Lago Guaíba

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Rio Guaíba)
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Question book-4.svg
Esta página ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo, o que compromete a verificabilidade. Por favor, insira mais referências no texto. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Searchtool.svg
Esta página foi marcada para revisão, devido a incoerências e/ou dados de confiabilidade duvidosa. Se tem algum conhecimento sobre o tema, por favor, verifique e melhore a coerência e o rigor deste artigo.
Lago Guaíba
Guaíba, vista aérea, com Porto Alegre ao fundo
Localização
Localização Porto Alegre, RS
País Brasil
Localidades mais próximas Porto Alegre, Eldorado do Sul, Guaíba, Barra do Ribeiro, Viamão
Características
Área * 496 km²
Comprimento máximo 47 km
Largura máxima 20 km
Profundidade média 2,5 m
Volume * aproximadamente 1,5 km³
* Os valores do perímetro, área e volume podem ser imprecisos devido às estimativas envolvidas, podendo não estar normalizadas.

O Lago Guaíba localiza-se na região metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, sendo o principal manancial de abastecimento hídrico da capital gaúcha desde sua fundação no início no século XVIII [1].

Em sua história, o Guaíba já foi classificado como “rio”, “ria”, “estuário” e “lago” e ainda, por certo tempo, “na dúvida entre o correto termo recomendou-se a utilização do nome apenas como ‘Guaíba’, sem designação” [2][3][4]. Sendo um ambiente transicional, este “acidente geográfico” possui particularidades que dificultam sua simples denominação topológica, persistindo continuamente a discussão [4].

O Lago Guaíba possui importância ambiental, econômica e histórico-cultural para a região - desde a chegada dos primeiros casais açorianos até o atual desenvolvimento econômico da região. Entretanto, a negligência com a qualidade de suas águas acompanhou o desenvolvimento urbano desde a colonização da região [4].

Geografia[editar | editar código-fonte]

O Lago Guaíba possui uma vazão (média histórica) de entrada de 780 m³/s (com eventos pontuais ultrapassando os 3000 m³/s), sendo alimentado principalmente pelos rios: pelos rios Jacuí (84,6%); Sinos (7,5%); Caí (5,2%); e Gravataí (2,7%); além de diversos arroios em suas margens (como o Arroio Dilúvio). [4][5][6][7]

Estes rios desembocam no Delta do Jacuí, formando então o Lago Guaíba, que banha os municípios de Porto Alegre, Eldorado do Sul, Guaíba, Barra do Ribeiro e Viamão. A partir do Guaíba, as águas vão para a Lagoa dos Patos e, por sequência, para o Oceano Atlântico.

Sua bacia hidrográfica abrange uma área de 85 950 quilômetros quadrados, equivalente a trinta por cento do território gaúcho. Nela, estão situados os núcleos industriais mais importantes do estado, concentrando dois terços da produção industrial do Rio Grande do Sul os centros urbanos mais populosos, onde vive setenta por cento da população do estado.

Topônimo[editar | editar código-fonte]

Na cartografia dos séculos XVII e XVIII (e até princípios do XIX) o Lago Guaíba e a Laguna dos Patos eram denominados conjuntamente de “Rio Grande”, o que gerou o nome do estado: Rio Grande do Sul [3][4][8][9]. Em relação ao Lago, o nome “Guahyba” origina-se do Tupi-Guarani (primeiros moradores da região), podendo ser traduzido como “encontro das águas” [10], “baía de todas as águas” [11] ou “ponto de encontro” [12], denotando, em todos os casos, a grande convergência de seus afluentes [4]. Entretanto, até o início do século XIX, este manancial foi conhecido por outros nomes, como “Lagoa de Viamão” ou “de Porto Alegre[3][9].

Extensão[editar | editar código-fonte]

Possui uma área de 496 quilômetros quadrados, um comprimento de cinquenta quilômetros, uma largura variável entre novecentos metros e dezenove quilômetros, uma profundidade média de três metros(mas há um local perto de Porto Alegre onde na costa a profundidade chega a 40 metros), um canal de navegação com profundidade entre quatro e seis metros e um volume de 1,5 bilhões de metros cúbicos.

