Parapente

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O parapente (paraglider em inglês) possui semelhanças com o paraquedas, pois também tem uma estrutura flexível e o piloto fica suspenso por linhas. Porém estas semelhanças terminam por aí. Enquanto o parapente é um planador, capaz de efetivamente executar uma decolagem, voar para frente, ganhar altura, permanecer longos períodos no ar e percorrer longas distâncias, o paraquedas é um dispositivo que se destina a desacelerar a queda livre do paraquedista para que este possa chegar ao chão em segurança. O voo de parapente é portanto, uma modalidade de voo livre que pode ser praticado tanto para recreação quanto para competição. Assim como o paraquedas, é considerado esporte radical.

Uma variedade do parapente denomina-se paramotor, onde um motor é empregado para propelir o piloto, porém existem diferenças técnicas importantes entre os diferentes velames que caracterizam sua utilização.

Diferente do paraquedas, o parapente possui formato elíptico e perfil aerodinâmico bastante baixo, assim como carga alar mais baixa (carga alar é a proporção entre peso e área projetada).

Além do paramotor, que possui uma trimagem (regulagem do ângulo de incidência aerodinâmica) diferente do papente tradicional, ainda há uma modalidade chamada Speed Gliding que utiliza um parapente com altíssima carga alar e portanto, dimensões reduzidas, com o propósito de efetuar descidas em alta velocidade próximo ao relevo.

A versatilidade do esporte permite desde voos simples da montanha apenas para curtição de uma descida tranquila em um final de tarde, passando pelo voo de Cross Country (distância livre), pelas competições e também a Acrobacia, onde o parapente pode também ser utilizado para efetuar movimentos de grande beleza plástica e alto risco para seus praticantes. Veja mais detalhes ao longo do texto.

O equipamento completo normalmente pesa cerca de 17 quilos e é acomodado em uma mochila que pode ser carregada às costas.

Histórico[editar | editar código-fonte]

A história do parapente começa em 1965 com a velasa (sailwing em inglês) criada por Dave Barish que chamou de slope soaring (voo de talude) a prática de salto com esta vela. Paralelamente Domina Jalbert inventa um paraquedas cujo velame é composto por células, para gerar o efeito asa de avião. Este paraquedas com dorso e intra-dorso, separados pelas células, foi o ancestral dos atuais paraquedas, parapentes e kites (as velas do kitesurf).

A razão[editar | editar código-fonte]

O parapente foi criado no Parachute Club d'Annemasse (França), em 1978 para servir de treino aos paraquedistas na precisão na aterrissagem sem necessitarem de utilizar um avião.

Em 1980 foi aí criado o primeiro estágio de vol de pente (voo de encosta) e três anos mais tarde o nome muda para parapente. Em 1985 é reconhecido como desporto pela "Fédération Française de Vol à Voile" [1] .

Desde então passaram a evoluir separadamente e atualmente a diferença mais importante entre paraquedas e parapente é em relação ao chamado L/D (em inglês, Lift and Drag), ou coeficiente de planeio, que significa a distância horizontal que se pode atingir quando se parte de uma certa altura. Por exemplo: com um parapente de L/D 7, se a decolagem é feita de uma altura de 1 km, atinge-se 7 km de distância horizontal. Nos parapentes básicos atuais os L/Ds são superiores a 9, já os L/Ds dos paraquedas são muito inferiores a este valor. Os parapentes de competição já possuem L/D maior que 11.

Os primeiros voos foram feitos no Brasil por volta de 1988 no Rio de Janeiro.

Construção[editar | editar código-fonte]

PARAPENTE.JPG

É feito de materiais como o nylon e o poliéster não porosos e impermeabilizados, para que o ar que entra não saia através do tecido, mantendo assim a pressão interna e o velame inflado. Quanto mais horas de voo e exposição ao Sol, mais desgastado fica o velame, causando a perda da impermeabilidade e aumentando a porosidade, tendo assim uma diminuição da performance.

