Era viking

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Era Viking)
Ir para: navegação, pesquisa
Expansão viquingue, séculos VIII-XI
Convidados do além-mar, Nicholas Roerich (1899)
Casa comunal da Era dos Vikings (reconstrução moderna)..
Pedra rúnica escrita em nórdico antigo.
Pedra de Tjängvide (Gotlândia), representando, segundo a tradição, o deus Odin no seu cavalo de oito patas
O deus Thor - estátua de bronze do séc. III, encontrada na Islândia.
Bracelete de ouro, encontrado nas ruínas de uma aldeia viking em Aggersborg na Dinamarca
Cidades da era dos vikings na Escandinávia

Era viking ou era dos vikings - em sueco Vikingatiden, em dinamarquês Vikingtid, em norueguês Vikingtiden, em islandês Víkingaöld - é o nome que se dá ao período de três séculos da pré-história da Escandinávia que se estende de 800 a 1050 d.C. [1][2]

Nos Países Nórdicos, a época dos vikings é a última fase da Idade do Ferro germânica [3][4][5], que constitui o último período da pré-história Nórdica, seguido imediatamente pelo início da Idade Média. [6]

O dia a dia[editar | editar código-fonte]

A maior parte da população escandinava era constituída por camponeses, que nunca saiam das suas terras, e se dedicavam à agricultura, à silvicultura, à caça e à pesca. [7]
As pessoas viviam em pequenos grupos familiares com várias gerações, e dedicavam-se ao cultivo do centeio, da cevada, do trigo e da aveia. Comiam pão, papas de cereais, queijo fresco e bagas. Bebiam água, leite ou cerveja fraca. Criavam porcos, cabras, gansos, cavalos e vacas. A carne desses animais era salgada ou fumada, para ser conservada para o inverno. [8] Habitavam casas compridas, onde tinham lugar homens, mulheres, crianças, escravos e animais. Os escravos – chamados thrall na Escandinávia – tinham uma vida dura, fazendo os trabalhos mais difíceis e comendo alimentos inferiores ou os restos das refeições. [9]
Um pequeno grupo dedicava-se ao fabrico de objetos e ao comércio. [10]
Os vikings eram uma pequena parcela da população que participavam em operações de guerra naval, de pirataria ou de comércio marítimo. [11][12][13]

A sociedade[editar | editar código-fonte]

A população estava organizada em sociedades locais com carácter hierárquico, constituídas por um chefe (hövding), os seus capatazes-guerreiros (jarlar), camponeses livres (fria bönder) e escravos (trälar). A mulher tinha uma posição respeitada. [14] [15]
A agricultura era a principal ocupação e base de subsistência, sendo o comércio e as atividades marítimas os vetores marcantes deste período.
Com o decorrer dos tempos, apareceram comerciantes e artesãos, que ganharam sucessivamente uma certa independência, e a pouco e pouco concentraram a sua atividade, fazendo surgir as primeiras cidades, como é o caso de Hedeby, Ribe e Sigtuna. Igualmente entraram em cena, no fim deste período, os padres, acompanhando o processo de cristianização em curso.
São precisamente este dois grupos - comerciantes e padres, que mostram a direção em que evoluia a sociedade escandinava da era víquingue.[16]

A língua[editar | editar código-fonte]

Nas pedras rúnicas da época dos vikings, a língua utilizada nas áreas dinamarquesas, suecas e norueguesas, é o nórdico antigo. [17]
Como não há grandes diferenças linguísticas nas inscrições em caracteres rúnicos, parece que a língua falada diferia pouco dentro dessa área.[18]

A religião[editar | editar código-fonte]

Antes da chegada do cristianismo, os escandinavos adoravam os deuses asses.[19][20]
Odin era o deus principal. Ele tinha criado o mundo com os seus irmãos Vile e Ve, e dado a vida aos primeiros homens. [21]
Enquanto Odin era o favorito dos grupos dominantes, os deuses Thor e Frey eram particularmente populares entre os camponeses. Thor era o deus das curas nas doeças e Frey o deus da paz, das boas colheitas e dos casamentos felizes.[22]
Era uma religião com inúmeros deuses caprichosos e imprevisíveis, aos quais era necessário agradar e acalmar.[23]
Nas suas viagens à Europa, os vikings depararam-se com um novo deus - o Krist. A pouco e pouco, a nova divindade foi ganhando adeptos, em competição com os deuses tradicionais, e o cristianismo chegou à Escandinávia. A nova religião estava intimamente associada a uma nova cultura e a uma nova forma de vida. Ao mesmo tempo a era víquingue estava a chegar ao fim.[24][25]