Na orla do Guaíba, encontram-se diversos pontos referenciais de Porto Alegre, tais como o Cais do Porto, a Usina do Gasômetro, a Avenida Beira-Rio (muito usada para esportes), o Anfiteatro Pôr do Sol, as ruínas do Estaleiro Só, o Iate Clube Guaíba, o Sava Clube, o Veleiros do Sul, o Clube dos Jangadeiros, entre outros.

A Travessia Régis Bittencourt é um conjunto de 4 pontes que o cruza, ligando a capital à porção sul do estado.

No mês de outubro de 2015, o Guaíba atingiu o nível mais alto em 74 anos, quando chegou a 2,93 metros e quebrou o recorde estabelecido em 1967. A alta do lago causou alagamentos em diversos pontos em seu entorno e forçou o fechamento das quatorze comportas construídas para contê-lo. A cheia foi causada pelo alto nível pluviométrico registrado em 2015, devido à ação do fenômeno El Niño. As chuvas seguidas encheram os rios que desaguam no Guaíba: o Jacuí, o Taquari, o Caí, o Rio dos Sinos e o Gravataí.[13]

Limpeza[editar | editar código-fonte]

Com a implantação do Programa Integrado Socioambiental (Pisa), em um prazo de 20 anos (a contar de 2007), as águas do Guaíba serão balneáveis novamente. A obra, uma das mais significativas da história de Porto Alegre, promoverá uma mudança muito importante para a população, garantindo melhores condições de moradia, saneamento e empregabilidade para mais de 700 mil pessoas. As negociações com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, principal financiador do projeto, começaram em 2000 e finalmente começam a produzir resultados concretos.

Ponte[editar | editar código-fonte]

A "Ponte do Guaíba", travessia sobre um dos Distributários (braços) do rio Jacuí, localizada no Delta do Jacuí
Ver artigo principal: Ponte do Guaíba

A Ponte Getúlio Vargas, também conhecida como Ponte do Guaíba, é uma ponte de 1,1 km de extensão localizada sobre um dos braços do rio Jacuí, pertencentes ao Delta do Jacuí, na cidade de Porto Alegre, capital do estado brasileiro do Rio Grande do Sul. Considerada como um dos símbolos de Porto Alegre, ela liga a capital ao interior do estado, na rodovia BR-290. A Ponte Rodoviária Móvel Getúlio Vargas limita a passagem no vão inferior a embarcações com comprimento entre perpendiculares máximo de 150 metros, altura (calado aéreo) máximo de 35 metros e largura máxima de quarenta metros. Embarcações com comprimento entre perpendiculares de 85 a 150 metros e embarcações que transportam cargas perigosas não podem trafegar sob o vão móvel no período entre o pôr e o nascer do sol. A maior parte das embarcações fluviais não sofrem restrições ao tráfego sob a ponte móvel, exceto as embarcações destinadas ao transporte de produtos perigosos, como gás liquefeito, derivados de petróleo e produtos químicos.[14]

Classificação[editar | editar código-fonte]

Há certa controvérsia a respeito da classificação do Guaíba como rio ou lago,[15][16] com repercussão com relação à área de preservação permanente, que seria de 30 metros junto às margens de lagos em áreas urbanas e de 500 metros no caso de cursos d’água com a largura como a do Guaíba.[17]

Em 1820, quando o cientista francês Auguste de Saint-Hilaire avistou o Guaíba, não teve dúvidas em anotar em seu diário que se tratava de um lago. Os moradores da época chamavam-no de "Lago de Viamão" ou, também, "Lago de Porto Alegre", denominações existentes desde o século XVIII. A análise de mapas históricos da região costeira do Rio Grande do Sul mostra que, durante o século XVIII e início do XIX, "Rio Guaíba" era a designação do segmento final do atual Rio Jacuí, compreendido entre a foz do Rio Taquari e as ilhas do delta. Se "Guaíba", em tupi-guarani, significa o “encontro das águas”, de fato é para esse segmento que as águas de quatro rios afluem e convergem.

