Ilha de Ons

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Ilha de Ons
Illa de Ons
Geografia física
País Flag of Spain.svg Espanha
Ponto culminante 118 m (Alto do Cucorno)
Perímetro 4,14  km
Largura 1.5 km
Geografia humana
População 79
Línguas galego, espanhol
Capital Bueu
Illa de Ons e de Onza. Galicia (Spain).jpg
Ilha de Ons e Onza
Ilha de Ons desde o espaço

A ilha de Ons (em galego: Illa de Ons; em espanhol: Isla de Ons) faz parte de um pequeno arquipélago formado por ilhas e ilhotes que se encontra na entrada da ria de Pontevedra. Com os seus 5,5 km de comprimento, é a ilha mais extensa da costa atlântica da península Ibérica.[1] A zona ocidental é a mais escarpada, com alcantilados abrutos, enquanto que a oriental é mais suave e tem numerosas praias.

Pela sua riqueza natural e paisagística, a ilha de Ons é uma das componentes, juntamente com as Cíes, Sálvora e Cortegada, do Parque Nacional das Ilhas Atlânticas da Galiza, o primeiro parque nacional da Galiza. Mas Ons possui também características sociais, históricas e etnográficas, que junto com a sua arquitetura popular marinheira e a sua excelente gastronomia, a convertem na ilha mais interessante do parque nacional galego.[parcial?]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Situação e administração[editar | editar código-fonte]

Administrativamente pertence ao concelho de Bueu[2] , devido a motivos sociais e não de proximidade geográfica, já que os antigos colonos insulares procediam da Comarca do Morrazo e, mais concretamente, do concelho de Bueu, especialmente da paróquia de Beluso, onde reside todavia um importante contingente de insulares retornados a terra firme.

O concelho de Sanxenxo sempre teve pretensões sobre a ilha baseando-se em motivos geográficos; de feito, depois da criação dos concelhos modernos no século XIX, a ilha foi adscrita primeiramente ao concelho de Sanxenxo, se bem hoje em dia é uma paroquia do concelho de Bueu.

A ilha encontra-se fechando a entrada da ria de Pontevedra, à que protege dos fortes ventos do oeste e sudo-oeste. As costas mais achegadas situam-se, ao norte, na Punta Faxilda (Noalla, Sanxenxo), a 3,8 km; Punta Abelleira (San Vicente do Grove, O Grove), a 5,7 km; o cabo Udra (Beluso, Bueu), a 8,3 km; e punta de Couso (O Hío, Cangas), a 8,4 km.

Buraco do Inferno, na costa ocidental da ilha.

Caracterização geográfica[editar | editar código-fonte]

A ilha de Ons forma parte de um arquipélago popularmente conhecido como As Ons. O arquipélago está composto ademais pela Ilha de Onza, situada ao sul, e por vários ilhotes espalhados por todo o seu perímetro, entre os que se pode mencionar:

  • A Freitosa, o maior deles, junto com seu ilhote gêmeo A Freitosa de Terra, ambos dous muito perto da costa sudoeste da ilha.
  • O Centolo, no seu extremo norte, de destacada forma, trata-se da parte do arquipélago mais achegada à terra firme.
  • O Cairo, situado em frente do antigo cemitério da ilha. Trata-se de um penhasco rochoso cuja característica forma de dente canino.
  • A Laxe do Abade, perto do cais. De valor histórico por possuir no seu cume um sepulcro antropomorfo medieval lavrado na pedra.
  • A Pedra do Fedorento, ao sul da ilha.
  • A Illa do Xuvenco, ao norte.
  • O Con dos Galos, e outros de menor tamanho e importância.

A ilha tem 6 quilômetros de longo por 1,5 de largura e 414 hectares de superfície. Estende-se do norte ao sul, em posição perpendicular á Ria de Pontevedra.

A costa da ilha diferencia-se muito na sua ribeira oriental (a que mira à ria) e a ocidental, aberta ao mar. Esta última está muito recortada, com duas grandes enseadas (a de Bastián de Val ao norte e a de Canibeliñas ao sul) destacando nela numerosos ilhotes e penhascos; trata-se de um litoral inteiramente formado por cantis. A costa oriental é retilínea e relativamente baixa, e é ali onde se encontra-se a maioria das praias da ilha e onde está o núcleo populacional.