A arte[editar | editar código-fonte]

A arte dos vikings aparece nos seus mitos, nos seus objetos do dia-a-dia e em algumas pedras rúnicas.
Dos artefactos práticos e belos, em madeira e em tecido, pouco resta. O que sobreviveu do trabalho de artesães anónimos, é sobretudo trabalhos em metal – fivelas, agulhas, pulseiras, colares, amuletos e armas ornamentadas.
O estilo viking é baseado em motivos da natureza, usando ornamentações complicadas, com espirais e formas entrelaçadas. [26]

As primeiras cidades[editar | editar código-fonte]

Na era dos vikings a população vivia espalhada pelo campo.
Duas das principais atividades económicas eram a agricultura e o comércio.
As "cidades" eram os pontos de encontro das pessoas que tinham algo para vender ou para comprar.
Entre as primeiras cidades conhecidas da Escandinávia estavam Ribe (na Jutlândia), Hedeby (entre a Alemanha e a Dinamarca), Kaupang na Noruega, Uppåkra na Escânia e Birka (no Vale do Mälaren). Mais tarde surgiram outra povoações, como Sigtuna, Skara e Visby.[27]

As viagens dos vikings[editar | editar código-fonte]

Costumam ser apontadas como causas da era dos vikings, a população ter aumentado consideravelmente, o clima ter piorado, e a técnica de construção dos navios vikings ter tido um desenvolvimento notável. [28]
Estas circunstâncias teriam levado os navegadores nórdicos a sair da Escandinávia, para explorar, saquear, conquistar e fazer comércio com a Europa, a Ásia, a África e a América atravessando mares e subindo rios.[29][30]

Os vikings no Oeste[editar | editar código-fonte]

Para oeste, os vikings da Dinamarca e do sul da Suécia (danos) fizeram incursões e acabaram por se estabelecer em várias partes da Europa - especialmente França e Ilhas Britânicas. Ao mesmo tempo, os vikings da Noruega aventuraram-se no Atlântico, descobrindo e colonizando a Islândia e a Groenlândia, e tendo mesmo chegado à América do Norte, onde tentaram fixar-se, embora sem sucesso. [31][32][33]

Os vikings no Leste[editar | editar código-fonte]

Para leste, os vikings da Svealand (sveas) e da Gotlândia (gotas), na Suécia, abriram rotas comerciais ligando os países nórdicos ao Oriente, tendo estado nos Países Bálticos, na Rússia, no mar Negro, no Mar Cáspio, no Império Bizantino e no Califado Islâmico. Fundaram feitorias comerciais em Novgorod e Kiev. [34]
A sua presença está igualmente referida na Anatólia, onde eram designados de varegues (varjager). [35][36]

Fim da era dos vikings[editar | editar código-fonte]

