Messier 87

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Messier 87
O núcleo galático de Messier 87 pelo Telescópio Espacial Hubble, com o jato azul de plasma visível
Dados observacionais (J2000)
Constelação Virgem
Tipo E+0-1 pec, NLRG Sy[1]
Asc. reta 12h 30m 49.42338s[2]
Declinação +12° 23′ 28.0439″[2]
Distância 53,5 ± 1,63 milhões de anos-luz[3] (16,40 ± 0,50 Mpc[3])
Redshift 0,00428[4]
Magnit. apar. 7,19[5]
Outras denominações
Mapa
Messier 87
Virgo constellation map.png

Messier 87 (M87; também chamada de Virgo A ou NGC 4486) é uma galáxia elíptica supergigante localizada na constelação de Virgem, uma das mais massivas do Universo local. Ela possui uma grande população de aglomerados globulares e um distinto jato de plasma energético que se origina em seu núcleo e estende-se por pelo menos 4,9 mil anos-luz, viajando em uma velocidade relativista. Messier 87 também é um dos pontos de rádio mais brilhantes no céu e um alvo popular para astrônomos.

Foi descoberta em 1781 pelo astrônomo francês Charles Messier, sendo inicialmente catalogada por ele como um elemento nebuloso durante uma procura por objetos que poderiam confundir caçadores de cometas. Messier 87 está a uma distância de 53 milhões de anos-luz da Terra e é a segunda galáxia mais brilhante na região norte do Aglomerado de Virgem, possuindo muitas galáxias satélite. Ela não possui nenhuma pista de poeira e tem um formato elipsoidal praticamente sem traços distintos, com a luminosidade diminuindo a medida que a distância de seu centro aumenta. Aproximadamente um sexto de sua massa consiste de estrelas em uma distribuição quase esfericamente simétrica. Sua densidade populacional diminui quanto mais longe do centro galático. No seu núcleo há um buraco negro supermassivo que forma o principal componente de seu núcleo ativo.

Messier 87 é uma grande fonte de radiação de comprimento de onda, particularmente de ondas de rádios. Seu envelope galático se estende até um raio de aproximadamente 490 mil anos-luz, onde fica truncado, possivelmente devido ao encontro com outra galáxia. Seu meio interestelar consiste de gases difusos enriquecidos por elementos emitidos por estrelas evoluídas.

Observações[editar | editar código-fonte]

O astrônomo francês Charles Messier publicou em 1781 um catálogo de 103 objetos estelares que tinham uma aparência nebulosa, parte de uma lista que tinha a intenção de identificar objetos que poderiam ser confundidos por cometas. Cada entrada do catálogo posteriormente recebeu o prefixo "Messier" ou "M". Assim, Messier 87, ou M87, foi o octogésimo sétimo objeto listado em seu catálogo, avistado pela primeira vez em 18 de março de 1781.[7] O objeto foi incluído na década de 1880 como NGC 4486 no New General Catalogue, um catálogo de nebulosas e aglomerados estelares compilado pelo astrônomo dinamarquês-britânico John Dreyer, que se baseou principalmente nas observações do astrônomo britânico John Herschel.[8]

O astrônomo norte-americano Heber Doust Curtis do Observatório Lick na Califórnia percebeu em 1918 que Messier 87 não possuía uma estrutura espiral e observou um "curioso raio reto... aparentemente conectado com o núcleo por uma fina linha de matéria". Curtis também notou que o raio parecia ser mais brilhante perto da área central do objeto.[9] Uma supernova dentro da galáxia alcançou sua magnitude fotográfica máxima de 21,5 no ano seguinte, porém este evento só foi relatado em 1922 depois do astrônomo soviético Innokentii Balanowski ter examinado as placas fotográficas.[10][11]

Características[editar | editar código-fonte]

É um dos objetos mais notáveis do céu. É a galáxia dominante do aglomerado de Virgem, o maior grande grupo galáctico próximo da Terra, situado a uma distância de cerca de 60 milhões de anos-luz. M87 representa o centro do aglomerado, próximo das galáxias Messier 84 e Messier 86.[12]

Seu diâmetro aparente de 7 minutos de grau corresponde a um diâmetro, em seu semi-eixo maior, de 120 000 anos-luz, pouco maior do que a Via-Láctea. Em astrofotografias de céu profundo de longa exposição, o diâmetro aparente da galáxia alcança 30 minutos de grau, quase o diâmetro aparente da Lua Cheia, correspondendo a um diâmetro real de mais de 500 000 anos-luz. Contudo, M87 é uma galáxia elíptica e ocupa um volume muito maior do que a Via-Láctea, uma galáxia espiral barrada e, portanto, contém muito mais estrelas e massa, calculada em 2,1 x 1012 (trilhões) de massas solares, de acordo com John C. Brandt e Robert G. Roosen. Também é extremamente luminosa, tendo sua magnitude absoluta em -22.[12]

Em astrofotografias, M87 está próxima de várias outras galáxias menores, algumas de fato galáxias satélites e outras sendo apenas conjunções. As mais brilhantes dessas galáxias são NGC 4476, NGC 4478, NGC 4486A e NGC 4486B.[12]

É a galáxia com o maior número de aglomerados globulares conhecidos, mais de 13 000 segundo William E. Harris, duas ordens de magnitude a mais do que o número de aglomerados da Via-Láctea, estimada entre 150 e 200.[12]

