A Doutrina Secreta

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Helena Petrovna Blavatsky, autora do livro

A Doutrina Secreta, Síntese da Ciência, Religião e Filosofia (título original: The Secret Doctrine, The Synthesis of Science, Religion, and Philosophy) é uma das principais obras de Helena Petrovna Blavatsky. O livro pretende ser uma coletânea de pensamento científico, filosófico e religioso.1

A obra original foi publicada em 1888 e é composta de dois volumes. O volume I é dedicado à cosmogénese, e é basicamente composto sobre estudos relativos à evolução do universo, enquanto o volume II é dedicado à antropogênese, a origem e evolução da humanidade. Os dois volumes apresentam um resumo das idéias da Teosofia, movimento que Blavatsky ajudou a fundar. Um terceiro volume foi publicado pela Sociedade Teosófica após o falecimento de Blavatsky. Ele é composto de uma coletânea de vários artigos de Blavatsky.

Edição em português[editar | editar código-fonte]

Em português, a obra teve sua primeira edição em 1973, e foi publicada pela Editora Pensamento (Brasil) em seis volumes, com tradução de Raymundo Mendes Sobral. Os títulos dos seis volumes da edição em português são:

  • Volume I - Cosmogênese
  • Volume II - Simbolismo Arcaico Universal
  • Volume III - Antropogênese
  • Volume IV - O Simbolismo Arcaico das Religiões do Mundo e da Ciência
  • Volume V - Ciência, Religião e Filosofia
  • Volume VI - Objeto dos Mistérios e Prática da Filosofia Oculta

Os volumes I e II correspondem ao primeiro volume da edição original em inglês e os Volumes III e IV correspondem ao segundo volume da edição original. Os Volumes V e VI correspondem ao volume póstumo publicado pela Sociedade Teosófica.

Como a obra foi escrita[editar | editar código-fonte]

Blavatsky alegava que não era a autora do livro, mas que este teria sido escrito pelos Mahatmas, a exemplo de Djwal Khull, 2 Kut Humi e Morya, utilizando o seu corpo físico, em um processo denominado Tulku, que, segundo a autora, não era um processo mediúnico.

Em janeiro de 1884 foi publicado no "The Theosophist" (periódico oficial da Sociedade Teosófica) a notícia de que Blavatsky iria escrever uma obra que ampliaria as informações contidas em sua grande obra anterior, Ísis Sem Véu. O trabalho de escrita foi desenvolvido entre os anos de 1884 e 1885. No início de 1886, em carta a Alfred Sinnett, Blavatsky dizia que a obra seria ampliada em relação ao plano inicial, o que implicou a reescrita de alguns dos seus capítulos.

Em setembro de 1886, remeteu da Europa para a Índia o que seria o volume I, mas resolveu reescrevê-lo logo em seguida, com acréscimos e alterações.

Em 1887, Blavatsky esteve bastante doente, à beira da morte. Recebeu, então, a visita de um de seus instrutores tibetanos que lhe deu, segundo ela, a seguinte opção: ou morrer, libertando-me (do corpo doente), ou continuar viva para terminar A Doutrina Secreta. Recuperou-se e continuou a escrever a obra.

Na primavera de 1887, passou a residir em Londres, onde concluiu a obra, que foi publicada simultaneamente em Londres e Nova Iorque, no final do mês de outubro de 1888. As palavras finais de Blavatsky sobre a obra foram: esta obra é dedicada a todos os verdadeiros teosofistas.

Influências e idéias fundamentais[editar | editar código-fonte]

Blavatsky alegava que a obra era baseada em pergaminhos antigos (as Estâncias de Dzyan), a que teria tido acesso e estudado. Segundo Blavatsky, as "Estâncias de Dzyan" seriam um manuscrito arcaico, escrito em uma coleção de folhas de palma, resistentes à água, ao fogo e ao ar, devido a um processo de fabrico desconhecido, e que conteriam registros de toda a evolução da humanidade, em uma língua desconhecida pelos filólogos denominada Senzar. Foram feitas várias tentativas, sem sucesso, de descobrir este manuscrito, durante o século XX. Assim, permanece sem resposta se estes manuscritos realmente existiram ou não.