As praias da ilha de norte à sul são, na costa oriental:[3]

  • Praia de Melide; a mais grande, nudista, com um valioso campo dunar.
  • Praia do Almacén ou Das dornas; junto ao cais pela sua parte norte, bastante grande.
  • Praia de Area dos Cans; ao sul do cais. É a mais concorrida, por estar debaixo do pequeno núcleo urbano da ilha.
  • Praia de Canexol; baixo o castro e o cemitério da ilha.
  • Praia de Pereiró; a mhis meridional, baixo a aldeia do mesmo nome e rodeada de um exuberante entorno.

E na costa ocidental:

  • Praia das Fontiñas
  • Praia de Liñeiro

A orografia da ilha é <amesetada>, cuja sucessão de elevação de cumes chans que conformam paramos de Ulex europaeus e carrasqueira. A máxima elevação encontra-se no Alto do Cucorno, Vértice geodésico de 118 metros de altura, justo onde se situa o farol.[4] Entre as colinas (outeiros) aparados abrem-se pequenos vales que frequentemente coincidem com as enseadas que penetram na sua costa ocidental. As outras elevações da ilha encontram-se no Alto da Freitosa (97 metros) e no Alto da Altura (77 metros), ao sur; e no Alto da Cerrada (103 metros) e o de O Centolo (86 metros), ao norte.

A ilha carece de correntes de água contínuas mas apesares disso é rica em abundantes regatos sazonais, em fontes e em aquíferos. Esta abundancia de água doce foi um dos motivos que permitiram o estabelecimento de povoação estável. Estão catalogadas um total de 9 fontes e 7 mananciais; todas as aldeias que se espalham pela ilha contam pelo menos cuja fonte de água potável.

Povoação[editar | editar código-fonte]

No ano 2005 habitavam na ilha permanentemente 61 pessoas, observando-se um enorme baixa populacional com respeito a mediados do século XX, quando chegou a estar habitada por 530 pessoas (ano 1953). Ainda assim, os dados atuais supõem também uma certa recuperação se os comparamos com os de finais da década de 1980 (em 1986 a ilha encontrava-se só com 16 habitantes).

As causas desta sangria demográfica há que buscá-las no própio ilhamento do enclave e nas consequentes dificuldades de comunicação com o continente, a falta de serviços médicos e sanitários, a dificuldade de conseguir permissões para a construção de novas casas (ao que se une a impossibilidade de converter-se em propietário), a falta de energia eléctrica, apesar da instalação de um gerador que funcionava somente umas poucas horas ao dia (hoje em dia este problema está praticamente solucionado), etc.

A povoação da ilha distribui-se pelo lado oriental da mesma, desde as ladeiras dos páramos até à costa. Reparte-se em 9 aldeias, que oficialmente estão agrupadas num único núcleo de povoação chamado genericamente Ons. As nove aldeias da ilha são as seguintes:

Farol situado na Ilha de Ons.
  • O Curro, a capital da ilha, é a aldeia mais povoada. Nela encontra-se o cais, os restaurantes, os bares e a igreja de San Xaquín.
  • O Caño, é a continuação de O Curro, junto á pista que sobe ao farol.
  • O Cucorno, é a aldeia mais grande em extensão e uma das mais povoadas. É também a mais alta da ilha, pois ocupa a montanha onde se situa o farol, baixando pela sua ladeira.
  • O Laverco, é também uma aldeia alta situada junto ao O Cucorno, arredor do farol.
  • O Centolo ou O Sentulo, a mais setentrional de todas, está composta por umas quatro ou cinco casas situadas no extremo setentrional da ilha, numa zona bastante alta.
  • Melide, cerca do Santolo, para o farol. Muitos insulares consideram que esta aldeia forma parte do Santolo, pela proximidade e por não contar mais que com três casas.
  • A Chan da Pólvora, está formada por meia dúzia de casas um pouco desviadas da pista que sobe ao farol. Nesta aldeia situa-se o acampamento da ilha.
  • Canexol, está situada para o sul da ilha, na ribeira do mar. Nela encontra-se o cemitério.
  • Pereiró, trata-se da aldeia mais meridional da ilha, e uma das mais grandes. O seu território é dos mais férteis da ilha. Encontra-se detrás da praia do mesmo nome.

