Christiaan Huygens

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Christiaan Huygens
Matemática
Nacionalidade Países Baixos Neerlandês
Nascimento 14 de Abril de 1629
Local Haia
Morte 8 de Julho de 1695 (66 anos)
Local Haia
Atividade
Campo(s) Matemática
Instituições Royal Society of London
Académie des Sciences
Alma mater Universidade de Leiden
College of Orange
Tese 1647, 1655
Orientador(es) Frans van Schooten e John Pell
Orientado(s) Gottfried Leibniz
Conhecido(a) por Titã
Explicação dos Anéis de Saturno
Força inercial centrífuga
Fórmulas de Colisão
Relógio de pêndulo
Princípio de Huygens
Teoria das ondas
Birrefringência

Christiaan Huygens (Haia, 14 de Abril de 1629 — Haia, 8 de julho de 1695) foi um físico, matemático, astrônomo e horologista neerlandês.

Em física, Huygens é bastante lembrado por seus estudos sobre luz e cores, percepção do som, estudo da força centrífuga, o entendimento das leis de conservação em dinâmica equivalentes ao moderno conceito de conservação de energia, o estudo da dupla refração no cristal da Islândia, e a teoria ondulatória da luz baseada na concepção de que a luz seria um pulso não periódico propagado pelo éter. Através dela, explicou satisfatoriamente fenômenos como a propagação retilínea da luz, a refração e a reflexão. Também procurou explicar o então recém descoberto fenômeno da dupla refração. Seus estudos podem ser consultados em seu mais conhecido trabalho sobre o assunto, o "Tratado sobre a luz".[1]

Já na matemática, é bastante lembrado por seus estudos e escritos no campo da teoria das probabilidades, estudo de curvas e inícios do cálculo diferencial (interpretação geométrica), o conceito de evolvente foi introduzido por Huygens. Também descobriu que a ciclóide é uma curva isocrônica. Huygens sabia por meio de Mersenne que, apesar das afirmações de Galileu, o período de um pêndulo circular depende de sua amplitude. Então, Huygens demonstrou matematicamente que, para pequenas amplitudes, um pêndulo circular é aproximadamente isócrono e que o real isocronismo é obtido por meio de um pêndulo cicloidal.

Em astronomia, descobriu os anéis de Saturno e sua lua Titã. Em homenagem ao seu trabalho, a sonda Cassini-Huygens foi batizada com o seu nome.

Discordava de vários aspectos da teoria sobre luz e cores de Isaac Newton (1643-1727), que era baseada implicitamente numa concepção corpuscular para a luz. Discutiu com ele durante muitos anos, mas, ao contrário do que geralmente se acredita, suas teorias nunca tiveram uma disputa em grandes proporções.[2]

Galileu Galilei foi o primeiro a observar os anéis de Saturno, porém seu instrumento (telescópio) não lhe permitiu identificar com clareza os anéis. Galileu acreditava, pelas imagens obtidas, que Saturno era um sistema planetário triplo. Huygens, com um telescópio mais poderoso, pôde identificar os anéis e descobrir Titã, a maior lua de Saturno e a segunda maior do sistema solar, em 1655.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos (1629-1645)[editar | editar código-fonte]

Retrato com o pai de Huygens, no centro, e seus cinco filhos (Christiaan à direita acima).

Christiaan Huygens nasceu em Haia em 14 de abril de 1629 em uma rica e influente família holandesa,[3] [4] tendo sido o segundo filho de Constantijn Huygens, um diplomata, conselheiro da Casa de Orange, que tinha estudado filosofia e era também poeta, compositor e músico, e foi por meio dele que Christiaan teve contato com alguns dos mais proeminentes matemáticos e cientistas da época - Constantijn tinha muitos contatos na Europa e tinha entre seus amigos Galileu Galilei, Marin Mersenne e René Descartes.[5] Christiaan recebeu o nome de seu avô paterno, também chamado Christiaan Huygens.[6] Sua mãe se chamava Suzanna van Baerle, e morreu em 1637, quando Huygens tinha oito anos de idade, pouco depois do nascimento da irmã de Huygens, que recebeu o nome da mãe.[7] O casal teve cinco filhos, em ordem de nascimento: Constantijn (1628), Christiaan (1629), Lodewijk (1631), Philips (1632) e Suzanna (1637).[8]

Huygens recebeu educação em casa até completar 16 anos de idade, seu pai lhe garantiu uma educação liberal típica de uma família aristocrática européia:[6] recebeu educação em música, latim, grego, francês, inglês, italiano, história, geografia, matemática e lógica. Huygens obteve grande êxito em sua educação, e com 9 anos já conversava fluentemente em vários idiomas. Quando criança, também gostava de brincar com miniaturas de moinhos e de outras máquinas em geral.[9]

Mersenne e Descartes costumavam visitar a casa de Huygens na Holanda, onde jantavam com a família Huygens e conversavam sobre diversos assuntos filosóficos. Descartes ficou impressionado com as habilidades do jovem Christiaan em geometria.[4] Mersenne escreveu para Constantijn sobre o talento de Huygens para a matemática, e o comparou a Arquimedes. O pai de Huygens ficou muito orgulhoso, e, a partir de então, começou a chamá-lo de mon petit Archimède (“meu pequeno Arquimedes”, em francês).[10] [4]

Estudos universitários em Leiden e Breda (1645-1649)[editar | editar código-fonte]

Desenho de um relógio de pêndulo por Huygens em seu livro Horologium.
A catenária em um manuscrito de Huygens.
Curva tautocrônica: Huygens descobriu e provou que numa descida cicloidal acelerada pela gravidade, o tempo de queda é o mesmo independentemente da posição inicial.
Em um cristal da Islândia, Huygens observou o então conhecido fenômeno da dupla refração da luz, que ele então explicou matematicamente em seu Tratado sobre a Luz.

