São Gonçalo do Sapucaí

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Município de São Gonçalo do Sapucaí
Vista de São Gonçalo do Sapucaí desde mirante do Santo Cruzeiro

Vista de São Gonçalo do Sapucaí desde mirante do Santo Cruzeiro
Bandeira de São Gonçalo do Sapucaí
Brasão de São Gonçalo do Sapucaí
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 31 de maio
Fundação 2 de março de 1743 (271 anos)
Gentílico são-gonçalense
Padroeiro(a) Beato Gonçalo de Amarante
Prefeito(a) Benedito Álvaro Cunha (Dito Cunha) (PTC)
(2009–2012)
Localização
Localização de São Gonçalo do Sapucaí
Localização de São Gonçalo do Sapucaí em Minas Gerais
São Gonçalo do Sapucaí está localizado em: Brasil
São Gonçalo do Sapucaí
Localização de São Gonçalo do Sapucaí no Brasil
21° 53' 31" S 45° 35' 42" O21° 53' 31" S 45° 35' 42" O
Unidade federativa  Minas Gerais
Mesorregião Sul/Sudoeste de Minas IBGE/2008[1]
Microrregião Santa Rita do Sapucaí IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Campanha, Cordislândia, Careaçu, Monsenhor Paulo, Turvolândia
Distância até a capital 340 km
Características geográficas
Área 517,974 km² [2]
População 23,895 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 0,05 hab./km²
Altitude 906 m
Clima Tropical de altitude
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,807 muito alto PNUD/2000[4]
PIB R$ 272 916,071 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 11 602,09 IBGE/2008[5]
Página oficial

São Gonçalo do Sapucaí é um município brasileiro do estado de Minas Gerais. Apresenta em sua história importantes personagens como Barão do Rio Verde, Raimundo Correia[6] e Bárbara Heliodora[7] .

Sua população em 2010 era de 23 895 habitantes, conforme dados do IBGE[8]

Localização[editar | editar código-fonte]

A cidade está localizada às margens da Rodovia Fernão Dias, no sul do Estado. Faz divisa com os municípios de Campanha, Cordislândia, Careaçu, Monsenhor Paulo e Turvolândia.

Origem do nome[editar | editar código-fonte]

São Gonçalo é homenagem ao Santo português, São Gonçalo de Amarante, o qual é padroeiro da cidade. Sapucaí é um vocábulo de origem tupi que significa "Rio que grita". Segundo alguns estudiosos, esse nome foi dado pelos índios da região devido ao fato de os frutos secos das sapucaias produzirem um forte ruído ao caír no chão se estourando. Essa árvore é muito comum na beira do Rio Sapucaí, que passa próximo à cidade, tendo grande papel na composição do nome da localidade[9] .

História[editar | editar código-fonte]

Largo da Matriz no ano de 1912

Descoberta[editar | editar código-fonte]

O povoado primitivo se ergueu às margens do Rio Sapucaí em princípios do século XVIII, no chamado Ciclo do Ouro no Brasil Colônia na região das minas do "Ouro Fala" e "Ouro Ronca". Dionísio da Fonseca Reis é considerado o descobridor dessas minas. Além de Dionísio da Fonseca Reis, são considerados os primeiros habitantes da cidade Francisco Bento Lustosa e Bento Corrêa de Melo. O restante dos primeiros povoadores era composto por bandeirantes paulistas, oficiais do exército mineiro e portugueses, com suas respectivas famílias[10] .

Povoamento[editar | editar código-fonte]

Na época de sua descoberta e fundação, mais de 40 mil km³ de terras auríferas foram desmontadas, revelando de acordo com cálculos o número aproximado de 40 toneladas de ouro extraídas sob o peso de inúmeras vidas de escravos, em uma cidade que se povoou da periferia para o centro[10] .

Em contra partida, se desenvolvia um segundo núcleo, distante dali, onde se ergueu uma capela em evocação a São Gonçalo de Amarante. Por motivo ignorado o antigo povoado às margens do rio foi sendo abandonado, convertendo então o novo núcleo no estopim da colonização da cidade[10] .