O velame varia de tamanho

Designações[editar | editar código-fonte]

Células[editar | editar código-fonte]

Os gomos do parapente e variam de quantidade de um modelo para outro diferenciando assim a performance.

Extradorso[editar | editar código-fonte]

A parte de cima do velame ou seja as costas.

Intradorso[editar | editar código-fonte]

A parte de baixo do velame ou seja a barriga onde se prendem as fileiras de linhas.

Estabilizador[editar | editar código-fonte]

A ponta do velame e visa a estabilidade em torno do eixo vertical, faz também que o parapente aproe para o vento e funciona impedindo a passagem de parte do ar do intradorso que tem pressão maior, passe para o extradorso que tem pressão menor diminuindo assim o aumento do arrasto causado pelo turbilhonamento da ponta da asa.

Bordo de ataque[editar | editar código-fonte]

A parte da frente das células do velame onde se encontram as aberturas por onde o ar entra.

Bordo de fuga[editar | editar código-fonte]

A parte de traz do velame que é costurada para o ar não sair e onde as linhas do freio atuam para que se possa fazer as curvas, através da deformação de um dos lados ou diminuir a velocidade atuando dos dois lados simultaneamente.

Freios[editar | editar código-fonte]

A união dos batoques e linhas usadas para frear e direcionar o parapente, usado para aumentar a sustentação na decolagem, e no pouso para amortecer a chegada. O freio é muito importante pois através dele é que sentimos a variação de pressão do velame e em voos turbulentos é necessária uma pilotagem ativa aumentando e diminuindo a tensão na linha de freio para compensar a variação de pressão.

Video mostrado parapentes a decolar no Horizonte Perdido, Araxá.
Outro vídeo.

Elevadores, bandas ou tirantes[editar | editar código-fonte]

As tiras que unem as linhas aos mosquetões e são formadas por 2 a 5 elevadores. São classificados como tirante A podendo-se ter 2 tirantes sendo um para fazer orelhas, B, C, D.

Batoques[editar | editar código-fonte]

batoques Os batoques são uma espécie de alca e estão ligados à linha dos freio. O piloto segura os batoques com as mãos. São ao todo, dois batoques. Uma para comandar o lado direito e outro para comandar o lado esquerdo.

Trimmer[editar | editar código-fonte]

O trimmer é um acelerador, ou seja, um dispositivo usado para alongar o elevador traseiro do parapente. Este dispositivo atua mudando o ângulo ALFA do parapente chamado também de ângulo de ataque, o que altera a velocidade horizontal e vertical do parapente, fazendo com que ele voe mais rápido ou mais devegar.

Linhas[editar | editar código-fonte]

São as linhas do parapente que unem o velame aos tirantes e são feitas de vários materiais como o kevlar.

Suspensão[editar | editar código-fonte]

É composta pelas linhas que unem os elevadores ao velame, a mais comum nos dias de hoje é a suspensão linear, tendo cada tirante uma fileira individual de linhas.

Mosquetinhos ou Mosquetões[editar | editar código-fonte]

Feitos de aço ligam as linhas aos tirantes.

Arnés (PB), arnez (PE), cadeira, selete[editar | editar código-fonte]

Tendo a pratica do parapente nascido muito associada ao montanhismo, o mecanismo que permite segurar o piloto herdou dessa forma o nome de "arnés", á semelhança do que acontece na escalada. No entanto, com a evolução da modalidade surgiram diversas formas desde os mais compactos habitualmente utilizados no voo acrobático ou montanhistas, aos mais volumosos e confortáveis utilizados sobretudo no voo de distância.

No caso dos bilugares ou voo duplo a asa possui um mecanismo que permite a fixação de dois cavalos. O do piloto, e um mais compacto destinado ao passageiro.

Preparação de parapente no Horizonte Perdido, em Araxá.