No verão, a maioria dos insulares que emigraram ao continente (sobre todo á Península do Morrazo) regressam à ilha para passar a temporada de verão nas suas casas da ilha de Ons; muitos inclusive regressam já na primavera. Pode-se afirmar, pelo tanto, que a ilha possui maioritariamente uma povoação estacional, sendo muito abaixo o número de vizinhos que permanecem nela todo o ano. A povoación de Ons passa do meio milhar durante o verão, e a isto há que acrescentar os centenas de visitantes diários da ilha e também os campistas que nela pousam.

Evolução demográfica da ilha de Ons (1900 - 2012)[5]
1900 1910 1930 1940 1950 1955 1960 1970 1975 1986 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012
299 276 375 421 435 530 464 370 195 16 58 59 62 61 63 61 70 71 72 77 78 80 79

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima de Ons, como o das ilhas Cíes, acusa uma certa diferença com o resto das Rias Baixas, ao ser mais seco, mais ensolarado e mais ventoso. Sem contudo, as precipitações medias anuais da ilha seguem sendo relativamente elevadas (1.200 mm). A temperatura media é de 14,6ºC. O seu clima adota qualificar-se como mediterrâneo subhumido com uma forte tendencia atlântica.

Fauna[editar | editar código-fonte]

Entre a fauna destaca a colonia de Corvo-marinho-de-crista (Phalacrocorax aristotelis) que cria nos cantis mais inacessíveis, e cuja povoação na ilha representa junto à das ilhas Cíes o 25% da povoação mundial. Nos cantis e ilhotes da zona norte também habita a Gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis) e a Gaivota-de-asa-escura (Larus fuscus). O Airo (Uria aalgae) desapareceu da ilha nos anos 60; na atualidade, encontra-se em vias de extinção. Em 1989 só restavam 2 ou 4 pares nas Ilhas Sisargas, 15 ou 20 na Ilha Vilán de Fora (A Coruña) e 1 ou 2 nas Ilhas Cíes. Na ilha de Ons também podem encontrar-se algumas das poucos casais de Gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax) que aninham no litoral galego. Entre as aves rapazes destaca a presença do Minhoto ou águia-de-asa-redonda (Buteo buteo), o Gavião-da-europa (Accipiter nisus), e o Açor (Accipiter gentilis). Entre os répteis destaca a Cobra-de-escada (Rhinechis scalaris ou Elaphe scalaris) e o Sardão (Lacerta lepida ou Timon lepidus).[6]

Por outra parte, a ilha é um importante enclave de descanso das aves migratórias, e os seus fundos marinhos possuem uma grande riqueza.

Flora[editar | editar código-fonte]

Ainda que no passado provavelmente Ons contava com massas arbóreas de Bétulas (Betula) e de "cerquinhos" (Quercus pyrenaica) na atualidade não há quase presença delas, tão só alguma bétula por perto das fontes, devido aos incêndios contínuos consequência da histórica rebeldia dos insulares. A vegetação arbórea atual constituem-na alguns pinheirais, um eucaliptal perto da praia de Melide, algumas árvores frutíferas e alguma acácia. A maior parte da ilha está coberta por mato, principalmente tojo, também "Erva de namorar (Armeria maritima) e Angelica pachycarpa. Nas praias destacam duas espécies fixadoras de dunas: "Feio de praia" (Ammophila arenaria espécie da Ammophila) e Agropyrum junceum (ou Agropyron junceiforme).[7]

História[editar | editar código-fonte]

A ilha já estava habitada na Idade do Bronze, como puseram de manifesto os numerosos achados de materiais desta época encontrados por toda a superfície da ilha. Existem dois Castros, o de Castelo dos Mouros e o da Cova da Loba; um sepulcro antropomorfo e restos do que pôde ser um mosteiro.[8]

Cais de Ons.

