Gonçalo de Amarante

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Este artigo não cita fontes confiáveis e independentes. (desde julho de 2012). Por favor, adicione referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Conteúdo sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Beato/São Gonçalo do Amarante, O.P.
Estátua de São Gonçalo
Confessor
Nascimento 1187 em Arriconha (Tagilde, Vizela, Portugal)
Morte 10 de janeiro de 1262 em Amarante, Portugal
Veneração por Igreja Católica
Beatificação 16 de setembro de 1561
10 de julho de 1671 por Papa Júlio III
Papa Clemente X concedeu-lhe missa e ofícios próprios em Portugal e na Ordem dos Pregadores
Festa litúrgica 10 de janeiro
Atribuições hábito de frade dominicano
Padroeiro Amarante, Portugal; São Gonçalo do Amarante (Ceará) e São Gonçalo do Amarante (Rio Grande do Norte), no Brasil, Ibituruna
Polêmicas Não foi canonizado, mas é venerado como santo.
Gloriole.svg Portal dos Santos

Gonçalo de Amarante, O.P., também conhecido como São Gonçalo de Amarante, eclesiástico português considerado beato pela Igreja Católica, gozando de grande devoção popular (que o considera "santo"). Existem, em sua honra, as Festas de São Gonçalo. A forma correcta de o denominar é Beato Gonçalo de Amarante.

Origens[editar | editar código-fonte]

Nasceu Gonçalo de Amarante, da família dos Pereiras, no lugar de Arriconha, freguesia de Tagilde, próximo de Vizela, igualmente concelho de Vizela. Em Arriconha não falta, desde tempos imemoriais, a capela dedicada a São Gonçalo.

Os seus pais eram pessoas de nobre linhagem e deram ao seu filho uma esmerada educação cristã não só pela palavra como, sobretudo, pelos exemplos das suas virtudes cristãs.

O sacerdote[editar | editar código-fonte]

Atingido o uso da razão, foi confiado a um douto e virtuoso sacerdote sob cuja direcção iniciou os seus estudos. Chamava a atenção a sua modéstia, a candura, o esforço em se aperfeiçoar na prática da vida cristã e os progressos que ia fazendo nos estudos. Entre outros foram estes os motivos principais que moveram o arcebispo de Braga a admiti-lo, como seu familiar, e, sob os auspícios do prelado, cursou as disciplinas eclesiásticas, vindo a ser ordenado sacerdote e nomeado pároco da freguesia de São Paio (ou São Pelágio) de Riba-Vizela, apesar da sua humildade e resistência.

No desempenho do seu múnus pastoral começou a brilhar na prática das virtudes, sobressaindo no zelo apostólico, na castidade e na prática das obras de misericórdia para com os pobres, gastando a maior parte dos rendimentos da paróquia em aliviar as suas necessidades materiais, sem esquecer as necessidades espirituais do seu rebanho, prodigalizando a todos amor e consolação.

Alimentava, no seu coração, um desejo ardente de visitar os túmulos dos apóstolos São Pedro e São Paulo e os lugares santos da Palestina a fim de melhor viver as mistérios cristãos. Obtida a licença do seu bispo, deixou os seus paroquianos ao cuidado dum sobrinho sacerdote e peregrinou: primeiro, a Roma, donde passou a Jerusalém e demais terras da Palestina, onde se demorou catorze anos. Entretanto, começou a sentir certo remorso por tão longo abandono da sua paróquia, avivaram-se as saudades da pátria e dos seus filhos espirituais e veio-lhe, ao íntimo, o pressentimento dos males espirituais de que padeciam, provocados por tão longa ausência e possível falta de zelo de seu sobrinho. Foram motivos mais que suficientes para regressar, apesar dos inumeráveis incómodos e perigos que a viagem supunha.

Regressa da Terra Santa[editar | editar código-fonte]

O seu sobrinho, além de o não aceitar e não reconhecer como verdadeiro e legítimo pároco, escorraçou-o de casa e conseguiu, mediante documentos falsos, provar ao arcebispo D. Silvestre Godinho que Gonçalo morrera e ser nomeado pároco da freguesia.

Resignado com semelhante atitude, deixou S. Paio de Riba-Vizela e foi-se pregando o Evangelho por aquelas terras até à margem do Rio Tâmega, vindo a encontrar o lugar onde hoje é a cidade de Amarante, então sítio inculto e quase despovoado, mas apto para a vida eremítica. Construiu uma pequena ermida que dedicou a Nossa Senhora da Assunção, nela se recolheu, saindo, de vez em quando, a pregar nos arredores e consagrando o tempo que lhe sobrava à oração e à penitência.

Sentia, no entanto, necessidade de encontrar um caminho mais seguro em ordem a alcançar a glória eterna. Jejuou uma Quaresma inteira a pão e água e suplicou fervorosamente a Nossa Senhora lhe alcançasse do Senhor esta graça. Diz-se que a Virgem Maria lhe apareceu e lhe disse procurasse a ordem em que iniciavam o seu Ofício com a Saudação angélica ou Ave-Maria. Essa Ordem era a dos Pregadores ou Dominicanos.

