Surto de febre amarela em 2017 no Brasil

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Editado pela última vez em 24 de março de 2017.
Surto de febre amarela em 2017 no Brasil
YellowFeverVirus.jpg
Micrografia MET do vírus da febre amarela (ampliado 234000x).
Local Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro[1][2]
Doença Vírus da febre amarela
Casos 1558 casos suspeitos[1]424 casos confirmados[1][2]
201 casos descartados[1][2]
Mortes 137 mortes confirmadas em pessoas[1][2] e mais de 1100 mortes suspeitas em macacos.[3]

O surto de febre amarela em 2017 no Brasil iniciou-se em janeiro de 2017 no estado de Minas Gerais e confirmaram-se mortes de pessoas ligadas ao vírus em 80 municípios dos quatro estados da Região Sudeste.[1]

Casos de febre amarela[editar | editar código-fonte]

Em humanos[editar | editar código-fonte]

Até 16 de março de 2017, o número de casos suspeitos do surto chegou a 1558 em todo o Brasil com 137 mortes confirmadas,[1][2] sendo o maior índice no estado de Minas Gerais, com 325 casos confirmados em 49 municípios e 110 óbitos.[1] No Espírito Santo registrou 102 casos confirmados e 31 mortes.[4] Outros casos de mortes confirmadas pelo vírus ocorreram em São Paulo e Rio de Janeiro.[1][2] No Rio de Janeiro, a primeira morte por febre amarela foi confirmada pelo Ministério da Saúde no dia 15 de março no município de Casimiro de Abreu.[5] Os estados da Bahia, Tocantins e Rio Grande do Norte possuem casos em investigação ainda sem confirmação. As suspeitas em Goiás, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Pará e Distrito Federal foram descartadas.[1][2] Esse é o maior número de casos desde que começaram os registros há 37 anos, informou o Ministério da Saúde.[6]

Após o início do surto, em 13 de janeiro de 2017, o governo de Minas Gerais decretou situação de emergência em saúde pública por 180 dias nas áreas do estado onde há surto da doença. O decreto contempla 152 cidades no entorno de Coronel Fabriciano, Governador Valadares, na Região Leste, Manhumirim, na Zona da Mata, e Teófilo Otoni, no Vale do Jequitinhonha e Mucuri.[7] No mesmo dia, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, anunciou o repasse de 26 milhões de reais para ações de enfrentamento à febre amarela no estado.[8]

O Ministério da Saúde relaciona baixa cobertura vacinal em Minas Gerais em 2016 ao surto atual de febre amarela. Dos 533 municípios com recomendação para a vacina 47,4% tinham menos de 50% de cobertura vacinal em 2016, onde a meta é imunizar 95% dos moradores.[9]

Em macacos[editar | editar código-fonte]

No Espírito Santo, 54 macacos foram encontrados mortos, com suspeita de febre amarela.[10] Esse número posteriormente subiu para 80 mortes, nas regiões Sul e Noroeste do estado,[11] e em seguida chegou a 400 mortes suspeitas pelo vírus.[12] Na cidade capixaba de Domingos Martins foram 210 mortes de macacos com cinco confirmações de febre amarela até 3 de março.[13] Segundo pesquisadores, a febre amarela já provocou a morte de mais 1100 macacos em todo o Espírito Santo. Os bugios, que estão ameaçados de extinção, são os mais afetados. Estudiosos acreditam que serão necessários 30 anos para recuperar a população desse animal.[3]

Em Minas já são 144 municípios com algum tipo de notificação de morte de primatas,[14] e em 101 dessas cidades a morte dos macacos foi confirmada por febre amarela.[15] Na cidade do Rio de Janeiro, cinco macacos foram achados mortos com suspeita de febre amarela.[16] São Paulo confirma seis casos de mortes de macacos pelo vírus na região de Campinas.[17]

Vacinação[editar | editar código-fonte]

O Ministério da Saúde recomenda a vacinação contra a febre amarela permanentemente no Distrito Federal e mais 18 estados brasileiros, incluindo Minas Gerais. Locais onde a transmissão é considerada possível, principalmente para indivíduos não vacinados e que se expõem em áreas de mata, onde o vírus ocorre naturalmente. O Espírito Santo, Rio de Janeiro e parte da Bahia são áreas de recomendação temporária para vacinação.[18]