As "Estâncias de Dzyan", segundo Blavatsky, estão relacionadas com o "Livro dos Preceitos de Ouro" e com os "livros de Kiu-te", que são uma série de tratados do budismo esotérico.

Outros textos usados como referência por Blavatsky são os Livros Mosaicos, os textos sagrados hindus (como os Vedas, Brahmanas, Upanishads, e Puranas) e arianos (como o Vendidad), e a cabala caldéia e judaica. Blavatsky também foi influenciada pela mitologia antiga.

A Doutrina Secreta pretende ser uma síntese do pensamento científico, metafísico e religioso, contendo um conhecimento esotérico e secreto das religiões de mistérios e dos sábios de antigas civilizações, como Índia, Tibete e China.

Para Blavatsky, existiu uma Religião-Verdade, que é a raiz de todas as religiões e mitos da humanidade. Todas as religiões autênticas atuais contêm ecos desta religião original da humanidade.

A Doutrina Secreta apresenta três proposições fundamentais:

  • A existência de um Princípio Onipresente (a Seidade Una, Absoluto ou Raiz Sem Raiz), eterno, sem limites, imutável e incognoscível, pois sua compreensão escapa à capacidade da inteligência humana, e que permanece não-manifestado;
  • A eternidade do universo (e portanto a eternidade da matéria), que passa por ciclos de atividade e inatividade que se repetem em sucessão sem início nem fim;
  • A identidade de todas as almas com a alma universal, sendo esta última um aspecto da raiz desconhecida.

Resumo da obra[editar | editar código-fonte]

Cosmogênese[editar | editar código-fonte]

A cosmogênese descreve a origem do cosmo, e de tudo que existe nele, a partir do Princípio Uno, e a sua posterior evolução.

Segundo Blavatsky, o Princípio Uno (a Seidade Una ou Absoluto) é idêntico ao conceito de Parabrahman dos vedantinos (assim como esta palavra, muitas expressões no livro aparecem escritas em sânscrito) e ao Ain Soph dos cabalistas. A Seidade Una é, ao mesmo tempo, Existência Absoluta e Não-Existência Absoluta. A única percepção que nossa limitada consciência pode ter do Princípio Uno é entendê-lo como sendo o Espaço Absoluto Abstrato.

Importante observar que, para Blavatsky, este Princípio Uno não é o Deus criador das religiões monoteístas, pois sendo Absoluto e Não-Manifestado não pode criar. De acordo com o livro, o Deus "criador" é um coletivo de seres intra-cósmicos, emanados do Princípio Uno, que trabalhou sobre a matéria, ordenando-a. Blavatsky chama os seres divinos desta hierarquia de Dhyan-Chohans. Segundo ela, estes seres são chamados no livro do Gênesis e na cabala judaica de Elohim.

Segundo a autora, a existência e evolução do Universo e dos planetas é uma alternância de períodos de atividade e inatividade, que ela chama de "Dias e Noites de Brahman".

No livro, a cosmogênese é descrita iniciando com a emanação de um Princípio da Seidade Una. Este Princípio, que Blavatsky chama de Brahman, diferencia-se em duas Forças opostas, Masculino-Feminino, Positivo-Negativo, que ela chama de Brahmâ. Esta Potência é a força "criadora" que, no início de um período de atividade (chamado por Blavatsky de manvantárico), acorda o universo e inicia um novo ciclo.

Segundo a cosmogênese apresentada no livro, dois elementos inseparáveis formam o universo: a Ideação Cósmica e a Substância Primordial (chamada por Blavatsky de Mulaprakriti e, segundo ela, referenciada no livro do Gênesis como sendo o "Caos primordial"). Uma, positiva e ativa, a outra, negativa e passiva. A ideação pré-cósmica é a raiz de toda a consciência individual, e a substância pré-cósmica é o substrato da matéria em seus vários graus de manifestação.

