Jöns Jacob Berzelius

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Jöns Jacob Berzelius
Jöns Jacob Berzelius

Jöns Jacob Berzelius, também conhecido apenas como Jacob Berzelius (Väfversunda, Östergötland, 20 de Agosto de 1779Estocolmo, 7 de Agosto de 1848) foi um químico sueco. Nasceu em uma pequena aldeia sueca, filho de um pastor protestante e diretor da escola de Linköping, capital da província. Sendo descendente de camponeses, sua infância, adolescência e começo da carreira foram marcados por uma luta contínua contra a pobreza e o infortúnio. Com 4 anos de idade morreu seu pai e pouco depois sua mãe casou-se novamente com um viúvo, Anders Ekmarck. A isso se deu um longo período de calma, foi interrompido pela morte de sua mãe e pelo terceiro casamento de seu padrastro. Jöns, então aos 11 anos, foi transferido aos cuidados de um tio. Durante os anos seguintes, até o término do colegial, o rapaz viveu com vários parentes, porém sempre na pobreza. Aprovado no exame de admissão, em 1797, Berzelius entrou para universidade de Upsala como estudante de medicina.

   Sua vida acadêmica mal começou e já foi interrompida pela falta de recursos, sendo 

retomada no ano seguinte com uma modesta bolsa de estudos. Nesta época teve seu contato inicial

com a química:

Adquiriu o Tratado de Christofer Girtanner (1760-1800): Elementos da Química Antiflogística, primeiro livro de língua alemã baseado no novo sistema de Lavoisier. Tornou-se imediatamente seguidor das idéias do sábio Francês. Desejando verificar experimentalmente a validade dos novos conhecimentos adquiridos, procurou um ex professor Johan Afzelius e pediu permissão para utilizar o seu laboratório. O professor, com a expressão de surpresa e desgosto, perguntou-lhe se conhecia a diferença entre laboratório e cozinha. Com pouca inclinação para as novas doutrinas e desinteressado pelas obras de Lavoisier o professor disse-lhe NÃO. Não desencorajado, Berzelius resolveu alugar um pequeno quarto, sem janelas mas com lareira, onde montou seu laboratório improvisado. Narração de uma de suas experiências:

“Enquanto preparava ácido Nítrico fumegante, observei o desprendimento de um gás, que recolhi sobre água em algumas garrafas que tinha a mão, com o intuito de descobrir, se possível, a natureza do gás. Suspeitei que fosse oxigênio e raramente tive um momento de tanta alegria como nesta ocasião, quando mergulhei uma vareta incandescente no gás, que logo se inflamou, iluminando meu laboratório escuro.” Formou-se em Medicina em Upsala em 1799 e para a conclusão do curso apresentou uma quantidade de resíduos fixos das águas minerais. Mas a descoberta da pilha elétrica por Alessandro Volta, despertou tanto interesse em Berzelius que sua tese de doutorado em medicina em Upsala em 1802, foi sobre as aplicações da pilha voltaica ao corpo humano. Neste ano do seu doutorado, Berzelius sofreu um esgotamento nervoso que o obrigou a paralisar suas atividades. Embora estes dois trabalhos não se incluíssem num plano de experiências bem definido, orientaram decisivamente suas futuras investigações: as pesquisas analíticas seria sua principal atividade e o estudo dos fenômenos eletroquímicos forneceriam a base de suas idéias teóricas. Restabelecendo-se do seu esgotamento, Berzelius conheceu sua primeira desilusão profissional: apresentando à Academia Sueca de Ciências um manuscrito de suas experiências com o óxido nitroso, viu o trabalho recusado sob alegação de ter uma nomenclatura antiflogística de Lavoisier. Já com a saúde restabelecida, transferiu-se para Estocolmo, onde abriu um curso de química. Este lhe deu muito trabalho e nenhuma renda. O mesmo acontecendo com “Instituto de Águas Minerais Artificiais”, que fundou em colaboração com um médico, e com a fábrica de ácido acético, em sociedade com um comerciante. Durante 10 anos, o grande químico teve de destinar quase toda sua renda ao resgate dos empréstimos que contraíra. Em contato com Wihelm von Hisinger (1766-1852), um rico proprietário de minas interessado em estudos de eletricidade, investigou o efeito da corrente elétrica sobre soluções de sais (alguns ácidos e de amônias). Em 1803 publicou os resultados das pesquisas, mas passou despercebido, somente recebendo algum destaque 4 anos mais tarde com as pesquisas de Humphry Davy. Com o mesmo tipo de fenômeno, obtiveram consagração do meio científico. Os trabalhos de Berzelius e Hisinger foram reconhecidos apenas em 1819, mas a prioridade histórica foi dado a Davy. Com pouco renome adquirido, Berzelius conseguiu melhorar suas condições de trabalho. Em 1806 ele ocupava o cargo de expositor de química na Academia Militar de Estocolmo, tornando-se no ano seguinte professor de Medicina e Farmácia na escola de cirurgia de Riddarholm. A partir desta época dedicou-se exclusivamente à química pura, iniciando suas pesquisas sobre as proporções gravimétricas (peso): as substâncias simples se combinam para dar origem aos compostos. Junto com seu assistente, M.M. Pontin (1781-1858), isolou e determinou os pesos atômicos de cerca de 43 elementos. Isolou o cálcio, o bário, o estrôncio, o silício, o titânio, o zircônio, e descobriu o selênio, o tório e o césio. Seu nome começou a crescer no meio científico. Com ajuda do governo, comprou material e instrumentos e instalou em duas salas no prédio que morava seu modesto laboratório. Que durante 10 anos produziu uma enorme produção experimental e literária. Lá foram analisados mais de 2000 compostos químicos. Executou as determinações de massas relativas dos átomos, fundamentando as leis ponderais da química. Neste laboratório foram desenvolvidos novos métodos de análise gravimétrica, introduziu-se importantes inovações nos processos de análise das substâncias orgânicas, construiu-se uma infinidade de aparelhos e utensílios de laboratório e escreveu-se várias obras. Em 1808 foi eleito membro efetivo da Academia Real de Ciências de Estocolmo e, em 1810, presidente desta instituição. Na mesma época elaborou a teoria dualística das combinações químicas apoiada na idéia de que a menor partícula de uma substância simples tem 2 pólos elétrico: o +/-, e que a distribuição elétrica não era uniforme. Concluiu que a polaridade seria um fator responsável pelo grau de afinidade das substâncias simples. Essa teoria de afinidade teve influencia até após a sua morte, perdendo seu prestígio com o desenvolvimento da química orgânica, área em que não podia ser aplicada. Nestes anos, ele organizou a caótica notação química da época, introduzindo como símbolos dos elementos as iniciais de seus nomes em latim, associando a seu símbolo um índice numérico. Esta notação permanece inalterada até os dias de hoje. No pequeno laboratório de Estocolmo estagiaram químicos como Gmelin (1792-1860) e Wöhler (1800-1882) e Mitscherlich (1794-1863) que se tornariam famosos mais tarde. Após Lavoisier ter demonstrado que as espécies químicas não se constituem a partir dos 4 elementos (água, fogo, terra, ar), a descoberta e o isolamento destes elementos virou uma tarefa primordial. Entre 1803 até 1842, participou diretamente dos trabalhos da descoberta dos metais alcalino-terrosos, quase todos os metais e semi-metais então conhecidos foram estudados por Berzelius, com objetivo de a partir de seus óxidos determinar suas massas atômicas. Quando John Dalton enunciou a teoria atômica, admitiu regras arbitrárias para explicar a combinação dos elementos e isso não passava desapercebido pelos químicos que não a aceitavam. Davy relutava em falar em átomos, falando em números proporcionais. Wollaston (1766-1828) introduziu o equivalente químico, Gay-Lussac (1778-1850) usou a expressão relações ponderais. Como estes termos eram sinônimos, estabeleceu-se uma grande confusão. Berzelius estabeleceu a teoria dos volumes e através dela atribuiu-se a muitas substâncias sua verdadeira composição tomando como base o oxigênio atribuindo o peso de 100. Em 1814 apresentou sua primeira tabela de pesos atômicos, relacionando 43 elementos. Em 1818 acrescentou mais 2 elementos. No ponto de vista atual, os pesos atômicos de Berzelius, por vezes, apresentam um valor duplo ou mesmo quádruplo ao verdadeiro. Em 1819 os químicos franceses Pierre Dulong (1785-1838) e Alexis Petit (1791-1820) descobriram a regra do calor atômico: o produto do seu peso atômico pelo seu calor específico (que é constante), logo deveria dividir os pesos atômicos de Berzelius, ora por 2 e ora por 4. O aparecimento dos critérios de pureza, até então intuitivos, tornavam-se objetos de medidas precisas. Em 1860 Bunsen e Kirchhoff desenvolveram a espectroscopia, mostrando que cada elemento possui uma determinada propriedade quanto à luz emitida. Com isso a lista de novos elementos ia se alongando, até que em 1870 era composta de 64 elementos, com destaque para os atomistas como Berzelius. Em 1870 o químico Mendeleiev (1834-1907) propôs sua famosa tabela periódica dos elementos, demonstrando que suas propriedades químicas são uma função periódica dos pesos atômicos. Consagrou-se Berzelius como o grande precursor destas pesquisas. O valor científico de Berzelius se deve também ao material deficiente em seu modesto laboratório. Foi sozinho que realizou toda sua imensa obra preparativa e analítica, apesar da falta de recursos nos primeiros anos. Consta que em 1820 preparava pessoalmente o ferro cianeto de K a partir do azul da Prússia ,muito impuro que encontrava num bazar, e o álcool a partir de aguardente. Após 6 anos de trabalho árduo, teve um novo esgotamento e para se restabelecer passou 1 ano viajando pela Europa, conhecendo cientistas e rompendo assim seu isolamento. Em setembro de 1819, retornando a Estocolmo, foi eleito secretário perpétuo da Academia de Ciências, o mais alto cargo remunerado da instituição. Durante os 13 anos seguintes dedicou-se a suas pesquisas. Em 1832, com 53 anos, aposentou-se como professor desse Instituto devido a problemas de saúde. Três anos depois Berzelius casou-se com Betty Poppius (1811-1884), 32 anos mais jovem. O Rei, comparecendo ao casamento, distinguiu-o com o titulo de Barão em reconhecimento aos serviços prestados à ciência e a seu país. Entretanto sua saúde piorava a cada ano e, a partir de 1845, a gota martirizava seu organismo. Mesmo assim, continuou trabalhando por mais 3 anos, conseguindo publicar, no começo de 1848, o anuário da Academia de Ciências. Morreu dia 7 de agosto de 1848 sem deixar filhos, sendo enterrado num pequeno cemitério perto de Estocolmo. Fonte: Krasilchik, Myriam, Série os cientistas, a grande aventura da descoberta cientifica, "Berzelius", 1971, editora Abril e Fundação Brasileira para o desenvolvimento do Ensino e Ciencia (FUNBEC).