Após comprovação da morte de um macaco na capital Vitória por febre amarela, todos os 78 municípios do Espírito Santo deverão ser vacinados cautelarmente. A Secretaria de Estado de Saúde informou que depois do Carnaval chegariam mais um milhão de doses da vacina para imunizar os moradores dos 18 municípios que não faziam parte da zona de risco, aproximadamente 3,69 milhões de pessoas devem receber a vacina.[19] Até 15 de março, 60,1% da população do estado já foram imunizadas contra o vírus da febre amarela segundo a Secretaria Estadual da Saúde, o que significa 2,15 milhões de pessoas. Para que haja um bloqueio eficaz, a vacinação deve alcançar pelo menos 80% da população.[20]

Em Belo Horizonte é confirmada a segunda morte de macaco por febre amarela na capital mineira em 6 de março. Assim a prefeitura intensificou a vacinação contra a doença na cidade. Até 6 de março, quase 481 mil pessoas foram imunizadas em Belo Horizonte no ano. Em 2016, 140 mil pessoas foram vacinadas na capital.[21]

No Rio de Janeiro, todos os 92 municípios vão vacinar a população por ser vizinho de três estados com casos confirmados da doença. A estratégia de vacinação como medida preventiva já vinha sendo adotada em 30 municípios localizados nas divisas com Minas Gerais e Espírito Santo.[22]

Em 6 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou que o Espírito Santo é considerado área de risco para febre amarela. Por isso, a recomendação é de que todos os viajantes internacionais se vacinem contra a doença antes de visitarem qualquer localidade do estado.[23] Posteriormente, a OMS também recomendou em a vacinação nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo com exceção para as áreas urbanas das cidades do Rio de Janeiro, Niterói, São Paulo e Campinas.[24]

Demissão do jornalista Caio Barbosa[editar | editar código-fonte]

Em 16 de março de 2017 o jornalista Caio Barbosa escreveu uma matéria para o jornal O Dia relatando filas, falta de informações e confusões nos postos de saúde do Rio de Janeiro.[25][26]

No dia 18 de março o jornal retirou a matéria do ar e demitiu o jornalista, segundo este afirmando haver se tratado de pedido do prefeito Marcelo Crivella.[26][27][28] O prefeito em nota negou o envolvimento com a demissão do jornalista.[28][29]

O jornal também afirmou que o prefeito não participou da decisão de demissão do jornalista Caio Barbosa e afirmou haver um processo reestruturação de pessoal.[30][28] Não explicou, porém as alterações promovidas na matéria,[31] inclusive com alteração da foto ilustrando um posto de saúde do município de Macaé.[28][29]

Ciclos da doença[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Febre amarela

A febre amarela atinge humanos e macacos. A doença é causada por um vírus da família Flaviviridae.[32] Segundo Débora Moura, responsável técnica pela área de imunizações e imunopreveníveis da SMS de Aracaju, existem dois tipos de febre amarela: a urbana e a silvestre. A urbana desde 1942 não ocorre no Brasil, enquanto a silvestre é encontrada através do vírus amarílico nos macacos que vivem nas matas, quando o mosquito dos gêneros Haemagogus ou Sabethes que só vive na floresta — pica o macaco e depois pica o homem que está na mata. Esse homem vem para a cidade e é picado pelo Aedes aegypti, que se infecta e passa a transmitir às pessoas. “É este o ciclo que deve estar ocorrendo em Minas Gerais, as pessoas entraram na mata sem se vacinar”, supôs a técnica.[33]

