Rodovia Caminho do Mar

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Rodovia Caminho do Mar
(nome oficial)
Extensão 9 km
Concessão DER-SP
Prefeituras
Rodovias Estaduais de São Paulo
SP-148.png

A Rodovia Caminho do Mar (SP-148) é uma rodovia brasileira que liga o litoral do estado de São Paulo (Santos, via Cubatão) ao planalto paulista (São Paulo, via Região do Grande ABC), e constitui-se em um dos chamados Caminhos do mar de São Paulo. Atualmente, está fechada para automóveis de passeio particulares, só sendo percorrida por visitantes a pé e de bicicleta, veículos de manutenção e micro-ônibus da Fundação Patrimônio Histórico da Energia de São Paulo, administradora do Polo Ecoturístico Caminhos do Mar, constituído pela Rodovia, pela Calçada do Lorena e outros monumentos históricos.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Em 1560, o governador Mem de Sá encarregou os padres jesuítas, sob as ordens de José de Anchieta, de abrir uma ligação entre São Vicente e o Planalto de Piratininga. Em 21 de março de 1598, o capitão-mor Jorge Correia determinou que o Caminho do Mar fosse restaurado, "devendo os índios ajudar os branquos" [...] "sendo escolhido hu home soficiente que nisto fale a este gentio". Foi sugerido o nome de Gaspar Colasso, de Santos, que conhecia as línguas indígenas das aldeias de Ururaí e Mamoré (ou Maroré, que ficavam na Serra de Cubatão).[1]

Em 1661, o governo da Capitania de São Vicente mandou construir a Estrada do Mar, com mais de 70 pontes, para permitir a passagem de carroças e carruagens. Em 1789, o então governador da Capitania, Bernado José de Lorena, recuperou o já então chamado Caminho do Mar e mandou pavimentar o trecho da Serra com lajes de granito. A Calçada de Lorena, assim chamada em homenagem a ele, ainda está parcialmente preservada. [2]

No século XIX, a produção de café no planalto paulista conheceu grande desenvolvimento, e o único modo de escoá-la era encaminhando-a ao porto de Santos, pela antiga Calçada do Lorena, então em condições precárias. Em 1969, a estrada inspirou a famosa canção do cantor brasileiro Roberto Carlos, "As curvas da estrada de Santos".

Reformas[editar | editar código-fonte]

Em duas ocasiões, foram promovidas reformas de vulto, a cada uma delas registrando-se a mudança de nome da via.

Estrada da Maioridade[editar | editar código-fonte]

O nome original da estrada. Tem esse nome em homenagem à maioridade de dom Pedro II. Ela foi construída praticamente junto com a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, que absorvia quase todo o seu tráfego. Apresentava um trajeto muito sinuoso, mas era um monumento da engenharia, pois sua antecessora, a Calçada do Lorena, não tinha mais que um metro de largura, enquanto nessa era possível, inclusive, a passagem de carruagens. Com o tempo, caiu no abandono. Veio então, a primeira reforma.

Estrada do Vergueiro[editar | editar código-fonte]

A Estrada da Maioridade continuou recebendo manutenção, e, entre 1862 e 1864, passou novamente por uma grande reforma, cuja principal característica foi o refazimento de alguns trechos para o melhor aproveitamento da estrada, como a chamada Curva da Morte, uma curva bem fechada em plena descida onde eram muito comuns os acidentes, vários deles causando a morte das pessoas. Após essa reforma, a curva ganhou uma abertura bem maior. Mesmo com a ferrovia absorvendo quase todo o tráfego entre a planície e o planalto, a estrada continuou recebendo manutenção.

Caminho do Mar[editar | editar código-fonte]

Vista da rodovia

Nas primeiras décadas do século XX, São Paulo passa por uma "reconstrução", financiada pelo capital proveniente das exportações de café. Por essa época é difundido o uso de automóveis. Também por essa época, ocorre uma troca de valores: os governos construíam sempre várias ferrovias, e a partir desta época os recursos públicos passaram a ser destinados à construção de rodovias, deixando as ferrovias em segundo plano e dando a elas o aspecto de "coisa do passado" que ainda existe até hoje. Em 1913, a demanda de automóveis entre a planície e o planalto é muito grande, e a Estrada do Vergueiro é macadamizada , permitindo o uso de automóveis na estrada, e logo depois pavimentada com asfalto, tornando-se a primeira estrada asfaltada da América Latina destinada para veículos de motor à explosão. Posteriormente seria popularmente conhecida como Estrada Velha de Santos.

