o gênero Byrsonima cujo fruto conhecido como “murici” é utilizado na culinária, a madeira utilizada na construção civil e a casca na industria têxtil. Também são utilizadas como plantas ornamentais e medicinais. A espécie Banisteriopsis caapi contém alcalóides narcóticos e é utilizada na ayahuasca.

A família Malpighiaceae é uma das dez mais bem representadas no cerrado (Mendonça et al. 1998), bioma em que há grande carência de estudos estruturais, especialmente no que se refere aos frutos e sementes. Essa família apresenta aproximadamente 60 gêneros e 1.200 espécies de árvores e lianas, distribuídas pelas regiões tropicais e subtropicais, especialmente no continente americano, onde ocorrem 44 gêneros e 800 espécies (Anderson 1981, Ribeiro et al. 1999).[1]

Malpighiaceae possui distribuição pantropical, incluindo 75 gêneros e cerca de 1.300 espécies (Davis & Anderson 2010, Anderson, 2013). O centro de diversidade do grupo concentra-se na América do Sul em áreas de Cerrado, sendo no Brasil representado por 44 gêneros e 561 espécies (Anderson 1979, Mamede et al. 2015). A família é caracterizada pela presença de cinco pétalas unguiculadas, alternas às sépalas do cálice, que em geral portam um par de elaióforos na base. Na maioria das espécies, o androceu apresenta dez estames e o gineceu três carpelos uniovulados, cada um contendo um estilete. Os frutos são esquizocárpicos, podendo possuir alas, ou drupáceos (Sebastiani & Mamede 2010).[2]

A família Malpighiaceae compreende ca. 1.300 espécies, distribuídas em 75 gêneros. Dessas, aproximadamente 85% ocorrem nos neotrópicos, são polinizadas por abelhas especializadas em coleta de óleo e ocupam uma grande variedade de hábitats (Davis et al., 2002; Anderson, 2006; Anderson & Corso, 2007; Anderson & Davis, 2007).[3]

Há basicamente duas hipóteses para explicar a diversificação de Malpighiaceae. Vogel propôs a hipótese aborígene gondwaniana, em que a atual distribuição da família resultou da quebra do grande continente, a Gondwana (Davis et al., 2002). Anderson (1990) e outros botânicos sugerem a hipótese de colonização americana, em que Malpighiaceae se diversificou no nordeste da América do Sul em isolamento da África e se dispersou em direção ao leste, ao longo do Oceano Atlântico, pelo menos duas vezes. Esta hipótese pressupõe que a divergência das linhagens do Novo Mundo e do Velho Mundo é mais recente do que a última conexão entre a América e a África, o que está de acordo com as indicações de Davis et al. (2002).[3]

De acordo com a análise filogenética feita por Davis et al. (2002), Malpighiaceae é dividida em dois grandes grupos, sendo um deles a subfamília Byrsonimoideae do Novo Mundo, e o outro maior, contendo as demais espécies da família, que se distribuem tanto as no Novo Mundo como no Velho Mundo. A espécie fóssil de Tetrapterys encontrada nos Estados Unidos é datada do início do Oligoceno (a cerca de 33 milhões de anos) e sugere que a divergência entre este gênero e suas linhagens irmãs ocorreu durante este período. Este fato pressupõe que a idade mínima de Malpighiaceae é estimada em 63,3 milhões de anos.[3]

Segundo Davis et al. (2002), a família Malpighiaceae se diversificou após a última conexão conhecida entre a África e a América. O provável ponto de origem e diversificação da família deve ter sido na porção nordeste da América do Sul e a sua expansão em direção às áreas paleotropicais deve ter se dado via Laurásia, em épocas cujo clima tenha favorecido este evento.[3]

A partir do ponto de diversificação no nordeste da América do Sul, várias espécies de frutos alados devem ter migrado em direção à América do Norte, durante o início do Eoceno (Davis et al., 2002). Da América do Norte estas linhagens podem ter migrado em direção ao leste via Laurásia para o Velho Mundo, diversificando-se na África e na Ásia.[3]

Niedenzu (1928) dividiu Malpighiaceae em duas subfamílias, quanto ao tipo de fruto e de receptáculo floral. A subfamília Pyramidotorae (= Gaudichaudioideae segundo Morton, 1968) apresenta fruto alado e receptáculo piramidal; a subfamília Planitorae (= 13 Malpighioideae segundo Morton, 1968) apresenta fruto não alado e receptáculo plano. Anderson (1977) descreveu uma terceira subfamília, Byrsonimoideae, a partir de alguns gêneros da subfamília Malpighioideae, por apresentarem estiletes subulados com estigmas diminutos. Anderson (1977) postulou que o surgimento de diferentes aves dispersoras de frutos carnosos ao longo do tempo favoreceu o desenvolvimento deste tipo de fruto mais de uma vez em Malpighiaceae.[3]

Morfologia[editar | editar código-fonte]

Frequentemente são lianas, mas há arbustossubarbustos e raramente, árvores (Lophanthera).