Referências

  1. a b c d e f g h i j «Número de casos confirmados de febre amarela passa de 400 no Brasil». G1. Globo.com. 16 de março de 2017. Consultado em 20 de março de 2017 
  2. a b c d e f g «Ministério da Saúde atualiza casos notificados de febre amarela no país». Porta da Saúde, Ministério da Saúde. 21 de fevereiro de 2017. Consultado em 26 de fevereiro de 2017. Cópia arquivada em 26 de fevereiro de 2017 
  3. a b «Febre amarela mata mais de 1 mil macacos após surto no ES». G1. Globo.com. 20 de março de 2017. Consultado em 20 de março de 2017 
  4. «ES tem 31 mortes por febre amarela confirmadas, diz Sesa». G1. Globo.com. 21 de março de 2017. Consultado em 21 de março de 2017 
  5. «RJ confirma dois casos de febre amarela no estado, com 1 morte». G1. Globo.com. 15 de março de 2017. Consultado em 16 de março de 2017 
  6. Karina Wenzell (8 de fevereiro de 2017). «Febre amarela: o que você precisa saber sobre a doença». clicrbs. Consultado em 9 de fevereiro de 2017 
  7. «Governo de Minas decreta situação de emergência em áreas com surto de febre amarela». G1. Globo.com. Consultado em 14 de janeiro de 2017 
  8. Léo Rodrigues. «Governo de Minas anuncia R$ 26 milhões para combate à febre amarela». Uol. Consultado em 14 de janeiro de 2017 
  9. «Ministério relaciona baixa cobertura vacinal em 2016 ao surto atual de febre amarelaa». G1. Globo.com. 6 de março de 2017. Consultado em 8 de março de 2017 
  10. Manoela Albuquerque. «ES tem 54 macacos mortos com suspeita de febre amarela». G1. Globo.com. Consultado em 14 de janeiro de 2016 
  11. Beatriz Caliman, Brunela Alves e Katilaine Chagas. «Febre amarela é investigada em morte de 80 macacos no ES». G1. Globo.com. Consultado em 14 de janeiro de 2017 
  12. «Macacos morrem na floresta do ES: suspeita de febre amarela». Fantástico. Globo.com. 29 de janeiro de 2017. Consultado em 1 de fevereiro de 2017 
  13. «Mais de 200 macacos mortos já foram recolhidos em Domingos Martins, ES». G1. Globo.com. 3 de março de 2017. Consultado em 3 de março de 2017 
  14. Valquiria Lopes. «Morte de macacos com suspeita de febre amarela espalha alerta no mapa de Minas». Estado de Minas. Consultado em 9 de fevereiro de 2017 
  15. «Mais de 300 casos de febre amarela são confirmados em MG, diz governo». G1. Globo.com. 14 de março de 2017. Consultado em 16 de março de 2017 
  16. «FioCruz analisa exames para confirmar mortes de macacos por febre amarela no Rio». G1. Globo.com. 16 de março de 2017. Consultado em 16 de março de 2017 
  17. «Estado confirma 6 mortes de macacos por febre amarela na região de Campinas». G1. Globo.com. 23 de março de 2017. Consultado em 24 de março de 2017 
  18. «Orientações quanto à vacinação contra a febre amarela». Porta da Saúde, Ministério da Saúde. Consultado em 11 de março de 2017 
  19. «Vacinação contra febre amarela será para todos na Grande Vitória». G1. Globo.com. 24 de janeiro de 2017. Consultado em 24 de janeiro de 2017 
  20. «Vacinação no ES chega a 60%, diz Secretaria de Saúde». G1. Globo.com. 16 de março de 2017. Consultado em 16 de março de 2017 
  21. «Segunda morte de macaco por febre amarela é confirmada em Belo Horizonte, diz secretaria». G1. Globo.com. 6 de março de 2017. Consultado em 8 de março de 2017 
  22. «RJ vai vacinar a população em todo o estado contra a febre amarela». G1. Globo.com. 11 de março de 2017. Consultado em 11 de março de 2017 
  23. «OMS considera todo o ES como área de risco para febre amarela». G1. Globo.com. 8 de março de 2017. Consultado em 11 de março de 2017 
  24. «OMS recomenda vacina contra febre amarela para áreas dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo». G1. Globo.com. 20 de março de 2017. Consultado em 22 de março de 2017 
  25. «Febre amarela: População critica filas e falta de informações em postos - Rio - O Dia». 16 de março de 2017. Consultado em 23 de março de 2017 
  26. a b «Crivella manda e O Dia demite jornalista». Portal Fórum. 20 de março de 2017. Consultado em 23 de março de 2017 
  27. «Jornalista do Rio é demitido por ordem de Crivella, diz colunista». Notícias ao Minuto. 19 de março de 2017 
  28. a b c d «Crivella é acusado de pedir demissão de repórter - Portal Comunique-se». Portal Comunique-se 
  29. a b CeciliaOlliveira. «Marcelo Crivella pede demissão de jornalista: um grave atentado à democracia e à liberdade de imprensa». The Intercept. Consultado em 23 de março de 2017 
  30. «O DIA realiza reestruturação em busca de maior eficiência». O Dia. 19 de março de 2017 
  31. «Procura por vacinas contra a febre amarela provoca filas nos postos de saúde». O Dia. 17 de março de 2017 
  32. «Minas tem 101 mortes por febre amarela e BH confirma doença em segundo macaco». Agência Brasil. EBC. Consultado em 8 de março de 2017 
  33. «Unidades de saúde ofertam vacina contra febre amarela na capital». G1. Globo.com. Consultado em 9 de fevereiro de 2017