Monumentos[editar | editar código-fonte]

Em 1922, o então governador de São Paulo, Washington Luis, mandou construir alguns monumentos pela estrada para comemorar o centenário da independência do Brasil. São eles (do alto da serra para baixo):

Pouso Paranapiacaba[editar | editar código-fonte]

  • Quilômetro 44 - Traduzido da língua tupi, "Paranapiacaba" quer dizer "Lugar do qual se vê o mar" (paranã, mar + epîaka + aba, lugar).[3] Em dias limpos e sem neblina (situação difícil de se encontrar na serra), realmente dá para se ver o mar, bem longe. Fica bem na alto da serra antes de começar as grandes curvas, mas já na descida da serra. Alguns dizem que Pedro I se encontrava com a Marquesa de Santos lá, o que é um tremendo absurdo, pois o rompimento do casal ocorreu em 1829, a marquesa morreu em 1867, o imperador voltou para Portugal em 1831, morrendo em 1834 e, como já foi dito, o Pouso foi construído em 1922. Era usada como parada para os carros descansarem após a subida ou se prepararem para a descida. Contava inclusive com uma bica para fornecer água para os radiadores dos carros.

É obra de Victor Dubugras.

Ruínas[editar | editar código-fonte]

  • Quilômetro 44,5 - Uma casa em ruínas. Não se sabe muito bem qual foi sua função. Especula-se que podia ser a casa dos engenheiros que construíram a estrada.

Belvedere Circular[editar | editar código-fonte]

  • Quilômetro 46 - Marca o primeiro encontro da Calçada do Lorena com a estrada (ao todo são 3 encontros).Realmente apresenta uma forma circular. A Calçada do Lorena normalmente é usada a partir deste ponto em excursões para o pólo ecoturístico, que se faz a pé, sendo que os turistas entram pela calçada neste ponto e saem no próximo encontro com a estrada.

Rancho da Maioridade[editar | editar código-fonte]

  • Quilômetro 47 - Feito para servir de descanso aos turistas, assim como o Pouso Paranapiacaba, ganhou esta nome em homenagem à Estrada da Maioridade. Neste ponto, também havia uma bica para pôr água nos radiadores e para as pessoas beberem.

Padrão do Lorena[editar | editar código-fonte]

  • Quilômetro 47,2 - Marca o terceiro e último encontro entre a calçada e a estrada. Tem o nome em homenagem à Bernardo José Maria de Lorena, governador da capitania de São Paulo, que mandou construir a calçada, que ganhou o seu nome. A estrada em frente a esse monumento foi preservada com macadame, isto é, macadamizada. É o único trecho da estrada com esta condição. Depois do padrão, há um longo trecho sem nenhum monumento.

Pontilhão da Raiz da Serra[editar | editar código-fonte]

  • Quilômetro 52 - O último monumento, já na planície, após o fim da serra. Foi construído junto com o fim da pavimentação com asfalto da estrada, com o propósito de homenageá-la. Não é de fato uma ponte, mas somente as "paredes" da ponte fincada no chão. Antes, passava, por ali, um rio, desviado para a construção da refinaria em Cubatão. Além desses monumentos, durante a estrada toda é possível encontrar mirantes.

Do auge à queda em 40 anos[editar | editar código-fonte]

A ferrovia e a estrada estavam no auge, por volta de 1910. Mas aí começou a queda. Em 1920, as duas juntas já não eram suficientes para atender a demanda por transporte na região. A ferrovia começou a ter congestionamentos e a estrada apresentava vários fatores que limitavam o número de veículos circulando nela. Nessa época, São Paulo, o ABC e Cubatão estavam se consolidando como parques industriais, aumentando ainda mais a demanda pela ligação entre elas. A cidade de Santos e toda a sua baixada estavam se transformando em pólos turísticos, o que decididamente exigia uma nova ligação entre a planície e o planalto.

Em 1947, foi inaugurada a primeira pista da Via Anchieta; em 1953, a segunda; em 1974, foi inaugurada a pista norte da Rodovia dos Imigrantes; e, em 2002, a pista sul. As técnicas de construção da Via Anchieta eram muito mais aprimoradas do que as do Caminho do Mar. Logo, a Estrada foi passada para trás e ficou subutilizada, assim ficando por várias décadas. No período 1992-2004, a estrada foi fechada e reformada, tornando-se, atualmente, o Polo Ecoturístico Caminhos do Mar, que é formado pela estrada Caminho do Mar e por um trecho da Calçada do Lorena.

Referências

  1. http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0102a.htm
  2. http://www.estradas.com.br/histrod_caminhodomar.htm
  3. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013.