Francisco Macías Nguema

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Esta página ou se(c)ção não cita fontes fiáveis e independentes (desde janeiro de 2012). Por favor, adicione referências e insira-as no texto ou no rodapé, conforme o livro de estilo. Conteúdo sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros, acadêmico)Yahoo!Bing.
Francisco Macías Nguema
Presidente da Guiné Equatorial
Mandato 12 de Outubro de 1968 - 3 de Agosto 1979
Antecessor(a) Nenhum (governo colonial espanhol)
Sucessor(a) Teodoro Obiang Nguema Mbasogo
Vida
Nascimento 27 de maio de 1924
Nsegayong, Guiné Equatorial
Morte 29 de setembro de 1979 (55 anos)
Malabo, Bioko, Guiné Equatorial
Dados pessoais
Partido Partido Único Nacional de Trabajadores
Profissão político

Francisco Macías Nguema, cujo nome real era Mez-m Ngueme (Nsegayong (Rio Muni), 27 de maio de 1924 - Malabo, 29 de setembro de 1979) foi um político da Guiné Equatorial, primeiro presidente pós-colonial do país, de 1968 a 1979. Ideologicamente se autodenominava marxista, mesmo tendo alabó publicamente a figura de Adolf Hitler. O partido a frente do qual estava se chamava Partido Único Nacional de Trabajadores (P.U.N.T.).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Francisco Macías Nguema nasceu em 1924 em uma família pobre. Na década de 1940 se filiou ao Partido Socialista da Guiné. Foi nomeado prefeito de Mongomo pelas autoridades coloniais espanholas. Mais adiante foi membro do Parlamento territorial. Além destes e de outros cargos que ocupou na administração espanhola, se designou em 1964 vice-presidente do governo autônomo da Guiné Espanhola. Em 1965 entra para o Exército e alcança o posto de General de Brigada, comandando uns 8.000 soldados.

Desempenhou um papel importante na queda do governo, fundamentalmente a sua popularidade entre a população, que via nele o dirigente que podia tirá-los da miséria. Uma ampla coalizão eleitoral fez com que alcançasse a Presidência da nova República da Guiné Equatorial em outubro de 1968, com o apoio do governo espanhol do ditador Francisco Franco.

A pesar de que até 1972 não autoproclamou presidente vitalício do país, com direito a eleger a seu sucessor, sob sua ditadura nunca se celebraram eleições livres. Naquele ano, decidiu assumir, além da presidência vitalícia, os cargos de primeiro-ministro e de ministro do Exército, Justiça e Finanças. Durante sua presidência, a Guiné Equatorial recebeu o desafortunado apelido de Auschwitz africano, e se destacará pelas execuções políticas. O primeiro-ministro do período anterior à independência (governo autônomo), Bonifacio Ondó Edu, foi difamado, detido e executado no cárcere pouco depois da tomada do poder por parte de Macías. Outros funcionários, entre los que se encontrava o antigo vice-presidente, Edmundo Bossio, se suicidaram enquanto estavam detidos.

Reprimiu com grande dureza tanto a oposição conservadora como a de esquerdas, e se tornou bastante autoritário e duro na hora de impor as reformas que tinha em mente. As contínuas violações dos Direitos Humanos cometidas pelo regime de Macías provocaram o exílio para os países vizinhos (Camarões e Gabão) ou para a Europa (Espanha e França) de más de um terço da população total da Guiné Equatorial.

Todo o aparato repressivo do estado da Guiné Equatorial (exército e guarda presidencial) eram controlados de modo absoluto pela família e parentes de Francisco Macías e por outros membros de seu clã. O número de mortos sob a ditadura de Macías depende das fontes que se consultem, porém se estima entre 50.000 e 80.000, o, dito de outro modo, entre 1/6 e ¼ de uma população de umas 300.000 pessoas. Entre as muitas ações paranóicas do presidente há que assinalar a proibição do uso da palavra intelectual ou a destruição das embarcações (proibiu a pesca). "Africanizou" seu nome como Masie Nguema Biyogo Ñegue Ndong em 1976 depois de exigir o mesmo do resto da população. As condiciones chegaram a ser tão nefastas que até sua própria esposa fugiu do país. Macías desenvolveu um extremado culto da personalidade. Atribuiu a si títulos como o de "milagre único" e outros similares. Alguns crêem que até mesmo chegou a ser chamado de "imperador", ainda que não se confirme esta informação.

A 3 de agosto de 1979 seu sobrinho Teodoro Obiang Nguema Mbasogo organizou, com a ajuda de parte do exército, um golpe de estado que derrubou Francisco Macías. Este se refugiou em um bunker na selva, e ali destruiu as reservas de divisas do país (a divisa do momento era o ekwele-bikwele, que mantinha paridade com a peseta espanhola). O país teve que enfrentar por causa disso uma gravíssima crise monetária. Entretanto, Macías não conseguiu reunir em torno de si recursos necessários para opor-se a Obiang e foi capturado pelos rebeldes pouco tempo depois.

Seu sobrinho, Teodoro Obiang, que acabaria sendo por sua vez um novo ditador, o submeteu a um julgamento sumaríssimo diante de um Tribunal Militar, no qual Macías foi acusado, entre outras coisas, de genocídio, deportações em massa e apropriações indevidas. Foi condenado a morte em 29 de setembro de 1979 e fuzilado imediatamente. O temor que despertava entre os nativos era tal que nenhum soldado da Guiné Equatorial se atreveu a formar parte do pelotão de execução, por isto foram soldados marroquinos que dispararam. Macías, seguindo o modelo do ditador haitiano François Duvalier utilizava a magia para atemorizar a população.

Hoje em dia, Francisco Macías Nguema é considerado como um dos líderes más cleptocratas na história da África pós-colonial. Tem sido comparado a Pol Pot pela natureza violenta, imprevisível e anti-intelectual de ambos regimes.

Efeitos do governo de Macías[editar | editar código-fonte]

Durante seu mandato ocorreram:

  • a obrigação de chamar o presidente "Milagre Único da Guiné Equatorial".
  • a proibição de usar sapatos.
  • renomear todos os nomes com consonância espanhola.
  • o desmantelamento da ferrovia.
  • a supressão de hospitais e escolas.
  • a proibição para os habitantes de pescar na ilha.
  • a instalação de uma base secreta de submarinos russos em Luba (hoje desativada).
  • quase acabar com o cultivo do cacau, considerado anteriormente o melhor mundo.
Precedido por
governo colonial espanhol
presidente da Guiné Equatorial
1968 - 1979
Sucedido por
Teodoro Obiang Nguema Mbasogo