Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina

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Parque Natural do Sudoeste(SW) Alentejano e Costa Vicentina
Localização do Parque Natural
Localização Alentejo Litoral e Barlavento Algarvio
Dados
Área 74 414,89 hectares
Gestão Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade
Zona oeste da Praia de Burgau.
Esta costa, como por exemplo no Cabo Sardão, é o único local do mundo em que as cegonhas nidificam nos rochedos marítimos.

O Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina localiza-se no litoral sudoeste de Portugal, entre a ribeira da Junqueira, em São Torpes, e a praia de Burgau, com uma extensão de 110 km, numa área total de 74 414,89 hectares, correspondendo a área terrestre a 56 952,79 ha e a área marinha adjacente a 17 461,21 ha.

Território[editar | editar código-fonte]

O Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina abrange o litoral sudoeste de Portugal Continental, no sul do litoral alentejano e no barlavento algarvio em redor do Cabo de São Vicente. Inclui territórios de freguesias dos seguintes concelhos e distritos:

Para além da faixa costeira e da zona submarina de 2 km a partir da costa, o parque inclui o vale do rio Mira desde a foz até à vila de Odemira.

Na área do parque encontram-se diversos tipos de paisagens e habitats naturais e semi-naturais, tais como arribas e falésias abruptas e recortadas, praias, várias ilhotas e recifes (incluindo a ilha do Pessegueiro e um invulgar recife de coral na Carrapateira), o estuário do Mira, o cabo Sardão, o promontório de Sagres e Cabo de São Vicente, sistemas dunares, charnecas, sapais, estepes salgadas, lagoas temporárias, barrancos (vales encaixados com densa cobertura vegetal), etc. As altitudes máximas são: 324 m, no interior (em São Domingos, Odemira); e 156 m, no litoral (em Torre de Aspa, Vila do Bispo). A profundidade máxima é 32 m, 2 km ao largo do Pontal da Carrapateira (Aljezur).

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima é mediterrânico, mas com forte influência marítima. As temperaturas mantêm-se amenas todo o ano excepto em períodos de ventos de levante, quando estas podem subir ou descer vertiginosamente.

O regime de ventos é um importante factor no clima da região. Os ventos dominantes são os do quadrante norte. Por vezes ocorrem ventos de sudoeste, principalmente no inverno, enquanto os de levante ocorrem com baixa incidência o ano todo. Nas tardes de verão são comuns brisas marítimas intensas e carregadas de humidade.

As temperaturas aumentam de norte para sul; as médias anuais são de 16/17 °C em Monte Velho e Sines e de 17/18 °C em Vila do Bispo e Sagres, no verão (junho a setembro) as medias mensais rondam os 20-23º e no inverno (dezembro a fevereiro) os 11/13º com picos anuais que podem variar entre os -4º (no interior em janeiro) e os 40º em julho.

A zona do promontório de Sagres tem a menor amplitude térmica de Portugal Continental.

A precipitação máxima ocorre em dezembro, sendo os valores médios anuais entre os 400 mm, na zona de Sagres e os 600/800 mm, nas serras do interior e no restante litoral a norte de Odeceixe. Em geral, chove mais para norte e para o interior (área serrana), a época chuvosa fixa-se entre novembro e abril.

A precipitação apresenta um carácter torrencial típico do sul do pais e das restantes áreas mediterrâneas.

Os nevoeiros não são muito frequentes, acontecendo apenas em alguns dias do ano, mas a humidade do ar costuma manter-se elevada, mesmo em períodos mais quentes.

A insolação media anual é muito elevada, das mais altas do pais e da europa.

O mar apresenta-se, regra geral, mais revolto que o do Algarve, mas mais calmo que o do litoral a norte do Cabo Raso, a ondulação predomina de NW/WNW com 2 m.

Quando fortes sistemas depressionários se aproximam da costa ou a atingem diretamente, no período do inverno, podem ocorrer temporais de W/SW com ondulação até 10 m.

A água do mar é muito rica em biodiversidade e pura mas também fresca, dado o frequente upwelling, com a temperatura variando entre os 14/15º em fevereiro e os 20/21º em setembro.

