Era viking

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Expansão viquingue, séculos VIII-XI
Convidados do além-mar, Nicholas Roerich (1899)
Casa comunal da Era dos Vikings (reconstrução moderna)..
Pedra rúnica escrita em nórdico antigo.
Pedra de Tjängvide (Gotlândia), representando, segundo a tradição, o deus Odin no seu cavalo de oito patas
O deus Thor - estátua de bronze do séc. III, encontrada na Islândia.
Bracelete de ouro, encontrado nas ruínas de uma aldeia viking em Aggersborg na Dinamarca
Cidades da era dos vikings na Escandinávia

Era viking ou era dos vikings - em sueco Vikingatiden, em dinamarquês Vikingtid, em norueguês Vikingtiden, em islandês Víkingaöld - é o nome que se dá ao período de quase três séculos da pré-história da Escandinávia que se estende aproximadamente de 800 a 1050 d.C. [1][2]

Nos Países Nórdicos, a época dos vikings é a última fase da Idade do Ferro [3][4][5], que constitui o último período da pré-história Nórdica, seguido imediatamente pelo início da Idade Média. [6]

Início da Era Viking[editar | editar código-fonte]

Costumam ser apontadas como causas da era dos vikings, a população da Escandinávia ter aumentado consideravelmente - ficando a terra insuficiente para fornecer a alimentação necessária, ao mesmo tempo que a técnica da construção dos navios vikings atravessava um desenvolvimento notável. [7][8] As divisões e querelas internas dos estados da Europa continental abriram o terreno, tendo os Nórdicos aproveitado a oportunidade.[9]

O dia a dia[editar | editar código-fonte]

A maior parte da população escandinava era constituída por camponeses, que nunca saiam das suas terras, e se dedicavam à agricultura, à silvicultura, à caça e à pesca.[10][9]
As pessoas viviam em pequenos grupos familiares com várias gerações, e dedicavam-se ao cultivo do centeio, da cevada, do trigo e da aveia. Comiam pão, papas de cereais, queijo fresco e bagas. Bebiam água, leite ou cerveja fraca. Criavam porcos, cabras, gansos, cavalos e vacas. A carne desses animais era salgada ou defumada, para ser conservada para o inverno. [11] Habitavam casas retangulares, onde tinham lugar homens, mulheres, crianças, escravos e animais. Os escravos – chamados thrall na Escandinávia – tinham uma vida dura, fazendo os trabalhos mais difíceis e comendo alimentos inferiores ou os restos das refeições. [12]
Um pequeno grupo dedicava-se ao fabrico de objetos e ao comércio. [13]
Os vikings eram uma pequena parcela da população que participavam em operações de guerra naval, de pirataria ou de comércio marítimo. [14][15][16]

A sociedade[editar | editar código-fonte]

As famílias eram geralmente compostas por um homem, uma mulher e 1-3 filhos. Ocorria também a poligamia, tendo alguns homens ricos 2 ou 3 esposas ou amantes legítimas (frillor).[17]
A população estava organizada em sociedades locais com carácter hierárquico, constituídas por um chefe (hövding), os seus capatazes-guerreiros (jarlar), camponeses livres (fria bönder) e escravos (trälar).[18][19]
A agricultura era a principal ocupação e base de subsistência, sendo o comércio e as atividades marítimas os vetores marcantes deste período.[20][21]
Com o decorrer dos tempos, apareceram comerciantes e artesãos, que ganharam sucessivamente uma certa independência, e a pouco e pouco concentraram a sua atividade, fazendo surgir as primeiras cidades, como é o caso de Hedeby, Ribe e Sigtuna. Igualmente entraram em cena, no fim deste período, os padres, acompanhando o processo de cristianização em curso.
São precisamente este dois grupos - comerciantes e padres, que mostram a direção em que evoluia a sociedade escandinava da era víquingue.[22]

A língua[editar | editar código-fonte]