Estudou medicina na Universidade de Uppsala e foi professor de medicina, farmácia e botânica no Instituto Karolinska de Estocolmo. Num período de dez anos estudou em torno de dois mil compostos químicos. Na segunda metade do séc.XVIII a grande revolução que transformou a Química e as ciências exatas ainda estava no seu alvorecer. As concepções de Lavoisier eram as pioneiras desta grande metamorfose. Os químicos Ingleses liderados por Joseph Priestley e Henry Cavendish empenhavam-se em refutar as idéias de Lavoisier, enquanto o resto da Europa simplesmente ignorava o soprar dos novos ventos. Não havia sido esclarecido com clareza, conhecendo-se apenas 23 substâncias vagamente conhecidas como “simples”, na falta de um conhecimento mais preciso de sua composição. A própria nomenclatura química não era uniforme ou racional: os nomes e símbolos ainda eram herdados dos alquimistas e flogistianos, com grandes variações de país para país. Durante séculos, o estudo das substâncias naturais foi conduzida em bases supersticiosas, no terreno da alquimia. A procura do elixir da longa vida e da pedra filosofal por Paraceulsus, era a maior preocupação dos alquimistas. Sua influência no desenvolvimento da química foi marcante, sendo fortemente sentida mesmo depois de Lavoisier estabelecer os fundamentos desta ciência. A simbologia alquímica, por exemplo, transmitiu-se aos químicos do sé. XIX, e foi substituída pela notação moderna apenas com os trabalhos de Berzelius. Foi esta época de imprecisão científica que Berzelius conheceu e ajudou a transformar. Trabalhando de forma sistemática, realizou experiências e descobertas marcantes, cuja influência ultrapassou as fronteiras do seu país de origem. Quando morreu a química estava completamente modificada, e coube-lhe um papel de destaque nesta evolução.


Tomando o oxigênio como base de referência (100) determinou a massa atómica dos demais elementos; os resultados foram publicados em 1818 numa tabela de massas atômicas de 42 elementos. Paralelamente, seus experimentos sobre eletrólise o levaram a propor a teoria de que os compostos são constituídos por uma parte eletricamente positiva e outra negativa, sendo a teoria aplicada tanto para compostos inorgânicos como para compostos orgânicos. Introduziu a notação química atual e os conceitos de isomeria, halogênios, ação catalítica e radical orgânico.

Foi o descobridor dos elementos cério (1803), selênio (1817) e tório (1828); também conseguiu isolar o silício (1823), o zircônio (1824) e o titânio (1825).

[editar] Referências

Krasilchik, Myriam, Série os cientistas, a grande aventura da descoberta cientifica, "Berzelius", 1971, editora Abril e Fundação Brasileira para o desenvolvimento do Ensino e Ciencia (FUNBEC). Museu de Berzelius na Academia real de Ciencias da Suécia, Estocolmo.



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