A era dos vikings acabou quando o cristianismo e a civilização europeia chegaram à Escandinávia. [37]
Com o aparecimento e consolidação dos reinos da Dinamarca, Noruega e Suécia, as expedições militares reais substituiram as expedições de pirataria dos grandes senhores locais. [38]
Na mesma altura, as rotas comerciais do Mediterrâneo foram reabertas devido às Cruzadas, e o comércio na Europa do Norte perdeu importância, tendo os alemães suplantado os comerciantes da Suécia e da ilha da Gotlândia. [39][40]
Com o desaparecimento desta importante base da sua riqueza económica, os Países Nórdicos passaram a estar na periferia do comércio internacional. [41]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Henrikson, Alf; Björn Berg (1963). «Vikingatiden». Svensk historia (em sueco) (Estocolmo: Bonnier). p. 51. ISBN 91-0-055344-1. 
  2. «Vikingatiden». Bonniers Compact Lexikon (em sueco) (Estocolmo: Bonnier lexikon). 1995-1996. p. 1189. ISBN 91-632-0067-8. 
  3. «Vikingatiden» (em sueco). Enciclopédia Nacional Sueca. Consultado em 19 de abril de 2014. 
  4. Forte, Oram & Pedersen 2005, p. 2.
  5. Melin, Jan; Johansson, Alf; Hedenborg, Susanna (2006-09). «Vikingatiden». Sveriges historia. Koncentrerad uppslagsbok, fakta, årtal, kartor, tabeller (em sueco) (Estocolmo: Prisma). p. 30-45. ISBN 9789151846668. 
  6. HARRISON, Dick; Kristina Svensson (2007). «Prolog». Vikingaliv (em sueco) (Estocolmo: Natur och Kultur). p. 9. ISBN 9789127357259. 
  7. «Sverige då!» (em sueco). Consultado em 30 de abril de 2014. 
  8. Else Christensen & Henrik Elling. «Bonden var den verklige vikingen» (em sueco). Värlens Historia. Consultado em 30 de abril de 2014. 
  9. Else Christensen & Henrik Elling. «Vikingarna dog unga» (em sueco). Värlens Historia. Consultado em 30 de abril de 2014. 
  10. «Handel I vikingetid» (PDF) (em dinamarquês). Consultado em 30 de abril de 2014. 
  11. Harrison, Dick (2002). «Från förhistoria till historia (-1060-talet)». Sveriges historia medeltiden (em sueco) (Estocolmo: Liber). p. 16. ISBN 91-47-05115-9. 
  12. «Vad vet du om vikingar?» (em sueco). Svenskt Militärhistoriskt Bibliotek. Consultado em 30 de abril de 2014. 
  13. HJARDAR, Kim; Vegard Vike (2012). Vikingar i krig (em sueco) (Estocolmo: Bonnier Fakta). p. 397. ISBN 9789174242706. 
  14. «Vikingatiden - Hur levde vikingarna?» (em sueco). Prezi. Consultado em 28 de setembro de 2016. 
  15. Durand, Frédéric (1993). «Samhället och det dagliga livet». Vikingarna (em sueco) (Furulund: Alhambra). p. 81. ISBN 91-87680-47-5. 
  16. Gabrielsen, Karsten; Christian Thurban (2002). «Samhällets uppbyggnad». Vikingar. En översikt (em sueco) (Lund: Historiska Media). p. 34. ISBN 91-89442-53-9. 
  17. Rafael Semêdo. «O que é Nórdico Antigo». Nórdico Antigo. Consultado em 4 de maio de 2014. 
  18. JANSON, Tore (2013). «Efter germanskt språk». Germanerna. Myten – Historien - Språken (em sueco) (Estocolmo: Norstedts). p. 211-212. ISBN 9789113032863. 
  19. «Kristendomen tar över» (em sueco). Vikingar. Consultado em 4 de maio de 2014. 
  20. «Världsbilden» (em sueco). Vikingar. Consultado em 4 de maio de 2014. 
  21. «Oden» (em sueco). Vikingar. Consultado em 4 de maio de 2014. 
  22. Henrikson, Alf; Björn Berg (1963). «Frej ätt». Svensk historia (em sueco) (Estocolmo: Bonnier). p. 38. ISBN 91-0-055344-1. 
  23. Gabrielsen, Karsten; Christian Thurban (2002). «De nordiska gudarna och kulten kring dem». Vikingar. En översikt (em sueco) (Lund: Historiska Media). p. 52-53. ISBN 91-89442-53-9. 
  24. «Vikingatiden» (em sueco). SO-rummet. Consultado em 7 de outubro de 2016. 
  25. Thor-Leif Strindberg. «Vite Krist» (em sueco). Bibelfrågan. Consultado em 19 de outubro de 2016. 
  26. «Vikingarnas konst» (em sueco). Historiebloggen. Consultado em 24 de janeiro de 2016. 
  27. «De första städerna» (em sueco). Vikingar. Consultado em 16 de junho de 2014. 
  28. HARRISON, Dick (2003). «Vikingarna». Europa i världen. Medeltiden (em sueco) (Estocolmo: Liber). p. 134. ISBN 91-47-05187-6. 