Nas pedras rúnicas da época dos vikings, a língua utilizada nas áreas dinamarquesas, suecas, norueguesas e islandesas, é o nórdico antigo. [23]
Como não há grandes diferenças linguísticas nas inscrições em caracteres rúnicos, parece que a língua falada diferia pouco dentro dessa área. [24]

A religião[editar | editar código-fonte]

Antes da chegada do cristianismo, os escandinavos adoravam os deuses asses.[25][26]
Odin era o deus principal. Ele tinha criado o mundo com os seus irmãos Vile e Ve, e dado a vida aos primeiros homens. [27]
Enquanto Odin era o favorito dos grupos dominantes, os deuses Thor e Frey eram particularmente populares entre os camponeses. Thor era o deus das curas nas doenças e Frey o deus da paz, das boas colheitas e dos casamentos felizes.[28]
Era uma religião com inúmeros deuses caprichosos e imprevisíveis, aos quais era necessário agradar e acalmar.[29]

Nas suas viagens à Europa, os vikings depararam-se com um novo deus - o Krist. A pouco e pouco, a nova divindade foi ganhando adeptos, em competição com os deuses tradicionais, e o cristianismo chegou à Escandinávia. Entre os primeiros missionários a chegar à Dinamarca e Suécia, esteve Ansgário, enviado pelo imperador franco-germânico Luís I na década de 820. Com o estabelecimento de bispados permanentes no século XI, o processo de cristianização estava consumado. A nova religião estava associada uma nova cultura e a uma nova forma de vida. Ao mesmo tempo a era Viking estava a chegar ao fim.[30][31][32]

A arte[editar | editar código-fonte]

A arte dos vikings aparece nos seus mitos, nos seus objetos do dia-a-dia e em algumas pedras rúnicas.
Dos artefactos práticos e belos, em madeira e em tecido, pouco resta. O que sobreviveu do trabalho de artesães anónimos, é sobretudo trabalhos em metal – fivelas, agulhas, pulseiras, colares, amuletos e armas ornamentadas.
O estilo viking é baseado em motivos da natureza, usando ornamentações complicadas, com espirais e formas entrelaçadas. [33]

As primeiras cidades[editar | editar código-fonte]

Na era dos vikings a população vivia espalhada pelo campo.
Duas das principais atividades económicas eram a agricultura e o comércio.
As "cidades" eram os pontos de encontro das pessoas que tinham algo para vender ou para comprar.
Entre as primeiras cidades conhecidas da Escandinávia estavam Ribe (na Jutlândia), Hedeby (entre a Alemanha e a Dinamarca), Kaupang na Noruega, Uppåkra na Escânia e Birka (no Vale do Mälaren). Mais tarde surgiram outra povoações, como Sigtuna, Skara e Visby.[34]

As viagens dos vikings[editar | editar código-fonte]

Com o aumento da população e a melhoria da técnica de construção naval, apareceu a possibilidade de ir buscar riquezas a outras paragens e procurar terras férteis para colonizar. Muitos noruegueses saíram do país para escapar a uma opressão política sufocante.[35][36]
Estas circunstâncias teriam levado os navegadores nórdicos a sair da Escandinávia, para explorar, saquear, conquistar e fazer comércio com a Europa, a Ásia, a África e a América atravessando mares e subindo rios.[37][38]

Os vikings no Oeste[editar | editar código-fonte]

Para oeste, os vikings da Dinamarca e do sul da Suécia (danos) fizeram incursões e acabaram por se estabelecer em várias partes da Europa - especialmente França e Ilhas Britânicas. Ao mesmo tempo, os vikings da Noruega aventuraram-se no Atlântico, descobrindo e colonizando a Islândia e a Groenlândia, e tendo mesmo chegado à América do Norte, onde tentaram fixar-se, embora sem sucesso. [39][40][41] As expedições dinamarquesas e norueguesas, tinham o foco na colonização e pilhagem.[42]

Os vikings no Leste[editar | editar código-fonte]

