Retornados

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Antigas províncias ultramarinas portuguesas.

Retornados é a designação dada aos cidadãos portugueses que, entre 1974 e 1976, após a independência das colónias em África (Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e, em especial, Angola e Moçambique) mudaram-se para Portugal.[1][2] Apesar de a designação retornados evocar regresso, deve ser notado que muitos retornados nasceram ou viviam desde tenra idade nas antigas colónias portuguesas.

Muitos portugueses regressaram de barco, trazendo milhares de caixotes que ficavam espalhados pela cidade de Lisboa, no Porto de Alcânatara. As pessoas ficavam albergadas em pensões e hotéis pagos pelo Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais, no Inatel da Costa da Caparica ou na cadeia do Forte de Peniche[3].

Outros usos[editar | editar código-fonte]

Também são chamados retornados os tabom, que são os escravos libertos no Brasil (afro-brasileiros) retornados ao Gana, em África em 1835-36. E os amarôs ou agudás que são os afro-brasileiros retornados ao Benim, Togo e Nigéria.[4]

Foi uma palavra muitas vezes utilizada com sentido pejorativo.[5]

Influência[editar | editar código-fonte]

Cinema[editar | editar código-fonte]

Os retornados das colónias portuguesas africanas foram objeto de um tratamento nos seguintes filmes:

e nos documentários:

  • Adeus, até ao Meu Regresso (1974);
  • O Fim do Colonialismo (1976);
  • Retornados - Instrumentos e Vítimas (1981);
  • Retornados ou os Restos do Império (2002).

Literatura[editar | editar código-fonte]

Apesar de prevalecer a ideia do vazio editorial sobre a questão dos retornados, existem diversos livros relevantes:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Quem eram os "retornados"?». Ensina RTP. Rádio e Televisão de Portugal. Consultado em 4 de outubro de 2016. 
  2. Matos, Helena (20 de agosto de 2014). «Os retornados começaram a chegar há 40 anos». Observador 
  3. «"As histórias de crimes do colonialismo neste século estão largamente por contar", entrevista a Fernando Rosas | BUALA». www.buala.org. Consultado em 29 de maio de 2018. 
  4. «Os Retornados». Cartas d'África. Ministério das Relações Exteriores. Consultado em 4 de outubro de 2016.. Cópia arquivada em 4 de janeiro de 2011 
  5. Caetano, Maria João (4 de novembro de 2015). «Retornar, ou seja, tornar vivas as memórias que temos de África». Diário de Notícias. A antropóloga Elsa Peralta, comissária da exposição, explica que "a palavra retornado foi usada como alcunha, como ofensa, era um termo pejorativo. 
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