Oligochaeta

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en:Lumbricus terrestris, uma espécie de minhoca nativa da Europa, mas encontrada em várias partes do mundo.

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Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Annelida
Classe: Clitellata
Subclasse: Oligochaeta
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Oligochaeta ou oligoqueta (do grego ὀλίγος "pouco" e χαίτη "cerda"; "poucas cerdas"[1]) é uma subclasse que compreende mais de 6.000 espécies, onde a maioria vive em água doce ou ambientes terrestres. Cerca de 200 espécies invadiram com sucesso águas salobras e marinhas. A maioria são escavadores e apresentam prostômio reduzido e não possuem parapódios. Possuem o corpo altamente homônomo, (exceto região clitelar, brânquias ou cerdas) apresentam poucas cerdas móveis que são importantes para sua locomoção.

Anatomia[editar | editar código-fonte]

Anatomia externa[editar | editar código-fonte]

Externamente, o corpo pode ser homônomo ou incluir algumas especialização regional, com brânquias localizadas ou variação no comprimento das cerdas (que são poucas ocorrendo em pares de feixes segmentares) podendo ser divido em: prostômio, peristômio e pigídio. Entre o peristômio e o pigídio encontra-se o clitelo, uma região secretora que atua na reprodução. A cabeça é formada por um prostômio, que é geralmente muito pequeno, e um peristômio que frequentemente incorpora alguns segmentos corporais anteriores. A boca é ventral e está presente no peristômio, enquanto que o ânus está localizado no pigídio.[2]

Anatomia interna[editar | editar código-fonte]

A parede do corpo das Oligochaetas é composta por uma fina cutícula que cobre a epiderme que contém células glandulares mucossecretoras, abaixo da epiderme estão as camadas musculares circulares e logintudinais sendo a última revestida internamente pelo peritônio. Os septos intersegmentares são geralmente bem desenvolvidos e musculares sendo muito complexo, exceto nas extremidades posteriores e anteriores do animal, apresentando perfurações nos mesmos. Os Oligochaetas estão constantemente liberando um muco com a função de manter o tegumento do animal úmido para que possam realizar tanto as trocas gasosas através da epiderme, quanto auxiliar na fixação das paredes das galerias que esses animais constroem no solo.[2]

Sistema digestivo[editar | editar código-fonte]

O sistema digestivo é basicamente um tubo reto,com vários graus de especialização regional, particularmente em direção a extremidade anterior. Numa minhoca, por exemplo, a boca leva a uma região anterior do trato digestivo estomodeal, composta por um tubo bucal, uma faringe muscular e um esôfago. A parte posterior da esôfago frequentemente apresenta regiões formando um papo e moela. O esôfago também apresenta envaginações revestidas por tecido glandular que apresenta glândulas calcíferas removem o cálcio do material ingerido onde o excesso de cálcio é precipitado pelas glândulas como calcita e então liberado de volta à luz do trato digestivo. Entretanto a calcita não é absorvida pela parede intestinal e assim do corpo pelo ânus. Além disso, as glândulas calcíferas aparentemente regulam os níveis de íons de cálcio e carbonato no sangue e fluidos celômicos, agindo como um tampão no pH desses fluídos.

As funções primarias da região anterior do trato digestivo são: ingestão, transporte, armazenamento e digestão mecânica do alimento. O restante do tubo digestivo é divido por duas regiões a mediana que compreende o intestino levando a uma curta região posterior proctodeal e ao ânus, localizado no pigídio. Em espécies terrestres, a área superficial do intestino é denominada tiflossele.[2]

Excreção e osmorregulação[editar | editar código-fonte]

Apresentam metanefrídeos pareados, dispostos em todos os segmentos, exceto por aqueles da extremidades anterior e posterior. Um nefrídeo típico desse grupo, é composto por nesfrostômio pré-septal um curto canal que penetra pelo septo e uma nefridioduto pós-septal.