Para leste, os vikings da Svealand (sveas) e da Gotlândia (gotas), na Suécia, abriram rotas comerciais ligando os países nórdicos ao Oriente, tendo estado nos Países Bálticos, na Rússia, no mar Negro, no Mar Cáspio, no Império Bizantino e no Califado Islâmico. Fundaram feitorias comerciais em Novgorod e Kiev. [43]
A sua presença está igualmente referida na Anatólia, onde eram designados de varegues (varjager). [44][45]
O foco das expedições suecas estava na abertura de vias comerciais e estabelecimento de entrepostos comerciais.[46]

Fim da era dos vikings[editar | editar código-fonte]

A era dos vikings acabou quando o cristianismo e a civilização europeia chegaram à Escandinávia. [47]
Com o aparecimento e consolidação dos reinos da Dinamarca, Noruega e Suécia, as expedições militares reais substituiram as expedições de pirataria dos grandes senhores locais. [48]
Na mesma altura, as rotas comerciais do Mediterrâneo foram reabertas devido às Cruzadas, e o comércio na Europa do Norte perdeu importância, tendo os alemães suplantado os comerciantes da Suécia e da ilha da Gotlândia. [49][50]
Com o desaparecimento desta importante base da sua riqueza económica, os Países Nórdicos passaram a estar na periferia do comércio internacional. [51]

Fontes da história da Era dos Vikings[editar | editar código-fonte]

Algumas obras de autores estrangeiros trazem informação variada e frequentemente incompleta, ou até contraditória, sobre esta época remota dos habitantes da Escandinávia. Achados arqueológicos e observações linguísticas, tornam mais nítidos estes contornos. Estudos genéticos e análises químicas aprofundam os nossos conhecimentos.[52]
Entre os documentos e objetos mais importantes, merecem realce:

Referências

  1. Henrikson, Alf; Björn Berg (1963). «Vikingatiden». Svensk historia (em sueco). Estocolmo: Bonnier. p. 51. 1062 páginas. ISBN 91-0-055344-1 
  2. «Vikingatiden». Bonniers Compact Lexikon (em sueco). Estocolmo: Bonnier lexikon. 1995-1996. p. 1189. 1301 páginas. ISBN 91-632-0067-8 
  3. «Vikingatiden» (em sueco). Enciclopédia Nacional Sueca. Consultado em 19 de abril de 2014 
  4. Forte, Oram & Pedersen 2005, p. 2.
  5. Melin, Jan; Johansson, Alf; Hedenborg, Susanna (2006-09). «Vikingatiden». Sveriges historia. Koncentrerad uppslagsbok, fakta, årtal, kartor, tabeller (em sueco). Estocolmo: Prisma. p. 30-45. 511 páginas. ISBN 9789151846668  Verifique data em: |ano= (ajuda);
  6. HARRISON, Dick; Kristina Svensson (2007). «Prolog». Vikingaliv (em sueco). Estocolmo: Natur och Kultur. p. 9. 383 páginas. ISBN 9789127357259 
  7. HARRISON, Dick (2003). «Vikingarna». Europa i världen. Medeltiden (em sueco). Estocolmo: Liber. p. 134. 366 páginas. ISBN 91-47-05187-6 
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  11. Else Christensen & Henrik Elling. «Bonden var den verklige vikingen» (em sueco). Värlens Historia. Consultado em 30 de abril de 2014 
  12. Else Christensen & Henrik Elling. «Vikingarna dog unga» (em sueco). Värlens Historia. Consultado em 30 de abril de 2014 
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  16. HJARDAR, Kim; Vegard Vike (2012). Vikingar i krig (em sueco). Estocolmo: Bonnier Fakta. 397 páginas. ISBN 9789174242706 
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Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Forte, Angelo; Oram, Richard e Pedersen, Frederik (2005). Viking Empires. [S.l.]: Cambridge University Press. ISBN 0-521-82992-5 
  • Henry, Françoise. Irish Art in the Early Christian Period. Londres: Methuen & Co. Ltd., 1940
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