Desembarques da Normandia

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Desembarques da Normandia
Operação Overlord, Segunda Guerra Mundial
Into the Jaws of Death 23-0455M edit.jpg
Desembarque na praia de Omaha, na Normandia, 6 de junho de 1944, durante a Operação Netuno.
Data 6 de Junho de 1944
Local Normandia, França
Desfecho Vitória Aliada. Após a queda de Chambois e a rendição de Paris. No final de agosto de 1944 a França é libertada.
Beligerantes
 Estados Unidos
 Reino Unido
 Canadá
Flag of Free France (1940-1944).svg França Livre
 Polónia
 Noruega
 Austrália
 Nova Zelândia
 Luxemburgo[1]
 Dinamarca
 Bélgica
 Grécia
 República Checa
Flag of the NSDAP (1920–1945).svg Alemanha Nazista
Comandantes
Flag of the United States (1912-1959).svg Dwight D. Eisenhower
Reino Unido Bernard Montgomery
Flag of the United States (1912-1959).svg Omar Bradley
Reino Unido Trafford Leigh-Mallory
Reino Unido Arthur Tedder
Reino Unido Miles Dempsey
Reino Unido Bertram Ramsay
Flag of the NSDAP (1920–1945).svg Gerd von Rundstedt
Flag of the NSDAP (1920–1945).svg Erwin Rommel
Flag of the NSDAP (1920–1945).svg Friedrich Dollmann
Flag of the NSDAP (1920–1945).svg Hans von Salmuth
Flag of the NSDAP (1920–1945).svg Wilhelm Falley  
Forças
+ 156 000 ~ 50 350
170 canhões de artilharia costeira
Baixas
10 000 baixas (entre mortos e feridos)
Pelo menos 4 400 fatalidades confirmadas
4 414 – 9 000 baixas (entre mortos e feridos)
Milhares capturados

Os desembarques na Normandia consistiram nas operações de desembarque na terça-feira, 6 de Junho de 1944, da invasão dos Aliados da Normandia na Operação Overlord durante a Segunda Guerra Mundial. Com o nome de código Operação Neptuno e muitas vezes referido como o Dia D, foi a maior invasão por mar da história. A operação deu início à libertação dos territórios ocupados da Europa noroeste pelos alemães do controlo nazi, e implantou os alicerces da vitória dos Aliados na Frente Ocidental.

O planeamento para a operação começou em 1943. Nos meses que antecederam a invasão, os Aliados colocaram em prática um engodo de grandes dimensões com o nome de código Operação Guarda-Costas, para iludir os alemães em relação à data e local do principal desembarque Aliado. As condições atmosféricas do Dia D estavam longe do ideal e a operação teve de ser adiada 24 horas; um novo adiamento teria significado um atraso de pelo menos duas semanas pois os responsáveis pela elaboração do plano da invasão tinham definido requisitos para as fases da lua, as marés e a hora do dia, o que significava que apenas alguns dias de cada mês eram considerados adequados. Adolf Hitler colocou o marechal-de-campo Erwin Rommel no comando do exército alemão e no desenvolvimento de fortificações ao longo da Muralha do Atlântico para antecipar uma invasão dos Aliados.

Os desembarques anfíbios foram precedidos por um extenso e intensivo bombardeamento aéreos e navais, e um assalto aéreo—o lançamento de 24 000 homens aerotransportados norte-americanos, britânicos e canadianos pouco depois da meia-noite. A infantaria Aliada e as divisões blindados começaram o desembarque na costa da França às 06:30. O local de destino eram 80 km de praia na costa da Normandia que tinham sido divididos em cinco sectores: Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword. O vento forte que se fazia sentir desviou as embarcações de desembarque mais para leste da sua posição planeada, especialmente em Utah e Omaha. Os homens desembarcaram sob fogo pesado de armas posicionadas para as praias, e a costa estava minada e coberta com obstáculos, tais como estacas de madeira, de metal, tripés, e arame farpado, tornando o trabalho de limpeza das praias difícil e perigoso. As baixas foram mais pesadas em Omaha, com suas altas falésias. Em Gold, Juno e Sword, várias cidades fortificadas foram libertadas com combates casa-a-casa, e duas armas de grande dimensão posicionadas em Gold foram desactivadas, utilizando tanques especializados.

Os Aliados não conseguiram alcançar qualquer um dos seus objectivos no primeiro dia. Carentan, St. Lô, e Bayeux permaneceram em mãos alemãs, e Caen, um objectivo importante, só foi capturado no dia 21 de Julho. Apenas duas das praias (Juno e Gold) foram ligadas no primeiro dia, e todos as cinco cabeças-de-praia só foram unidas no dia 12 de Junho; no entanto, a operação ganhou uma posição que os Aliados expandiram gradualmente nos meses seguintes. As vítimas alemãs no D-Dia estimaram-se entre 4000 e 9000 homens. No lado Aliado, as vítimas ascenderam a 10 000, com 4 414 mortos confirmados.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Após a invasão daa União Soviética pelo exército alemão em Junho de 1941, o líder soviético José Estaline começou a pressionar os seus novos aliados para a criação de uma segunda frente na Europa Ocidental.[2] No final de Maio de 1942, a União Soviética e os Estados Unidos fizeram um anúncio conjunto de que "... foi alcançado um completo entendimento em relação à necessidade urgente da criação de uma segunda frente na Europa em 1942."[3] No Entanto, o Primeiro-Ministro britânico Winston Churchill convenceu o Presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt a adiar prometida invasão pois, mesmo com a ajuda norte-americana, os Aliados não tinham as forças adequadas para essa acção.[4]

