Dois (álbum)

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Dois
Álbum de estúdio de Legião Urbana
Lançamento Julho de 1986[1]
Gravação Fevereiro—Abril de 1986
Gênero(s)
Duração 47:00
Idioma(s) (em português)
Formato(s)
Gravadora(s) EMI
Produção Mayrton Bahia
Cronologia de Legião Urbana
Legião Urbana
(1985)
Que País É Este
(1987)
Singles de Dois
  1. "Tempo Perdido"
    Lançamento: 1986
  2. "Eduardo e Mônica"
    Lançamento: 1986
  3. ""Índios""
    Lançamento: 1987
  4. "Quase sem Querer"
    Lançamento: 1987
  5. "Acrilic on Canvas"
    Lançamento: 1987

Dois é o segundo álbum de estúdio da banda brasileira de rock Legião Urbana, lançado em julho de 1986. Ocupa a 21ª posição da lista dos 100 maiores discos da música brasileira pela Rolling Stone Brasil.[3] Em setembro de 2012, foi eleito pelo público da rádio Eldorado FM, do portal Estadao.com e do Caderno C2+Música (estes dois últimos pertencentes ao jornal O Estado de S. Paulo) como o terceiro melhor disco brasileiro da história.[4] É o segundo álbum mais vendido da banda, com mais de 1,8 milhão de cópias. "Tempo Perdido" fez um grande sucesso e se tornou num dos clássicos da Legião. "Eduardo e Mônica", ""Índios"" e "Quase sem Querer" também fizeram sucesso.[5][6]

Na época do lançamento, a crítica d'O Estado de S. Paulo elogiou o disco, afirmando: "Você morde e vê que ali tem carne. Sangrando. O gostinho de Smiths no lado A, com o letrista e vocalista Renato Russo enchendo a boca em Daniel na Cova dos Leões ou Tempo Perdido, na verdade apenas prepara o terreno para a paulada do lado B, como em Metrópole e Fábrica."[7]

Em seu encarte, trazia uma foto de um casal abraçado de costas para a câmera e de frente para o mar. A imagem foi obtida por Ico Ouro Preto, ex-guitarrista da banda que virou fotógrafo.[1]

Contexto[editar | editar código-fonte]

Dois foi realmente um desafio, pois tivemos prazo para criar e havia muita expectativa, tanto da gravadora quanto da própria banda.
— Marcelo Bonfá[2]

O sucesso do álbum anterior (que àquela atura já havia vendido 100 mil cópias[8]) fez com que Renato Russo cogitasse fazer o segundo álbum como duplo, intitulado Mitologia e Intuição. A gravadora, porém, não se entusiasmou com a ideia, e o álbum acabou sendo simples.[9] Renato estava sofrendo a chamada "síndrome do segundo disco", como disse o guitarrista Dado Villa Lobos. O sucesso de vendas e de crítica do Legião Urbana fez com que ele quisesse superar a marca no segundo lançamento.[8] A produção de Dois ficou a cabo de Mayrton Bahia, que na época era delegado pela EMI-Odeon para produzir os artistas novos que chegavam à empresa.[8]

O disco acabou responsável pela maior quantidade de vendas da história da Legião Urbana, alavancado pelo sucesso de "Eduardo e Mônica", uma faixa que era considerada difícil,[10] por não ter um refrão. O álbum vendeu mais de 1,8 milhão de cópias.[5][6]

Composição e escrita[editar | editar código-fonte]

Sobre a temática das letras do disco, Renato Russo delarou, após seu lançamento:[11]

A banda compunha de uma forma considerada "inusitada". Às vezes apresentavam uma base desprovida de melodia, ou então chegavam com fragmentos de canções sem nem saber em qual parte delas eles seriam usados.[12] Além disso, eles queriam começar a trabalhar mais com violões. "Andrea Doria" foi uma das peças que ganhou passagens no instrumento para agradar aos membros.[13]

A mixagem do disco também foi trabalhosa. O álbum foi gravado em 16 canais e muitas vezes instrumentos acabavam misturados e tinham de ser separados artesanalmente. As faixas eram constantemente editadas, muitas vezes pelas mãos de três pessoas ao mesmo tempo.[14] Foi gravando este disco que a banda passou a aceitar mais a utilização de efeitos em sua música.[15]

Informação das faixas[editar | editar código-fonte]

A canção "Tempo Perdido" inspirou o título do filme Somos Tão Jovens.[16] Ela já fazia parte do repertório de apresentações ao vivo da banda antes de ser gravada.[12]

A faixa "Fábrica", assim como "Perfeição", do disco O Descobrimento do Brasil, foi gravada, anos mais tarde, em uma versão em espanhol, pela banda argentina Attaque 77.[2]

"Daniel na Cova dos Leões" abre o disco e no início da gravação, ouve-se algo parecido com um rádio mal-sintonizado tocando um trecho de "Será" e alguns trechos do hino da Internacional Socialista. "Plantas Embaixo do Aquário" faz menções à Guerra Fria.[2] Para acrescentá-la ao repertório final do álbum Renato Russo se inspirou numa carta que Mayrton lhe escrevera ao ver o quanto o músico se sentia pressionado.[17]

A música "Química", que estaria no próximo trabalho do grupo, apareceu no disco Dois como faixa bônus, mas somente no K7. A versão dessa música é diferente da gravada no álbum Que País É Este 1978/1987.