Fundação do Arraial[editar | editar código-fonte]

Já no ano de 1743 as divisas e territórios das Capitanias de Minas Gerais e São Paulo não se encontravam bem divididas, portanto, naquele mesmo ano o governador de São Paulo, o Capitão General D. Luís de Mascarenhas invade as minas do Rio Verde e toma de surpresa o Arraial de São Cipriano (hoje a cidade da Campanha), tomando sob poder paulista as minas e o dito arraial[11] . Considerando arbitrária a invasão, o governador das Minas Gerais, o Conde de Bobadela imediatamente classifica de intruso o representante paulista deixado no povoado de São Gonçalo, o Capitão-Mor Corrêa Bueno, e envia ao vilarejo o ouvidor da Comarca do Rio das Mortes, em expedição armada acompanhando de toda a câmara de São João Del Rey. No povoado, no dia 2 de março de 1743 o ouvidor lavra um auto de ratificação de posse e também eleva o povoado à categoria de arraial sob o nome de São Gonçalo da Campanha do Rio Verde. Ainda na categoria de freguesia da cidade da Campanha, é criada a paróquia de São Gonçalo do Amarante por provisão de 23 de julho de 1819[12] . A aglomeração urbana só viria a receber o nome de São Gonçalo do Sapucaí em 1878 quando é elevada a Vila[13] (o mesmo que município em nossos dias).

Na ocasião, sua jurisdição, além da sede, compreendia os distritos de Paredes do Sapucaí (Cordislândia), Retiro (Turvolândia), Santa Isabel (Heliodora) e Volta Grande (Careaçu)[13] . Em 27 de julho de 1889 se dá a emancipação do município e a criação de sua comarca, tendo a Raimundo Correia como seu primeiro Juiz de Direito[6] .

Economia[editar | editar código-fonte]

Indústria e Comércio[editar | editar código-fonte]

Em meados do século XIX, sob o comando de empresas mineradoras francesas e inglesas a cidade ganha destaque, tendo recebido inclusive a visita da Princesa Isabel e do Conde d'Eu[14] , sendo que o casal possuía terras no município. Parte do inventário de terras do Conde d'Eu se encontra no Arquivo Histórico Municipal.

Com o fim do ciclo do ouro, ganharam importância as atividades agropecuárias, que em meados da década de 1990 produzia mais de 80 mil sacas de café por ano e 18 milhões de litros de leite. A agropecuária ainda se apresenta como um pólo para a cidade, que também possui indústrias de participação regional e nacional.

Com a implantação do SENAI a cidade passou a investir na implantação de indústrias, uma maneira de gerar seu desenvolvimento. Automaticamente o crescimento de outros setores como comércio e serviços acompanhou esta nova etapa. São inúmeras micro empresas de setor têxtil, além de uma filial dos Laticínios Vigor, onde é produzido o famoso queijo parmesão "Faixa Azul".

Entre as outras empresas se destacam a Frutty, tradicional fábrica de refrigerantes sediada na cidade, a indústria de transformadores de energia elétrica ANILAG e a indústria de artefatos de concreto Ibérica.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Festa do Rosário[editar | editar código-fonte]

Na cidade existe a tradicional Festa do Rosário. Festa de origem religiosa e cultural, que acontece durante quinze dias nos meses de maio ou junho. Seu início se dá 40 dias após a Páscoa, quando ocorre o início da Novena em honra ao Divino Espírito Santo[11] .

Além da festa religiosa a Festa do Rosário apresenta traços culturais que remontam as origens escravas da cidade, com a apresentação dos ternos de Congadas. Além disso, a festa, há muitos anos, apresenta-se como um grande evento profano[10] , com shows, barracas de comidas e bebidas e uma grande reunião de cidadãos e visitantes, que são atraídos principalmente das cidades vizinhas e recentemente muitos vindos de São Paulo.

Turismo Ecológico[editar | editar código-fonte]

A cidade ainda possui extensa rede de pesqueiros e ranchos, bem como diversos atrativos naturais tais como cachoeiras, mata atlântica, a Serra de São Gonçalo, a gruta de Santa Luzia e o Rio Sapucaí.

