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1492: Conquest of Paradise

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1492: Conquest of Paradise
1492: Cristóvão Colombo[1][2], ou
1492, Cristóvão Colombo[3]
 (prt)
1492 - A Conquista do Paraíso[4], ou
1492: A Conquista do Paraíso[5]
 (bra)
1492: Conquest of Paradise
 França
Espanha
 Reino Unido
 Estados Unidos
1992 •  cor •  142 min 
Gênero aventura
drama
histórico
biográfico
Direção Ridley Scott[6]
Produção Mimi Polk Gitlin
Alain Goldman
Roteiro Roselyne Bosch
Elenco Gérard Depardieu
Sigourney Weaver
Armand Assante
Fernando Rey
Música Vangelis
Cinematografia Adrian Biddle
Edição William M. Anderson
Françoise Bonnot
Les Healey
Armen Minasian
Deborah Zeitman
Companhia(s) produtora(s) Gaumont Film Company
Légende Enterprises
France 2
Due West
CYRK Films
Distribuição Paramount Pictures
(Estados Unidos)
Pathé
(Reino Unido)
Lançamento Espanha 8 de outubro de 1992
França 12 de outubro de 1992
Reino Unido 23 de outubro de 1992
Portugal 20 de novembro de 1992
Brasil 27 de novembro de 1992
Idioma inglês
Orçamento US$47 milhões
Receita US$ 7,191,399

[7]1492: A Conquista do Paraíso é um filme de aventura/drama épico europeu de 1992 dirigido por Ridley Scott e escrito por Roselyne Bosch, que conta a história da descoberta do Novo Mundo pelo explorador genovês Cristóvão Colombo (Gérard Depardieu) e o efeito que isso teve sobre os povos ameríndios.

O filme foi lançado pela Paramount para celebrar o 500º aniversário da viagem de Colombo.[8]

O filme narra a história do navegador Cristovão Colombo, começando por sua grande dificuldade em convencer os Reis Católicos de seu plano de chegar às Índias navegando para o oeste, até o sucesso de sua expedição em 1492, que marca o descobrimento da América. O diretor mostra Colombo como um visionário que faz algo grandioso, como um herói que alcança a glória. No entanto, essa história épica tem um final inesperado.[7]

Contexto Histórico

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O filme, ambientado no final do século XV, acompanha Cristóvão Colombo desde sua tentativa de convencer autoridades religiosas e políticas de seu projeto de alcançar as Índias navegando para oeste até suas expedições no Novo Mundo e a posterior queda em desgraça. Este período, conhecido como a era das Grandes Navegações (ou Expansão Marítima Europeia), foi impulsionado pela busca por novas rotas comerciais para o Oriente, especialmente após a tomada de Constantinopla pelos otomanos em 1453, que dificultou o acesso às especiarias através do Mediterrâneo. Inicialmente visto como visionário, Colombo obtém apoio da Rainha Isabel I de Castela (e seu marido, o Rei Fernando II de Aragão), após ter seu plano rejeitado pela Universidade de Salamanca. O apoio dos Reis Católicos (título concedido pelo Papa Alexandre VI) veio em um momento crucial: o ano de 1492, marcado pela Reconquista (expulsão dos mouros de Granada, completando a unificação da Espanha) e pela subsequente disposição da Coroa em financiar empreendimentos que pudessem expandir seu poder e riqueza frente a rivais como Portugal. Em 1492, parte da Espanha em sua primeira viagem, enfrentando descontentamento da tripulação e condições adversas até chegar ao que acredita serem as Índias. A crença na chegada às Índias era baseada em cálculos errôneos sobre a circunferência da Terra, um erro comum na época, embora o formato esférico da Terra já fosse aceito.

No Novo Mundo, o filme retrata o primeiro contato entre espanhóis e povos indígenas de forma predominantemente pacífica, enfatizando a percepção de Colombo sobre a beleza e abundância das ilhas. Este é um tema frequentemente debatido, pois as fontes históricas de Colombo (seus diários) mesclam fascínio e superioridade, lançando as bases para a colonização. Entretanto, a narrativa expande progressivamente o impacto da presença europeia: conflitos internos entre colonos, busca por ouro, imposição de trabalho forçado (o sistema de encomienda) e tensões culturais. A colonização introduziu um ciclo de exploração e violência que, no longo prazo, levou ao colapso demográfico das populações nativas, principalmente devido à exposição a doenças europeias contra as quais não tinham imunidade (como a varíola). Embora o filme apresente Colombo como crítico de abusos cometidos por subordinados, sua administração resulta em violência, doenças e instabilidade. Sua gestão foi caracterizada pela dificuldade em controlar os colonos em busca de riqueza, levando a um caos administrativo e, eventualmente, à intervenção da Coroa.