O nome de uma das faixas, "Andrea Doria", faz referência a um navio italiano, o SS Andrea Doria, que seguia para Nova York quando naufragou em 25 de julho de 1956, após se chocar com uma outra embarcação de bandeira sueco-americana chamada Stockholm. Ao contrário do ocorrido na tragédia do RMS Titanic, a maioria dos passageiros foi resgatada com vida, restando um saldo de 51 mortos e o desaparecimento de algumas obras de arte italianas.[18]

Faixas[editar | editar código-fonte]

Lado A
N.º TítuloCompositor(es) Duração
1. "Daniel Na Cova Dos Leões"  Renato Russo/Renato Rocha 4:00
2. "Quase Sem Querer"  Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Renato Rocha 4:40
3. "Acrilic On Canvas"  Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá 4:40
4. "Eduardo e Mônica"  Renato Russo 4:31
5. "Central Do Brasil"  Renato Russo 1:34
6. "Tempo Perdido"  Renato Russo 5:02
Lado B
N.º TítuloCompositor(es) Duração
1. "Metrópole"  Renato Russo 2:49
2. "Plantas Embaixo do Aquário"  Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Renato Rocha/Marcelo Bonfá 2:54
3. "Música Urbana 2"  Renato Russo 2:40
4. "Andrea Doria"  Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá 4:53
5. "Fábrica"  Renato Russo 4:56
6. ""Índios""  Renato Russo 4:17
7. "Química" (Faixa escondida apenas na versão em fita cassete)Renato Russo 2:15

Formação[editar | editar código-fonte]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Crítica[editar | editar código-fonte]

Críticas profissionais
Avaliações da crítica
Fonte Avaliação
allmusic 4 de 5 estrelas.[19]

Comercial[editar | editar código-fonte]

Vendas e certificações[editar | editar código-fonte]

País Certificação Vendas
 Brasil (Pro-Música Brasil)

Diamante

1.200.000+[5][6]

Referências

  1. a b Fuscaldo (2016), p. 40
  2. a b c d Mariana Peixoto (1 de agosto de 2018). «Remanescentes da Legião Urbana anunciam turnê; ingressos já estão à venda». Uai. Consultado em 15 de novembro de 2018 
  3. Rolling Stones Brasil (13 de outubro de 2007). «Os 100 maiores discos da música brasileira». Arquivado do original em 8 de fevereiro de 2008 
  4. Bomfim, Emanuel (7 de setembro de 2012). «'Ventura' é eleito o melhor disco brasileiro de todos os tempos». Combate Rock. Grupo Estado. Consultado em 28 de janeiro de 2016 
  5. a b c «DISCOGRAFIA – EDIÇÃO 038 – LEGIÃO URBANA». RadioInterativa. Consultado em 29 de dezembro de 2016 
  6. a b c «Discos para história: Dois, da Legião Urbana (1986)». Musicontherun. Consultado em 7 de outubro de 2016 
  7. Leite, Edmundo (31 de agosto de 2012). «Alguns discos clássicos já nascem grandes». Acervo Estadão. Grupo Estado. Consultado em 28 de janeiro de 2016 
  8. a b c Fuscaldo (2016), p. 35
  9. Fortune. «Legião Urbana». Consultado em 3 de agosto de 2008 
  10. Fonte: Álbum Como É que Se Diz Eu Te Amo
  11. Fuscaldo (2016), p. 34-35
  12. a b Fuscaldo (2016), p. 37
  13. Fuscaldo (2016), p. 36
  14. Fuscaldo (2016), p. 39-40
  15. Fuscaldo (2016), p. 40
  16. «Curiosidades, bastidores, novidades, e até segredos escondidos de "Somos Tão Jovens" e das filmagens!». AdoroCinema. Consultado em 6 de maio de 2013 
  17. a b Fuscaldo (2016), p. 37
  18. Marcello De Ferrari. «O Naufrágio do ANDREA DORIA». Consultado em 3 de agosto de 2008 
  19. Eduardo Rivadavia. «Crítica do site Allmusic». Consultado em 16 de Agosto de 2013 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]