Esta cosmogênese é descrita por Blavatsky como uma "fertilização imaculada" da natureza primordial pelo Espírito Universal. Ela descreve geometricamente isto por meio de um ponto inscrito em um círculo (formando, segundo ela, a década pitagórica, o ponto representando o "1" e o círculo o "0"), e diz que "O Uno é um círculo não interrompido (anel) e sem circunferência, porque não está em parte alguma e está em toda a parte; o Uno é o plano sem limites do círculo, que manifesta um diâmetro somente durante os períodos manvantáricos; o Uno é o ponto indivisível, que não está situado em parte alguma, e percebido em toda parte durante aqueles períodos." (A Doutrina Secreta).

Uma força importante na formação do universo é Fohat, o "incessante poder formador e destruidor". Durante um período de inatividade do universo, no imanifestado antes da formação do cosmos objetivo, Fohat permanece latente e coeterno com Parabrahman e Mulaprakriti. Ele é o aglutinador de ambos, que liga e separa, sendo assim o desejo criador. No período de atividade, de manifestação do universo, Fohat torna-se o raio divino da criação que aplica a Ideação Cósmica no seio da Substância Primordial.

Interessante observar que a descrição feita por Blavatsky quanto à formação de estrelas e planetas por Fohat, no final do século XIX, é, por vezes, comparada à moderna teoria de formação das estrelas da astrofísica, confirmada cientificamente apenas no século XX, ainda que se assemelhe profundamente à teoria de Kant-Laplace, que já fora formulada na altura. Numa perspectiva teosófica, contudo, tanto a cosmogênese de Blavatsky quanto as teorias de Laplace, Pitágoras, Amônio Sacas e outras semelhantes, partilham a sua origem na tradição esotérica. Nas Estâncias de Dzyan diz-se que "[Fohat] Ao iniciar a sua obra, separa as Centelhas do Reino Inferior, que se agitam e vibram [tal como a energia de uma proto-estrela] de alegria em suas radiantes moradas, e com elas forma os Germes das Rodas [a proto-estrela e os proto-planetas]. Colocando-as nas seis Direções do Espaço, deixa uma no Centro: a Roda Central [a estrela que nasce]." (Stanza V,3) e "Ele [Fohat] as constrói [os sistemas planetários] à semelhança das Rodas mais antigas [com material resultante da morte de estrelas mais antigas] ... Ele junta a Poeira de Fogo [poeira cósmica]. Forma Esferas de Fogo [proto-estrelas], corre através delas e em seu derredor, insuflando-lhes vida e, em seguida, as põe em movimento [rotação]: umas nesta direção, outras naquela" (Stanza VI,4). Observe-se que as partes entre colchetes não fazem parte das Estâncias, mas são comentários introduzidos para mostrar a semelhança entre as duas teorias.

Ciclos e suas durações[editar | editar código-fonte]

No esquema apresentado no livro, toda a história da existência e evolução do universo e dos planetas desenvolve-se em ciclos ou períodos de tempo. Existem períodos de atividade e inatividade, chamados de Manvantaras e Pralayas, ou "Dias e Noites de Brahman". Os Manvantaras também são chamados de Kalpas.

Um período de 360 Dias e Noites de Brahman forma um "Ano de Brahman". Finalmente, 100 "Anos de Brahman" formam uma "Vida de Brahman", também chamada de Mahamanvantara (ou Mahâ Kalpa). A cada Mahamanvantara segue-se um período de igual duração em que o universo "dorme" até ser despertado no início de um novo ciclo. Este período de inatividade é chamado de Mahapralaya. Segundo o computo dos Brâmanes, um Mahamanvantara dura cerca de 311.040.000.000.000 de anos.