Monumentos e Arquitetura[editar | editar código-fonte]

A Igreja do Rosário é uma das mais antigas construções da cidade

No turismo histórico se destaca a Casa da Cultura "Pedro Mattar Filho", sobrado do século XIX em estilo colonial brasileiro, onde anexo funciona um museu com artigos que pertenceram a personalidades da cidade. Do acervo deste museu se destaca uma liteira de campo de meados do século XIX.

Ainda há a Igreja do Rosário, erigida em fins do século XVIII por escravos. Esta Igreja possui imagens originais dos santos de devoção dos escravos como São Elesbão, São Benedito, Santa Efigênia e Nossa Senhora do Rosário. O altar-mor, altares laterais e grande parte dos ornamentos do interior foram feitos em madeira, no estilo barroco, em um curiosa vertente do estilo.

Na cidade existe uma Ponte Pênsil, que liga a cidade à Turvolândia. De fabricação alemã, tal ponte possui uma peculiar mas lendária história, que reza que tal ponte veio a ser instalada na cidade por engano, sendo destinada à cidade de São Gonçalo, no Estado do Rio de Janeiro. Tal história não passa de lenda visto que todo o material demorou meses até ser totalmente transportado à cidade, por meio de barcos a vapor e carros de boi, e mais tantos meses, ou até anos, até sua montagem. Não há data fixada sobre sua construção, mas presuma-se que tenha se dado entre os anos de 1912 e 1918.

O centro da cidade possui vários casarões dos séculos XVIII e XIX, muitos em fase de tombamento pelo Conselho Deliberativo de Patrimônio Histórico e Artístico local. Cita-se o conjunto arquitetônico da Rua Direita e Praça da Fonte e Praça Alberto Rocha.

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Educação[editar | editar código-fonte]

A cidade possui extensa rede de escolas públicas e particulares, além de um polo EAD da Fundação Hermínio Ometto - Uniararas, com os cursos de Gestão de Negócios e Pedagogia.

A Universidade Vale do Rio Verde - UNINCOR também atende o município com os cursos de Engenharia Hídrica, Engenharia Ambiental e Administração, além de uma unidade do sistema SESI - SENAI.

No primeiro semestre de 2011 a cidade começou a contar com cursos técnicos de Meio Ambiente, Agroindústria e Administração, ministrados pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas - Campus de Inconfidentes.

Qualidade de Vida[editar | editar código-fonte]

São Gonçalo do Sapucaí pode ser considerada uma boa cidade em constante expansão e desenvolvimento. Diversas empresas têm se instalado no município, assim promovendo o crescimento econômico do local.

As escolas estaduais e municipais oferecem estudo de qualidade considerável, recebendo boa pontuação nas análises educacionais desenvolvidas pelo Ministério da Educação e Cultura e Secretaria de Estado de Educação. No ensino público municipal são oferecidos os ensinos primário e fundamental. Investimentos são realizados constantemente na capacitação dos professores da rede municipal e na aquisição de material didático de ponta.

Não obstante a cidade tem sofrido como outros tantos municípios com problemas como drogas e desemprego. Em contra partida o governo municipal trabalha projetos sociais que visam melhorias no âmbito sócio-educacional. Importante também é o papel desempenhado pelo projeto da Polícia Militar mineira, o PROERD, que trabalha a prevenção contra as drogas, sendo o público alvo crianças e adolescentes nas escolas da cidade.

Feriados municipais[editar | editar código-fonte]

Data Feriado Motivação
10 de janeiro Dia do Padroeiro Religiosa
31 de maio Aniversário da cidade Cívica

Política[editar | editar código-fonte]

Prefeitos[editar | editar código-fonte]

Até o ano de 1930 os municípios elegiam apenas vereadores, o qual mais votado desempenhava o cargo de Agente Executivo. Com o advento da Revolução de 1930 o cargo foi extinto e então criado o cargo de Prefeito Municipal. A tabela abaixo traz a listagem dos chefes do Executivo Municipal de São Gonçalo do Sapucaí desde o ano de 1883. A lista de agentes executivos carece de alguns nomes, já a do prefeito traz em sua integralidade o nome de todos chefes do executivo desde 1930[11] .