O papel exato das células claragógenas na excreção não é totalmente entendido. Enquanto se sabe que a desaminação de proteínas e a formação de resíduos nitrogenados ocorrem dentro das células, o método de eliminação destes resíduos é desconhecido.

O equilíbrio iônico e a regulação osmótica são de vital importância para invertebrados de corpo mole de água doce e terrestres. A superfície permeável úmida necessária para as trocas gasosas e os gradientes osmóticos severos através da parede do corpo impõem problemas potencialmente sérios de perda de água para as formas terrestres, e de ganho de água para as formas de água doce.

As minhocas não são osmorreguladoras, ao invés disso, elas perdem e ganham água de acordo com a quantidade de água no seu ambiente. Diversas espécies podem tolerar uma perda de 20 a 75% de água corporal e ainda se recuperar. Certamente, há adaptações comportamentais para permanecer em ambientes relativamente úmidos, além de adaptações fisiológicas que permitem que esses animais tolerem desidratação parcial de seus corpos temporariamente.[2]

Sistema nervoso[editar | editar código-fonte]

O sistema nervoso central consiste nos costumeiros componentes anelidianos: um gânglio cerebral supra-entéricos unidos a um cordão nervoso ventral ganglionar por conectivos circum-entéricos e uma gânglio subentérico. Com a redução do tamanho da cabeça, princialmente do prostômio, o gânglio cerebral ocupa uma posição mais posteriormente. O par de cordões nervosos ventrais está quase sempre fundido num trato único e geralmente contém algumas fibras gigantes. Parece ser o gânglio subentérico, o centro de controle motor dos movimentos do corpo; o gânglio cerebral medeia essas atividades, por influências inibitórias.

Os órgãos sensoriais epiteliais são uma variedade de unidades receptoras distribuídas sobre a maior parte do corpo. Esses receptores podem ser terminações nervosas livres dentro da epiderme, ou agrupamentos de células receptoras especiais. muitas destas estruturas têm função tátil, importante na escavação. Suspeita-se que outras sejam quimiorreceptoras, fornecendo informações sobre o ambiente onde se encontram.[2]

Sustentação e Locomoção[editar | editar código-fonte]

Os oligoquetas dependem muito do seu esqueleto hidrostático bem desenvolvido tanto para o suporte, quanto para a locomoção. A ação dos músculos da parede do corpo nos fluidos celômicos fornece mudanças hidráulicas associadas ao padrão típico da locomoção. Na ausência dos parapódios, há a dependência de peristaltismo e manipulação das cerdas para cavar, para se mover através dos sedimentos do fundo e para rastejar sobre superfícies. Cada segmento funciona mais ou menos independente, e a constrição de uma área do corpo não resulta em fluxo de fluido celômico para outra área. Portanto, cada segmento tem volume constante, de maneira que uma diminuição no diâmetro tem de ser acompanhada por um aumento no seu comprimento e vice-versa.[2]

Alimentação[editar | editar código-fonte]

Mostram modos alimentares especializados, que evoluíram em associação a seus habitatis particulares e exploram diversas fontes alimentares. A maioria pode ser classificada como predadora, detritívora ou comedora de depósito. Em geral, se alimentam de pequenos invertebrados, como outros vermes e crustáceos diminutos. Muitos são capazes de everter a porção dorsal da faringe( como uma probóscide), onde de situam glândulas secretoras de muco e recolhidas para dentro do trato digestivo com a retração da faringe.[2]

Coprólitos produzidos por minhocas

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Minhocas trocando esperma

Poder de regeneração varia muito dentro do grupo, onde muitos podem regenerar praticamente qualquer parte do corpo perdida,  porém o número de segmentos regenerados é sempre igual ao número de segmentos perdidos.

Geralmente, a reprodução assexuada é um evento sazonal, alterando-se com a atividade sexuada. Rápida reprodução assexuada geralmente ocorre do início até a metade do verão, de maneira que os animais se aproveitem da temperatura amena e abundância de alimento. Os indivíduos maturam se reproduzem sexuadamente no fim do verão ou início do outono, produzindo ovos que atravessam o inverno e eclodem na primavera.