Cadeia planetária

Segundo "A Doutrina Secreta", todo corpo cósmico (planeta, estrela, cometa, etc.), é uma entidade formada por uma estrutura interna invisível e uma estrutura externa, freqüentemente visível, chamada veículo físico ou corpo. Estes elementos, em número de sete (doze, se incluirmos os planos não manifestados, Rupa-Dathu), são os princípios da entidade, que Blavatsky chama de Globos. A evolução em um corpo cósmico processa-se desde o primeiro Globo (Globo A), mais etéreo, descendo até o quarto Globo (Globo D), o mais denso de todos, e daí subindo até o sétimo (Globo G), novamente etéreo. Este ciclo que percorre os sete Globos é chamado de cadeia planetária.

A evolução da cadeia planetária é composta por períodos chamados de Rondas. Quando um Globo passa por sete Raças-raiz diz-se que ocorreu uma Ronda de Globo. Quando a evolução passa por todos os sete Globos (ou doze se incluirmos os Globos localizados em planos não manifestados) de uma cadeia planetária, diz-se que ocorreu uma Ronda planetária. Segundo Blavatsky, sete Rondas planetárias formam um Kalpa (ou Manvantara).

O livro ainda apresenta ciclos menores chamados de Yugas, que se sucedem na ordem: Krita Yuga; Tetrâ Yuga; Dvâpara Yuga; e Kali Yuga.

Um resumo dos diversos ciclos apresentados em "A Doutrina Secreta" foi publicado no "The Theosophist" em novembro de 1885 (e reproduzido no livro), e é mostrado na seguinte tabela:

Anos mortais
360 dias mortais fazem 1
O Krita Yuga contém 1 . 728 . 000
O Tetrâ Yuga 1 . 296 . 000
O Dvâpara Yuga 864 . 000
O Kali Yuga 432 . 000
A soma destes 4 Yugas constitui um Mahâ Yuga, com 4 . 320 . 000
Setenta e um Mahâ Yugas formam o período do reinado de um Manu 306 . 720 . 000
Os reinados de quatorze Manus compreendem a duração de 994 Mahâ Yugas, ou 4 . 294 . 080 . 000
Acrescentem-se os Sandhis, ou seja, os intervalos entre os reinados dos Manus, intervalos equivalentes a seis Mahâ Yugas, ou 25 . 920 . 000
O total dos reinados e interregnos dos quatorze Manus é de 1 . 000 Mahâ Yugas, perfazendo um Kalpa, isto é, um Dia de Brahman 4 . 320 . 000 . 000
Como uma Noite de Brahman tem igual duração, um Dia e uma Noite de Brahman contém 8 . 640 . 000 . 000
360 de tais Dias e Noites de Brahman constituem um Ano de Brahman, que se eleva a 3 . 110 . 400 . 000 . 000
100 destes Anos formam o período completo da Idade de Brahman, isto é, o Mahâ Kalpa 311 . 040 . 000 . 000 . 000

Antropogênese[editar | editar código-fonte]

A antropogênese descreve a origem e evolução da humanidade. Nela são descritas as diversas raças humanas (chamadas Raças-raiz) que já evoluíram neste planeta na atual Ronda.

Para Blavatsky, um mesmo elenco de almas evoluem no teatro da existência desde o início do Manvantara, até o seu final, quando então estas almas atingirão a perfeição espiritual. Assim, a Teosofia adota o conceito de transmigração das almas.

O livro afirma que evoluem em nosso Globo sete grupos humanos em sete regiões diferentes do Globo. Assim, Blavatsky defende uma origem poligenética do Homem.

A tese revolucionária de Blavatsky é, em uma época que não se supunha o Homem mais antigo que 100 mil anos, afirmar que o Homem físico tem mais de 18 milhões de anos de existência.

A antropogênese, descrita em "A Doutrina Secreta", opõe-se à evolução darwinista que era largamente aceita na época. Blavatsky não nega o mecanismo da evolução, mas não aceita que uma "força cega e sem objetivo" possa ter resultado no aparecimento do Homem. Para ela, a criação do Homem deu-se por meio de esforços conscientes de seres divinos, que ela chama de Dhyan-Chohans, que são a origem da Mônada que habita todo ser humano.

