Dalva de Oliveira

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Dalva de Oliveira
Informação geral
Nome completo Vicentina de Paula Oliveira
Também conhecido(a) como Rainha da Voz
Nascimento 5 de maio de 1917
Local de nascimento Rio Claro, SP
 Brasil
Data de morte 30 de agosto de 1972 (55 anos)
Local de morte Rio de Janeiro, RJ
 Brasil
Gênero(s) MPB
Ocupação(ões) cantora
Instrumento(s) vocal
Extensão vocal soprano
Período em atividade 1937 - 1972
Gravadora(s) EMI-Odeon
Afiliação(ões) Trio de Ouro
Pery Ribeiro

Vicentina de Paula Oliveira, conhecida como Dalva de Oliveira, (Rio Claro, 5 de maio de 1917Rio de Janeiro, 30 de agosto de 1972[1] ) foi uma cantora brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filha de um carpinteiro mulato, Mário de Paula Oliveira, conhecido como Mário Carioca, e da portuguesa Alice do Espírito Santo Oliveira, Vicentina de Paula Oliveira nasceu em 5 de maio de 1917 na cidade de Rio Claro, São Paulo. Em 1935, no Cine Pátria, Dalva conheceu Herivelto Martins que formava ao lado de Francisco Sena o dueto Preto e Branco; foi terminado o dueto e nascia o Trio de Ouro. Iniciaram um namoro e, no ano seguinte, iniciaram uma convivência conjugal, oficializada em 1937 no civil e comemorada em um ritual de Umbanda na praia. A união gerou dois filhos: o cantor Pery Ribeiro e Ubiratan Oliveira Martins. A União durou até 1947, quando as constantes brigas e traições por parte de Herivelto deram fim ao casamento. Matérias mentirosas que difamavam a moral de Dalva foram publicadas por Herivelto, com a ajuda do jornalista David Nasser no "Diário da Noite" fizeram com que o conselho tutelar mandasse Pery e Ubiratan para um internato, alegando que a mãe não possuía uma boa conduta moral para criar os filhos, o que a fez entrar em desespero e depressão. OS meninos só podiam visitar os pais em datas festivas e fins de semana, e podendo sair de lá definitivamente com 18 anos. Dalva lutou pela guarda dos filhos e sofreu muito por isso. Em 1949, Dalva e Herivelto oficializaram a separação, se divorciando. Em 1952, depois de se consagrar mais uma vez na música mundial e ganhar o título de Rainha do Rádio, Dalva de Oliveira resolve excursionar pela Argentina, para conhecer o país e cantar em Buenos Aires. Nessa ocasião conhece Tito Climent, que se torna primeiro seu amigo, depois seu empresário e mais tarde, seu segundo marido, quando Dalva se muda para a Argentina. Dalva não queria mais ter filhos biológicos por conta de sua carreira, que tomava muito seu tempo, mas sempre quis ter uma menina. Por isto, adotou uma criança em um orfanato de Buenos Aires, a quem batizou de Dalva Lúcia Oliveira Climent. Dalva e Tito casaram-se oficialmente na Argentina, e viveram juntos por alguns anos. No começo, a união era feliz e estável, e criavam a filha com muito amor e dedicação. Após alguns anos, o casal passou a viver brigando, também por conta da carreira de Dalva, que vivia viajando, e de seus filhos, a quem constantemente visitava no Brasil. Dalva era uma mulher simples e querida por todos, fazendo amizade com facilidade, mas Tito queria uma mulher fina e cheia de requintes, sempre pronta para atender a todos em cima do salto. Essa grande diferença de temperamentos pois fim a união no início dos anos 60. Dalva se muda para o Brasil com a filha, mas Tito entra na justiça pedindo a guarda da menina, e Dalva volta para Buenos Aires, onde entra em processo contra o marido. Os dois passam a brigar muito pela guarda da criança, mas Tito acaba usando as mesmas provas que Herivelto utilizou: As notícias mentirosas em jornais a respeito da moral duvidosa da cantora. Muito triste e infeliz, perde a guarda de sua menina. Em 1963, Dalva de Oliveira e Tito Climent se divorciam. No mesmo ano, Dalva volta para o Brasil, sozinha e triste, tendo pequenos momentos de felicidade quando seus três filhos a visitam nas férias. Poucos anos depois, morando sozinha e fazendo muito sucesso, ela conhece Manuel Nuno Carpinteiro, um homem muitos anos mais jovem, e redescobre o amor: Eles se casam, e este fora seu último marido.

Carreira[editar | editar código-fonte]

De voz afinada, e bela, considerada a Rainha da Voz ou o rouxinol brasileiro, sua extensão vocal ia do Contralto ao Soprano. Em 1937, a Dalva gravou, junto com a Dupla Preto e Branco, o batuque Itaquari e a marcha Ceci e Peri, ambas do Príncipe Pretinho. O disco foi um sucesso, rendendo várias apresentações nas Rádios. Foi César Ladeira, em seu programa na Rádio Mayrink Veiga, que pela primeira vez anunciou o Trio de Ouro. Em 1949 deixou o trio, quando excursionavam pela Venezuela com a Companhia de Dercy Gonçalves. Em 1950 retomou a carreira solo, lançando os sambas Tudo acabado (J. Piedade e Osvaldo Martins) e Olhos verdes (Vicente Paiva) e o samba-canção Ave Maria (Vicente Paiva e Jaime Redondo), sendo os dois últimos, grandes sucessos da cantora. No ano seguinte foi eleita Rainha do Rádio, e excursionou pela Argentina, apresentando-se na Rádio El Mundo, de Buenos Aires, na qual conheceu Tito Climent, que se tornou seu empresário e depois marido, pai de sua filha, como mencionado anteriormente. Ainda em 1951, filmou Maria da praia, dirigido por Paulo Wanderley, e Milagre de amor, dirigido por Moacir Fenelon.

