Marcha das Vadias

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Wikitext.svg
Este artigo ou seção precisa ser wikificado (desde outubro de 2012).
Por favor ajude a formatar este artigo de acordo com as diretrizes estabelecidas no livro de estilo.
A primeira Marcha das Vadias em Toronto, 2011

A Marcha das Vadias (português brasileiro) ou Marcha das Galdérias (português europeu)[1] (em inglês: SlutWalk) é um movimento que surgiu a partir de um protesto realizado no dia 3 de abril de 2011 em Toronto, no Canadá, e desde então se internacionalizou, sendo realizado em diversas partes do mundo.[2] A Marcha das Vadias protesta contra a crença de que as mulheres que são vítimas de estupro teriam provocado a violência por seu comportamento. Por isso, marcham contra o machismo, contando sobre os seus proprios casos de estupro.[2] As mulheres durante a marcha usam não só roupas cotidianas, mas também roupas consideradas provocantes, como blusinhas transparentes, lingerie, saias, salto alto ou apenas o sutiã.[3] [4]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Um evento da Marcha das Vadias em Alberta

Em janeiro de 2011, ocorreram diversos casos de abuso sexual em mulheres na Universidade de Toronto. O policial Michael Sanguinetti fez uma observação para que "as mulheres evitassem se vestir como vadias (sluts, no inglês original), para não serem vítimas".[2] O primeiro protesto levou 3 mil pessoas às ruas de Toronto.[5]

O movimento ocorreu também em Los Angeles, Chicago, Buenos Aires e Amsterdã, dentre outros lugares.[2] No Brasil, já ocorreu nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Recife, Fortaleza, Salvador, Itabuna, Goiânia, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Ponta Grossa, Pelotas, Florianópolis, Porto Alegre, João Pessoa, Campina Grande, Santa Maria, Londrina[6] , São José do Rio Preto[7] , Cuiabá, entre outras.

Brasil[editar | editar código-fonte]

Marcha das Vadias em 2011 em Brasília. Foto:Elza Fiuza/ABr

A primeira Marcha das Vadias no Brasil ocorreu em São Paulo, em 4 de junho de 2011, organizada pela publicitária curitibana Madô Lopez, e a escritora paraguaia Solange De-Ré. Após o anúncio do evento com a criação de uma página no Facebook, mais de 6 mil pessoas confirmaram presença. No entanto, diferentemente das versões em outros países, somente cerca de 300 pessoas compareceram, de acordo com a contagem da Polícia Militar.[8] Neste mesmo ano, iniciou-se a manifestação em Recife, Belo Horizonte, Brasília e Itabuna e em 2012, no dia 29 de junho, ocorreu a 1ª Marcha das Vadias na cidade de Teresina. No dia 28 de julho de 2012, aconteceu a primeira marcha em São José do Rio Preto, SP.[7] . A última marcha foi em Brasília no dia 21 de junho 2013, e reuniu mais de 3 mil pessoas.

De acordo com a antropóloga Julia Zamboni, o movimento é feito por feministas que buscam a igualdade de gênero. "Ser chamada de vadia é uma condição machista.[9] Os homens dizem que a gente é vadia quando dizemos sim para eles e também quando dizemos não", afirmou.[9] "A gente é vadia porque a gente é livre", destacou.[9] No Brasil, a marcha também chama atenção para o número de estupros ocorridos no país. Por ano, cerca de 15 mil mulheres são estupradas.[9]

O espaço midiático discursivo e seu poder de engajamento cívico[editar | editar código-fonte]

Emblem-scales.svg
A neutralidade desse artigo (ou seção) foi questionada, conforme razões apontadas na página de discussão.
Justifique o uso dessa marca na página de discussão e tente torná-lo mais imparcial.

A mídia se tornou uma importante ferramenta de deliberação mediática, devido a sua abrangência territorial (geográfica) e social (espaço de discussões). Para Jurgen Habermas [10] a deliberação é um processo no qual, as pessoas têm a possibilidade de argumentação, ao mesmo tempo em que podem aprender e rever seus pontos de vista. Devemos entender que a Esfera Pública é o espaço de discussão, a opinião pública é o resultado e a deliberação é todo esse processo. Desse modo, a mídia não pode ser analisada somente enquanto um meio (aparato tecnológico) e sim como um sistema.