Após denúncias de má gestão, Colombo é destituído de seus cargos e enviado preso à Espanha. Mesmo realizando novas viagens, sua reputação já está comprometida. O filme destaca seu declínio pessoal e político, concluindo com a ideia de que Colombo terminou seus dias esquecido, enquanto seu filho Fernando (Hernando Colón), narrador implícito do filme, é responsável por escrever a biografia que ajudaria a definir o legado histórico do navegador. A biografia de Fernando é uma das principais fontes sobre a vida de Colombo, contribuindo para a construção de sua imagem como um grande explorador, enquanto os aspectos mais sombrios da colonização foram, por muito tempo, minimizados na historiografia tradicional.[7]

O renomado compositor grego Vangelis compôs a trilha sonora. O seu tema principal, Conquest of Paradise, foi usado pelo ex-Primeiro-Ministro Português António Guterres na sua primeira eleição em 1995 tendo sido periodicamente usado como hino não oficial do Partido Socialista Português desde então. O tema também é usado na linha de partida de o Ultra-Trail du Mont-Blanc ultramaratona.

Outros usos incluem o tema da Crusaders, uma das equipes da Nova Zelândia no Super 15 Rugby, enquanto os jogadores entram no campo, muitas vezes acompanhados por atores vestidos de cavaleiros montados a cavalo, e a equipe de rugby league Wigan Warriors que jogam na Super League, bem como sendo tocada antes do início de cada jogo no torneio de 2010 ICC World Twenty20 de críquete, bem como o da Copa do Mundo de Críquete de 2011. Nestes eventos o tema foi tocado direto antes dos hinos nacionais dos dois países concorrentes, equanto bandeiras das duas nações são levadas no campo, acompanhadas pelos jogadores das duas equipes. O boxeador alemão Henry Maske (ex-campeão mundial IBF, na categoria dos meio-pesados) usou o tema principal como seu tema oficial entrada durante a sua carreira profissional.

Apesar do fracasso de vendas do filme nos Estados Unidos, o seu álbum de filme representa um sucesso mundial.

Lançamento e recepção

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Bilheteria

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1492: Conquest of Paradise estreou nos cinemas em 9 de outubro de 1992. Ele foi classificado PG-13 nos Estados Unidos, devido à violência e brutalidade. Abriu em 7º lugar e teve desempenho fraco nas bilheterias, arrecadando bem abaixo do orçamento estimado em US$ 47 milhões. Na Europa, especialmente na França e Espanha, o filme teve recepção comercial e crítica mais favorável, e no Festival de Veneza foi elogiado por sua reconstituição histórica e pela fotografia. Em contraste, na América Latina, a recepção foi mista, com críticas ao viés eurocêntrico e à abordagem suavizada da colonização. No RottenTomatoes, o filme possui cerca de 39% de aprovação, enquanto no IMDb mantém média em torno de 6,9/10. A fotografia e a trilha sonora de Vangelis foram amplamente elogiadas, mas o roteiro foi criticado por ritmo irregular e pela representação romantizada de Cristóvão Colombo. Críticos também apontaram que o filme tenta equilibrar a denúncia da violência colonial com nuances simpáticas atribuídas ao protagonista, criando um contraste entre a representação vívida da brutalidade da conquista e a suavização das responsabilidades de Colombo — característica associada a narrativas que misturam heroização e crítica histórica.[9]

Representação e Fidelidade Histórica

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Embora o filme apresente Cristóvão Colombo como alguém que terminou esquecido, a historiografia mostra que sua situação no final da vida foi mais ambígua. Colombo não desapareceu completamente da memória de seus contemporâneos, mas sua reputação sofreu forte desgaste após acusações de má administração, abuso de poder e conflitos políticos durante sua governança nas Antilhas. Seu posterior reconhecimento histórico deve-se em grande parte aos escritos de seu filho Fernando Colombo e de cronistas do século XVI, que contribuíram para reconstruir e consolidar sua imagem nas narrativas europeias sobre a expansão marítima. Assim como outras produções cinematográficas baseadas em eventos históricos, 1492: A Conquista do Paraíso combina fatos documentados com elementos dramatizados. O filme utiliza personagens reais e episódios registrados, mas reorganiza ou suaviza determinados acontecimentos para construir uma trajetória narrativa mais coesa e heroica para Colombo. Críticos apontam que a obra atenua a responsabilidade direta do navegador em práticas de exploração e violência, enfatizando aspectos simbólicos e épicos em detrimento da complexidade do processo colonial. Por isso, o filme é considerado uma representação dramatizada do período, não uma reconstrução historicamente fiel dos eventos de 1492.[7][10]