Galphimia glauca

Folha[editar | editar código-fonte]

The natural history of plants, their forms, growth, reproduction, and distribution; (1902) (14765514222).jpg 

As folhas geralmente são opostas, simples, em geral inteiras, ocasionalmente lobadas, com venação geralmente peninérvea, muitas vezes com duas ou mais glândulas no pecíolo ou na face abaxial. Normalmente são pilosas; tais pêlos, conhecidos por pêlos malpiguiáceos, são unicelulares, constituídos por um , de uma parte horizontal e são agudos nas pontas, semelhantes a agulhas imantadas.

Possuem células com cristais de oxalato de cálcio, em forma isolada, geminados ou drusa. Normalmente tem pecíolos articulados e estípulas inter ou intrapeciolares, livres ou concrescidas entre si.

Flor[editar | editar código-fonte]

A morfologia da flor é constante dentro da família, sendo facilmente reconhecidas; com inflorescências determinadas, geralmente são racemosas, mas também podem ser cimosas. Há alguns gêneros apresentam flores isoladas. Geralmente monoclinas ou bissexuadas, diclamídeas e com de simetria zigomorfa, cálice pentâmero dialissépalo com duas glândulas secretoras de óleo na face abaxial de todas as cinco pétalas ou nas quatro sépalas laterais.

Malpighia glabra (Acerola)

Estames geralmente 10, grão de pólen geralmente 3-5 colpados ou 4 a poliporados. Carpelos geralmente 3, ovário súpero com placentação axial, estilete geralmente livres, estigmas variados; um óvulo  por lóculo.

Fórmula Floral: K3-5;C4-5;A5+5;G3.

A morfologia das flores de Malpighiaceae é bastante homogênea, mas seus frutos possuem extrema diversidade (Anderson 1979), ocorrendo frutos indeiscentes, secos e carnosos, e frutos secos deiscentes, que podem ser alados ou sem alas, glabros ou pilosos (Anderson 1990). Nas Malpighiaceae, os frutos carnosos evoluíram separada e repetidamente em diversas épocas; acreditase que isso ocorreu devido ao advento de pássaros pequenos, típicos dispersores destes frutos (Anderson 1977). Tal diversidade carpológica torna bastante oportuna a realização de trabalhos como o aqui apresentado, em que foram estudados os frutos e sementes de Byrsonima intermedia A. Juss., espécie muito frequente nos cerrados da região de Botucatu, São Paulo, Brasil.[4]

Fruto[editar | editar código-fonte]

Cápsula esquizocarpica, constituído de 3 samarídeos (em forma de sâmaras) ou cocas; também pode ser drupa ou aquênio. A semente fica na base do samarídeo.

Distribuição[editar | editar código-fonte]

De acordo com o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a distribuição da família ocorre da seguinte maneira no Brasil:[5]

Mapa - Biomas do Brasil

Norte: (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins)

Nordeste: (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe)

Centro-oeste: (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso)

Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo)

Sul: (Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina)

Possíveis ocorrências:

Norte: (Amapá, Pará, Rondônia, Roraima)

Nordeste: (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Piauí, Sergipe)

Centro-oeste: (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso)

Sudeste: (Minas Gerais, Rio de Janeiro)

Sul (Paraná, Santa Catarina)

Domínios ocupados pela família Malpighiaceae:

Cerrado: conjunto de diferentes formas de vegetação. Sua área contínua abrange diversos estados ocupando cerca de 22% de todo território nacional, do ponto de vista de diversidade biológica o cerrado é conhecido como a savana mais rica do mundo, abrigando 11.627 espécies de plantas nativas já catalogadas.

Mata Atlântica: inclui formações florestais e não-florestais que ocorrem ao longo da costa brasileira, com grande amplitude latitudinal, desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul.

Pampas: caracterizado por vegetação campestre predominantemente herbácea ou subarbustiva e geralmente contínua, ocupa 2.1% do território brasileiro, exclusivamente no Rio Grande do Sul, mas com extensões para a Argentina, Uruguai e leste do Paraguai.

Pantanal: terras submetidas às inundações periódicas devido às cheias dos rios Paraná e Paraguai, ocupa 1,8% do território brasileiro e se distribui continuamente até a Bolívia, Paraguai e Argentina.