Em vez de um regresso imediato a França, os Aliados ocidentais passaram por ofensivas no Teatro de Operações do Mediterrâneo, onde as tropas britânicas já estavam estacionados. Em meados de 1943, a campanha no Norte de África foi bem sucedida. Em seguida, os Aliados deram início à invasão da Sicília em Julho de 1943, e, posteriormente, invadiram o continente italiano em Setembro do mesmo ano. Até então, as forças soviéticas estavam na ofensiva e obtiveram uma grande vitória na Batalha de Estalingrado. A decisão de empreender uma invasão atravessando o canal no ano seguinte foi tomada na Conferência Trident em Washington, em Maio de 1943.[5] O planeamento Inicial foi restringido pelo número de embarcações de desembarque, a maioria dos quais já estavam em operação no Mediterrâneo e Pacífico.[6] Na Conferência de Teerão, em Novembro de 1943, Roosevelt e Churchill prometeram a Estaline que iriam abrir a tão adiada segunda frente em Maio de 1944.[7]

Reunião do Quartel-General Supremo das Forças Expedicionárias Aliadas (SHAEF), 1 de Fevereiro de 1944. Linha de frente: Marechal-do-Ar Arthur Tedder; General Dwight D. Eisenhower; General Bernard Montgomery. Fila de trás: Tenente-General Omar Bradley; Almirante Bertram Ramsay; Marechal-do-Ar Trafford Leigh-Mallory; Tenente-General Walter Bedell Smith.

Foram considerados quatro locais para o desembarques: Bretanha, a Península de Cotentin, Normandia e Pas-de-Calais. Como a Bretanha e a Cotentin são penínsulas, teria sido possível aos alemães cortar o avanço dos Aliados num istmo estreito, sendo que que estes locais foram rejeitados.[8] Como Pas-de-Calais era o ponto mais próximo na Europa continental para a Grã-Bretanha, os alemães consideravam que este seria a zona de desembarque mais provável, e tinham já construído uma sistema de fortificações de grande dimensão.[9] Mas este local oferecia poucas oportunidades de expansão pois a área é delimitada por numerosos rios e canais,[10] enquanto os desembarques numa frente ampla na Normandia permitiriam ameaças simultâneas contra o porto de Cherbourg, portos costeiros mais a oeste na Bretanha, e um ataque terrestre em direcção a Paris, e, eventualmente, para a Alemanha. A Normandia foi, portanto, escolhida como o local para os desembarques.[11] O pior inconveniente da costa da Normandia - a falta de instalações portuárias — seria superado através da colocação de portos artificiais, os Portos Mulberry.[12] Um conjunto de tanques especializados, apelidado de Hobart's Funnies, foram criados para lidar com as condições esperadas durante a Campanha da Normandia, tal como escalar paredões e fornecer suporte na praia.[13]

Os Aliados planearam iniciar a invasão a 1 de Maio de 1944.[10] O esboço inicial do plano foi aceite na Conferência de Quebec , em Agosto de 1943. O general Dwight D. Eisenhower foi nomeado comandante do Quartel-general Supremo das Forças Aliadas Expedicionárias (SHAEF).[14] O general Bernard Montgomery foi nomeado como comandante do 21.º Grupo de Exército o qual concentrou todas as forças terrestres envolvidas na invasão.[15] Em 31 de Dezembro de 1943, Eisenhower e Montgomery viram o plano pela primeira, o qual propunha desembarques anfíbios por três divisões com mais duas divisões de apoio. Os dois generais imediatamente insistiram que a escala da invasão inicial ser ampliada para cinco divisões, com tropas aerotransportadas, compostas por três divisões adicionais, para permitir operações numa ampla frente e acelerar a captura de Cherbourg.[16] A necessidade de adquirir ou produzir mais embarcações de desembarque para a expansão da operação significava que a invasão teve de ser adiado para Junho.[16] No total, trinta e nove divisões Aliadas estariam presentes para a Batalha da Normandia: vinte e duas norte-americanas, doze Inglesas, três canadianas, uma polca e uma francesa, totalizando mais de um milhão de tropas[17] todos sob o comando britânico.[18]

Operações[editar | editar código-fonte]

Operação Overlord foi o nome atribuído para o estabelecimento de bases no Continente. A primeira fase, a invasão anfíbia e estabelecimento de uma base de partida segura, tinha o nome de código Operação Neptuno.[12] Para obter a superioridade aérea necessária para garantir o sucesso da invasão, os Aliados realizaram uma campanha de bombardeamentos (nome de código Operação Pointblank) direccionados às indústrias de produção de aeronaves, abastecimento de combustível e aeródromos.[12] Nos meses que precederam a invasão, foram realizadas acções de engodo, com o nome de código Operação Bodyguard, para impedir que os alemães tivessem conhecimento do local e hora da invasão.[19]

Os desembarques seriam precedidos por operações aerotransportadas perto de Caen, no flanco oriental, para controlar as pontes do rio Orne e a zona norte de Carentan no flanco oeste. Os norte-Americanos que desembarcariam nas praias de Utah e Omaha, teriam o objectivo de capturar Carentan e St. Lô no primeiro dia e, em seguida, bloquear a península de Cotentin e, eventualmente, capturar as instalações portuárias em Cherbourg. Os britânicos das praias de Sword e Gold e os canadianos da praia Juno, iriam proteger o flanco norte-americano e tentar estabelecer aeroportos perto de Caen. Numa segunda fase, seria realizada uma tentativa para conquistar todo o território a norte da linha Avranches-Falaise nas três semanas seguintes.[20][21] Montgomery previa uma batalha com cerca de noventa dias de duração, até todas as forças Aliadas terem alcançado o rio Sena.[22]

Planos de engodo[editar | editar código-fonte]

