Língua protogermânica

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Mapa da cultura nórdica da Idade do Bronze, ca. 1200 a.C.
Mapa da cultura da Idade do Ferro pré-romana associada com o proto-germânico, c. 500 a.C.-50 a.C. A área cor magenta ao sul da escandinávia representa a cultura Jastorf
Expansão das tribos germânicas
750 a.C. – 1 d.C. (segundo o Penguin Atlas of World History 1988):
   Colônias antes de 750 a.C.
   Novas colônias até 500 a.C.
   Novas colônias até 250 a.C.
   Novas colônias até 1 d.C.

Proto-germânico, ou germânico comum, como é às vezes denominado, é a proto-língua ancestral comum hipotética de todas as línguas germânicas tais como o moderno inglês, holandês, alemão, dinamarquês, norueguês, islandês, feroês e sueco. [1]
A língua proto-germânica não possui qualquer texto sobrevivente mas foi reconstruída usando o método comparativo. Entretanto, algumas poucas inscrições sobreviventes na escrita rúnica da Escandinávia datadas de ca. 200 parecem mostrar um estágio da língua protonórdica ou, segundo Bernard Comrie, germânico comum tardio seguindo imediatamente o estágio do "proto-germânico".[2]

Proto-germânico descende do proto-indo-europeu (PIE).

Evolução do proto-germânico[editar | editar código-fonte]

A evolução do proto-germânico começou com a separação da forma comum de falar entre alguns falantes geograficamente próximos de uma língua comum anterior e terminou com a dispersão dos falantes da proto-língua em populações distintas que possuiam hábitos de fala distintos. Entre estes dois pontos muitas mudanças nos sons da língua ocorreram.

Contribuições arqueológicas[editar | editar código-fonte]

Em uma teoria importante desenvolvida por Andrev V. Bell-Fialkov, Christopher Kaplonski, Wiliam B. Mayer, Dean S. Rugg, Rebeca W e Wendelken sobre as origens germânicas, os falantes de indo-europeu chegaram nas planícies no sul da Suécia e Jutlândia, o centro da Urheimat ou "habitação original" dos povos germânicos, antes da Era do Bronze Nórdica, que começou cerca de 4500 anos atrás. Esta é a única área onde nenhum nome de lugar pré-germânico foi encontrado.[3] Esta região era certamente povoada anteriormente; a falta de nomes indica um povoamento indo-europeu tão antigo e denso que os nomes anteriormente utilizados foram completamente substituídos. Se horizontes arqueológicos são indicativos de uma língua comum (o que não é facilmente comprovado), os falantes de indo-europeu devem ser identificados com as mais espalhadas culturas de utensílios impressos por corda ou de machados de batalha e possivelmente com a anterior cultura do pote com pescoço em funil que se desenvolveu no final da cultura neolítica da Europa ocidental.[4] [5]

O proto-germânico então desenvolveu-se a partir do indo-europeu falado nesta região Urheimat. A sucessão de horizontes arqueológicos sugere que antes que a língua diferenciasse nos ramos individuais das línguas germânicas os falantes do proto-germânico viveram no sul da Escandinávia e ao longo da costa desde a Holanda a oeste até o Vístula a leste por volta de 750 a.C..[6]

Uma outra teoria, que também inclui o surgimento do proto-germânico é a teoria da continuidade paleolítica. As conclusões desta outra teoria difere em alguns detalhes da teoria acima apresentada.

Evidência em outras línguas[editar | editar código-fonte]

Em algumas línguas não germânicas faladas nas áreas adjacentes às falantes de germânico existem palavras que acredita-se foram emprestadas do proto-germânico. Algumas destas palavras são (com a forma reconstruída em P-N): rõngas (estoniano)/rengas (finlandês) < hrengaz (anel), kuningas (finlandês) < kuningaz (rei),[2] ruhtinas (finlandês) < druhtinaz (sv. drott), püksid (estoniano) < bukse (calças), silt (estoniano) < skild (moeda), märk/ama (estoniano) < mērke (ver, olhar), riik (estoniano) < rik (terra, propriedade), väärt (estoniano) < vaērd (valoroso), kapp (estoniano) / "kaappi" (finlandês) < skap (gavetas; estante)

Definições linguísticas[editar | editar código-fonte]

Por definição, o proto-germânico é o estágio da língua que constitui o mais recente ancestral comum das línguas germânicas, datado à segunda metade do primeiro milênio a.C.. Os dialetos pós-proto-indo-europeus falados durante a Idade do Bronze Nórdica, aproximadamente 2500–500 a.C., mesmo não possuindo nenhum descendente conhecido que não as línguas germânicas, são denominados "pré-proto-germânico" ou mais comumente "pré-germânico."[6] [7]

Para obter mais detalhes sobre este tópico, veja Línguas germânicas.