Caatinga: exclusivamente brasileiro composto por vegetação tipicamente xerófila, ocorre sob clima semi-árido ocupando 9,9% do território nacional.

Floresta Amazônia: possui grande variedade de espécies vegetais e ocupa 49,3% do território brasileiro estendendo-se pela Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e Guianas.

Gêneros[editar | editar código-fonte]

O gênero-tipo é Malpighia. Lista completa de acordo com The Plant List

Acmanthera, Acridocarpus,Adelphia, Aenigmatanthera,Alicia, Amorimia, Aspicarpa, Aspidopterys, Banisteriopsis (92 espécies), Barnebya, Blepharandra, Brachylophon, Bronwenia, Bunchosia (75 spp.), Burdachia, Byrsonima (150 spp.), Calcicola, Callaeum, Calyptostylis, Camarea, Carolus, Caucanthus, Christianella, Clonodia, Coleostachys, Cordobia, Diacidia, Dicella, Digoniopterys, Dinemagonum, Dinemandra, Diplopterys, Echinopterys, Ectopopterys, Excentradenia, Flabellaria, Gallardoa, Galphimia, Gaudichaudia, Glandonia, Heladena, Henleophytum, Heteropterys (120 spp.), Hiptage, Hiraea, Janusia, Jubelina, Lasiocarpus, Lophanthera, Lophopterys, Malpighia (30 spp.), Mascagnia, Mcvaughia, Mezia, Microsteira, Mionandra, Peixotoa, Peregrina, Philgamia, Pterandra, Psychopterys, Pterandra, Ptilochaeta, Rhynchophora, Rudolphia, Ryssopterys, Skoliopteris, Spachea, Sphedamnocarpus, Stigmaphyllon (subg. Stigmaphyllon: 92 spp., subg. Ryssopterys: 21 spp.), Tetrapteris (90 spp.), Thryallis, Triaspis, Tricomaria, Triopteris, Tristellateia e Verrucularia.

Galeria[editar | editar código-fonte]

Banisteriopsis sp.
Malpighia glabra
Byrsonima laxiflora

Nas espécies de Malpighiaceae, na APA de Algodoal/Maiandeua, constatou-se que a presença de glândulas, a forma do ápice foliar, as pétalas, principalmente a estandarte, e os frutos foram os principais caracteres diagnósticos utilizados para identificação dos táxons. O gênero Byrsonima Rich. ex Kunth foi o mais representativo na área, com três espécies, sendo Byrsonima laevis uma nova ocorrência para restinga do litoral paraense. Nesse ambiente, Byrsonima crassifolia e Heteropterys nervosa foram as espécies mais abrangentes, ocorrendo desde o campo de dunas até a floresta de restinga. Esta última formação vegetal foi a mais rica em espécies, abrangendo quatro das cinco espécies citadas na área de estudo.[6]

Notas

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Azevedo, Nathália Fernandes de. «Evolução cromossômica em mamíferos: estudos comparativos por pintura cromossômica em duas espécies de preguiças da família Bradypodidae e em duas espécies de marsupiais da família Didelphidae» 
  2. Alves, Gisele Gomes Nogueira; Sebastiani, Renata; Alves, Gisele Gomes Nogueira; Sebastiani, Renata (setembro de 2015). «Malpighiaceae na Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba, Santo André, SP, Brasil». Hoehnea. 42 (3): 521–529. ISSN 2236-8906. doi:10.1590/2236-8906-60/2014 
  3. a b c d e f Sebastiani, Renata (2010). «Estudos Taxonômicos em Janusia A. Juss. (Malpighiaceae)» (PDF). Tese (Doutorado) -- Instituto de Botânica da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Consultado em 30 de novembro de 2018 
  4. Souto, Letícia Silva; Oliveira, Denise Maria Trombert (dezembro de 2005). «Morphology, anatomy, and development of Byrsonima intermedia A. Juss. (Malpighiaceae) fruit and seed». Brazilian Journal of Botany. 28 (4): 697–712. ISSN 0100-8404. doi:10.1590/S0100-84042005000400005 
  5. Mamede, M.C.H.; Sebastiani, R.; Almeida, R.F.; Francener, A.; Amorim, A.M.A. 2015 Malpighiaceae in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
  6. Alexandrino, Vitor Hugo Dias; Sousa, Julio dos Santos de; Bastos, Maria de Nazaré do Carmo (dezembro de 2011). «Estudo taxonômico da família Malpighiaceae Juss. das restingas de Algodoal/Maiandeua, Maracanã, Pará, Brasil». Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi Ciências Naturais. 6 (3): 335–347. ISSN 1981-8114 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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