Emblemas desenhados para unidades do fictício Primeiro Grupo do Exército dos Estados Unidos liderado George Patton

Debaixo da protecção da Operação Bodyguard, os Aliados realizaram diversas operações concebidas para iludir os alemães em relação à data e ao local dos desembarques Aliados.[23]A Operação Fortitude incluía Fortitude Noth, uma campanha de desinformação que utilizava transmissões de rádio falsas para levar os alemães a crer que estava iminente um ataque na Noruega,[24] e Fortitude South, que consistia na informação, falsa, da criação de um fictício Primeiro Grupo de Exército dos Estados Unidos, sob o comando do tenente-general George S. Patton, supostamente localizada em Kent e Sussex. Fortitude South tinha a intenção de enganar os alemães levando-os a acreditar que o ataque principal teria lugar em Calais.[19][25] Mensagens genuíno de rádio do 21.º de Grupo de Exército foram encaminhados para Kent via telefone fixo e, em seguida, difundidas, para dar aos alemães a impressão de que a maioria das tropas Aliadas estava lá estacionada.[26] Patton esteve em Inglaterra até 6 de Julho, continuando, assim, a enganar os Alemães e levando-os a crer que um segundo ataque teria lugar em Calais.[27]

Muitas das estações de radar alemãs na costa francesa, foram destruídos na preparação para o desembarque.[28] Além disso, na noite antes da invasão, um pequeno grupo de operadores do Serviço Aéreo Especial (SAS) lançou para-quedistas falsos sobre Le Havre e Isigny. Esses manequins fizeram os alemães acreditar que tinha ocorrido um lançamento de tropas aerotransportadas. Na mesma noite, durante a Operação Taxable, o Nº Esquadrão N.º 617 da RAF, largou tiras de "janelas", folhas de metal que causaram erros de leitura nos radares, e interpretado pelos operadores de radares alemães como um comboio naval perto de Le Havre. A ilusão foi ampliada por um grupo de pequenas embarcações a rebocar balões barragem. Uma ilusão semelhante foi realizada perto de Boulogne-sur-Mer na zona de Pas-de-Calais, pelo Esquadrão N.º 218 da RAF na Operação de Glimmer.[29][30]

Condições meteorológicas[editar | editar código-fonte]

Os estrategas da invasão determinaram um conjunto de condições que envolviam as fase da Lua, as marés, e a hora do dia que seria satisfatório em apenas alguns dias em cada mês. Uma Lua cheia era desejável, pois iria fornecer uma iluminação aos pilotos dos aviões e dar origem a marés mais altas. Os Aliados queriam agendar o desembarques para pouco antes do amanhecer, a meio caminho entre a maré baixa e alta, no período da vazante. Isso iria melhorar a visibilidade dos obstáculos na praia, além de minimizar a quantidade de tempo que os homens estariam expostos a céu aberto.[31] Eisenhower pensado no dia 5 de Junho como data para o assalto. No entanto, a 4 de Junho, as condições eram inadequadas para um desembarque: os ventos fortes e o mar agitado tornou impossível realizar o lançamento de embarcações de desembarque, e as nuvens baixas iriam impedir que aeronaves encontrassem os seus alvos.[32]

O capitão James Stagg da Royal Air Force (RAF) reuniu-se com Eisenhower na noite de 4 de Junho. Ele e a sua equipa de meteorologia previam que o tempo iria melhorar o suficiente para a invasão prosseguir no dia 6 de Junho.[33] As próximas datas disponíveis com a condições ideais das maré (mas sem a desejável Lua cheia) seriam duas semanas mais tarde, a partir de 18 a 20 de Junho. O adiamento da invasão requeria a mobilização dos homens e navios para se posicionarem para cruzar o canal, o que poderia aumentar o risco de os planos para a invasão fossem detectados.[34] Depois de muita discussão com os outros oficiais superiores, Eisenhower decidiu que a invasão devia avançar no dia 6 de Junho.[35] Estava prevista uma grande tempestade na costa da Normandia para o período de 19 a 22 de Junho, o que teria impedido os desembarques.[32]

O controlo Aliado do Atlântico significava que os meteorologistas alemães tinham menos informação do que os Aliados acerca dos padrões meteorológicos.[28] Como o centro meteorológico da Luftwaffe em Paris previa duas semanas da tempestades, muitos comandantes da Wehrmacht deixaram os seus cargos para participar em jogos de guerra em Rennes, e muitos homens de várias unidades tiveram direito a licença.[36] O marechal-de-campo Erwin Rommel voltou para a Alemanha para estar no aniversário da sua mulher e para se encontrar com Hitler para tentar obter mais Panzers.[37]

Ordem de batalha das forças alemãs[editar | editar código-fonte]

A Alemanha nazi tinha à sua disposição cinquenta divisões em França e Países Baixos, com mais dezoito estacionados na Dinamarca e na Noruega. Quinze divisões estavam em processo de formação na Alemanha.[38] As perdas em combate durante a guerra, especialmente na Frente Oriental, significavam que os alemães já não tinham uma reserva de homens jovens. Os soldados alemães eram, agora, em média, seis anos mais velhos do que suas contra-partes Aliadas. Muitos na área da Normandia eram Ostlegionen (legiões do leste) – conscritos e voluntários da Rússia, da Mongólia e outras áreas da União Soviética. Foram fornecidos principalmente com equipamentos capturado de baixa qualidade e não tinham transporte motorizado.[39][40] Muitas unidades alemãs estavam fragilizadas.[41]

Comandante supremo alemão: Adolf Hitler

  • Oberbefehlshaber Oeste (Comandante Supremo do Oeste; OB-Oeste): Marechal-de-Campo Gerd von Rundstedt

Península de Cotentin[editar | editar código-fonte]

