Parque Estadual do Rio Doce

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Parque Estadual do Rio Doce
Categoria II da IUCN (Parque Nacional)
Lago Dom Helvécio, no interior do Parque Estadual.
Localização  Minas Gerais,  Brasil.
Localidade mais próxima Timóteo, Marliéria, Dionísio, Córrego Novo.
Dados
Área 36,970 ha[1]
Criação 14 de julho de 1944 (70 anos)[1]
Gestão Instituto Estadual de Florestas
Coordenadas 19° 42' 23" S 42° 34' 33" O
Parque Estadual do Rio Doce está localizado em: Brasil
Parque Estadual do Rio Doce
Imagem de satélite do Parque - O terreno escuro no centro da imagem é uma área densamente florestada que tem inúmeros pequenos lagos (aspectos mais escuros) espalhados por toda a imagem. O rio principal que corre pelo lado leste da paisagem em direção ao nordeste é o Rio Doce. O Rio Doce encontra o Rio Piracicaba no topo direito da foto onde as cidades industriais de Coronel Fabriciano e Ipatinga (área mais clara) podem ser vistas. Estas cidades estão localizadas a aproximadamente 100 milhas (150 quilômetros) à leste de Belo Horizonte no estado de Minas Gerais.

O Parque Estadual do Rio Doce, criado em 14 de julho de 1944, situado em Minas Gerais, Brasil, se localiza na Região Metropolitana do Vale do Aço, entre os municípios de Timóteo, Marliéria e Dionísio e é uma das principais regiões de proteção à Biodiversidade do Estado, com a maior área contínua de Mata Atlântica preservada em Minas Gerais.

O Projeto Parque Estadual do Rio Doce faz parte do Programa Integrado de Pesquisa UFV-UFMS "Estudos da Biodiversidade associada a macrófitas aquáticas no Parque Estadual do Rio Doce (PERD) e Pantanal Matogrossense", financiado pelo CNPq.

O Parque Estadual do Rio Doce é um dos três maiores sistemas de lagos que ocorrem no Brasil, juntamente com o Pantanal Matogrossense e o sistema Amazônico. O sistema é denominado depressão interplanáltica do Rio Doce sendo constituído por cerca de 40 lagos, localizados em uma área de 35000 ha e a 300 m de altitude. Os lagos estão localizados em uma floresta tropical úmida, a 20 m acima do nível do Rio Doce, não apresentando conexão com o sistema fluvial. A pluviosidade média anual no PERD é de 1480,3 mm, temperatura média anual de 21,9°C e período de déficit hídrico de maio a setembro.

Além de importante área de preservação da biodiversidade em áreas de Mata de interior, pesquisadores tem estudado a influência de espécies exóticas de animais que têm colaborado com mudanças nas cadeias alimentares. Exemplos de espécies exóticas são peixes como o Tucunaré, a Piranha e o Apaiari.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Antes da chegada dos colonizadores portugueses, a região do Parque era ocupada pelos Borun, nativos que eram chamados de Botocudos pelos europeus.

Gravura - Botucudos

O arcebispo de Mariana, Dom Helvécio Gomes de Oliveira, fica encantado com as belezas naturais e dezenas de lagoas da região, durante sua visita ao município de Marliéria. Decidido a agir em defesa da proteção e preservação da floresta local, Dom Helvécio cria um longo trablho em busca da criação de uma reserva florestal e postura para que aquele patrimônio ambiental não se perdesse.

Prega durante anos a defesa da fauna e da flora, até a sugestão do bispo ser acatada pelo então governador de Minas Gerais, Benedito Valadares Ribeiro. Em 14 de julho de 1944, a Unidade de Conservação era oficializada pelo decreto-lei n° 1.119. Mas nesta primeira fase do projeto, havia muito trabalho a se fazer. Era comum o uso sem controle das terras, por isso, a fauna sofria as consequências da pesca e caça sem restrição.

Com a criação do Instituto Estadual de Florestas, a Secretaria de Estado da Agricultura transferiu sua administração para o novo órgão, quando a unidade foi aberta ao turismo. À época, um incêndio se alastrou no período de seca, deixando 9 mil hectares de florestas queimados e 11 mortos.

Apenas na década de 1970 é que uma infra-estrutura para turismo foi montada para que houvesse segurança para os visitantes e para a floresta. Após a reforma ocorrida entre 1986 e 1993, o parque foi reaberto e recebe até hoje visitantes interessados na biodiversidade surpreendente da área de preservação.[3]

Patrimônio[editar | editar código-fonte]

Com um notável sistema lacustre, composto por quarenta lagoas naturais, dentre as quais destaca-se a Lagoa Dom Helvécio, com 6,7 Km2 e profundidade de até 32,5 metros, o Parque proporciona um espetáculo de rara beleza. As lagoas abrigam uma grande diversidade de peixes, que servem de importante instrumento para estudos e pesquisas da fauna aquática nativa, com espécies tais como bagre, cará, lambari, cumbaca, manjuba, piabinha, traíra, tucunaré, dentre outras.

