Messier 87

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Messier 87
Messier 87, Telescópio Espacial Hubble
Descoberto por Charles Messier
Data de descoberta 18 de março de 1781
Dados observacionais (J2000)
Constelação Virgo
Tipo E+0-1 pec, NLRG Sy

[1]

Asc. reta 12h 30m 49.42338s[2]
Declinação +12° 23′ 28.0439″[2]
Distância 53,5 ± 1,63 milhões de anos-luz
(15,9 ± 1,0 Mpc)[1] (16,4 ± 0,50 milhões de parsecs)
Redshift 0,004360 ± 0,000022
(1254 ± 7 km/s)[1]
Magnit. apar. 9,59[1]
Dimensões 8.3 × 6.6 minutos de arco[1]
Características físicas
Magnit. abs. -22
Outras denominações
Virgo A, Virgo X-1, NGC 4486, UGC 7654, PGC 41316, VCC 1316, Arp 152, 3C 274,[1] 3U 1228+12.[3]
Mapa
Messier 87
Virgo constellation map.png

Messier 87 (também conhecida por Virgo A ou NGC 4486, geralmente abreviada por M87) é uma galáxia elíptica supergigante na constelação de Virgem. Como uma das galáxias mais massivas do Universo local, possui uma grande população de aglomerados globulares — por volta de 12 mil, comparando-se com os 150 a 200 que orbitam a Via Láctea — e também possui a um jato de plasma energético que se origina no seu núcleo e se estende ao menos por 1 500 parsecs (4 900 anos-luz), viajando a velocidades relativísticas. É uma das mais brilhantes fontes de rádio no céu e um alvo popular de observação tanto para astrônomos amadores quanto para profissionais.

O astrônomo francês Charles Messier descobriu M87 em 1781, e a catalogou como um fenômeno nebuloso enquanto procurava por objetos que poderiam confundir caçadores de cometas. M87 está a aproximadamente 16,4 milhões de parsecs (53 milhões de anos-luz) da Terra e é a segunda galáxia mais brilhante ao norte do Aglomerado de Virgem, possuindo muitas galáxias satélite. Diferentemente de galáxias espirais, em forma de disco, a galáxia M87 não possui nenhuma faixa de poeira distinguível. Ao invés disso, ela possui uma forma elipsoidal típica da maioria das galáxias elípticas gigantes, em que a luminosidade diminui ao se afastar do centro. Compondo por volta de um sexto de sua massa, as estrelas de M87 estão distribuídas de forma quase esfericamente simétrica. A densidade populacional delas diminui conforme a distância ao centro aumenta. A galáxia possui um buraco negro supermassivo ativo em seu núcleo, que forma a principal componente de um núcleo galáctico ativo. O buraco negro foi fotografado em 2017 pelo Event Horizon Telescope, sendo que, após o devido processamento, a imagem final foi lançada ao público em 10 de abril de 2019.

A galáxia é uma forte fonte de radiação em muitos comprimentos de onda, particularmente em ondas de rádio.

Histórico de observações[editar | editar código-fonte]

A galáxia elíptica foi descoberta pelo astrônomo francês Charles Messier em 18 de março de 1781, quando observava nebulosas na direção da constelação de Virgem. Na mesma noite, Messier catalogou outras sete galáxias do aglomerado de Virgem, além do aglomerado globular M92.[4] No mesmo ano, o astrônomo publicou um catálogo de 103 objetos que possuíam uma aparência nebulosa como parte de uma lista cuja intenção era identificar objetos que poderiam ser confundidos com cometas. Com o subsequente uso, cada objeto no catálogo foi prefixado por um "M". Portanto, M87 indica que o objeto, hoje entendido como uma galáxia, era o octogésimo sétimo na listagem do catálogo Messier. Durante os anos 1880, o objeto foi nomeado NGC 4486 ao ser incluído no New General Catalogue (Novo Catálogo Geral, em português) de nebulosas e aglomerados estelares compilado pelo astrônomo dinamarco-irlandês John Dreyer, que se baseou principalmente nas observações do astrônomo inglês John Herschel.

Em 1918, o astrônomo estadunidense Heber Curtis do Observatório Lick notou a falta de uma estrutura espiral em M87 e observou um "curioso raio em linha reta... aparentemente conectado com o núcleo por uma fina linha de matéria." Tal raio observado era mais brilhante próximo ao centro galáctico. No ano seguinte, uma supernova dentro de M87 alcançou um pico de magnitude fotográfica de 21,5, apesar de esse evento não ser reportado até a análise das placas fotográficas pelo astrônomo russo Innokentii A. Balanowski, em 1922.