As forças Aliadas que desembarcaram na praia "Utah" enfrentaram as seguintes unidades alemãs estacionadas na península de Cotentin:

  • 709th Infanterie-Division Logo 1.svg 709.ª Divisão de Infantaria Estática, sob o Generalleutnant Karl-Wilhelm von Schlieben, com 12 320 homens, muitos deles Ostlegionen (não-alemão conscritos, recrutados a partir de prisioneiros de guerra soviéticos, georgianos e polacos).[42]
    • 729.º Regimento de Granadeiros[43]
    • 739.º Regimento de Granadeiros[43]
    • 919.º Regimento de Granadeiros[43]

Sector Grandcamps[editar | editar código-fonte]

Tropas alemãs a utilizar tanques franceses capturados (Beutepanzer) na Normandia, em 1944

Os americanos que desembarcaram na praia "Omaha" enfrentaram as seguinte tropas alemãs:

  • 352nd Infanterie-Division logo.jpg 352.ª Divisão de Infantaria, sob o Generalleutnant Dietrich Kraiss, num total de 12 000 homens trazidos por Rommel em 15 de Março e reforçada por dois outros regimentos.[44]
    • 914.º Regimento de Granadeiros[45]
    • 915.º Regimento de Granadeiros (como reserva)[45]
    • 916.º Regimento de Granadeiros[45]
    • 726.º Regimento de Infantaria (da 716.ª Divisão de Infantaria)[45]
    • 352.º Regimento de Artilharia[45]

As forças Aliadas que desembarcaram na praia "Gold" e "Juno" enfrentaram os seguintes elementos da 352.ª Divisão de Infantaria alemã:

  • 914.º Regimento de Granadeiros[46]
  • 915t.º Regimento de Granadeiros[46]
  • 916.º Regimento de Granadeiros[46]
  • 352.º Regimento de Artilharia[46]

Forças em redor de Caen[editar | editar código-fonte]

As forças Aliadas que atacaram as prais de "Gold", "Juno" e "Sword" enfrentaram as seguintes unidades alemãs:

Muralha do Atlântico[editar | editar código-fonte]

Mapa da Muralha do Atlântico, mostrada em amarelo
  Eixo e países ocupados
  Aliados e países ocupados
  Países neutros

Alarmado com as incursões em St Nazaire e Dieppe em 1942, Hitler ordenou a construção de fortificações ao longo de toda a costa Atlântica, desde a Espanha até à Noruega, para proteger contra a prevista invasão dos Aliados. Ele imaginou de 15.000 posições ocupadas por 300,000 tropas, mas a falta de recursos, particularmente de betão e mão-de-obra, fez com que a maioria das fortificações e obstáculos nunca fossem construídas.[50] Como o local de invasão esperado era Pas-de-Calais, esta zona foi fortemente protegida.[50] Na região da Normandia, as melhores fortificações foram concentradas nas instalações portuárias em Cherbourg e Saint-Malo.[16] Rommel foi designado para supervisionar a construção de novas fortificações ao longo da esperada frente de invasão frente, que se estendiam desde a Holanda até Cherbourg,[50][51] e foi-lhe dado o comando do recém-formado Grupo de Exércitos B que inclui o 7.º Exército, o 15.º Exército e as forças que guardavam a Holanda. As tropas de reserva para este grupo incluíam a 2.ª, 21.ª e 116.ª Divisões Panzer.[52][53]

Rommel acreditava que a costa da Normandia poderia ser um possível ponto de desembarque para a invasão, o que o levou a ordenar a construção de extensas construções de defesa ao longo da costa. Além de bases de betão para a colocação de armamento posicionadas em pontos estratégicos ao longo da costa, deu instruções para a colocação de estacas de madeira, metal, tripés, minas, e obstáculos anti-tanque de grande dimensão para serem colocados nas praias para assim atrasar a aproximação das embarcações de desembarque e impedir o movimento de tanques.[54] Esperando que os Aliados desembarcassem durante a maré alta, para evitar que a infantaria pudesse ficar muito tempo exposta na praia, Rommel ordenou que muitos destes obstáculos fossem colocados na marca de água alta.[31] Os rolos de de arame farpado, armadilhas, e a remoção da cobertura do solo fez a abordagem perigosa para a infantaria.[54]

Com as ordens de Rommel, o número de minas ao longo da costa triplicou.[16] A ofensiva aérea Aliada sobre a Alemanha enfraqueceu a Luftwaffe e estabeleceu a supremacia aérea sobre a Europa ocidental, o que deixou Rommel de alerta pois sabia que não poderia esperar um apoio aéreo eficaz.[55] A Luftwaffe apenas podia reunir 815 aeronaves[56] sobre a Normandia, em comparação com os 9543 Aliadas.[57] Rommel organizou armadilhas em estacas conhecidas como Rommelspargel (espargos de Rommel) para serem instaladas nos campos tentando dissuadir, assim, os lançamentos aéreos.[16]

Reserva de blindados[editar | editar código-fonte]

Rommel acreditava que a melhor hipótese que a Alemanha tinha era parar a invasão na praia. Solicitou que as reservas blindadas, especialmente tanques, fossem estacionadas o mais perto possível da costa. Rundstedt, Geyr e outros comandantes superiores opuseram-se. Eles acreditavam que a invasão não poderia ser travada nas praias. Geyr argumentou a favor de uma doutrina convencional: manter as formações Panzer concentradas numa posição central em torno de Paris e Rouen, mobilizá-las apenas quando as forças Aliadas principais tivessem sido identificadas. Também observou que, na Campanha italiana, as unidades blindados estacionadas perto da costa tinham sido danificadas por bombardeamentos navais. Rommel achou que, por causa da supremacia aérea Aliada, o movimento em larga escala de tanques não seria possível com a invasão em curso. Hitler tomou a decisão final, que foi deixar três divisões Panzer sob o comando de Geyr e dar a Rommel o controlo operacional de mais três reservas. Hitler assumiu o controlo pessoal de quatro divisões como reservas estratégicas, só para serem usadas com a sua ordem directa.[58][59][60]