  29. «Vikingatiden» (em sueco). Enciclopédia Nacional Sueca. Consultado em 19 de abril de 2014. 
  30. Melin, Jan; Johansson, Alf; Hedenborg, Susanna (2006-09). «Vikingatiden». Sveriges historia. Koncentrerad uppslagsbok, fakta, årtal, kartor, tabeller (em sueco) (Estocolmo: Prisma). p. 30. ISBN 9789151846668. 
  31. «Vikingatiden» (em sueco). Enciclopédia Nacional Sueca. Consultado em 19 de abril de 2014. 
  32. «Vinland» (em sueco). Enciclopédia Nacional Sueca. Consultado em 19 de abril de 2014. 
  33. Melin, Jan; Johansson, Alf; Hedenborg, Susanna (2006-09). «Vikingatiden». Sveriges historia. Koncentrerad uppslagsbok, fakta, årtal, kartor, tabeller (em sueco) (Estocolmo: Prisma). p. 32-33. ISBN 9789151846668. 
  34. HARRISON, Dick (2003). «Vikingarna». Europa i världen. Medeltiden (em sueco) (Estocolmo: Liber). p. 136-137. ISBN 91-47-05187-6. 
  35. Terry MacKinnell, The Dawning, p.189, Xlibris Corporation, 2011
  36. «Vikingatiden» (em sueco). Enciclopédia Nacional Sueca. Consultado em 19 de abril de 2014. 
  37. «Vikingatiden» (em sueco). SO-rummet. Consultado em 30 de abril de 2014. 
  38. HARRISON, Dick (2003). «Vikingarna». Europa i världen. Medeltiden (em sueco) (Estocolmo: Liber). p. 137. ISBN 91-47-05187-6. 
  39. HARRISON, Dick (2003). «Vikingarna». Europa i världen. Medeltiden (em sueco) (Estocolmo: Liber). p. 137. ISBN 91-47-05187-6. 
  40. Melin, Jan; Johansson, Alf; Hedenborg, Susanna (2006-09). «Vikingatiden». Sveriges historia. Koncentrerad uppslagsbok, fakta, årtal, kartor, tabeller (em sueco) (Estocolmo: Prisma). p. 32. ISBN 9789151846668. 
  41. Melin, Jan; Johansson, Alf; Hedenborg, Susanna (2006-09). «Vikingatiden». Sveriges historia. Koncentrerad uppslagsbok, fakta, årtal, kartor, tabeller (em sueco) (Estocolmo: Prisma). p. 32. ISBN 9789151846668. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Carey, Brian Todd. “Technical marvels, Viking longships sailed seas and rivers, or served as floating battlefields”, Military History 19, nº6 (2003): 70-72.
  • Downham, Clare. Viking Kings of Britain and Ireland: The Dynasty of Ívarr to A.D. 1014. Edimburgo: Dunedin Academic Press, 2007
  • Forte, Angelo; Oram, Richard e Pedersen, Frederik (2005). Viking Empires Cambridge University Press [S.l.] ISBN 0-521-82992-5. 
  • Henry, Françoise. Irish Art in the Early Christian Period. Londres: Methuen & Co. Ltd., 1940
  • Hudson, Benjamin. Viking Pirates and Christian Princes: Dynasty, Religion, and Empire in North America. Oxford: Oxford University Press, 2005 ISBN 0-19-516237-4.
  • Jones, Gwyn (1968). A History of the Vikings Oxford University Press [S.l.] OCLC 581030305. 
  • Logan, F. Donald The Vikings in History. Londres: Hutchison & Co. 1983) ISBN 0-415-08396-6.
  • Maier, Bernhard. The Celts: A history from earliest times to the present. Notre Dame, Indiana: University of Notre Dame Press, 2003.
  • Melin, Jan; Johansson, Alf; Hedenborg, Susanna (2006-09). «Vikingatiden». Sveriges historia. Koncentrerad uppslagsbok, fakta, årtal, kartor, tabeller (em sueco) (Estocolmo: Prisma). p. 30-45. ISBN 9789151846668. 
  • Henrikson, Alf; Björn Berg (1963). «Vikingatiden». Svensk historia (em sueco) (Estocolmo: Bonnier). p. 51. ISBN 91-0-055344-1. 
  • HARRISON, Dick; Kristina Svensson (2007). Vikingaliv (em sueco) (Estocolmo: Natur och Kultur). p. 383. ISBN 9789127357259. 
  • HARRISON, Dick (2003). «Vikingarna». Europa i världen. Medeltiden (em sueco) (Estocolmo: Liber). p. 134-138. ISBN 91-47-05187-6. 
  • BOJS, Karin; Stefan Rothmaier (2015). «Är jag viking?». Min europeiska familj. De senaste 54 000 åren (em sueco) (Estocolmo: Albert Bonniers Förlag). p. 375-399. ISBN 9789100139117. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Era viking


Precedido por
Era de Vendel
Era viking
800 - 1050
Sucedido por
Idade Média


Ícone de esboço Este artigo sobre História ou um(a) historiador(a) é um esboço relacionado ao Projeto História. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.