Nome início do mandato fim do mandato
1 Lúcio de Mendonça 1883 1885
2 Francisco Bressane de Azevedo 1890 1891
3 Cel. Manoel Alves de Lemos 1895 1897
4 Júlio de Souza Meireles 1912 1914
5 Francisco Ermílio Pereira[Nota 1] 1918 1923
6 Joaquim Leonel de Rezende Alvim 1924 1927
7 Belmiro de Medeiros Silva[Nota 2] 1927 1932
8 Antenor de Azevedo Lemos 1933 1935
9 José Ibrahim de Carvalho[Nota 3] 1936 1945
10 Francisco de Andrade Vilela[Nota 4] 1945 1946
11 Joaquim Maciel Didier 1947 1950
12 Jorge Carneiro Magalhães 1951 1954
13 José Ibrahim de Carvalho 1955 1958
14 Jarbas Nogueira de Medeiros Silva 1959 1962
15 João Andrade Maciel 1963 1966
16 José Ibrahim de Carvalho 1967 1970
17 Joaquim Sérvulo Meireles da Rocha 1971 1972
18 Hervê de Campos Vargas 1973 1976
19 José Jorge Vilela 1977 1982
20 Hervê de Campos Vargas 1983 1988
21 José Jorge Vilela 1989 1992
22 Elói Radin Allerand 1993 1996
22 Akira Yamaguchi[15] 1997 2000
22 Terezinha Allerand[15] 2001 2004
23 Akira Yamaguchi[16] [Nota 5] 2005 2008
23 Benedito Álvaro Cunha[17] 2009 atualmente

Sãogonçalenses notáveis[editar | editar código-fonte]

Moradores Ilustres[editar | editar código-fonte]

Raimundo Correia foi o primeiro Juiz de Direito da Comarca de São Gonçalo do Sapucaí

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Com o tempo acabou por se atribuir o nome de Francisco Emílio Pereira, no entanto a grafia correta de seu segundo nome era de fato Ermílio
  2. Até 1930 portava o título de Agente Executivo. Depois de 1930 continuou o mandato já sob o título de Prefeito Municipal
  3. De 1937 a 1945 desempenha o cargo de prefeito sob a ditadura de Getúlio Vargas
  4. Nomeado pelo governador do Estado
  5. Mandato foi finalizado pelo vice-prefeito Argemiro Magalhães Neto

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 dez. 2010.
  6. a b c Moisés, Massaud. História da literatura brasileira: Realismo e simbolismo. São Paulo: Cultrix, 2001. vol. II. ISBN 85-216-0698-5. Visitado em 15 de maio de 2012.
  7. a b Coelho, Nelly Novaes. Dicionário crítico de escritoras brasileiras. São Paulo: Escrituras, 2002. vol. II. ISBN 85-7531-053-4. Visitado em 15 de maio de 2012.
  8. Resultado do censo populacional de 2010 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (3 de novembro de 2010). Visitado em 18 de dezembro de 2011.
  9. Costa, Joaquim Ribeiro. Toponímia de Minas Gerais: com estudo histórico da divisão territorial e administrativa. Belo Horizonte: Imprensa Oficial do Estado, 1970.
  10. a b c d Leonel de Rezende, Roberto. Rudimentos Históricos de São Gonçalo do Sapucaí. Três Corações: Excelsior Gráfica e Editora, 1992.
  11. a b c Noviello, Celeste. Minha Terra. Três Corações: Excelsior Gráfica e Editora, 1995.
  12. Milliet de Saint-Adolphe, J. C. R. Dicionário geográfico, histórico e descritivo do Império do Brasil. Paris: J.P Aillaud, 1845.
  13. a b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Histórico de São Gonçalo do Sapucaí. Visitado em 15 de maio de 2012.
  14. Oppenheim, Victor. In: Seção de Publicidade. Ouro em São Gonçalo do Sapucahy. [S.l.]: Diretoria de Estatística da Produção, 1935.
  15. a b Prefeitos - São Gonçalo do Sapucaí - MG AMAJE. Visitado em 21 de junho de 2012.
  16. São Gonçalo do Sapucaí (MG) - Representação Política 2004 Informações do Brasil. Visitado em 21 de junho de 2012.
  17. Apuração Terra - São Gonçalo do Sapucaí Portal Terra. Visitado em 21 de junho de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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