A reprodução assexuada se dá por uma ou mais formas de fissão transversal.  Em alguns, ocorre a fragmentação, seguindo pela regeneração de cada fragmento. Em outros, ocorre por brotamento.

Se tratando de reprodução sexuada, os oligoquetas são hermafroditas e as gônodas são permanentes apresentam um sistema reprodutor bem desenvolvido, num arranjo que facilita a reprodução cruzada, o que contribuiu para a invasão do ambiente de água doce e terrestre.

De grande importância para toda estratégia reprodutiva é região singular, de tecido glandular denominada clitelo, formado por células secretoras que produz muco para auxiliar a cópula, a substância que forma o casulo e albumina.

O sistema reprodutor masculino apresenta 1 ou 2 pares de testículos que liberam os espermatozóides no espaço celômico. Podem amadurecer tanto no celoma, quanto em vesículas seminais. Através ductos espermáticos são levados para os gonóporos.

O sistema reprodutor feminino é constituído um par de ovários localizados posteriormente em relação aos testículos. Os ovócitos são lançados no celoma, podendo sofrer maturação em ovisacos. Os ductos transportam os ovócito para os gonóporos.

Na copula, os gonóporos do macho em contato com as espermatecas, envolvendo estruturas especializadas, como cerdas e pênis eversíveis, ou a formação de sulcos por onde os espermatozóides são transportados.  A fertilização ocorre na matriz de albumina dentro de casulo 1 a 20 zigotos- um ou poucos chegam à eclosão.[2]

Importância econômica[editar | editar código-fonte]

Devido ao seu modo de vida e as suas características fisiológicas, as minhocas têm sido exploradas em vários aspectos, como:

Bioindicador[editar | editar código-fonte]

As minhocas são consideradas importantes bioindicadoras por se mostrarem sensíveis às ações antrópicas, particularmente no que diz respeito à utilização de produtos químicos no solo. Esses organismos têm-se apresentado como bons bioindicadores de produtos químicos, como pesticidas; contaminantes de solo, como metais pesados; fatores físicos, como compactação e hidrologia; e, utilização da área, como agricultura[3].

Isca para pesca[editar | editar código-fonte]

O uso das minhocas como isca para pesca é amplamente conhecido. No Brasil, ainda não existem registos, mas nos Estados Unidos o comércio de minhocas como isca para a pesca é uma prática bastante rentável[4].

Compostagem[editar | editar código-fonte]

Produção de humus através da compostagem

Outra utilização prática das minhocas é a sua aplicação em alternativas de manejo de resíduos, sobretudo de origem orgânica. Essa aplicação é conhecida como compostagem, ou mais especificamente com o uso das minhocas como vermicompostagem. A importância das minhocas na decomposição de matéria orgânica e a liberação de nutrientes que ela contém são conhecidas há bastante tempo[5]. As técnicas de produção e manejo são bastante variadas e têm sido aplicado em vários países do Mundo.

Medicina[editar | editar código-fonte]

A utilização de substâncias produzidas por minhocas na medicina, apesar de conhecida entre algumas comunidades e entre alguns grupos de pesquisa, não é bastante difundida. Isso deve-se ao facto, principalmente, dos estudos de cunho científico voltados nessa perspectiva serem relativamente recentes. O uso destes animais na medicina popular é comum em comunidades tradicionais asiáticas e vem sendo documentada desde o ano 1340. Práticas na medicina popular visam tratamento de doenças como a piorreia, fraqueza pós-parto, varíola, pedra nos rins e reumatismo[6]. A medicina moderna tem avaliado compostos isolados de algumas espécies e detectado propriedades médicas promissoras como a atividade antiasmática [7], anti-inflamatória [8], antioxidativa [9], e os quais demonstram ser um potente fibrinolítico e anticoagulante [10].

