Solar and Heliospheric Observatory
Este artigo ou se(c)ção trata de uma missão espacial em curso. |
SOHO | |
|---|---|
| Descrição | |
| Tipo | Observatório solar |
| Operador(es) | |
| Identificação NSSDC | 1995-065A |
| Duração da missão | Missão estendida (30+ anos) |
| Propriedades | |
| Fabricante | Airbus Defence and Space (ex-Matra Marconi Space) |
| Massa | 1850 kg (lançamento) 610 kg (massa seca) |
| Missão | |
| Data de lançamento | 2 de dezembro de 1995 (30 anos) |
| Veículo de lançamento | Atlas IIAS |
| Local de lançamento | |
| Destino | Sol |
| Fim da missão | Em operação |
A Solar and Heliospheric Observatory (SOHO, "Observatório Solar e Heliosférico") é uma sonda espacial não-tripulada da Agência Espacial Europeia (ESA) e da NASA. Foi lançada em 2 de dezembro de 1995, com a finalidade de estudar o Sol.[1]
Apesar de ter ultrapassado em muito sua vida útil prevista de dois anos, a sonda continua operando após 30 anos no espaço, enviando dados cruciais sobre a atividade solar e o clima espacial.[2] A missão estabeleceu recordes notáveis, incluindo a descoberta de mais de 5.000 cometas, tornando-se o maior descobridor de cometas da história.[3]
História
[editar | editar código]O projeto SOHO teve origem em duas propostas separadas apresentadas à ESA no início da década de 1980: o GRIST (Grazing-incidence Solar Telescope) e o DISCO (Dual Irradiance and Solar Constant Observer). Em 1983, as duas propostas foram combinadas em uma única missão denominada SOHO.[1]
A missão foi desenvolvida como parte do programa International Solar Terrestrial Physics (ISTP) e do programa Horizon 2000 da ESA, que tinha como objetivo estudar o Sol e suas interações com a Terra.[4] A construção do observatório foi liderada pela indústria europeia, sob a coordenação da empresa então conhecida como Matra Marconi Space (atual Airbus Defence and Space).[4]
Missão
[editar | editar código]SOHO opera em uma órbita halo ao redor do ponto de Lagrange L1 do sistema Sol-Terra, localizado a aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros da Terra em direção ao Sol. Esta posição privilegiada permite observação contínua e ininterrupta do Sol, sem eclipses ou interferências da Terra.[1]
Os principais objetivos científicos da missão são:[2]
- Estudar a estrutura interna do Sol através da heliossismologia
- Investigar o aquecimento da coroa solar e os mecanismos de aceleração do vento solar
- Caracterizar as condições físicas e dinâmicas da cromosfera e coroa solar
Originalmente projetada para uma missão de dois anos, SOHO teve sua operação estendida continuamente devido ao sucesso científico e à confiabilidade dos sistemas, completando mais de 30 anos de observações em 2025.[2]
Crise de 1998
[editar | editar código]Em 25 de junho de 1998, a missão enfrentou uma grave crise quando o contato com a sonda foi perdido após uma série de erros de operação durante manobras de manutenção. O observatório ficou à deriva no espaço, girando descontroladamente e perdendo energia solar.[5]
Após intensos esforços de busca, o sinal da SOHO foi detectado em agosto de 1998 pelos radiotelescópios de Arecibo (Porto Rico) e Goldstone (Califórnia). As equipes da ESA e NASA conseguiram restabelecer o controle e recuperar gradualmente os sistemas. Entre setembro e novembro de 1998, a sonda foi completamente reativada e todos os instrumentos voltaram à operação normal.[5]
Uma consequência permanente da crise foi a perda dos três giroscópios da nave. No entanto, os engenheiros desenvolveram um novo sistema de controle de atitude que utiliza os próprios instrumentos científicos e sensores estelares, tornando a SOHO o primeiro satélite de três eixos a operar sem giroscópios.[5]
Instrumentos
[editar | editar código]A sonda SOHO transporta 12 instrumentos principais, cada um capaz de realizar observações independentes do Sol:[4]
Instrumentos de heliossismologia
[editar | editar código]- Global Oscillations at Low Frequencies (GOLF) - Investiga a estrutura interna do Sol através de oscilações de baixa frequência
- Variability of Solar Irradiance (VIRGO) - Mede variações na irradiância solar total e espectral
- Michelson Doppler Imager (MDI) - Produz mapas de velocidade da superfície solar para estudos de oscilações
Espectrômetros e coronógrafos
[editar | editar código]- Solar UV Measurement of Emitted Radiation (SUMER) - Espectrômetro ultravioleta para plasma solar e vento solar
- Coronal Diagnostic Spectrometer (CDS) - Analisa temperaturas e densidades da atmosfera solar
- Extreme UV Imaging Telescope (EIT) - Captura imagens da coroa solar em quatro comprimentos de onda UV extremo
- UV Coronagraph and Spectrometer (UVCS) - Estuda densidade, temperatura e velocidade da coroa solar
- Large Angle Spectrometric Coronagraph (LASCO) - Sistema de três coronógrafos para observar a coroa externa
Instrumentos de partículas in situ
[editar | editar código]- Solar Wind Anisotropies (SWAN) - Mapeia distribuição de hidrogênio na heliosfera
- Charge, Element, Isotope Analysis System (CELIAS) - Analisa composição iônica do vento solar
- Comprehensive Suprathermal and Energetic Particle Analyzer (COSTEP) - Detecta partículas energéticas
- Energetic and Relativistic Nuclei and Electron Experiment (ERNE) - Mede partículas de alta energia
Descobertas científicas
[editar | editar código]Cometas
[editar | editar código]SOHO tornou-se inesperadamente o maior descobridor de cometas da história, com mais de 5.000 cometas catalogados até 2025.[3] A maioria foi descoberta por astrônomos amadores analisando imagens públicas do coronógrafo LASCO. Muitos destes cometas são cometas rasantes do Grupo de Kreutz, que passam extremamente próximos ao Sol.[3]
Heliossismologia
[editar | editar código]Os instrumentos de heliossismologia da SOHO revolucionaram o entendimento da estrutura interna do Sol, permitindo mapear a rotação diferencial nas diferentes camadas solares e detectar fluxos de plasma no interior estelar.[2]
Clima espacial
[editar | editar código]As observações contínuas da SOHO são essenciais para prever tempestades geomagnéticas e outros fenômenos de clima espacial que podem afetar satélites, comunicações e redes elétricas terrestres.[1] O observatório monitora ejeções de massa coronal e fornece alertas com antecedência de 1 a 4 dias.[2]
Referências
[editar | editar código]- 1 2 3 4 «SOHO overview». ESA. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- 1 2 3 4 5 «SOHO - Solar and Heliospheric Observatory». NASA Science. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- 1 2 3 «SOHO Comets». NASA SOHO. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- 1 2 3 «SOHO (Solar and Heliospheric Observatory)». ESA eoPortal. Consultado em 17 de janeiro de 2026
- 1 2 3 «SOHO returns to the realm of science». ESA. Consultado em 17 de janeiro de 2026
Ligações externas
[editar | editar código]- «Site oficial da ESA sobre a SOHO» (em inglês)
- «Últimas imagens obtidas pela sonda» (em inglês)
- «Galeria de cometas descobertos pela SOHO» (em inglês)