O advento da internet, inicialmente, foi entendida como salvadora da democracia, devido as suas vantagens como, por exemplo, os sujeitos a partir de sua inauguração tomaram conhecimento de que poderiam fazer a diferença (coletivização das demandas), visibilidade das ações políticas, práticas de advogacy (representação política como a marcha das vadias e o Fora Lacerda na cidade de Belo Horizonte), estimular a cultura política, existência de oportunidades de participação entre outros. É bom lembrar que estes fatores contribuem no engajamento cívico, ou seja, há uma maior possibilidade de que os atores sociais participem, ou até mesmo, passem a ter conhecimento e discutam a respeito das causas no seu dia a dia (conversação cotidiana) , disseminando-as, uma vez que um “não-ativista age para mudar as ações ou crenças dos outros a respeito de uma questão que o público deveria discutir” (MANSBRIDGE, 2009, p.216)[11] . Os agentes da mídia acabam controlam a agenda política (teoria da agenda), ao definirem quais serão as temáticas a serem veiculadas. As Produções midiáticas contribuem tanto com a construção da estrutura social e cultural, quanto com a criação de sentidos.

Desse modo, é preciso pensar nos medias enquanto espaços de deliberação e convoção cívica, potencializando as representações sociais de tais temáticas, isto é, as produções veiculadas tendem a disputar a atenção dos atores sociais os convocando a participar, logo os profissionais de comunicação se tornam responsáveis em dar visibilidade, além de coordenar os discursos (construção narrativa) e interpretar os fatos causando um julgamento de valores já estabelecido, isto é, não sintetizado pelos atores sociais - interpretação própria (Rousiley Maia, 2008)[12]

Marcha das Vadias em Porto Alegre, 2013

A mídia também atua intensamente na conversação política cotidiana, ou seja, a mídia alimenta e retroalimenta as conversas cotidianas de várias maneiras. O sujeito apropria as mensagens e a partir das conversações com outros sujeitos, as problematizações vão surgindo. Com isso, os medias contribuem com o engajamento cívico contribuindo com compartilhamento de experiências, descentralização das perspectivas dominantes, inserção de novos pontos de vistas, embate e negociação de argumentos, além de oportunidade de formulação de expressão pública e fonte de debates políticos.

O sujeito deve assumir seu papel, participando efetivamente nos processos deliberativos. Cabe aos detentores de poder estimular e motivar os atores sociais na inserção de tal contexto. É preciso enxergar a esfera pública como uma poderosíssima ferramenta social, repleta de recursos e oportunidades que porporciona ao indivíduo demonstrar suas opiniões e contribuições nas decisões por meio de ações individuais ou coletivas. Com a participação efetiva dos sujeitos no debate público deliberativo, torna-se viável a elaboração de projetos coletivos onde poderão reivindicar a legibilidade perante o Estado, além de identificação moral na sociedade.

No entanto, precisamos deixar bem claro que a sociedade civil não governa, mas uma atuação veemente por parte dos sujeitos torna-se de extrema importância para alavancar as temáticas que serão discutidas na Esfera Pública e no espaço midiático, onde alcançaram publicidade, no sentido de visibilidade, podendo ser levada ao legislativo como, por exemplo, o debate sobre o tabagismo e seus desdobramentos.

Algumas conquistas femininas[editar | editar código-fonte]

Question book.svg
Esta página ou secção não cita nenhuma fonte ou referência, o que compromete sua credibilidade (desde outubro de 2012).
Por favor, melhore este artigo providenciando fontes fiáveis e independentes, inserindo-as no corpo do texto por meio de notas de rodapé. Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoScirusBing. Veja como referenciar e citar as fontes.

Tema de vários estudos acadêmicos no âmbito social em todo o mundo, tornando-se de senso comum, a imagem da mulher historicamente vem sendo associada à coisificação e inferiorização devido a demasiada exploração midiática. A “Marcha das vadias” está fortemente conectada a outros movimentos femininos nacionais e internacionais que defendem com veemência a emancipação da mulher contra qualquer espécie de preconceito de gênero, ainda presente, nos dias de hoje na sociedade patriarcal em que vivemos. No entanto, podemos observar que a sociedade já possui anticorpos que combatem manifestações de preconceitos quando estes são midiatizados, como é o caso de Geisy Arruda. As representações sociais e o quadro de valores de uma sociedade são mutáveis de acordo com aspectos culturais e sociais. As pessoas aderem conforme os parâmetros do contexto histórico e também conforme sua subjetividade, ou, pelo menos, conforme seus desejos de pertencimento a um certo grupo com o qual se identifica. Desse modo, o que era “bacana” de se usar na década de 1980 hoje se tornou “cafona”. Os medias contribuem para as transformações na estrutura social, veiculando modelos identitários, estilos de vida, visões de mundo e estruturando seu discurso no desejo das pessoas.