No século primeiro já temos a primeira notícia sobre a ilha: Caio Plínio Segundo cita na sua descrição da Península Ibérica como insula Aunios. As seguintes referencias datam do ano 899, na que foi doada ao Catedral de Santiago de Compostela pelos reis Afonso III das Astúrias o Magno, Ordonho II da Galiza e Leão e Afonso V de Leão.[8]

No século XVI aparece a Família Montenegro como dona da Ilha, ao ser-lhe cedida poelo Arcebispo Gaspar de Zuñiga y Avellaneda, o que se pode comprovar pelos documentos existentes no Museu de Pontevedra do foreiro pagador a Dom Antonio Sarmiento Montenegro. Este assentamento viu-se obrigado a fugir a começos do século XVII pelas aterradoras incursões para a costa dos corsários nortenhos e piratas turcos. Com posterioridade foi passada em herdança aos descendentes de Montenegro, que gozaram da sua propriedade até o ano 1810 quando a Junta Provincial de Armamento e Defensa da província de Santiago ordena defender a entrada da Ria de Pontevedra. Para sufragar os enormes gastos, decidiu-se dividir a Ilha em Ações de Primeira Classe a aqueles que a quisessen trabalhar tendo que pagar um cânone a modo de juro.[8]

Praia na ilha de Ons.

Depois dos conflitos entre a Igreja e a Nobreza pela sua possesão, esta saldou-se a favor do Marquês de Valladares, o que permitiu a instalação duma fábrica de salgadura nos arredores do cais entre os anos 1835-1840.[8] Isto produz uma mudança na economia da Ilha. Após a decadência da salgadura em 1929, é quando toma um novo rumo, sendo vendida à Manuel Riobó por 250.000 pesetas, quem forma nela uma Sociedade Mercantil dedicada ao secagem e comercialização do Polvo e Congro.[8] Até o ano 1936 goza de uma década de bem-estar e prosperidade, já que o grande número de polvos e o domínio dos insulares na arte da pesca e da dorna os converte no principal ponto de referencia quando se fala deste cefalópode nas Rias Baixas.

Em 1936, com o começo da Guerra Civil Espanhola, o então dono da ilha, Didio Riobó, é buscado e perseguido pelas suas idéias políticas. A causa desta perseguição toma a decisão de suicidar-se, ficando os insulares desde esse momento numa situação de abandono e incerteza sobre o seu futuro e as suas propriedades.[8]

Cartel com o plano da ilha.

A ilha é expropriada no ano de 1940, pelo Ministério da Guerra, e foi passando a través dos anos de um organismo a outro: Colonização, Instituto para la Conservación de la Naturaleza (ICONA) e Irida, até que finalmente no ano 1984 foi transferida á Junta da Galiza.[8]

Hoje constituem um bem de domínio público, mas com uma situação vecinal ainda pendente de resolver, entretanto que os vizinhos reclamam o direito à sua propriedade das casas que eles e os seus antepassados construíram, o governo autônomo dedica-se a realizar um estudo jurídico para solucionar esta incomum situação.

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Alá, no medio do mar. A Comunidade da illa de Ons, Staffan Mörling, Josefa Otero Patiño. Ministerio de Agricultura, Alimentación y Medio Ambiente (2013)
  • Atlas de las aves nidificantes de los Archipiélagos de Cíes y Ons (Parque Nacional de las Islas Atlánticas). Jesús Domínguez Conde, Luis Enrique Tapia del Río, Gabriel Martín García, Marta Arenas Romasanta, Isabel Quintero Martínez, Luis Enrique Rego Vale, María José Vidal Malde. Parque Nacional das Illas Atlánticas. (em espanhol)
  • Estudio florístico de la isla de Ons (Parque Nacional Marítimo-Terrestre de las Islas Atlánticas de Galicia). J. Gaspar Bernárdez Villegas. Parque Nacional das Illas Atlánticas. (em espanhol)
  • Anfibios y reptiles del Parque Nacional de las Islas Atlánticas de Galicia. Faunística, biología y conservación. Pedro Galán Regalado. Parque Nacional das Illas Atlánticas. (em espanhol)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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