Os argumentos a favor do Guaíba ser um lago são:[6]

1. Os rios que nele desembocam formam um delta. Este tipo de depósito sedimentar ocorre quando um volume de água confinado por canais encontra-se com um grande corpo de água. O rápido desconfinamento do fluxo de água causa a descarga do material arenoso e argiloso que estava sendo carregado pelos rios. Este processo origina a formação de ilhas que vão sendo recortadas por canais sinuosos chamados de distributários. Ao longo do tempo, as ilhas crescem em direção ao lago. Os canais distributários podem se fechar e novos podem se abrir, conectando ou separando as ilhas. A Ilha das Flores, por exemplo, era formada pela antiga Ilha do Quilombo, na porção norte, a qual era separada da porção sul por um canal, chamado de Quilombo, que hoje está ainda se fechando;

2. cerca de 85% da água do Guaíba fica retida no reservatório por um grande período de tempo. Esse fator é fundamental para a compreensão do modelo ambiental do município e da região hidrográfica, implicando diagnósticos ambientais e diretrizes de controle de efluentes poluidores mais acurados;

3. o escoamento da água é bidimensional, formando áreas com velocidades diferenciadas, típico de um lago;

4. os depósitos sedimentares das margens possuem geometria e estrutura características de sistema lacustre;

5. a vegetação da margem é de matas de restinga, identificadoras de cordões arenosos lacustres oceânicos.

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Histórico». DMAE. Consultado em 11 de julho de 2018. 
  2. CHEBATAROFF, Jorge (1959). «Denominação do Guaíba e o moderno conceito de Estuário. Boletim Geográfico do Rio Grande do Sul». Boletim Geográfico do Rio grande do Sul 
  3. a b c OLIVEIRA, Carlos Alfredo Azevedo (1981). «Um lago chamado Guaíba». Boletim Gaúcho de Geografia 
  4. a b c d e f ANDRADE, Leonardo Capeleto de. IMPACTOS DO AMBIENTE URBANO NA POLUIÇÃO DOS SEDIMENTOS DO LAGO GUAÍBA. Tese (Doutorado) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Agronomia, Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solo, Porto Alegre, BR-RS, 2018. 116 f.
  5. «Lago Guaíba». DMAE. Consultado em 11 de julho de 2018. 
  6. a b Atlas Ambiental de Porto Alegre Coordenador Geral: Rualdo Menegat PMPA - UFRGS - INPE. Porto Alegre, RS, 1999 2ª Edição Cap. 3, pág. 37
  7. ANDRADE NETO, J.S. (2012). «Descarga sólida em suspensão do sistema fluvial do Guaíba, RS, e sua variabilidade temporal» (PDF). Pesquisas em Geociências 
  8. OLIVEIRA, Carlos Alfredo Azevedo (1976). «A designação do Guaíba – conceituação em Geografia Física». Boletim Geográfico do Rio Grande do Sul 
  9. a b SPALDING, W (1961). «O Guaíba, a Lagoa dos Patos e a Barra do Rio Grande». Boletim Geográfico do Rio Grande do Sul 
  10. MENEGAT, Rualdo (2006). Atlas Ambiental de Porto Alegre. Porto Alegre: UFRGS 
  11. Nicolodi, João Luiz; Jr, Toldo; E, Elirio; Farina, Leandro (2013-3). «Dynamic and resuspension by waves and sedimentation pattern definition in low energy environments: guaíba lake (Brazil)». Brazilian Journal of Oceanography. 61 (1): 55–64. ISSN 1679-8759. doi:10.1590/S1679-87592013000100006  Verifique data em: |data= (ajuda)
  12. PRESTES, A.J.D. (2014). História ambiental do Rio Grande do Sul: A poluição do Guaíba e de suas praias em Porto Alegre a partir dos anos 1960. Lajeado: Editora da Univates 
  13. «Nível do Guaíba atinge maior marca em 74 anos». Zero Hora. 12 de outubro de 2015. Consultado em 29 de outubro de 2015. 
  14. A Navegação na Lagoa dos Patos, MÜLLER,C.A., 2003, pag.14.
  15. O Lago Guaíba legalmente é um Rio Publicado em: agosto 1, 2016. Por Tiago Holzmann da Silva. Jornal O Sul
  16. "Manual para saber por que o Guaíba é um lago", livro de Rualdo Menegat e Clovis Carlos Carraro. Armazém Digital, 2009. ISBN: 8588715643
  17. Art. 4o da Lei Nº 12.651, de 25 de maior de 2012.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre hidrografia do Brasil é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.