Abraça a vida dominicana[editar | editar código-fonte]

Encaminhou-se para o Convento de Guimarães da Ordem dos Pregadores, recentemente fundado por São Pedro González Telmo, grande apóstolo da região de Entre Douro e Minho, o qual lhe deu o hábito e, uma vez feito o noviciado, ao modo daquele tempo, o admitiu à profissão religiosa e, depois de algum tempo lhe deu licença para, com um outro religioso, voltar para o seu eremitério de Amarante, continuando a sua vida evangélica e caritativa.

Com o seu ministério operou muitas conversões, levou o povo à prática duma autêntica vida cristã, sem esquecer de os promover socialmente em muitos aspectos. Sobressai neste particular a construção de uma ponte em granito sobre o rio Tâmega, angariando pessoalmente donativos em terras circunvizinhas e levando os moradores mais abastados a darem ajuda vultosa para assim pagarem aos operários.

O povo atribui-lhe muitos milagres, mesmo de ordem material, desde o começo até terminar a construção da referida ponte.

Concluída a ponte, S. Gonçalo viveu ainda alguns anos dedicado à pregação e à vida de oração, enriquecendo-se de virtudes e merecimentos. Reza a tradição que Nossa Senhora lhe revelou o dia da sua santa morte para a qual se preparou com a recepção dos Sacramentos da Igreja. Descansou santamente no Senhor, a 10 de Janeiro de 1262. O seu venerado corpo, após a celebração das solenes exéquias por sua alma, foi sepultado na referida ermida, continuando a efectuar-se muitos milagres, atribuídos à sua intercessão.

Mais tarde, a ermida primitiva construída por São Gonçalo foi ampliada em igreja. Sobre esta, em 1540, D. João III mandou erguer o sumptuoso templo e convento que ainda hoje existem e que são monumento histórico da cidade de Amarante de que S. Gonçalo pode muito bem ser considerado segundo fundador.

Elevado às honras dos altares[editar | editar código-fonte]

Efectuaram-se três Processos canónicos em ordem à beatificação e canonização de São Gonçalo, o último dos quais foi levado a cabo por D. Rodrigo Pinheiro, bispo do Porto, por comissão do Papa Pio IV (1561). A instâncias de EI-Rei D. Sebastião, do Arcebispo de Braga, da Ordem dos Pregadores, do Cardeal D. Henrique e da população de Amarante, a sentença de beatificação foi promulgada a 16 de Setembro de 1561 pelo representante da Sé Apostólica, confirmando-se a concessão de lhe tributar culto público permitido antes pelo Papa Júlio III (1551).

Mais tarde, o Papa Clemente X, em 10 de Julho de 1671, estendeu a toda a Ordem dos Pregadores e a todo o reino de Portugal a concessão de honrarem este glorioso santo, um dos santos mais populares de Norte a Sul do País, especialmente no Norte, com missa e ofício litúrgicos próprios. O seu culto espalhou-se pelos domínios ultramarinos de Portugal, chegando à Índia e ao Brasil, como o confirma um longo e engenhoso sermão do Padre António Vieira sobre S. Gonçalo. É celebrado a 10 de Janeiro.

Tornou-se o santo patrono da cidade de Amarante, onde faleceu, e ainda das cidades de "São Gonçalo do Amarante" nos estados brasileiros do Rio Grande do Norte e do Ceará (nessas cidades homónimas também o padroeiro permaneceu idêntico).

É, no entanto, importante salientar que Gonçalo de Amarante, apesar de chamado santo pelo povo, na verdade é apenas Beato, porque o processo de canonização nunca foi levado a bom termo, ao contrário da sua beatificação. Deste modo, a forma correcta de o denominar é Beato Gonçalo de Amarante, o que é atestado pelos calendários litúrgicos portugueses.

Devoção popular[editar | editar código-fonte]

Os moradores do Bairro da Beira Mar, na freguesia da Vera Cruz, em Aveiro, tratam, carinhosamente, São Gonçalo de Amarante por São Gonçalinho. A capela existente neste bairro aveirense em honra deste santo é conhecida como Capela de São Gonçalinho. Em Ibituruna acontece, no último fim de semana de janeiro, a festa em honra a São Gonçalo, com a tradicional Congada e Folia de São Gonçalo.

Em várias cidades do Brasil, como São Gonçalo (no Rio de Janeiro), São Gonçalo do Amarante, no Ceará, São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, Itapissuma em Pernambuco, Cajari, Matinha e Viana, no Maranhão, e Cuiabá, em Mato Grosso, também festejam com devoção São Gonçalo de Amarante, com uma dança folclórica, o Baile de São Gonçalo.

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Gonçalo de Amarante