Flora[editar | editar código-fonte]

Biscutella vicentina.

A flora do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina distribui-se por três tipos de ambientes geomorfológicos:

  • barrocal ocidental, no planalto vicentino a sul, com vegetação típica de solos calcários, numa zona de clima seco e quente;
  • planalto litoral, com vegetação mais diversificada, nas dunas, charnecas e áreas alagadiças.
  • serras litorais e barrancos, mais frescos e humidos, com densa vegetação arbórea e arbustiva ladeando as ribeiras.

Ao longo do parque ocorre uma mistura de vegetação mediterrânica, norte-atlântica e africana, com predominância para a primeira. Há cerca de 750 espécies, das quais mais de 100 são endémicas, raras ou localizadas; 12 não existem em mais nenhum local do mundo. Na área do parque encontram-se espécies consideradas vulneráveis em Portugal, assim como também diversas espécies protegidas na Europa.

Entre os endemismos há, por exemplo, plantas como: Biscutella vicentina, Scilla vicentina, Centaurea vicentina, Diplotaxis vicentina, Hyacinthoides vicentina, Cistus palhinhae, Plantago almogravensis. Outras espécies são consideradas raras, como o samouco (Myrica faya), a sorveira (Sorbus domestica) ou a Silene rotlunaleri. Entretanto a actividade agrícola já provocou a extinção de plantas como a Armeria arcuata.

A espécies arbóreas na área do parque dividem-se em componentes classificadas como naturais e artificiais. As primeiras são dominadas por quercíneas, como o sobreiro (Quercus suber) e o carvalho cerquinho (Quercus faginea), em especial nos barrancos. O medronheiro (Arbutus unedo L.) também é característico desta zona.

As espécies arbóreas classificadas como introduzidas são principalmente os pinheiros-bravos (Pinus pinaster), os eucaliptos (Eucaliptus globulus) e as acácias (Acacia ssp.).

Fauna[editar | editar código-fonte]

Águia-pesqueira, Pandion Haliaetus.
Lontra, Lutra Lutra.
Sapinho-de-verrugas-verdes, Pelodytes punctatus.

A avifauna e ictiofauna têm grande importância no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

Aves[editar | editar código-fonte]

O parque é uma área de passagem para aves planadoras e para os passeriformes migradores transarianos, nas suas deslocações entre as zonas de invernada em África e de nidificação na Europa. É a última área de cria da águia-pesqueira na Península Ibérica.

A nidificação em falésias e arribas marítimas é uma característica da área do parque, com destaque para a cegonha-branca, o falcão-peregrino e a gralha-de-bico-vermelho. É único local do mundo em que as cegonhas nidificam nos rochedos marítimos.

Entre as aves encontram-se, entre outras, as seguintes: águia-pesqueira (Pandion Haliaetus), corvo-marinho (Phalocrocorax spp.), pombo-da-rocha, cegonha-branca (Ciconia ciconia), garça (Egretta garzetta), falcão-peregrino (Falco peregrinus), peneireiro-das-torres (Falco naumanni), gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax), melro-da-rocha ou melro-azul (Monticola solitarius), peneireiro (Falco tinnunculus), guarda-rios, galinha-de-água (Gallinula chloropus), corvo (Corvus corax), pombo-da-rocha (Columba livia), torcaz (Columba palumbus L.), gaivota (Laridae), gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax), açor (Accipiter gentilis), gavião (Accipiter nisus), mocho (Strigidae), coruja, rouxinol, pintassilgo (Carduelis carduelis), tartaranhão-caçador (Circus pygargus), tartaranhão-azulado (Circus cyaneus), alcaravão (Burhinus oedicnemus), sisão (Tetrax tetrax), abibe (Vanellus vanellus), narceja (Gallinago gallinago), bufo-real (Bubo bubo), águia-de-bonelli (Hieraaetus fasciatus), águia-cobreira (Circaetus gallicus), ogea (Falco subbuteo), bufo-pequeno (Asio otus), rola (Streptopelia turtur).