Equipamento[editar | editar código-fonte]

Paraquedas reserva[editar | editar código-fonte]

Acessório de uso obrigatório para segurança em voo. Usado para emergências no caso de colisão em voo, desinflar e engravatar, causando a perda de altitude irreversível. O tamanho do paraquedas reserva varia com o peso a ser sustentado. O tipo mais utilizado é o redondo, semelhante a utilizado por militares porém este modelo possui pouca ou nenhuma dirigibilidade (levado pelo vento), existem outros tipos, como o Rogalo que tem a forma semelhante a de um triângulo e permite o controle do voo até o solo, podendo o piloto escolher um melhor local para pouso.

Óculos de sol[editar | editar código-fonte]

São importantes para poder pilotar melhor sem que ao olhar para a vela o Sol o atrapalhe, é importante que as lentes tenham uma boa proteção UV

Capacete[editar | editar código-fonte]

No Brasil é um item obrigatório de voo, para proteção caso o piloto ou passageiro em um pouso forte bata a cabeça, arborize (atingir uma árvore) ou caia na decolagem.

Botas de voo[editar | editar código-fonte]

Geralmente tem proteção lateral para não torcer o tornozelo no caso de pousar forte ou caminhadas em terreno irregular.

Acessórios[editar | editar código-fonte]

Variômetro ou Vário[editar | editar código-fonte]

Dispositivo eletrônico equipado com barômetro interno que permite ao piloto identificar se está na presença de uma massa de ar ascendente ou descendente, além de medir a altura e a altitude.

GPS[editar | editar código-fonte]

Aparte das habituais funcionalidades de navegação, o GPS é forma mais eficiente do piloto ter uma noção da altura e velocidade a que se desloca. O GPS é um equipamento imprescindível nas competições, pois constitui prova das distâncias percorridas.

As modalidades[editar | editar código-fonte]

Cross Country[editar | editar código-fonte]

É a modalidade mais popular do parapente, tendo como objetivo voar a maior distância no menor espaço de tempo possível. Normalmente nos campeonatos de Cross Country existe uma comissão técnica que define uma prova (trajeto) com dois ou mais pontos a ser percorrido pelos pilotos. Cada piloto utiliza um GPS para seguir a rota definida pela comissão técnica e o vencedor é o piloto que chegar primeiro ao final da prova (goal). No Brasil temos um dos melhores lugares para se voar, é conhecido mundialmente como a MECA do voo livre que é Governador Valadares/MG. O atual campeão Brasileiro nesta categoria é Frank Brown. O recorde mundial de distância livre foi obtido em 14/11/2007 por 3 brasileiros (Frank Brown, Rafael Saladini e Marcelo Prieto) percorrendo 461,8 Km após decolarem da cidade de Quixadá no Ceará e pousarem no Maranhão.

Existe ainda um Ranking na internet, XC Brasil, Xc.Guiadevoo.com, que pontuam os pilotos com seus voos.[1] e [2], em portugal o site é XC Portugal [3].

Saiba mais www.xcparagliderteam.com.br

Acrobacia[editar | editar código-fonte]

PARAPENTE-3.JPG

É uma modalidade extremante radical e que exige muita técnica do piloto para ser realizada com segurança. O início da acrobacia como modalidade foi em meados de 2001, quando o piloto espanhol Raul Rodriguez inventou a manobra conhecida como SAT, onde o piloto gira de costas com um eixo vertical que fica entre o piloto e o parapente. A partir da descoberta desta manobra, foram inventadas varias outras manobras e então começaram a surgir os campeonatos de acro. Todos campeonatos de acro são obrigatoriamente realizados sobre a água (por motivos de segurança), onde os pilotos definem as manobras que irão realizar e os juizes analisam a velocidade, ritmo e conexão entre as manobras que o piloto realiza. Atualmente já existem cursos específicos para este tipo de modalidade e aprender a fazer acrobacia esta se tornando cada vez mais fácil e seguro.

Lift (dinâmico)[editar | editar código-fonte]

É o voo realizado em encostas, ou obstáculos de altura razoável, como: Serras, morros e até prédios.

Ver Também[editar | editar código-fonte]

Galeria de Fotos[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Referências

2. Livro "Voando de Parapente" - Silvio Carlos Ambrosini - Editora Ibrasa

Commons
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