Miguel Sousa Tavares

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Miguel Sousa Tavares

Miguel Andresen de Sousa Tavares (Porto, 25 de junho de 1950) é um jornalista e escritor português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho do advogado e jornalista Francisco Sousa Tavares e da escritora Sophia de Mello Breyner Andresen e primo em terceiro grau de José Avillez, Miguel Sousa Tavares é natural do Porto. Licenciou-se em Direito na Universidade de Lisboa, e foi na capital que passou a infância e a juventude. Durante mais de uma década foi advogado em Lisboa.

Estreou-se no jornalismo em 1978, ano em que iniciou a sua colaboração na Radiotelevisão Portuguesa. Em 1989 participou na fundação da revista semanal Grande Reportagem. Foi director da versão trimestral, entre 1990 e 1991, e da versão mensal, iniciada em outubro de 1991, até 1999. Antes, em 1989, dirigiu a revista Sábado, fundada por Pedro Santana Lopes, mas manteve-se pouco tempo no cargo, devido à instabilidade interna da revista. Em 1990 começou a colaborar no Público, onde publicaria uma crónica semanal até 2002. Ao mesmo tempo, estendeu a sua colaboração ao desportivo A Bola, à revista Máxima e ao informativo online Diário Digital.

Voltou à televisão na SIC, com Terça à Noite, (de 1993 a 1995, um debate com António Barreto e Pacheco Pereira [1] . Paralelamente, em 1994, foi para o ar 20 anos, 20 nomes, uma série de vinte entrevistas com protagonistas da história portuguesa recente. De 1995 a 1998, apresentou, com Margarida Marante, também na SIC, o programa de actualidade política Crossfire. Chegaria ainda, na mesma estação, a apresentar, durante um pequeno período e ao domingo, o bloco noticioso da 20 horas (Jornal da Noite). Em 1998 terá sido convidado para o cargo de director-geral da RTP, tendo recusado. Em 1999 passou para a TVI, onde partilhou o debate Em Legítima Defesa, com Paula Teixeira da Cruz e moderação de Pedro Rolo Duarte. A partir de 2000, na mesma estação, viria a marcar presença assídua às terças-feiras no Jornal Nacional, na análise à actualidade nacional e internacional. Em 2010 regressa à SIC, com Sinais de Fogo, um programa semanal de comentário político. Actualmente é comentador residente, na mesma estação, às terças-feiras, no Jornal da Noite.

Das suas incursões literárias resultaram compilações de crónicas, vários romances, livros de contos e uma história infantil. Equador, de 2004, foi um best-seller, estando traduzido em mais de uma dezena de línguas estrangeiras. Rio das Flores, em 2007, teve uma primeira tiragem de 100 mil exemplares. Recebeu o Prémio de Jornalismo e Comunicação Victor Cunha Rego, em 2007.

Da sua actividade cívica, integrou a Direcção do Movimento Portugal Único, em 1998, defensor do «não» num referendo sobre a regionalização administrativa. Em 2009 contestou publicamente o prolongamento do terminal de Alcântara, numa concessão polémica à construtora Mota Engil. Actualmente é colunista semanal do jornal Expresso. Mantém ainda a crónica n' A Bola, onde se evidencia como adepto do Futebol Clube do Porto.

Direitos dos fumadores[editar | editar código-fonte]

Sousa Tavares é fumador e defende militantemente os direitos dos fumadores. Nessa qualidade tem defendido, por exemplo, que todos os aviões deviam ter obrigatoriamente lugares para fumadores. Aquando da implementação da nova lei do tabaco em Portugal, que proíbe veementemente o fumo em estabelecimentos com menos de 100 metros quadrados, Sousa Tavares fez questão de referir que considera incoerente e incompreensível que o Governo se oponha desta forma ao tabaco em locais como prisões, e ao mesmo tempo, ofereça condições para que os reclusos se injectem, referindo que esta lei é um atentado à liberdade e aos direitos dos fumadores. Por fim, deixou bem claro que faz questão de deixar de frequentar locais onde não seja permitido fumar.

