Kaloyan da Bulgária

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Kaloyan
Imperador da Bulgária
Kaloyan Varna.jpg
Estátua de Kaloyan em Varna.
Governo
Reinado 11971207
Consorte Ana da Cumânia
Antecessor Pedro IV
Sucessor Boril
Dinastia Asen
Títulos "Matador de romanos"
Vida
Nome completo Калоян Ромеоубиец
Nascimento 1168/1169
Morte outubro de 1207 (39 anos)
Tarnovo
Filhos Maria da Bulgária

Kaloyan (em búlgaro: Калоян), também conhecido como João I (em búlgaro: Йоан I - Ivan I), dito Matador de romanos (em búlgaro: Ромеоубиец; em grego: Rōmaioktonos), foi o imperador da Bulgária entre 1197 e 1207. Ele é o terceiro e o mais jovem dos três irmãos que fundaram o Segundo Império Búlgaro (os outros dois foram Pedro IV e João Asen I). O reinado de Kaloyan estabilizou o domínio do tsar e a posição da Bulgária como potência regional, graças às suas campanhas contra o Império Latino.

Nome[editar | editar código-fonte]

O nome Kaloyan (em latim: Caloiohannes) se traduz como "João, o Bom", ou "João, o Belo", e é derivado do grego Kaloiōannēs, uma forma elogiosa comum dos nomes dos imperadores bizantinos chamados "João" (Iōannēs) do período Comneno em diante. Outros epítetos de João eram Ioannitsa (Йоаница, Ioannica), escrito também como Ioannitza, Ivanitsa (Иваница, Ivanica), o diminutivo de Ivan ou Ioan (João)[1] .

História[editar | editar código-fonte]

Kaloyan nasceu por volta de 1168/1169. Ele era o irmão mais novo e o herdeiro de Pedro IV e de João Asen I. Ele e os irmãos são de origem controversa. Em 1187, ele foi enviado como refém para Constantinopla, de onde ele escapou e retornou para a Bulgária dois anos depois. Em 1196, quando seus dois irmãos foram assassinados por Ivanko, Kaloyan se aproveitou da situação e conseguiu tomar o trono para si. Ele continuou a política agressiva de seus predecessores contra o Império Bizantino, chegando até mesmo a se aliar Ivanko, o assassino de João Asen I que, depois de sua ascensão, fugira para os bizantinos e tornara o governador de Filipópolis (Plovdiv). Outro aliado de Kaloyan foi Dobromir Hriz (Chrysos), que governava a região de Estrúmica. A coalização se dissolveu rapidamente depois que os bizantinos conseguiram derrotar tanto Ivanko quanto Dobromir. Mesmo assim, Kaloyan conseguiu conquistar Constanteia (Simeonovgrad), na Trácia, e Varna em 1201, além da maioria da Macedônia eslava em 1202.

Neste mesmo ano, o rei da Hungria Emerico invadiu a Bulgária e conquistou a região de Belgrado, Braničevo (Kostolac) e Niš, que ele entregou para o seu protegido no trono da Sérvia, Vukan Nemanjić. Kaloyan retaliou em 1203, restaurando o irmão de Vukan, Estêvão II Nemânica, no trono sérvio e recuperando suas terras depois de derrotar os húngaros. A animosidade entre búlgaros e húngaros só se resolveu depois da intercessão do papa Inocêncio III.

Bulgária sob Kaloyan (1197-1207)

O papa havia escrito para Kaloyan convidando-o a unir em comunhão a sua igreja com a Igreja Católica já em 1199. Ansioso para reconquistar o título de imperador e restaurar o prestígio, riqueza e tamanho do Primeiro Império Búlgaro, Kaloyan respondeu em 1202. Ele solicitou ao papa que lhe concedesse a coroa e o cetro imperiais que haviam sido de Simeão I, Pedro I e de Samuel e, em troca, ele poderia considerar a comunhão com Roma. Ele também queria que o papa reconhecesse o líder da Igreja da Bulgária como patriarca[2] . O papa não queria fazer concessões desta magnitude e, quando seu enviado, o cardeal Leão, chegou à Bulgária, ele ungiu o arcebispo Basílio (Vasiliy) de Tarnovo como primaz dos búlgaros e valáquios. Kaloyan recebeu apenas a coroa uniata como "rex Bulgarorum et Blachorum" ("rei dos búlgaros e valáquios") ou "rex Bulgarie et Blachie" ("rei da Bulgária e da Valáquia") e não a de imperador. Sem se abalar, Kaloyan escreveu para o papa agradecendo-lhe pela coroação "imperial" e pela unção de seu "patriarca". Ele também assegurou-lhe que ele também iria seguir os ritos da Igreja Católica como parte do acordo.

Imediatamente depois, em 1204, a Quarta Cruzada conquistou e saqueou Constantinopla, a capital dos bizantinos. Proclamando Balduíno de Flandres como imperador, os cruzados (que haviam desprezado a oferta de aliança contra os bizantinos de Kaloyan) declaram sua intenção de capturar todas as terras do Império Bizantino e dos estados vizinhos. O iminente conflito foi precipitado pela aristocracia bizantina na Trácia, que resistiu à invasão e pediu a ajuda do imperador búlgaro (1205) em troca de submissão.