Características[editar | editar código-fonte]

É um dos objetos mais notáveis do céu. É a galáxia dominante do aglomerado de Virgem, o maior grande grupo galáctico próximo da Terra, situado a uma distância de cerca de 60 milhões de anos-luz. M87 representa o centro do aglomerado, próximo das galáxias Messier 84 e Messier 86.[4]

Seu diâmetro aparente de 7 minutos de grau corresponde a um diâmetro, em seu semi-eixo maior, de 120 000 anos-luz, pouco maior do que a Via-Láctea. Em astrofotografias de céu profundo de longa exposição, o diâmetro aparente da galáxia alcança 30 minutos de grau, quase o diâmetro aparente da Lua Cheia, correspondendo a um diâmetro real de mais de 500 000 anos-luz. Contudo, M87 é uma galáxia elíptica e ocupa um volume muito maior do que a Via-Láctea, uma galáxia espiral barrada e, portanto, contém muito mais estrelas e massa, calculada em 2,1 x 1012 (trilhões) de massas solares, de acordo com John C. Brandt e Robert G. Roosen. Também é extremamente luminosa, tendo sua magnitude absoluta em -22.[4]

Em astrofotografias, M87 está próxima de várias outras galáxias menores, algumas de fato galáxias satélites e outras sendo apenas conjunções. As mais brilhantes dessas galáxias são NGC 4476, NGC 4478, NGC 4486A e NGC 4486B.[4]

É a galáxia com o maior número de aglomerados globulares conhecidos, mais de 13 000 segundo William E. Harris, duas ordens de magnitude a mais do que o número de aglomerados da Via-Láctea, estimada entre 150 e 200.[4]

Dentre suas características mais notáveis destaca-se um jato gigantesco de matéria que sai de seu núcleo, descoberta por Heber D. Curtis em 1918 no observatório Lick. Estende-se por mais de 8 000 anos-luz, consistida de gás ejetado de seu núcleo galáctico, emitindo uma radiação fortemente polarizada, semelhantemente à radiação síncronton, contínua na maior parte do espectro eletromagnético e azulada em fotografias de curta exposição. O gás do jato está em extrema turbulência e viaja a uma velocidade muito próxima à da luz e seus detalhes podem ser resolvidos com grandes telescópios em pontos e nuvens, de acordo com Halton Arp e Jean Lorre. Um segundo jato foi descoberto por Arp em 1966, apontando no sentido oposto, muito menos luminoso.[4]

Também é uma forte fonte de rádio, a mais brilhante na constelação de Virgem, de acordo com Walter Baade e Rudolph Minkowski. Em seu torno existe um halo perceptível em rádio, segundo John E. Baldwin e Francis Graham-Smith. A galáxia também é uma fonte de raios-X e o ponto de emissão situa-se na periferia da galáxia, em uma nuvem estelar extremamente quente.[4]

Seu núcleo galáctico é muito ativo e de acordo com investigações realizadas com o Telescópio Espacial Hubble, há evidências da existência de um buraco negro supermassivo com cerca de 2 a 3 bilhões de massas solares, concentrada em uma região de apenas 60 anos-luz do centro da galáxia. Em torno do objeto, há um disco de acreção em rápida rotação. Apenas uma supernova foi descoberta em M87, a SN 1919A, descoberta três anos após a explosão, em 1922, por I. Balanowski, que estimou sua magnitude aparente máxima em 11,5.[4]

Buraco negro[editar | editar código-fonte]

No dia 10 de abril de 2019, o buraco negro supermassivo de M87 foi o primeiro a ter uma imagem real divulgada na história. O ESO junto a um grupo de observatórios de rádio publicou os resultados de uma observação feita a partir de 9 radiotelescópios ao redor do mundo que juntos criaram um telescópio virtual com aproximadamente o diâmetro da terra. As Imagens registradas em ondas de rádio em 2017 demoram cerca de 2 anos para serem renderizadas e revelaram o horizonte de eventos e o disco de acreção ao redor do buraco negro, sua massa então foi estimada em 6,5 bilhões de vezes a do sol.[5]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f «Results for NGC 4486». NASA/IPAC Extragalactic Database. California Institute of Technology. Consultado em 22 de outubro de 2006  Select the "By Name" cell, then enter "NGC 4486" in the "Object Name:" field of the query form.
  2. a b Lambert, S. B.; Gontier, A.-M. (2009). «On radio source selection to define a stable celestial frame». Astronomy and Astrophysics. 493 (1): 317–323. Bibcode:2009A&A...493..317L. doi:10.1051/0004-6361:200810582 
  3. Turland, B. D. (1975). «Observations of M87 at 5 GHz with the 5-km telescope». Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. 170: 281–294. Bibcode:1975MNRAS.170..281T 
  4. a b c d e f g h Hartmut Frommert e Christine Kronberg (21 de agosto de 2007). «Messier Object 87» (em inglês). SEDS. Consultado em 12 de abril de 2019 
  5. information@eso.org. «Astronomers Capture First Image of a Black Hole - ESO, ALMA, and APEX contribute to paradigm-shifting observations of the gargantuan black hole at the heart of the galaxy Messier 87». www.eso.org (em inglês). Consultado em 10 de abril de 2019 
Science.jpg    NGC 4484  •  NGC 4485  •  NGC 4486  •  NGC 4487  •  NGC 4488