Mamíferos[editar | editar código-fonte]

Os mamíferos presentes na área do parque incluem, entre outros: lontra (Lutra lutra), fuinha (Martes foina), texugo (Meles meles), raposa (Vulpes vulpes), gato-bravo (Felis silvestris), sacarrabos (Herpestes ichneumon), javali (Sus scrofa), ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus), lince-ibérico (Lynx pardinus), geneta (Genetta genetta).

As fuinhas, as raposas (também chamadas zorras), os texugos e os sacarrabos (ou escalavardos) são encontrados nas zonas dunares e falésias. Os texugos escavam as tocas nas falésias. Esta zona é a única em Portugal, e das últimas na Europa, onde se encontram lontras em habitat marinho.

As grutas, como a do Monte Clérigo e a gruta Amarela, são refúgios para importantes comunidades de morcegos (Chiroptera).

Anfíbios[editar | editar código-fonte]

Várias espécies de anfíbios reproduzem-se nas lagoas temporárias. Entre outros encontram-se o sapo (Bufo bufo), o sapo-de-unha-negra (Pelobates cultripes) e o sapinho-de-verrugas-verdes (Pelodytes punctatus). Nessas zonas húmidas também se encontram crustáceos como o Triops cancriformis mauritanicus e outros endemismos ibéricos.

Répteis[editar | editar código-fonte]

Entre os répteis encontram-se, por exemplo, a cobra-rateira (Malpolon monspessulanus) e a cobra-lisa-bordalesa (Coronella girondica).

Peixes[editar | editar código-fonte]

Nos cursos de água, paúis e sapais encontram-se peixes dulciaquícolas que são endemismos portugueses como o barbo-do-sul (Barbus sclateri) e a boga portuguesa (Chondrostoma lusitanicum) e também um endemismo local, o escalo-do-Mira (Leuciscus sp.).

Na zona marítima do parque encontram-se as espécies de peixes e outros animais habituais no nordeste do Atlântico.

Interior da Fortaleza de Sagres.

Presença humana[editar | editar código-fonte]

A população residente é cerca de 24 mil pessoas. Os visitantes, em pelo menos algumas zonas do parque, são cerca de 2,8 milhões por ano.

A área do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina engloba várias vilas e aldeias. Ao longo dos séculos a população dedicou-se à pesca e à agricultura e pecuária, mas o turismo é uma actividade cada vez mais importante, nomeadamente em locais como Porto Covo e Vila Nova de Milfontes e em toda a costa algarvia do parque. O setor industrial é praticamente inexistente.

As principais atividades turísticas são: pedestrianismo, orientação, escalada, parapente, hipismo, canoagem, surf, windsurf, mergulho e BTT.

Algumas povoações e sítios do parque têm grande interesse histórico e cultural, com diversos monumentos nacionais e imóveis classificados de interesse público, com especial destaque para a área de Sagres e Cabo de São Vicente.

As principais ameaças à biodiversidade do parque são as estufas e plantações de relva na zona litoral, e no interior as plantações de eucalipto. É ainda de notar que a grande atividade industrial em Sines, e o alargamento do seu porto, influenciam também a qualidade do ar e da água da zona.

Estatutos de conservação[editar | editar código-fonte]

Portugueses[editar | editar código-fonte]

  • Em 1988 foi criada a Área de Paisagem Protegida do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (APPSACV).
  • Em 1995 a APPSACV deu lugar à criação do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV), incluindo a área marinha adjacente.
  • em 1997 foi criado na área do PNSACV o Sítio Costa Sudoeste, proposto para Sítio de Interesse Comunitário da rede Natura 2000.
  • Em 1999 foi criada a Zona de Protecção Especial para Aves Selvagens Costa Sudoeste, fazendo parte da Rede Natura 2000.

Internacional[editar | editar código-fonte]

  • A reserva Ponta de Sagres faz parte da Rede de Reservas do Conselho da Europa; está integrada no Sítio e Zona de Protecção Especial Costa Sudoeste da Rede Natura 2000.

Referências e ligações externas[editar | editar código-fonte]

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