Ordem de batalha dos Aliados[editar | editar código-fonte]

Rotas de assalto do Dia D na Normandia

Comandante, SHAEF: General Dwight D. Eisenhower Comandante, 21.º Grupo de Exército: General Bernard Montgomery[61]

Zonas norte-americanas[editar | editar código-fonte]

Comandante, Primeiro Exército (Estados Unidos): Tenente-General Omar Bradley[61]

O contingente do Exército ascendia a cerca de 73 000 homens, incluindo 15 600 das divisões aerotransportadas.[62]

Praia Utah
  • US VII Corps SSI.png VII Corpo de Exército comandado pelo Major-General J. Lawton Collins[63]
    • 4th Infantry Division SSI (1918-2015).svg 4.ª Divisão de Infantaria: Major-General Raymond O. Barton[63]
    • 82nd Airborne Division CSIB.svg 82.ª Divisão Aerotransportada: Major-General Matthew Ridgway[63]
    • 90th Infantry Division.patch.svg 90.ª Divisão de Infantaria: Brigadeiro-General Jay W. MacKelvie[63]
    • US 101st Airborne Division patch.svg 101.ª Divisão Aerotransportada: Major-General Maxwell D. Taylor[63]
Praia Omaha

Zonas britânicas e canadianas[editar | editar código-fonte]

Comandos Royal Marine associados com a 3.ª Divisão de Infantaria caminham para o interior da Praia Sword, 6 de Junho de 1944

Comandante do Segundo Exército (Grã-Bretanha e Canadá): Tenente-General Sir Miles Dempsey[61]

No geral, o contingente do Segundo Exército consistia de 83 115 homens, 61 715 deles britânicos.[62] As unidades navais e aéreas de apoio britânicas incluíam um grande número de pessoal das nações Aliadas, incluindo vários esquadrões da RAF dirigidos por tripulaão das colónias. Por exemplo, a contribuição australiano para a operação incluiu um esquadrão regular da Royal Australian Air Force (RAAF), nove esquadrões Article XV, e centenas de funcionários ligado às unidades da RAF e navios de guerra RN.[66] A RAF forneceu dois terços das aeronaves envolvidas na invasão.[67]

Praia Gold
  • XXX Corps 1944-1945 shoulder flash.jpg XXX Corpo de Exército comandado pelo Tenente-General Gerard Bucknall[68]
    • 50 inf div -vector.svg 50.º Divisão de Infantaria (Northumbrian): Major-General D. A. H. Graham[68]
Praia Juno
  • I Corpo de Exército britânico comandado pelo Tenente-General John Crocker[69]
    • 3rd Canadian Infantry Division Patch (Modern Correct Pantone).png 3.ª Divisão Canadiana: Major-General Vara Keller[69]
Praia Sword
  • I Corpo de Exército britânico comandado pelo Tenente-General John Crocker[70]
    • British 3rd Infantry Division2.svg 3.ª Divisão de Infantaria: Major-General Tom Rennie[70]
    • UK 6th Airborne Division Patch.svg 6.ª Divisão Aerotransportada: Major-General R.N. Gale[70]

79th armoured division badge.jpg 79.ª Divisão Blindada: Major-General Percy Hobart[71] forneceu veículos blindados especializados que apoiaram os desembarques em todas as praias no sector do Segundo Exército.

O plano[editar | editar código-fonte]

Rotas de invasão da Normandia durante o Dia-D.

O plano do grande ataque à zona francesa foi elaborado pelos mais respeitados generais dos Estados Unidos, entre eles estava o general Dwight David Eisenhower (que, em 1952 se tornaria o presidente dos Estados Unidos da América), Comandante Supremo das Forças Aliadas, e por grandes homens ingleses, entre eles, o primeiro-ministro Winston Churchill. Olhando o mapa do território, os comandantes aliados chegaram à conclusão de que além de desembarcar soldados e equipamentos na costa da Normandia, paraquedistas (que na época eram os soldados da Airborne) deveriam ser lançados em lugares estratégicos, tomando pontes, vilas, etc. e executando missões de sabotagem. Toda essa estratégia, elaborada por mais de três anos, deu certo. Logo após o salto dos paraquedistas, mesmo tendo eles se espalhado caoticamente por toda a Normandia, os aliados disseram que o erro de Adolf Hitler ao criar a Muralha do Atlântico foi não ter colocado um telhado nela.

Na imagem ao lado estão indicados os principais pontos de desembarque e de ataque do Dia D. Tal imagem é o mapa que foi apresentado pelo general Dwight Eisenhower quando da invasão.

O envolvimento soviético[editar | editar código-fonte]

Mapa da Muralha do Atlântico, em amarelo.
  Alemanha nazista e zonas ocupadas

Foi na Conferência de Teerã que pela primeira vez o ditador soviético Josef Stalin ouviu falar da Operação Overlord, o nome código do grande desembarque anglo-saxão nas costas da França atlântica, que seria realizado em 5 de junho de 1944, coordenado com a invasão do sul daquele mesmo país. Stalin não aceitara o plano de Churchill de uma operação de vulto partindo dos Balcãs, para dali abrir um flanco na defensiva alemã da Europa Central. Achou que aquilo era pura tergiversação, uma embromação de Churchill feita às custas do Exército Vermelho que ainda tinha que passar por um inferno para empurrar os alemães para fora da Rússia.

