The Cabin in the Cotton

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The Cabin in the Cotton
Escravos da terra (BRA)
 Estados Unidos
1932 •  pb •  78 min 
Direção Michael Curtiz
Produção Hal B. Wallis
Darryl F. Zanuck
Jack L. Warner
Roteiro Paul Green
Harry Harrison Kroll (livro)
Elenco Richard Barthelmess
Dorothy Jordan
Bette Davis
Gênero drama
Música Leo F. Forbstein
Idioma inglês

The Cabin in the Cotton (br.: Escravos da terra) é um filme de drama estadunidense de 1932, dirigido por Michael Curtiz. O roteiro de Paul Green adapta romance do mesmo nome de Harry Harrison Kroll. O filme é protagonizado pelo ex-astro do cinema mudo Richard Barthelmess e conta com uma das primeiras interpretações de destaque de Bette Davis, que aqui aparece com o cabelo platinado. Em uma cena, ela diz uma frase com sotaque sulista retirada diretamente do livro, "Ah'd love t' kiss ya, but ah jes washed ma hayuh" (em tradução livre: "Eu adoraria te beijar mas acabei de lavar meu cabelo) e que era muito citada por seus imitadores norte-americanos, tendo sido incluída no filme Get Shorty de 1995.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Marvin Blake é o estudioso filho de uma família de meeiros que trabalha para o rico plantador de algodão no sul dos Estados Unidos Lane Norwood. Quando o pai de Marvin morre por excesso de trabalho, Norwood resolve ajudar o rapaz e financia seus estudos de contabilidade, empregando-o como guarda-livros da plantação. Marvin se entusiasma com a possibilidade de subir na vida ao mesmo tempo que se interessa pela filha do patrão, a insinuante Madge, embora continue a gostar de Betty, filha de amigos da família dele e também trabalhadores do campo. Além de se sentir dividido em relação à sua vida amorosa, Marvin também sofre com o dilema de manter a gratidão para com seu patrão ou a lealdade a antigos amigos e familiares, que são explorados no trabalho. A situação se agrava quando os parentes e amigos de Marvin começam a roubar algodão e pedem ao rapaz que os ajude a negociarem os fardos desviados.

Produção[editar | editar código-fonte]

Quando o produtor Darryl F. Zanuck forçou Michael Curtiz a escalar Bette Davis no papel de Madge Norwood, o diretor respondeu (em tradução livre, como as demais): "Vocês está brincando? Quem quereria ir para a cama com ela?".[1] Furioso com a decisão contrária a sua vontade, Curtiz passou a filmagem toda irritado, chamando Davis em voz alta de atriz ruim ("a goddamned lousy actress" [1]) ou dizendo ser ela uma "Maldita-deusa-filha-de-meretriz-sem-nenhuma-sexualidade" ("God-damned-nothing-no-good-sexless-son-of-a-bitch!") ao criticar a respiração dela nas cenas de amor com Richard Barthelmess.[2] Anos depois, Davis comentou: "Senhor Curtiz, devo reconhecer, era um monstro e um grande cineasta europeu. Ele não era um diretor de atores. . . Você tinha que ser muito enérgica com ele. E não era nada divertido. . . Na verdade era um BASTARDO! O homem mais cruel que eu conheci. Mas ele sabia como realizar um bom filme".[3] A atriz colaborou em mais seis filmes com Curtiz, incluindo The Private Lives of Elizabeth and Essex de 1939.

Davis gostava pessoalmente de Barthelmess mas ficou contida pelo estilo de atuar dele. "Não fazia absolutamente nada nas cenas à distância, seguia basicamente as marcações teatrais para os planos médios e reservava todo o talento de ator para os close-ups. Dessa forma, foi necessário usar quase que todos os close-ups dele".[1] Barthelmess disse de Davis: "Havia muita paixão nela, era impossível não sentir isso . . .Tinha-se a sensação de muito sentimento interior reprimido, uma grande quantidade de eletricidade que ainda não tinha encontrado uma saída. Isso era bem desconcertante - sim, eu admito, era assustador".[2]

Davis mais tarde confessou que ainda era virgem quando trabalhou no filme. "Sim, isso é absolutamente a verdade. Ninguém perguntou", ela acrescentou enfaticamente. "Mas minha personagem era caracterizada por uma furiosa sexualidade (o filme foi realizado antes do Código de Censura dos Produtores). Bem, se eles soubessem que eu ainda era virgem, não acreditariam que pudesse interpretar. Não teriam confiado em mim se soubessem, mas ninguém perguntou. Talvez achassem que toda atriz jovem tivesse uma vida liberada".[3]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Na resenha do New York Times, Mordaunt Hall descreveu "um filme que raramente desperta algum interesse . . . Richard Barthelmess nos dá uma cuidadosa mas pouco inspirada atuação. Em geral falta em seu comportamento a espontaneidade desejada e suas falas são ditas em tom monótono. . . Michael Curtiz é o responsável pela direção, que é desigual, com partes da narrativa ficando bem confusas".[4]

The Cabin in the Cotton é um dos nove lançamentos cinematográficos de 1932 em que Bette Davis está no elenco. Ainda relativamente desconhecida, ela chamou a atenção de muitos críticos por suas interpretações. No New York American, Regina Crewe a descreveu como "soberba". Richard Watts, Jr. do New York Herald Tribune afirmou: "A Senhorita Davis demonstra uma surpreendente vivacidade como uma sedutora moça rica" e a Revista Variety declarou que a sua "crescente popularidade é a melhor chance do filme nos negócios". Davis também conseguiu interessar o diretor John Cromwell, que ficou impressionado o suficiente para chamá-la para o papel de Mildred no filme de 1934 Of Human Bondage, que consolidaria a reputação da atriz como uma das melhores de sua época.[2]

Referências

  1. a b c Stine, Whitney, and Davis, Bette, Mother Goddam: The Story of the Career of Bette Davis. New York: Hawthorn Books 1974. ISBN 0-8015-5184-6, pgs. 36-38
  2. a b c The Cabin in the Cotton at Turner Classic Movies
  3. a b Chandler, Charlotte, The Girl Who Walked Home Alone: Bette Davis, A Personal Biography. New York: Simon & Schuster 2006. ISBN 0-7432-6208-5, pgs. 83-84
  4. Resenha de New York Times

Ligações externas[editar | editar código-fonte]