O Império Latino de Balduíno começou a subjugar as cidades bizantinas e cercou Adrianópolis. Nas palavras do cronista cruzado Villehardouin, "Johannizza, rei da Valáquia, estava vindo socorrer Adrianópolis com um grande exército; pois ele trouxe consigo os valáquios e búlgaros e quatorze mil cumanos que jamais haviam sido batizados"[3] . Em 14 de abril de 1205, os cumanos de Kaloyan conseguiram atrair a cavalaria pesada dos cruzados que os perseguia para uma emboscada nos pântanos ao norte de Adrianópolis, onde Kaloyan aplicou-lhes uma severa derrota. Balduíno I foi capturado e o conde Luís I de Blois foi morto. Ainda segundo o relato de Villehardouin, Balduíno foi preso na capital búlgara, Tarnovo, até sua morte ou execução no final de 1205. No decorrer do ano, Kaloyan derrotou os latinos na Batalha de Serres e capturou Filipópolis, invadindo a maior parte do território latino na Trácia e na Macedônia.

Contentes a princípio com as vitórias de Kaloyan contra os detestados latinos, os bizantinos, determinados em se manterem independentes, começaram a conspirar contra o governo búlgaro. Kaloyan também mudou sua tática e se voltou sem piedade contra seus antigos aliados, adotando inclusive o epíteto de Romanóctone ("matador de romanos"), claramente derivado do infame epíteto utilizado pelo imperador bizantino Basílio II Bulgaróctone (r. 958-1025), o conquistador da Bulgária, Bulgaróctone ("matador de Búlgaros").

Em 31 de janeiro de 1206, Kaloyan derrotou novamente os latinos na Batalha de Rusião e conseguiu, no ano seguinte, capturar Didimoteico. Os búlgaros devastaram repetidamente a Trácia, inclusive as importantes cidades de Heracleia e Cenofrúrio (Çorlu), o que resultou numa evacuação das demais cidades da região, Rodosto (Tekirdağ). Ao contrário de suas campanhas anteriores, quando Kaloyan limitou sua ferocidade e se concentrou em sobrepujar seus inimigos, nas campanhas finais ele passou a deportar populações inteiras das cidades conquistadas para as regiões mais distantes da Bulgária.

Morte[editar | editar código-fonte]

Kaloyan cercou Adrianópolis duas vezes, mas não conseguiu tomar a cidade por causa da retirada de sua cavalaria cumana e do determinado avanço do novo imperador latino, o irmão de Balduíno, Henrique de Flandres. Em 1207, Kaloyan acordou uma aliança anti-latina com Teodoro I Láscaris, do recém-fundado Império de Niceia, o mais poderoso dos estados sucessores bizantinos. No mesmo ano, as tropas de Kaloyan assassinaram Bonifácio de Montferrat (4 de setembro de 1207), o governante cruzado do novo Reino de Tessalônica. Tentando se aproveitar da situação, Kaloyan marchou para lá e cercou a cidade com um enorme exército, mas acabou sendo assassinado pelo seu próprio comandante, o cumano Manastar, no início de outubro de 1207.

As fontes para o reino de Kaloyan são majoritariamente estrangeiras (bizantinas e latinas) e hostis, geralmente sublinhando sua brutalidade e crueldade. Alguns dos atos mais hediondos foram atribuídos especificamente ao seu enviado cumanos, enquanto que outros autores especulam que as políticas mais repressivas de Kaloyan tinham por objetivo destruir a elite inimiga, tratando os plebeus com misericórdia. Uma das lendas sobre a morte de Balduíno descreveu seu cruel desmembramento por um furioso Kaloyan, cuja esposa havia acusado falsamente o imperador latino de ter tentado seduzi-la, quando o inverso é que era verdade. A história é reminiscente do relato bíblico de José e a esposa de Potifar e ilustra adequadamente a hostilidade contra Kaloyan nas fontes de sua época. O corpo de Kaloyan (e também o seu anel sinete[4] ) foi descoberto na Igreja dos Quarenta Mártires Sagrados em Tarnovo.

Família[editar | editar código-fonte]

A consorte de Kaloyan, Ana da Cumânia, era parte da aristocracia cumana. Depois da morte do marido, ela se casou com seu sucessor, Boril da Bulgária. Ele teve uma filha, Maria da Bulgária, de um casamento anterior. Ela se casou com o imperador latino Henrique de Flandres como forma de reforçar a aliança de Boril e Henrique. Ela é suspeita de ter participado do assassinato do marido, que morreu envenenado em 11 de junho de 1216.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Kaloyan da Bulgária
Nascimento: 1168/1169 Morte: 1207
Precedido por:
Pedro IV
Imperador da Bulgária
1197–1207
Sucedido por:
Boril

Referências

  1. Istoria României
  2. C-tin C. Giurescu, Dinu C. Giurescu, Istoria românilor din cele mai vechi timpuri până astăzi, Bucharest, 1975, p.184
  3. Villehardouin, 92
  4. Czar Kaloyan (em inglês) Good Life Bulgaria. Visitado em 26/11/2013.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • John V. A. Fine, Jr., The Late Medieval Balkans, Ann Arbor, 1987.
  • (fonte primária) Nicetas Coniates, Nicetae Choniatae Historia, Bonn, 1835.
  • (fonte primária) Magoulias, Harry J. (transl.). O City of Byzantium, Annals of Niketas Choniates, 1984, ISBN 0-8143-1764-2
  • (fonte primária) Ansbert, Historia de expeditione Friderici imperatoris, Monumenta Germaniae Historica, Scriptores, n.s. 5, 15-70.
  • Mauro Orbini, Il Regno di Slavi, Pesaro, 1601.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]