Dentre suas características mais notáveis destaca-se um jato gigantesco de matéria que sai de seu núcleo, descoberta por Heber D. Curtis em 1918 no observatório Lick. Estende-se por mais de 8 000 anos-luz, consistida de gás ejetado de seu núcleo galáctico, emitindo uma radiação fortemente polarizada, semelhantemente à radiação síncronton, contínua na maior parte do espectro eletromagnético e azulada em fotografias de curta exposição. O gás do jato está em extrema turbulência e viaja a uma velocidade muito próxima à da luz e seus detalhes podem ser resolvidos com grandes telescópios em pontos e nuvens, de acordo com Halton Arp e Jean Lorre. Um segundo jato foi descoberto por Arp em 1966, apontando no sentido oposto, muito menos luminoso.[12]

Também é uma forte fonte de rádio, a mais brilhante na constelação de Virgem, de acordo com Walter Baade e Rudolph Minkowski. Em seu torno existe um halo perceptível em rádio, segundo John E. Baldwin e Francis Graham-Smith. A galáxia também é uma fonte de raios-X e o ponto de emissão situa-se na periferia da galáxia, em uma nuvem estelar extremamente quente.[12]

Seu núcleo galáctico é muito ativo e de acordo com investigações realizadas com o Telescópio Espacial Hubble, há evidências da existência de um buraco negro supermassivo com cerca de 2 a 3 bilhões de massas solares, concentrada em uma região de apenas 60 anos-luz do centro da galáxia. Em torno do objeto, há um disco de acreção em rápida rotação. Apenas uma supernova foi descoberta em M87, a SN 1919A, descoberta três anos após a explosão, em 1922, por I. Balanowski, que estimou sua magnitude aparente máxima em 11,5.[12]

Componentes[editar | editar código-fonte]

Buraco negro[editar | editar código-fonte]

No dia 10 de abril de 2019, o buraco negro supermassivo de M87 foi o primeiro a ter uma imagem real divulgada na história. O ESO junto a um grupo de observatórios de rádio publicou os resultados de uma observação feita a partir de 9 radiotelescópios ao redor do mundo que juntos criaram um telescópio virtual com aproximadamente o diâmetro da terra. As Imagens registradas em ondas de rádio em 2017 demoram cerca de 2 anos para serem renderizadas e revelaram o horizonte de eventos e o disco de acreção ao redor do buraco negro, sua massa então foi estimada em 6,5 bilhões de vezes a do sol.[13]

Referências

  1. a b «Results for object Messier 087». NASA/IPAC Extragalactic Database. Instituto de Tecnologia da Califórnia. Consultado em 26 de abril de 2019 
  2. a b Lambert, S. B.; Gontier, A. M. (janeiro de 2009). «On radio source selection to define a stable celestial frame». Astronomy & Astrophysics. 493 (1): 317–323. doi:10.1051/0004-6361:200810582 
  3. a b Bird, S.; Harris, W. E.; Blakeslee, J. P.; Flynn, C. (dezembro de 2010). «The inner halo of M87: a first direct view of the red-giant population». Astronomy & Astrophysics. 524: A71. doi:10.1051/0004-6361/201014876 
  4. Cappellari, Michele; et al. (11 de maio de 2011). «The ATLAS3D project - I. A volume-limited sample of 260 nearby early-type galaxies: science goals and selection criteria». Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. 413 (2): 813–836. doi:10.1111/j.1365-2966.2010.18174.x 
  5. Ferrarese, L.; et al. (junho de 2006). «The ACS Virgo Cluster Survey. VI. Isophotal Analysis and the Structure of Early-Type Galaxies». The Astrophysical Journal Supplement Series. 164 (2): 334–434. doi:10.1086/501350 
  6. Turland, B. D. (fevereiro de 1975). «Observations of M87 at 5 GHz with the 5-km telescope». Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. 170 (2): 281–294. doi:10.1093/mnras/170.2.281 
  7. Basu, B.; Chattopadhyay, T.; Biswas, S. N. (2010). An Introduction to Astrophysics 2ª ed. Nova Deli: PHI Learning Pvt. Ltd. p. 278. ISBN 978-81-203-4071-8 
  8. Dreyer, John (1888). «A New General Catalogue of Nebulae and Clusters of Stars, being the Catalogue of the late Sir John F.W. Herschel, Bart., revised, corrected, and enlarged». Memoirs of the Royal Astronomical Society. 49: 1–237. Bibcode:1888MmRAS..49....1D 
  9. Curtis, Heber Doust (1918). «Descriptions of 762 Nebulae and Clusters Photographed with the Crossley Reflector». Publications of the Lick Observatory. 13: 9–42. Bibcode:1918PLicO..13....9C 
  10. Hubble, Edwin (outubro de 1923). «Messier 87 and Belanowsky's Nova». Publications of the Astronomical Society of the Pacific. 35 (207): 261–263. doi:10.1086/123332 
  11. Shklovskii, I. S. (agosto de 1980). «Supernovae in Multiple Systems». Soviet Astronomy. 24: 387–389. Bibcode:1980SvA....24..387S 
  12. a b c d e f g Hartmut Frommert e Christine Kronberg (21 de agosto de 2007). «Messier Object 87» (em inglês). SEDS. Consultado em 12 de abril de 2019 
  13. information@eso.org. «Astronomers Capture First Image of a Black Hole - ESO, ALMA, and APEX contribute to paradigm-shifting observations of the gargantuan black hole at the heart of the galaxy Messier 87». www.eso.org (em inglês). Consultado em 10 de abril de 2019