Na linguística histórica, o proto-germânico é um nó no modelo em árvore; ou seja, se a descendência das línguas pode ser comparada à uma árvore filogenética, o proto-germânico aparece como um ponto, ou nó, a partir do qual ramificam-se todas as línguas-filhas, e encontra-se por seu lado no fim de um ramo que vem de outro nó, o proto-indo-europeu.[8] Um dos problemas com o nó[6] é que ele implica a existência de uma língua fixa naqual todas as leis que a deinem aplicam-se simultaneamente. O proto-germânico, entretanto, precisa ser entendido como uma sequência diacrônica de mudanças sonoras, cada lei ou grupo de leis apenas tornando-se funciona após mudanças prévias.[9]

Para a história evolucionária de uma família de línguas, um modelo de "árvore filogenética" é considerado apropriado apenas se as comunidades não continuem mantendo contato efetivo conforme suas línguas divirjam. O indo-europeu inicial parece ter tido contato limitado entre linhagens distintas, enquanto que apenas a subfamília germânica exibiu um comportamento menos tipo árvore enquanto adquiria algumas características de seus vizinhos no início de sua evolução ao invés de seus ancestrais diretos. A diversificação interna especialmente do germânico ocidental é citada como sendo especialmente diferente deste modelo "árvore".[10]


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Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Outro nome menos comum utilizado na literatura de língua inglesa por alguns poucos estudiosos é (Primitive) Germanic Parent Language (Língua Germânica Pai (Pimitiva)). Por exemplo, veja Bloomfield, Leonard. Language. [S.l.]: The University of Chicago Press, 1984. 298–299 pp.
  2. a b Comrie, Bernard (editor). The World's Major Languages. New York, New York: Oxford University Press, 1987. 69–70 pp. ISBN 0-19-506511-5
  3. Bell-Fialkoll (Editor), Andrew. The Role of Migration in the History of the Eurasian Steppe: Sedentary Civilization v. "Barbarian" and Nomad. [S.l.]: Palgrave Macmillan, 2000. 117 pp. ISBN 0312212070 Note que o termo "pré-germânico" é equivocado, significando, como aqui, ou antes dos antepassados indo-europeus ou indo-europeu mas anterior ao proto-germânico.
  4. Kinder, Hermann; Werner Hilgemann; Ernest A. Menze (Translator); Harald and Ruth Bukor (Maps). The Penguin atlas of world history. Harmondsworth: Penguin Books, 1988. Volume 1 page 109 pp. ISBN 0-14-051054-0
  5. Kinder book
  6. a b c "Languages of the World: Germanic languages". The New Encyclopædia Britannica. (1993). Chicago, IL, United States: Encyclopædia Britannica, Inc. ISBN 0-85229-571-5.  Este artigo famoso sobre as línguas pode ser encontrado em praticamente qualquer edição da Britannica.
  7. Pré-proto-germânico é relativamente recente, mas ainda não resolve a questão da distinção entre pré-proto-indo-europeu do proto-indo-europeu pré- populações germânicas (duas cada no oeste e norte e uma no leste).
  8. As ligações deste artigo são suficientes para explicar o cnceito básico mas mais informações podem ser encontradas em vários livros incluindo Lass, Roger. Historical Linguistics and Language Change. [S.l.]: Cambridge University Press, 1997. Chapter 3.6 "Sound Laws" pp. ISBN 0521459249
  9. Este artigo cobre algumas das principais mudanças mas para mais informações veja Kleinman, Scott. Germanic Sound Changes (pdf). English 400: History of the English Language: Grammar Tutorial and Resources. California State University, Northridge. Página visitada em 2007-11-05.
  10. [1] Perfect Phylogenetic Networks: A New Methodology for Reconstructing the Evolutionary History of Natural Languages - Luay Nakhleh,Don Ringe & Tandy Warnow, 2005, Language- Journal of the Linguistic Society of America, Volume 81, Number 2, June 2005

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Bennett, William Holmes. An Introduction to the Gothic Language. New York: Modern Language Association of America, 1980.
  • Campbell, A.. Old English Grammar. London: Oxford University Press, 1959.
  • Krahe, Hans and Meid, Wolfgang. Germanische Sprachwissenschaft, 2 vols., de Gruyter, Berlin (1969).
  • Ramat, Anna Giacalone and Paolo Ramat (Eds.) (1998). The Indo-European Languages. Routledge. ISBN 0-415-06449-X.
  • Joseph B. Voyles, Early Germanic Grammar (Academic Press, 1992) ISBN 0-12-728270-X

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]