No dia 18 de agosto de 1965, Dalva e seu último marido Manuel, que na época era seu namorado, que dirigia o veículo, saíam de mais um show da cantora, onde haviam bebido, quando sofreram um acidente automobilístico na cidade do Rio de Janeiro, que resultou na morte por atropelamento de três pessoas. Manuel foi preso e Dalva o visitava na prisão. Após um tempo, ele foi absolvido da acusação, tendo que reverter a condenação em prestação de serviços a comunidades carentes. No fim dos anos 60, após todos estes processos terminarem, Dalva e Manuel casam-se oficialmente e passam a viver juntos.

Morte[editar | editar código-fonte]

Três dias antes de morrer, Dalva pressentiu o fim e, pela primeira vez, em sua longa agonia de quase três meses, lutando pela vida, falou da morte. Ela tinha um recado para sua amiga, Dora Lopes, que a acompanhou ao hospital: "Quero ser vestida e maquiada, como o povo se acostumou a me ver. Todos vão parar para me ver passando". Ela faleceu em 30 de agosto de 1972, vítima de uma hemorragia interna causada por varizes no esôfago. A cantora teve seu apogeu artístico nos anos 30, 40 e 50. Seu corpo está enterrado no Cemitério da Saudade na Cidade do Rio de Janeiro.

Mais informações[editar | editar código-fonte]

Na primeira versão do filme Branca de Neve e os Sete Anões produzida pelos estúdios Disney, em 1938, Dalva de Oliveira dublou os diálogos da personagem Branca de Neve.[2] As canções foram interpretadas pela dubladora Maria Clara Tati Jacome.

Em 1974, Dalva foi homenageada pela escola de samba Acadêmicos de Santa Cruz, com o enredo O Rouxinol da Canção Brasileira.[3] Em 1976 a Escola de Samba Turunas do Riachuelo (4º escola de samba do Brasil - Juiz de Fora - Minas Gerais) foi tri-campeã do carnaval da cidade com o enredo "Estrela Dalva", que foi homenageada de forma não biográfica, sendo o samba antológico na cidade.

Em 1987 a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense levou para a Sapucaí o enredo "Estrela Dalva".

Em 2002 o teatrólogo mineiro Pedro Paulo Cava produziu e dirigiu o o espetáculo teatral "Estrela Dalva", cujo sucesso rendeu ao elenco de 16 atores viagens por diversas capitais brasileiras e cidades do interior de Minas Gerais após quase dois anos em cartaz na capital mineira. Dalva foi interpretada por Rose Brant; Herivelto Martins por Léo Mendonza e Nilo Chagas por Diógenes Carvalho. O espetáculo foi baseado no livro de Renato Borghi e João Elísio Fonseca que foi adaptado por Pedro Paulo Cava. O elenco tinha ainda Diorcélio Antônio, Freddy Mozart, Rui Magalhães, Márcia Moreira, Leonardo Scarpelli, Felipe Vasconcelos, Libéria Neves, Jai Baptista, Ivana Fernandes, Patrícia Rodrigues, Meibe Rodrigues, Fabrizio Teixeira e Bianca Xavier. A produção executiva foi de Cássia Cyrino e Luciana Tognolli. Todo o elenco passou por meses de preparação vocal e corporal dando vida e emoção sempre aplaudidos de pé pelo público que lotava as sessões.

A vida de Dalva de Oliveira foi retratada em janeiro de 2010 com a minissérie Dalva e Herivelto - Uma Canção de Amor, produzida pela Rede Globo. A atriz Adriana Esteves interpretou Dalva, enquanto o ator Fábio Assunção interpretou Herivelto Martins.

Na cidade de Rio Claro tem uma praça em sua homenagem com nome de Dalva de Oliveira

Discografia[editar | editar código-fonte]

Álbuns de estúdio[editar | editar código-fonte]

Coletâneas[editar | editar código-fonte]

  • Grossas Nuvens de Amor (1972)
  • O Amor É O Ridículo da Vida (1973)
  • Dalva em Recital no Teatro Senac (1973)
  • Dalva de Oliveira Especial, Vol. 1 (1982)
  • Dalva de Oliveira - Série Os Ídolos do Rádio vol. V (1987)
  • Trio de Ouro (1993)
  • Saudade… (1994)
  • Meus Momentos (1994)
  • Dalva de Oliveira (1995)
  • A Rainha da Voz (1997)
  • Dalva de Oliveira e Roberto Inglez e sua Orquestra (2000)
  • Bis - Dalva de Oliveira (2000)
  • Canta Dalva (2006)

Sucessos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Biografia.
  2. Chega de ilariê. Revista Veja (14/10/1998). Página visitada em 18/05/2010.
  3. Nota do jornal O Globo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Revista Veja - A nação das cantoras
  • Dicionário Houaiss Ilustrado [da] música popular brasileira / Instituto Antônio Houaiss, Instituto Cultural Cravo Albin; Ricardo Cravo Albin, criação e supervisão geral;[ilustrações, coordenação, Loredano] - Rio de Janeiro: Paracatu, 2006
Precedida por:
Marlene
Rainha do Rádio
19511952
Sucedida por:
Mary Gonçalves