No geral, o filme recebeu críticas mistas,[11][12][9][13][14] com a revisão agregador Rotten Tomatoes dando ao filme um "podre" classificação de 39% com base em 17 comentários. No entanto, respeitado crítico de cinema Roger Ebert disse em sua crítica que o filme foi satisfatório, afirmando que "Depardieu empresta gravidade, as performances de apoio são convincentes, os locais são realistas, e somos inspirados a refletir que, de fato, ter uma certa coragem para velejar em nada só porque uma laranja era redonda".[15]

Além das avaliações mistas, alguns estudiosos apontam que 1492: A Conquista do Paraíso enfatiza, de maneira relativamente explícita, o horror da Conquista Espanhola. O filme apresenta cenas de violência, repressão religiosa e imposição cultural com forte carga dramática, destacando a brutalidade da colonização. No entanto, críticos observam que, paralelamente, o roteiro confere a Colombo nuances simpáticas ou suavizadas, retratando-o como um líder bem-intencionado que se opõe aos abusos cometidos por outros espanhóis. Para parte da crítica, essa abordagem cria uma tensão narrativa entre a denúncia da violência colonial e a tentativa de preservar o protagonista dentro do arquétipo hollywoodiano de herói trágico. Alguns estudiosos da chamada “Lenda Negra” também comentam que, embora o filme seja escrito por uma roteirista francesa (Roselyne Bosch) e dirigido por um cineasta inglês (Ridley Scott), trata-se de uma produção internacional lançada no 500º aniversário da chegada de Colombo à América. Para críticos espanhóis, o filme se insere em uma tradição de obras não espanholas que perpetuam a ideia de que os conquistadores espanhóis foram mais cruéis, fanáticos ou violentos do que outros agentes coloniais europeus. Segundo essa perspectiva, 1492 reforçaria estereótipos já consolidados sobre a colonização espanhola, contribuindo para uma visão comparativa desfavorável ao país dentro da memória histórica global.


O filme foi acusado de promover a lenda negra espanhola.[16][17][18][19]

Ver também

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Referências

  1. 1492: Cristóvão Colombo no DVDPT (Portugal)
  2. 1492: Cristóvão Colombo no SapoMag (Portugal)
  3. «1492, Cristóvão Colombo». no CineCartaz (Portugal) 
  4. 1492 - A Conquista do Paraíso no AdoroCinema
  5. 1492: A Conquista do Paraíso no CinePlayers (Brasil)
  6. Meredith Berkman (16 de outubro de 1992). «Coming to America». Entertainment Weekly. Consultado em 30 de novembro de 2010 
  7. a b c d Alejandro, Deije (18 de outubro de 2021). «1492 - A Conquista do Paraíso (1992)». Youtube 
  8. Jack Mathews (3 de maio de 1992). «MOVIES : Voyage of Rediscovery : With '1492,' director Ridley Scott and writer Roselyne Bosch aim to portray Christopher Columbus not as a legend but as an extraordinary though flawed person». The Los Angeles Times. Consultado em 24 de setembro de 2013 
  9. a b «1492: Conquest of Paradise». Variety. 31 de dezembro de 1991. Consultado em 24 de setembro de 2013 
  10. TODOROV, Tzvetan. Descobrir. In A Conquista da América: a questão do outro. Martins Fontes, 1983.
  11. «Columbus As A Hollywood Hustler». Newsweek. Consultado em 24 de setembro de 2013 
  12. «1492: Conquest of Paradise». Washington Post. 9 de outubro de 1992. Consultado em 24 de setembro de 2013 
  13. «1492: Conquest of Paradise». Dessert News. Consultado em 24 de setembro de 2013 
  14. «1492: Conquest of Paradise». Entertainment Weekly. 16 de outubro de 1992. Consultado em 24 de setembro de 2013 
  15. 1492 Revisão por Roger Ebert
  16. https://blogs.20minutos.es/la-claqueta-de-la-historia/2022/12/28/los-errores-historicos-de-1492-la-conquista-del-paraiso/
  17. https://elpais.com/cultura/2019/05/03/actualidad/1556884697_837781.html
  18. https://www.abc.es/historia/abci-cinco-peliculas-anglosajonas-cargadas-leyenda-negra-y-errores-historicos-sobre-espanoles-202004070146_noticia.html
  19. https://www.elmundo.es/la-lectura/2022/09/09/631a3234fc6c83d7778b45c9.html

Ligações externas

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