Constantijin tinha projetado a carreira diplomática para Christiaan, e então lhe enviou para estudar ciências jurídicas na Universidade de Leiden, onde Huygens estudou de maio de 1645 até março de 1647,[6] e após esses dois anos Huygens continuou seus estudos no recentemente fundado Colégio de Orange, em Breda, onde o seu pai era curador. Ele morava na casa do professor de leis J. H. Dauber. Teve aulas de matemática com o matemático inglês John Pell. Por recomendação de seu pai, ele começou uma correspondência com o matemático francês Marin Mersenne. Iniciou em março de 1647 e completou seus estudos em agosto de 1649.[6]

De volta à Haia (1654-)[editar | editar código-fonte]

A intenção era que quando Christiaan terminasse seus estudos de direito seguisse uma carreira diplomática, mas a matemática o atraiu mais. Em 1654, Huygens voltou à casa de seu pai em Haia,[11] e até 1666 uma mesada fornecida por seu pai lhe permitiu dedicar-se inteiramente ao estudo das ciências naturais e matemática.[6]

Bibliografia parcial[editar | editar código-fonte]

  • Christiani Hugenii Zuilichemii, dum viveret Zelhemii toparchae, opuscula posthuma ... (pub. 1728)
Título alternativo: Opera reliqua
Trabalho na área da óptica e física.
Títulos alternativos: Die pendeluhr, Horologium oscillatorium, von Christiaan Huygens
Título Alternativo: Cosmotheoros, The celestial worlds discover'd: or, Conjectures concerning the inhabitants, plants and productions of the worlds in the planets.
Trabalho relacionado a teorias da vida e vida em outros planetas.

Pouco antes de sua morte em 1695, Huygens completou o livro intitulado Cosmotheoros em que discutia suas ideias a respeito de vida em outros planetas, que ele imaginava que era similar a encontrada na Terra. Ele supõs que a disponibilidade de água em forma líquida era essencial para a vida..[12]

Sabendo que suas ideias podiam ser acusadas de estar em conflito com a Bíblia, Huygens argumentou que a vida extraterrestre não é confirmada nem negada pela Bíblia, e questionou por que Deus criaria outros planetas se não fosse para servir a um propósito maior do que a de serem admirados da Terra. Huygens postulava que a grande distância entre os planetas significava que Deus não tinha a intenção de seres de um planeta saberem sobre os seres dos outros.[13]

Título alternativo: Treatise on light.
Trabalho na área da óptica e física.

Referências

  1. Martins, R. "Tratado sobre a luz, de Christiaan Huygens", Cadernos de História e Filosofia da Ciência (suplemento 4), 1986.
  2. Moura, B. "Newton vs. Huygens: como não ocorreu uma disputa entre suas teorias para a luz", Arscientia, revista eletrônica, (http://www.arscientia.com.br/materia/ver_materia.php?id_materia=415), 2007.
  3. "Christiaan Huygens." Encyclopedia of World Biography. 2004. Encyclopedia.com. (December 14, 2012). http://www.encyclopedia.com/doc/1G2-3404703173.html
  4. a b c http://www.saburchill.com/HOS/astronomy/016.html
  5. The Heirs Of Archimedes: Science And The Art Of War Through The Age Of Enlightenment, by Brett D. Steele, pg. 20
  6. a b c d e "Huygens, Christiaan (Also Huyghens, Christian)." Complete Dictionary of Scientific Biography. 2008. Encyclopedia.com. (December 14, 2012). http://www.encyclopedia.com/doc/1G2-2830902105.html
  7. Strategic Affection? Gift Exchange in Seventeenth-Century Holland, by Irma Thoen, pg 127
  8. Constantijn Huygens, Lord of Zuilichem (1596-1687), by Adelheid Rech
  9. entoen.nu: Christiaan Huygens 1629-1695 Science in the Golden Age
  10. How Modern Science Came Into the World: Four Civilizations, One 17th-Century Breakthrough, by H. Floris Cohen
  11. [1]
  12. Johar Huzefa (2009) Nothing But The Facts – Christiaan Huygens Brighthub.com (28 September 2009). Página visitada em 13 June 2010.
  13. Jacob, Margaret. The Scientific Revolution. Boston: Bedford/ St. Martin's, 2010. 29, 107-114 pp.

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

  • Andriesse, C.D., 2005, Huygens The Man Behind the Principle.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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