Com o objetivo de aproveitar a riqueza da flora, de forma sustentável, o parque possui um herbário, que possibilita a identificação de espécies principalmente através da análise de suas características morfológicas, constituindo a base de pesquisas taxonômicas.[4]

Flora[editar | editar código-fonte]

É comum encontrar arvores como o jequitibá, a garapa, o vinhático e a sapucaia. Em alguns pontos aparecem espécimes também raros como o jacarandá-da-baía e a canela sassafrás. Essas árvores centenárias e suas madeiras nobres de grande porte compõem o cenário de um dos poucos remanescentes de Mata Atlântica no Brasil. Na região do parque podem ser encontradas 10 mil exemplares de flora, reforçando a diversidade de espécies presente.

Fauna[editar | editar código-fonte]

No Parque Estadual do Rio Doce, é possível encontrar espécies da avifauna como o beija-flor, besourinho, chauá, jacu-açu, saíra, anumará, entre outros. Animais conhecidos da fauna brasileira também são frequentes no parque. A capivara, a anta, o macaco-prego, o sauá, a paca e cotia, bem como espécies ameaçadas de extinção como a onça pintada, o macuco e o mono-carvoeiro, maior macaco das Américas. Nas águas do Rio Doce é comum encontrar peixes como o Tucunaré, a Piranha e o Apaiari.[5]

Rio Doce[editar | editar código-fonte]

Com 853 km de extensão, o Rio doce chega até o Estado do Espírito Santo. Durante o passeio monitorado, os instrutores abordam com os visitantes temas como poluição, flora, fauna, caça e pesca predatórias, entre outros.[6]

Principais atrações[editar | editar código-fonte]

Panorama da Ponte Queimada e o Rio Doce.

Ponte Queimada[editar | editar código-fonte]

Construída na década de 1930 pela empresa Acesita, que mantém programas de educação ambiental e recuperação e preservação ambiental na região, essa ponte com 800 m de extensão era caminho para o escoamento da produção de carvão. O curioso nome tem duas versões para sua explicação: a primeira é que a passagem foi queimada por índios que habitavam o local, já a segunda, diz que o fogo foi provocado intencionalmente por soldados que transportavam presos para Caratinga.[7]

Trilha do Vinhático[editar | editar código-fonte]

Durante os 800 m de caminhada, os visitantes encontram com bastante frequência os ‘vinháticos’, árvores da família das leguminosas, normalmente de grande porte e madeira avermelhada. Mais ou menos no meio do percurso, mesas e bancos de eucaliptos ajudam aqueles que precisam de um descanso.[8]

Lagoa Dom Helvécio[editar | editar código-fonte]

A lagoa mais conhecida do parque é a Dom Helvécio, popularmente conhecida por Lagoa do Bispo. Possui 700 ha de espelho d'água, profundidade de 32 m, 6 km² de área e é a única liberada para o turismo.

Atividades[editar | editar código-fonte]

  • Pesca em barranco. Os pescadores devem estar munidos de licença para pesca, que pode ser adquirida em qualquer agência do Banco do Brasil. Na lagoa, podem ser encontrados mais facilmente as traíras, piranhas e tucunarés.
  • Passeios ecológicos de barco.
  • Banhos na praia lacustre.

Localização[editar | editar código-fonte]

Apesar de fazer limite com regiões densamente povoadas e industrializadas (como a do município de Ipatinga), é uma das principais reservas de proteção à Biodiversidade do Estado, com a maior área contínua de Mata Atlântica preservada em Minas Gerais. O parque possui uma área de 35.973 hectares.

Acesso[editar | editar código-fonte]

É administrado pelo Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais. Possui área de camping para 500 pessoas (reserva deve ser feita com antecedência de 30 dias), além de vestiários, restaurante, anfiteatro, centro de informações, estacionamento e um posto da Polícia de Meio Ambiente. Está a 247 km de Belo Horizonte. Acesso deve ser feito pela BR-381 ou pela BR-262[9] O Parque Estadual do Rio Doce Localizado entre os municípios de Dionísio, Timóteo e Marliéria, em Minas Gerais, possui uma área contínua de Mata Atlântica, ela é uma das principais reservas de preservação da biodiversidade do estado de Minas Gerais, é um dos atrativos do ecoturismo e camping. O parque é preservado pelo IEF (Instituto Estadual de Florestas).

Preservação[editar | editar código-fonte]

Foi feita recentemente uma série de melhorias no Parque, como o isolamento dos condutores de energia pela CEMIG que, por estarem desprotegidos, prejudicavam a fauna, a flora e a instalação de infra-estrutura para pesquisa ambiental e ecoturismo.

Referências

  1. a b Parque Estadual do Rio Doce. Página visitada em 09 de agosto de 2012.
  2. Laboratório de Ecologia Quantitativa - Departamento de Biologia Geral - UFV. Projeto Parque Estadual do Rio Doce - Introdução. Página visitada em 22 de setembro de 2009.
  3. webventure. História e cultura. Página visitada em 31 de agosto de 2009.
  4. IEF. Parque Estadual do Rio Doce. Página visitada em 31 de agosto de 2009.
  5. Descubra Minas. Parque Estadual do Rio Doce. Página visitada em 31 de agosto de 2009.
  6. webventureuol. Rio Doce. Página visitada em 31 de agosto de 2009.
  7. webventure. Ponte Queimada. Página visitada em 31 de agosto de 2009.
  8. webventure. Trilha do Vinhático. Página visitada em 31 de agosto de 2009.
  9. Convenção Mineira da Biodiversidade

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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