Para ele era evidente que o caminho mais curto para o fim da guerra era simplesmente os aliados ocidentais atravessarem o canal da Mancha, libertar a França, ocupar a região industrial do Ruhr, e, sintonizados com os soviéticos vindos do leste, levar os nazistas à capitulação. Roteiro que rapidamente ganhou o apoio do presidente estadounidense Franklin Delano Roosevelt. Em troca desse gesto, da folga que o soldado russo teria, Stalin comprometeu-se - assim que a guerra contra a Alemanha nazista se encerrasse, a declarar guerra ao Império Japonês para acelerar o fim do conflito na Ásia.

Os “Três Grandes”, aproveitando a ocasião, também acertaram que as operações militares de maior vulto seriam doravante sincronizadas, fazendo com que uma ofensiva no fronte ocidental fosse de imediato seguida por um ataque no fronte oriental. Dessa maneira, agindo como um torniquete, as forças armadas aliadas levariam o regime de Hitler à sufocação e à derrota final. O que para acontecer arrastou-se ainda por dolorosos e sangrentos 18 meses de guerra.

O único momento emotivo daquele primeiro encontro dos “Três Grandes”, deu-se por ocasião da entrega solene de um presente a Stálin. O ditador, que parecia sempre ser uma esfinge aos seus parceiros da conferencia, frio, desconfiado e distante, veio a derramar discreta lágrima quando Churchill presenteou-o, em nome do rei da Inglaterra, com uma bela espada cravejada em honra à vitória militar soviética em Stalingrado.

Setores de ataque[editar | editar código-fonte]

Praia de Omaha[editar | editar código-fonte]

Praia de Omaha na manhã seguinte ao Dia-D.
Ver artigo principal: Praia de Omaha

A Praia de Omaha, mais conhecida como "Omaha Sangrenta" foi a praia de maior resistência alemã e a praia que deu maior trabalho às forças Aliadas. Omaha era coberta por obstáculos espalhados por toda praia, que foram mandados implantar pelo marechal Erwin Rommel para que os tanques aliados não conseguissem invadir a praia, Omaha também tinha armas antinavais e metralhadoras MG42 para parar o fluxo de soldados invadindo o perímetro. Depois de mais de duas mil mortes, os aliados venceram a batalha, invadindo o flanco superior esquerdo da praia pelo cercado de arames e destruindo as casamatas (bunkers) que ali estavam. Omaha era um apelido dado à praia Colleville, e recebeu este apelido para que, na hipótese das mensagens enviadas dos Estados Unidos à Inglaterra serem interceptadas pelos nazistas, eles não conseguissem entender onde seria o ataque.

Um soldado norte-americano morto em combate na Praia de Omaha.

Vários filmes que mostram o desembarque aliado na praia de Omaha, como O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan) e O Mais Longo dos Dias (The Longest Day), além de ter livros como O Dia D - 6 de Junho de 1944, de Stephen E. Ambrose, e jogos como Company of Heroes, Medal of Honor e Call Of Duty.[72]

Praia de Utah[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Praia de Utah

Utah era o nome de código para a praia a mais distante à direita das cinco áreas de desembarque na Normandia. Localizada na costa oriental da base da península de Cotentin, era uma adição às áreas inicialmente programadas para a invasão. A área de desembarque de Utah era aproximadamente cinco quilômetros e estava ao noroeste do estuário de Carentan. Comparando as fortificações alemãs na Praia de Omaha e as defesas em Utah, compostas de posições fixas de infantaria, as últimas eram escassas, e imediatamente atrás da área de desembarque foram inundadas e restringiram severamente o avanço terrestre. As forças defensoras consistiam em elementos das 709ª, 243ª, e 91ª divisões de infantaria alemã.

Os setores de assalto na praia de Utah foram designados (de oeste a leste): Tare Green, Uncle Red, and Victor. A invasão foi planejada para o Tare Green e o Uncle Red, com a saída número 3 quase no meio da área de desembarque. A "hora H" foi programada para as 06h30 horas. A praia deveria ser atacada pela 4ª divisão da infantaria dos Estados Unidos. O objectivo era cruzar a praia e tomar o controle das estradas da costa, estabelecer a ligação com as tropas aero-transportadas que tinham aterrado cinco horas antes, e preparar então para atacar Cherbourg. O desembarque foi feito na praia errada, e devido às fortes correntes, e à fumaça do bombardeamento aliado que obscurecia a área, a força aterrou a 1 800 metros da área designada, no setor menos defendido.

O comandante da divisão, brigadeiro general Theodore Roosevelt Jr., percebeu rapidamente o erro. Expressando sua famosa observação, "We will start the war from here!" deu então ordens para a divisão avançar. Três horas mais tarde, as saídas 1, 2 e 3 tinham sido ocupadas, e por volta das 12.00 horas, os aliados já haviam estabelecido contacto com os pára-quedistas da 101ª divisão perto da cidade de Pouppeville. Ao fim do dia, a 4ª divisão tinha avançado aproximadamente 6,5 quilômetros, e suas unidades mais avançadas estavam a uma milha (1600 metros) da 82ª aero-transportada perto de Sainte-Mère-Église.

Vinte mil soldados e 1700 veículos motorizados tinham desembarcado na praia de Utah com muito poucas baixas, menos de 300 homens. Os alemães não tinham contra-atacado o assalto, devido ao sucesso das tropas aerotransportadas, e também à confusão entre os comandantes alemães a respeito de onde o ataque principal estava a ocorrer, no entanto, estavam em posição a contra-atacar na península de Cotentin no fim do Dia D.

Praia Juno[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Praia de Juno
Soldados canadenses na praia de Juno.