Filogenia[editar | editar código-fonte]

Este grupo é composto por duas grandes linhagens os Polychaeta e os Clitellata, embora a natureza exata do grupo ancestral os "protoanelídeos" a partir do qual essas duas linhagens emergiram esteja perdida no tempo, pode-se supor que indivíduos primitivos eram cavadores metamerizados, homônomos e relativamente simples, com um celoma segmentado compartimentalizado, com presença de cerdas epidérmicas pareadas e uma cabeça composta por um protostômio e um peristômio pré-segmentares. Os parapódios e apêndices da cabeça evoluíram na linha que originou os poliquetas modernos. Os poliquetas ancestrais eram, provavelmente , seres dioicos que liberavam os seus gametas na água e apresentavam seus desenvolvimento indireto; onde seus ancestrais já haviam também estabelecido o plano protostômio básico de desenvolvimento, com uma trocófora como estágio larval.

A outra linhagem, a dos clitelados, originou-se pela evolução de um complexo estilo de vida hermafrodita, gônodas permanentes, clitelo e outras características. Dentro desse clado está dois grupos: os oligoquetas e os hirundinos. Os oligoquetas são inteiramente definidos pela retenção de características primitivas e pela falta das características que distinguem a linhagem de hirundinos. Desta maneira, ancestral de toda a linhagem de clitelados deve ser visto como um "oligoqueta". Sendo assim pode se dizer que os oligoquetas são simplesmente clitelados primitivos e os hirundinos são os clitelados mais derivados que evoluíram de algum ancestral oligoqueta isolado.[2]

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

A subclasse Oligochaeta é dividida em três ordens, quatro subordens e 36 famílias, de acordo com a classificação proposta por Reynolds & Cook (1993)[11]:

Referências

  1. http://www.treccani.it/enciclopedia/oligocheti_%28Enciclopedia-Italiana%29/
  2. a b c d e f g h i Brusca, Richard C. (2007). Invertrebrados (Rio de Janeiro: Guanabara Koogan). pp. Capítulo 13. 
  3. Römbke, J., Jänsch, S., & Didden, W. 2005. The use of earthworms in ecological soil classification and assessment concepts. Ecotoxicology and Environmental Safety, 62(2): 249-265.
  4. Ruppert, E. E., Barnes, R. D., & Fox, R. S. 2005. Zoologia dos Invertebrados. 7ed. São Paulo: Roca.
  5. Darwin, C. R. 1897. The formation of vegetable mould through the action of worms: with observations on their habits. London: John Murray.
  6. Reynolds, J. W., & Reynolds, W. M. 1972. Earthworms in Medicine. American Journal of Nursing, 72.
  7. Chu, X., Xu, Z., Wu, D., Zhao, A., Zhou, M., Qiu, M., & Jia, W. 2007. In vitro and in vivo evaluation of the anti-asthmatic activities of fractions from Pheretima. Journal of Ethnopharmacology, 111(3): 490-495.
  8. Ismail, S. A., Plxandiran, K., & Yegnanarayan, R. 1992. Anti-inflammatory activity of earthworm extracts. Soil Biology and Biochemistry, 24(12): 1253-1254.
  9. Grdisa, M., Popovic, M., & Hrzenjak, T. 2001. Glycolipoprotein extract (G-90) from earthworm Eisenia foetida exerts some antioxidative activity. Comparative Biochemistry and Physiology - Part A: Molecular & Integrative Physiology, 128(4): 821-825.
  10. Sumi, H., Nakajima, N., & Mihara, H. 1993. A very stable and potent fibrinolytic enzyme found in earthworm Lumbricus rubellus autolysate. Comparative Biochemistry and Physiology Part B: Biochemistry and Molecular Biology, 106(3): 763-766.
  11. Reynolds, J. W., & Cook, D. G. 1993. Nomenclatura Oligochaetologica: suplementum tertium. New Brunswick: New Brunswick Museum.