Afirmou que a lei antitabaco faz lembrar "os primeiros decretos antijudeus da Alemanha nazi"[2] e "o fumo nos restaurantes, que o Governo quer limitar, incomoda muitíssimo menos do que o barulho das crianças - e a estas não há quem lhes corte o pio."[3]

Touradas[editar | editar código-fonte]

Miguel Sousa Tavares, aquando da abolição das touradas na Catalunha pelo governo regional, referiu no jornal da noite da SIC, quando questionado se em Portugal se poderia adotar este caminho, "que este é o caminho da estupidez". Para MST o "que está em causa é uma questão de liberdade, e em Democracia as minorias são respeitadas", referindo ainda que "só vai a uma tourada quem quer". MST considera que a aversão às touradas se deve a uma imaturidade democrática e a uma carência de cultura, referindo que a maioria da população desconhece as origens da tourada e seus meandros, e que grandes pintores espanhóis pintaram touradas, desde Goya, Salvador Dali e Picasso. Refere ainda que levada ao extremo, a abolição das touradas conduz à extinção dos touros de morte, pois são animais criados especificamente para este efeito. MST considera ainda, quando questionado sobre a barbárie do espetáculo tauromáquico que choca várias pessoas, que "os combates de boxe quando saem de lá todos a sangrar também chocam muita gente" e "as corridas de automóveis onde podem morrer condutores e espectadores também chocam" e que não é por isso que são banidos.[4]

Acordo Ortográfico[editar | editar código-fonte]

Miguel Sousa Tavares é um conhecido opositor ao Acordo Ortográfico de 1990, tendo os seus livros no Brasil sido grafados e impressos com a ortografia europeia do português antes do dito acordo.

Acusado de plágio[editar | editar código-fonte]

Sousa Tavares venceu o processo em que foi acusado pelo blogue anónimo freedomtocopy de plágio literário em 'Equador'. O autor do blogue criou este espaço unicamente para lançar a calúnia, tendo esta sido categoricamente refutada por Sousa Tavares, assim como os críticos que se dedicaram à análise das obras. Com efeito, o caluniador sugeria que logo os primeiros parágrafos das obras são semelhantes, algo que facilmente se pode comprovar ser falso ao comparar ambas as obras. Segundo Sousa Tavares, "um dos suspeitos é bloguista do Bloco de Esquerda que gosta de pôr coisas anónimas, por uma questão de traumas pessoais, e o outro é um escritor falhado e invejoso, cuja produção literária consiste em destruir os outros".[5]

O livro em questão chama-se no original Cette nuit la liberté de Dominique Lapierre e Larry Collins, e foi lido por 35 milhões de leitores, segundo informação da editora Pocket.

Outras opiniões[editar | editar código-fonte]

- Em entrevista ao jornal brasileiro O Globo em 26 de junho de 2004, Miguel Sousa Tavares assim descreveu o papel do livro e do escritor:

"O livro é quase um serviço público: tem que dar aos outros qualquer coisa em termos de informação, de distração, de romancear. Fazer o leitor ficar pensando nos personagens, no romance, na história. Tem que deixá-lo imaginar. E não basta escrever bem, tão bem que o leitor a certa altura pare de ler porque não está a seguir uma história, mas um texto literário. Escrever é um serviço prestado aos outros. É como ser médico, arquiteto, bombeiro. É um serviço público, você escreve para os outros. Não escreve para si, nem para seu grupo de amigos, nem para os críticos."

- Em entrevista ao Diário de Notícias em 5 de julho de 2009, Miguel Sousa Tavares informou em entrevista que pensa em emigrar para o Brasil. Pois:

"É um país novo, de que eu gosto há muitos anos. E sou muito bem tratado sem ser popular na rua, o que é óptimo. É um país optimista, não está cansado, não está desiludido, sem esperança. Mesmo que agora haja tanta asneira feita no Brasil, todos os dias, não é? Só que eles têm espaço e tempo para uma maior dose de asneira do que nós. Agora desvendei uma coisa que não era suposto desvendar, mas é um plano que ando a alimentar há um tempo, de facto. Nós somos muito macambúzios, eu estou muito macambúzio também. Sinto, pela primeira vez na vida, que estou a precisar de uma sacudidela e que não vai ser aqui…" [6]

- Em entrevista ao Diário de Notícias em Julho de 2009, afirmou que "O professor Cavaco Silva não tem estatura para ser Presidente da República. Não tem curriculum político para isso, não tem dimensão de estadista… acho é que é uma pessoa limitada."[6]

- Em entrevista ao Diário de Notícias em Outubro de 2009, Miguel Sousa Tavares saiu em defesa da actriz brasileira Maitê Proença afirmando que "isto é uma reacção provinciana e saloia dos portugueses. Somos um povo sem capacidade de humor e autocrítica." referindo-se aos milhares de portugueses que se insurgiram contra o vídeo que a actriz brasileira realizou para o programa Saia Justa do GNT, onde ridiculariza Portugal.