Juno era o nome de código para a segunda praia à esquerda das cinco áreas de desembarque para a invasão da Normandia. A praia tinha aproximadamente 10 quilômetros e estava perto de Courseulles-sur-Mer, Bernières e Saint-Aubin[desambiguação necessária] , com dunas de areia fortificadas pelos alemães.[73] O perigo inicial para os invasores em Juno não eram os obstáculos alemães, mas os recifes. Esses forçaram o desembarque na manhã mais tarde do que desejada. A hora foi marcada para as 07h45 horas, de modo que o desembarque se pudesse cancelar caso a maré não o permitisse. Os elementos da 716ª divisão de infantaria alemã, particularmente o 736º regimento, eram responsáveis pela defesa da área. A praia de Juno era parte da área da invasão atribuída ao 2º exército britânico, sob ordens do general Miles Dempsey. A praia foi dividida pelo comando aliado em três sectores: Love a oeste, Mike (secções Red e White), Nan (secções Red, White, e Green) a oeste. Deviam ser conquistadas pela 3ª divisão da infantaria canadense, pela 7ª brigada em Courseulles e pela 8ª brigada em Bernières no sector de Nan. Os objetivos da 3ª divisão no Dia D eram, cortar a estrada de Caen-Bayeux, ocupar o aeroporto de Carpiquet a oeste de Caen, e estabelecer uma ligação entre as duas praias britânicas de Gold e Sword em ambos lados da praia de juno.

A primeira leva de assalto desembarcou às 7h55, 10 minutos após a hora H mas três horas após a melhor maré, este atraso pôs os canadenses numa situação difícil, os obstáculos da praia foram parcialmente submergidos, e os sapadores eram incapazes de desobstruir trajetos para a praia. Aproximadamente 30 porcento dos barcos de desembarque em Juno foram destruídos ou danificados. No início, não houve grande resistência, porque as posições alemãs não tinham as suas armas apontadas para o mar. Os soldados Canadenses contornaram os obstáculos mas foram dar às zonas de matança, a primeira vaga sofreu grandes baixas. A companhia B dos Royal Winnipeg Rifles foi reduzida a um oficial e a 25 homens quando se moveu para a proteção que oferecia a escarpa. Nas equipes de assalto, a possibilidade de se transformar numa baixa nessa primeira hora era quase de 1 para 2. Ao meio da manhã, depois de lutar duramente, a cidade de Bernières estava nas mãos canadenses, pouco depois Saint-Aubin[desambiguação necessária] era ocupada.[73]

A 3ª divisão tinha-se ligado à 50ª divisão britânica da praia Gold a oeste, mas a leste os canadenses eram incapazes de fazer o contato com a 3ª divisão britânica na praia Sword, deixando uma abertura de 3 quilômetros em que os elementos da 21ª divisão Panzer contra-atacaram. Os canadenses sofreram 1 200 baixas das 21 400 soldados que desembarcaram em Juno esse dia, numa relação de 1 para 18.

Praia Gold[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Praia de Gold
Soldados na praia Gold.

Gold era o nome de código para a praia central das cinco áreas de desembarque designadas para a Batalha da Normandia. A praia tinha mais de 8 quilômetros de largura e incluía as cidades costeiras de la Rivière e Le Hamel. Na extremidade ocidental da praia estava a vila de Arromanches, e ligeiramente mais distante a oeste, a cidade de Longues-sur-Mer. As forças defensoras alemãs consistiam em elementos a 716ª divisão e uma parte do 1º batalhão da 352ª divisão em Le Hamel. Muitas das posições alemãs foram colocadas em casas ao longo da costa, com maiores concentrações em Le Hamel e la Rivière. Estas posições eram muito vulneráveis ao ataque naval e aéreo, mas os alemães contavam com uma grande força de contra-ataque, o Kampfgruppe Meyer, a unidade mecanizada da 352ª divisão localizada na cidade de Bayeux. ora hConfiguração da praia Gold na área da invasão atribuída ao 2º exército britânico, sob o comando do general Miles Dempsey: Os sectores de desembarque na praia, foram designados (de oeste a leste) How, Item, Jig (com as secções Green e Red), e King (com também duas secções, Green e Red). O assalto devia ser realizado pela 50ª divisão de infantaria britânica. A praia era bastante larga para que duas brigadas desembarcassem. Os objectivos da 50ª divisão eram, cortar a estrada Caen-Bayeux, conquistar um pequeno porto em Arromanches, estabelecer ligação com os americanos na praia de Omaha a oeste em Port-en-Bessin, e também com os canadenses na praia de Juno a este.

A hora H na praia Gold foi marcada para as 07h25 horas, uma hora mais que os desembarques programadas nas praias Americanas devido ao sentido da maré. Dos primeiros veículos blindados que desembarcaram na praia; 20 deles tocaram em minas, e sofreram alguns danos. Felizmente para os ingleses, não havia artilharia pesada alemã na praia, e a resistência da infantaria era ineficaz, (a maioria dos pontos fortes alemãs tinham sido anulados pelo bombardeio da manhã). La Rivière resistiu até às 10h00 horas, e Le Hamel estava nas mãos britânicas à meia tarde. Entretanto, o 47º de comandos britânicos em Arromanches e Longues progredia para oeste, para Port-en-Bessin. Os canhões em Longues tinham sido postos fora da acção num combate furioso com o cruzador HMS Ajax. Pela noite de 6 de junho, a 50ª divisão desembarcou 25 000 homens, tinham avançado 10 quilómetros, e estabeleceram contacto com os canadenses na praia de Juno, não tinham no entanto cortado a estrada de Caen-Bayeux nem conseguiram unir-se com os americanos na praia de Omaha, mas tinha feito um começo impressionante. Os britânicos sofreram 400 baixas nesta praia.

