Nadejda Krupskaia

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Nadejda Konstantinovna Krupskaia
Nascimento 26 de março de 1869
São Petersburgo, Império Russo
Morte 27 de fevereiro de 1939 (69 anos)
Moscou, União Soviética
Nacionalidade russa
Cônjuge Lenin
Ocupação bibliotecária, escritora, professora e política
Prémios

Nadejda Konstantinovna Krupskaia, em russo Наде́жда Константи́новна Кру́пская (São Petersburgo, 26 de fevereiro de 1869Moscou, 27 de fevereiro de 1939),[1] foi uma revolucionária bolchevique e pedagoga russa , casada com o líder revolucionário Vladimir Lênin em 1898. Após a Revolução de 1917, participou do governo e teve importante papel na luta contra o analfabetismo na Rússia. Suas concepções sobre educação teriam grande influência no estabelecimento de novos métodos e práticas de ensino na URSS. Foi também uma das organizadoras do sistema bibliotecário soviético.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filha de um oficial das Forças Armadas do Império Russo, Nadejda nasceu em São Petersburgo, em 1869. Foi obrigada a interromper seus estudos aos 14 anos, após a morte do pai. Mais tarde, entre 1889 e 1890, retomaria, estudando pedagogia numa escola superior feminina. Adepta dos ideais de Tolstoi, Krupskaia lecionou, de 1891 a 1896 em uma escola dominical noturna frequentada por trabalhadores.

Descobriu o marxismo e começa a participar dos círculos de discussão clandestinos sobre o assunto, onde conhece Lênin em 1894.[2] Lenin e Nadežda passam a se frequentar habitualmente e, em 1895, ambos estariam entre os fundadores da organização social-democrata União de Luta pela Emancipação da Classe Operária. Em dezembro de 1895, Lênin é preso. Pouco depois, é a vez de Krupskaia, que é detida durante as greves de 1896, sendo posteriormente condenada a seis meses de cadeia e três anos de deportação na Sibéria , onde já estava Lênin. Lá, os dois se casam em 10 de julho de 1898. Em 1901, o casal emigra para Munique e, depois, para Londres. Voltam à Rússia, onde permanecem de 1905 a 1908. Segue-se um novo exílio.[3]

Vida política[editar | editar código-fonte]

Krupskaia torna-se uma das maiores colaboradoras de Lênin, dedicando-se particularmente ao estudo de problemas pedagógicos e à formulação de um projeto de organização do ensino realmente formador, no contexto de um hipotético Estado proletário.[4] Entre maio e junho de 1917, o Pravda publicou alguns artigos escritos por Krupskaia, como: "Sobre o Papel e a Importância da União da Juventude", "Luta pela Juventude Operária", "Resposta à Juventude de Moscou" e "Como deve Organizar-se a Juventude".[5]

Após a vitória dos bolcheviques em 1917, Nadežda, apesar de ser a companheira de Lênin, não ocupou nem reivindicou uma posição de primeiro plano na recém república soviética. No entanto, integrou o Comissariado do Povo de Instrução Pública, onde colaborou com Anatóli Lunatcharski para definir as bases de um novo sistema educacional. Segundo Krupskaia, era preciso destruir a antiga escola e criar uma outra, que fosse capaz de responder às exigências do sistema socialista nascente, com a unificação do sistema de ensino e a gestão centralizada, assegurando-se a continuidade do ensino básico ao superior e estabelecimentos gratuitos, abertos à totalidade da população. Mas o primeiro passo seria a erradicação do analfabetismo.[5]

Em 1919, um decreto governamental determinou esforços para a eliminação do analfabetismo entre os cidadãos de 8 a 50 anos. Em 1920, foi criada a Comissão Extraordinária para a Eliminação do Analfabetismo, encarregada de coordenar os esforços de todas as organizações de alfabetização da Rússia. Jovens estudantes, professores e intelectuais se associaram num esforço nacional, cujo lema era: "Que aquele que sabe ler e escrever ensine àquele que não sabe". Entre 1920 e 1940, cerca de 60 milhões de adultos foram alfabetizados, enquanto a quase totalidade dos jovens foi escolarizada.[4][2]

Vencido o primeiro passo na educação de adultos, ainda havia muito a fazer.

Assim, defendia o estudo das ciências naturais - visando permitir uma compreensão materialista dos fenômenos naturais e o uso racional das forças da natureza - e das ciências sociais - para compreender as relações de classes e as formas do desenvolvimento social. Defendia, assim, um ensino de caráter generalista, orientado para uma concepção científica do mundo.[6] Suas ideias sobre o ensino politécnico - ligando a teoria à prática, a escola à vida - sobre a iniciação profissional, a autogestão na escola, a estreita ligação entre a família e a coletividade, assim como sua análise crítica da pedagogia tradicional, tanto da Rússia como de outros países, são até hoje reconhecidas como uma contribuição fundamental para o desenvolvimento da pedagogia na URSS.[4][6]

Apesar de alguns afirmarem que Krupskaia teria feito oposição ao regime Stalinista, não existem evidencias que corroborem para a veracidade dessa afirmação. Pelo contrario, existem escritos onde a mesma manifesta seu apoio a Stalin. Krupskaia condena Trotskistas e Zinovievistas em um artigo escrito por ela chamado "Porque é que a II Internacional defende Trotsky" está presente o seguinte trecho:

E no mesmo artigo deixa claro seu apoio a Stalin:

Foi coordenadora do "Glavpoliprosvet", o Comitê Principal para Educação Política.[2]

Morte[editar | editar código-fonte]

Nadejda morreu em 27 de fevereiro de 1939, em Moscou, aos 70 anos de idade. Ela foi sepultada na Necrópole da Muralha do Kremlin. Após a sua morte, foram realizadas homenagens fúnebres em toda a União Soviética[5].

Referências

  1. McNeal, 13.
  2. a b c McNeal, Robert Hatch (1973). Bride of the Revolution: Krupskaya and Lenin. [S.l.]: Gollancz. ISBN 0-472-61600-5 
  3. a b c Nadejda Krupskaia, ed. (15 de agosto de 2012). «Porque é que a II Internacional Defende Trotsky». Marxists. Consultado em 17 de outubro de 2016 
  4. a b c Mikhaïl S. Skatkine e Georgy S. Tsovianov (ed.). «Nadejda Kroupskaia (1869-1939)» (PDF). UNESCO. Consultado em 26 de fevereiro de 2020 
  5. a b c «Figuras da Classe Operária: Nadezhda Krupskaia». A Nova Democracia. Consultado em 26 de fevereiro de 2020 
  6. a b c ANA MARIA MUÑOZ-MUÑOZ (ed.). «Nadezhda Konstantinovna Krupskaia: Feminista e Bibliotecária». Revista Movimento. Consultado em 26 de fevereiro de 2020 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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