Tal como na vida “real”, na publicidade, por exemplo, a mulher assume várias funções tal como, fonte de desejo masculino, esposa, mãe e carreira profissional. Estatísticas mostram que, cada vez mais, as mulheres tornam-se independentes, estudam mais, têm menos filhos, vivem mais, mas, continuam ganhando menos em relação aos homens, além de sentirem que a desigualdade de gêneros ainda é muito forte na sociedade brasileira, mesmo com os avanços econômicos femininos. Nos dias de hoje, as mulheres podem, assumem e descobrem cada vez mais o sexo, algo até então misterioso e repressivo, já que até os anos 1960 a sexualidade deveria se realizar unicamente através do casamento e, a mulher que se entregasse a um homem era dada como "perdida". Logo, a virgindade era sagrada. O que vivenciamos atualmente é a liberdade do sexo feminino e, porque não masculino, uma vez que ambos são livres para fazerem suas escolhas sem que haja grandes represálias, principalmente as mulheres, como é o caso das modelos “gostosas” que aparecem em propagandas de cerveja seminuas sem tanto pudor. Hoje é natural, a sociedade brasileira é mais tolerante em vista de épocas passadas. Em suma, os homens atualmente são livres para dizerem não (incomum até pouco tempo atrás) já que as mulheres eram “presas” ao sentimento de vergonha, logo eles aproveitavam quando encontravam algumas favoráveis ao impudor. As mulheres, no entanto, são livres para dizerem sim para qualquer iniciativa masculina e/ou feminina que julgarem “adequadas”.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. "Marcha das Galdérias" junta dezenas em Lisboa. Diário de Notícias (1º de julho de 2012). Página visitada em 22 de setembro de 2012.
  2. a b c d São Paulo recebe a Marcha das Vadias no sábado. Folha.com (3 de junho de 2011). Página visitada em 04/06/2011.
  3. ¿Puedes, con tu vestuario, estar pidiendo que te violen? (em espanhol). RNW (3 de junho de 2011). Página visitada em 04/06/2011.
  4. MAMBRINI, Verônica (3 de junho de 2011). “Marcha das Vadias” pretende reunir 2.500 em SP. IG. Página visitada em 04/06/2011.
  5. RODRIGUEZ, Conxa (31 de maio de 2011). Las 'slut walk' ('marcha de las puercas') llegan a Europa (em espanhol). El Mundo. Página visitada em 04/06/2011.
  6. {{citar Macapá notícia|url=http://noticias.terra.com.br/brasil/fotos/0,,OI203944-EI8139,00-Marcha+das+Vadias+toma+conta+das+ruas+de+Londrina+PR.html%7Ctitulo= Marcha das Vadias toma conta das ruas de Londrina}}
  7. a b "Marcha das Vadias" protesta no Centro de Rio Preto. Diário da Região. Página visitada em 29 de julho de 2012.
  8. SASSAKI, Raphael (4 de junho de 2011). Marcha das Vadias leva 300 pessoas para a av. Paulista. Folha.com. Página visitada em 05/06/2011.
  9. a b c d MAZENOTTI, Priscilla (18 de junho de 2011). Mais de 800 pessoas participam de marcha para reivindicar igualdade de gênero. Agência Brasil. Página visitada em 18/06/2011.
  10. . O papel da sociedade civil e da esfera pública política. In: _ Direito e Democracia - entre faticidade e validade. Rio de Janeiro: Tempo Brasileira, 1997.
  11. A conversação cotidiana no sistema político. In: MARQUES, Ângela (org). A deliberação pública e suas dimensões sociais, políticas e comunicativas . Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009
  12. Deliberação e Mídia. In: MAIA, R. C. M. Mídia e deliberação, 2008.