Praia Sword[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Praia de Sword
Infantaria britânica na praia Sword.

Sword era o nome de código para a praia da esquerda das cinco áreas de desembarque na Batalha da Normandia. Com 8 quilômetros que ia de Lion-sur-Mer a oeste à cidade de Ouistreham, na boca do rio de Orne, a leste. A área tinha muitas casas de férias e estabelecimentos turísticos situados atrás de uma escarpa. Estava também a aproximadamente 14 quilômetros ao norte da cidade de Caen. Todas as estradas principais neste sector do campo Normando funcionavam através de Caen, que era uma cidade chave para os aliados e também para os alemães com finalidades de transporte e manobras. Os alemães fortificaram a área com defesas que consistiam em obstáculos na praia e em fortificações nas dunas de areia. A defesa da praia foi reforçada com canhões de 75 milímetros em Merville, situados 8 quilômetros a leste do estuário do rio Orne. Eles também tinham canhões de 155 milímetros 32 quilómetros a leste, em Le Havre, além de valas e minas antitanque. Os elementos da 716ª divisão de infantaria alemã, os regimentos 736º e 125º, junto com forças da 21ª divisão Panzer na vizinhança, eram capazes de participar de operações defensivas ou ofensivas. Por fim, a leste, no rio Dives estava a 711ª divisão.

Na praia Sword, a área de desembarque atribuída ao 2º exército britânico, sob ordens do general Miles Dempsey, foi dividida em quatro sectores: de oeste para leste, Oboe, Peter, Queen, e Roger. A primeira vaga chegou às 07h25 horas do Dia D, composta pela 3ª divisão britânica, com os comandos franceses e britânicos unidos. Os elementos do regimento South Lancashire assaltaram o sector de Peter à direita; o regimento de Suffolk assaltou ao centro no sector de Queen; e o regimento East Yorkshire assaltou o sector de Roger à esquerda. O objectivo da 3ª divisão era progredir através da praia de Sword, passar próximo de Ouistreham ir direito a Caen e ocupar o aeródromo de Carpiquet. Os comandos tinham conseguido seu objectivo mais importante: tinham se ligado às tropas aero-transportadas nas pontes sobre os canais de Orne. No flanco direito, os ingleses tinham sido incapazes de ligar às forças canadenses na praia de Juno. Às 16h00 horas a 21ª divisão de Panzer lançou o único contra-ataque alemão sério no Dia D: o 192º regimento de Panzer Grenadier alcançou a praia às 20h00 horas, mas seus 98 tanques foram detidos por armas antitanque e o contra-ataque foi anulado.

No fim do dia os ingleses tinham desembarcado 29 000 homens e tinham tido cerca de 630 baixas. Já as baixas alemãs eram muito mais elevadas, além dos que foram feitos prisioneiros.

Pointe du Hoc[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Pointe du Hoc
Rangers americanos em Pointe du Hoc.

Pointe du Hoc é uma escarpa situada entre as praias de Omaha (setor Charlie) e Utah, um objectivo atribuído aos rangers do exército dos Estados Unidos no Dia D, que escalaram seus penhascos com o objectivo de silenciar as peças de artilharia aí colocadas e defendidas por elementos da 352ª divisão de infantaria alemã, e que poderiam bombardear ambas praias americanas.

A tarefa de neutralizar a artilharia, e de cortar a estrada que funciona atrás do Pointe de Saint-Pierre-du-Mont a Grandcamp, caiu aos 2º e 4º batalhões dos rangers, comandados pelo tenente coronel James Rudder. As ordens eram, às companhias D, E, e F do 2º batalhão, um ataque ao penhasco escalando-o no Pointe, a companhia C desembarcaria a este para destruir posições dos canhões na extremidade ocidental da praia de Omaha.

Enquanto estes assaltos ocorriam, as companhias A e B, com todo o 5º batalhão, deviam esperar na praia e esperar o sinal de que a escalada do penhasco tinha tido sucesso, se o sinal viesse, deviam seguir e escalar também, se o sinal não viesse, deviam desembarcar na praia de Omaha e atacar o Pointe du Hoc pela parte traseira. As companhias D, E, e F desembarcaram no Pointe às 7h10 horas, 40 minutos mais tarde do previsto. Eram vítimas de mares pesados e ventos, um dos seus barcos afunda-se, entretanto, os Rangers combatiam os alemães no alto dos penhascos em um violento tiroteio, em alguns minutos, o primeiro homem chegava até a parte superior do morro. Os rangers lutaram em pequenos grupos à sua maneira, quando chegaram as casamatas, os canhões não se encontravam lá. Continuaram o combate e cortaram a estrada atrás do Pointe, então uma patrulha de dois homens descobriu os canhões a uns 500 metros do local. Os canhões foram destruídos pelos dois rangers que depois regressavam às suas posições.

Os outros rangers na praia, não vendo o sinal do Point, desembarcaram na praia de Omaha mas não podiam realizar sua missão de atacar Pointe du Hoc porque ficaram envolvidos na luta desesperada em Omaha. Eram, entretanto, uma chave ao sucesso eventual em Omaha. Embora os relatórios adiantados caracterizassem o ataque no Pointe como um esforço desperdiçado porque os canhões alemães não estavam lá, o ataque estava de fato altamente bem sucedido. Pelas 09h00 horas, os rangers no Pointe tinham cortado a estrada atrás e tinham posto os canhões fora da ação. Eram assim a primeira unidade americana para realizar sua missão no Dia D com o custo de metade da sua força de combate. Para o fim do dia ocupavam apenas um pequeno pedaço de terreno nas alturas do Pointe, os alemães contra-atacavam. Os rangers resistiram dois dias até que a ajuda chegou.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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