Blavatsky não nega que a evolução dos animais e do Homem estão relacionadas. No entanto, ela alega que os homens não são primatas, como afirma a teoria da evolução. Ao contrário, para Blavatsky, os primatas são descendentes de antigas raças humanas que se degeneraram, ou seja, os primatas descendem do homem.

Segundo o livro, a criação e evolução do Homem ocorre de forma semelhante à cosmogênese. Então, cada evento que ocorreu na cosmogênese tem seu equivalente na antropogênese. Assim, por exemplo, também o Homem é hermafrodita em seus primeiros estágios (como o Brahmâ Masculino-Feminino da cosmogênese), até que se divide em Macho e Fêmea no final da terceira Raça-raiz (Lemuriana) e início da quarta raça, que Blavatsky chamou de Atlante. Segundo a autora, este fato está relatado de forma alegórica no livro do Gênesis, quando ele relata o momento em que Deus retira a mulher da costela de Adão.

Como no caso da cadeia planetária, em que o ciclo de existência e evolução desce desde o primeiro Globo, mais etéreo, até o quarto Globo, o mais denso, para então retornar até o sétimo, novamente etéreo, também a evolução humana se processa em um ciclo que inicia com a primeira raça que era etérea, até a Lemuriana (a terceira raça), a primeira raça a possuir corpo físico, e então retornando até a sétima raça que será novamente etérea.

A criação do Homem é apresentada como uma "queda na matéria". Blavatsky inspira-se nos mitos de "rebelião nos céus" do Catolicismo e na mitologia grega, com Prometeu, que rouba o fogo de Vulcano para dar vida aos homens (que haviam sido criados por seu irmão Epimeteu, que não fora capaz de lhes dar a consciência) e é condenado por Zeus a ficar acorrentado no Cáucaso. Para Blavatsky, estes mitos são ecos de antigas tradições sobre a queda dos seres divinos na humanidade primitiva, para dar aos homens a alma imortal, a consciência divina.

Para Blavatsky, a criação do Homem é dual. Primeiro foram feitos seus princípios inferiores (pelos Elohim inferiores), depois lhe foi infundido o "sopro de vida", sua Alma Imortal, sua consciência.

Seres divinos mais avançados, chamados, no livro, de Kumaras, foram incumbidos com a tarefa de criar o Homem: no entanto, eles se negaram a fazê-lo pois, sendo demasiadamente espirituais, eram incapazes de criar o Homem físico. Assim, hierarquias de seres menos avançados (os Pitris lunares) criaram o Homem, emanando-o a partir de seu próprio corpo astral (que serviu como molde). Eram, contudo, incapazes de lhe dar sua Alma Imortal, a consciência. Então, os Kumaras, associando-se a estes seres humanos primitivos, forneceram o sopro divino (como no Gênesis, quando Deus coloca o sopro de vida no Adão "feito de barro"), a Alma Imortal do Homem. Acabaram condenados a ficar presos na matéria, como o Prometeu acorrentado no Cáucaso.

Ecos destes eventos aparecem de forma alegórica, segundo Blavatsky, no mito Católico da "rebelião nos céus" e na "expulsão dos anjos maus". Estes "anjos maus" ou "rebeldes" são aqueles que se recusaram a criar e foram "expulsos dos céus" e "lançados no abismo" (a matéria). Então, no dizer de Blavatsky, os deuses tornaram-se não-deuses, os suras tornaram-se asuras.

Os sete princípios do Homem[editar | editar código-fonte]

Um princípio, para a Teosofia, é um começo, um fundamento, uma fonte e uma essência de onde as coisas procedem. Princípios são assim as essências fundamentais das coisas. Estes princípios, tanto no Homem quanto na natureza, são teosoficamente enumerados como sete.

Segundo a Teosofia, o sete é o número fundamental da manifestação, frequentemente encontrado em diferentes cosmogonias, assim como nos dogmas de diversas religiões e na tradição de muitos povos antigos.