- No Jornal da Noite da SIC de 8 de Junho de 2010, convidado (junto com Pedro Santana Lopes) a pronunciar-se sobre último jogo de preparação de Portugal para o Mundial da África do Sul, Miguel Sousa Tavares defendeu a proibição das vuvuzelas.

- Em Maio de 2013, em entrevista ao Jornal de Negócios chamou palhaço a Cavaco Silva, que apresentou queixa à Procuradora-Geral da República. O número um do artigo 328º do Código Penal estabelece que “quem injuriar ou difamar o Presidente da República, ou quem constitucionalmente o substituir, é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa”. O número 2 diz que “Se a injúria ou a difamação forem feitas por meio de palavras proferidas publicamente, de publicação de escrito ou de desenho, ou por qualquer meio técnico de comunicação com o público, o agente é punido com pena de prisão de 6 meses a 3 anos ou com pena de multa não inferior a 60 dias”[7] .

Em maio de 2014, em entrevista ao jornal i disse "politicamente, o que eu penso de Cavaco é bem pior que palhaço".[8]

Boatos[editar | editar código-fonte]

De entre os vários boatos postos a circular, sobretudo na internet, a propósito de MST, destaca-se a carta aberta de uma professora, que circula desde 2008 e que o acusa de ter afirmado que «os professores são os inúteis mais bem pagos deste país». Trata-se de uma farsa que foi desmentida pelo próprio, em artigo publicado no Expresso: «(…) nunca disse, nunca escrevi e nunca me ocorreu pensar tão estúpida frase. É absolutamente falsa, de fio a pavio. Quem a inventou sabia bem que a melhor forma de atingir um adversário não é discutindo as razões dele, mas atacando-lhe o carácter. E quem a adoptou logo como verdadeira e do 'domínio público', sem nunca, pessoalmente, a ter escutado ou lido, mostrou como é fácil conduzir um rebanho de ovelhas nesses fóruns tão democráticos da Internet. E pensar que é assim que hoje se forma largamente a opinião pública!»[9]

Obras[editar | editar código-fonte]

Prémios[editar | editar código-fonte]

  • Prémio pela reportagem "Hoje aqui, amanhã no Corvo", 1998
  • Prémio Clube Literário do Porto (2007)
  • Prémio Grinzane Cavour, Itália, 2007
  • Prémio de Jornalismo e Comunicação Vitor Cunha Rego, 2007
  • Prémio Branquinho da Fonseca, 2008

Casamentos e descendência[editar | editar código-fonte]

Casou pela primeira vez a 7 de Abril de 1973, no Estoril, com Mariana Espírito Santo Bustorff Silva (Lisboa, São Sebastião da Pedreira, 9 de Dezembro de 19511 de Janeiro de 2001), de quem se divorciou e de quem teve um filho e uma filha:

  • Pedro Bustorff de Sousa Tavares (17 de Abril de 1975), tem dois filhos de Sofia Barciela Borges:
    • Miguel Barciela de Sousa Tavares (Lisboa, 10 de Dezembro de 2007)
    • João Sousa Tavares (17 de fevereiro de 2012)
  • Rita Bustorff de Sousa Tavares (Lisboa, 19 de Maio de 1978), casada em 2002 com Ricardo Espírito Santo Bastos Salgado, filho do banqueiro Ricardo Espírito Santo Silva Salgado e de sua mulher Maria João Leal Calçada Bastos, com geração
    • Ricardo de Sousa Tavares Salgado, nascido a 26 de Março de 2003
    • Maria Ana de Sousa Tavares Salgado, nascida a 16 de Janeiro de 2006
    • Sofia de Sousa Tavares Salgado, nascida a 19 de Junho de 2009

Casou segunda vez com a jornalista Laurinda Alves, de quem se divorciou e de quem tem um filho:

  • Martim Alves Andresen de Sousa Tavares (Lisboa, 1989)

Casou terceira vez com Cristina Pinto Basto Avides Moreira, de quem se divorciou em 2009, sem geração.

Casou pela quarta vez com a deputada centrista Teresa Caeiro em Pavia, Mora, a 25 de Junho de 2011.[20]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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