O Homem, assim como a natureza, é chamado de saptaparna (planta de sete folhas), simbolizado geometricamente por um triângulo sobre um quadrado. Nesta constituição setenária, podemos entender o Atman como a coroa que encima a constituição humana (a ponta superior do triângulo), fornecendo-lhe o seu espírito imortal.

Segundo Blavatsky, o Absoluto emana de si raios, que são chamados, no livro, de Mônadas ou Atman. Estas Mônadas são a Essência Imortal do Homem. Assim, a Essência que forma o Homem, o seu Espírito, é da mesma natureza do Absoluto, a Seidade Una.

O Atman, com o objetivo de individualizar-se, emana de si um princípio mais denso chamado Budhi. Esta díade Atman-Budhi reveste-se de princípios cada vez mais densos, e em número de sete:

  1. Sthula Sharira - O corpo físico, corpo denso;
  2. Linga Sharira - O corpo astral, duplo etérico;
  3. Prâna - O corpo vital;
  4. Kâma-Manas - Mente dominada pelo desejo.
  5. Manas - Nossa Alma Humana, tendo relação com Mahat, Mente Universal. É o elo entre a Díade Atman-Budhi e nossos princípios inferiores;
  6. Budhi - Nossa Alma Espiritual;
  7. Atman - Primeira irradiação de Atman ou Ovo Áurico. Puro Espírito, Monada, Essência Divina.

Para Blavatsky os homens das primeiras Raças não possuíam o corpo denso, apenas um corpo etéreo. A proposição revolucionária de Blavatsky é a formação do corpo denso a partir do molde astral.

Raças-raiz[editar | editar código-fonte]

Segundo a autora, os primeiros homens não possuíam um corpo denso. As primeiras raças tinham um corpo sutil, etéreo, imenso e ainda sem forma bem definida. À medida que avançou a evolução do Homem, o seu corpo tornou-se mais denso em uma sucessão de estágios, assumindo a forma que tem hoje.

Segundo a Doutrina Secreta, a evolução do Homem nesta Ronda é composta de sete Raças-raiz, cada uma delas composta de sete sub-raças, que são ramos derivados da Raça. Na atualidade estamos vivendo o período da Quinta Raça-raiz, a Raça Ariana.

É importante observar que o uso do termo "ariano" no livro não recebeu nenhuma influência das idéias racistas do nazismo. O livro foi escrito quase meio século antes do partido nazista ter sido fundado. Mas terá acontecido o contrário: o nazismo foi muito influenciado por ideias ocultistas, e Blavatsky era sobejamente conhecida entre os principais dirigentes nazis (o que não significa que as teorias de Blavatsky propusessem algo semelhante à acção do Partido Nazi - de facto, textos místicos, deste cariz, podem facilmente ser entendidos e interpretados para defender as doutrinas políticas mais contraditórias como acontece, por exemplo, com as escrituras consideradas "sagradas"). No contexto do livro, por ariano pode-se entender a formação do homem atual a partir do berço indiano (Aryavarta).

As cinco Raças-raiz apresentadas no livro que já evoluíram nesta Ronda são:

  1. "Nascidos por Si Mesmos" ou "Sem Mente" - Esta raça apareceu há 300 milhões de anos e viveu em um continente que Blavatsky chamou de "A Ilha Sagrada e Imperecível". Os homens desta raça (se é que podem ser chamados de "homens") eram imensos e não possuíam nem corpo físico (eram seres etéreos), nem mente. A reprodução ocorria por cissiparidade (algo semelhante ao que ocorre com as amebas). Como esta raça não era mortal, ela não desapareceu, apenas converteu-se na próxima, os "Nascidos do Suor";
  2. "Nascidos do Suor" ou "Sem Ossos" - Eles viveram em um continente chamado "Hiperbóreo". Nesta raça apareceu um rudimento de mente, no entanto, ainda não havia uma ponte entre espírito e matéria para a mentalidade. Ao final do seu período de evolução, esta raça converteu-se na seguinte, a "Nascidos do Ovo". As duas primeiras raças são chamadas de raças semidivinas;
  3. "Nascidos do Ovo" ou "Lemuriana" - Viveram em um continente chamado "Lemúria". Esta raça era inicialmente hermafrodita e reproduziam-se por meio de um ovo que se desprendia do corpo. Esta raça passou por grandes transformações durante o seu período evolutivo. Ao final do seu período, o Homem tornou-se mortal, consolidando-se o corpo físico e a reprodução sexuada como se conhece hoje (então esta raça desapareceu, convertendo-se na raça atlante);
  4. "Atlante" - Eles são os gigantes que viveram há 18 milhões de anos, em um continente chamado "Atlântida". São os primeiros que podemos chamar de "Homens". A raça atlante representou o ponto mediano da evolução nesta atual Ronda. A Atlântida, assim como os seus habitantes, foi destruída por um cataclismo. Os sobreviventes deste desastre fundaram a nova raça-raiz, a ariana;
  5. "Ariana" - Segundo Blavatsky, a raça Ariana, a atual raça-raiz, existe há aproximadamente 1 milhão de anos.

Respondendo por que não foram encontrados registros fósseis das raças anteriores à ariana, Blavatsky afirma que as primeiras raças eram etéreas, sem corpo denso que pudesse deixar fósseis. Quanto à raça atlante, disse que os fósseis estavam no fundo do oceano, à espera de serem encontrados.

Comentários sobre o livro[editar | editar código-fonte]

"A Doutrina Secreta" pretende apresentar assuntos da ciência e filosofia do final do século XIX e das religiões antigas e mitologia de uma forma sintética e unificada. O livro é a mais completa exposição das idéias da Teosofia.

O texto é de difícil leitura e compreensão pois usa intensamente expressões em sânscrito que não são familiares ao leitor ocidental médio. Já na época, Blavatsky deu início a uma obra cujo cunho seria facilitar a leitura de "A Doutrina Secreta" e de outras obras, o Glossário Teosófico, que não chegou a terminar nem ver editado.

Além disto, muitos aspectos do texto estão velados por um simbolismo não inteiramente explicado. Isto se deve, segundo Blavatsky, ao facto da humanidade não estar ainda totalmente preparada para conhecer certos ensinamentos que devem permanecer secretos.

Embora o livro não tenha feito muito sucesso na época de Blavatsky, tornou-se um livro popular e influente no século XX, tendo como leitores personalidades como Albert Einstein, Mahatma Gandhi, Thomas Edison, Bernard Shaw, Aldous Huxley, entre outros. O livro tem, até hoje, uma influência no pensamento ocidental ao difundir as idéias da filosofia e das religiões orientais, abrindo espaço para um encontro do ocidente com o oriente.

Há quem critique a obra, seja pelo fato de ter mais de cem anos (pelo que estaria desatualizada), seja pelo estilo velado (esotérico). Para os adeptos da Teosofia, muitos avanços da ciência se deram após os trabalhos de Blavastky. Segundo estes, os avanços que ocorreram no século XX na física de altas energias, na astronomia de espaço profundo, na química e na medicina foram apresentados, de uma perspectiva mística e não científica, primeiramente em "A Doutrina Secreta".

Mas a maior crítica ao livro e às idéias de Blavatsky é em relação a um moderado racismo, particularmente quando Blavatsky refere-se a alguns grupos étnicos, os aborígenes australianos, por exemplo, como "menos humanos que os arianos", já que os identifica como "mestiços atlanto-lemurianos". Com relação aos semitas, particularmente os árabes, diz que são "espiritualmente degenerados".

Muitas destas críticas têm sua origem no fato de Blavatsky ser considerada por muitos como uma autora polêmica, a ponto de seus detratores considerarem-na uma farsante.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Algumas outras obras importantes de H.P. Blavatsky[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. A DOUTRINA SECRETA
  2. Aun Weor, Samael - As Sete Palavras, pg.27