Língua feroesa

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Feroês (føroyskt)
Pronúncia: [ˈføːɹɪst]
Falado em: Ilhas Feroé, Dinamarca
Total de falantes: 60 000–80 000
Família: Indo-europeia
 Germânica
  Setentrional
   Escandinava
    Ocidental
     Feroês
Escrita: Alfabeto latino
Estatuto oficial
Língua oficial de: Ilhas Feroé
Códigos de língua
ISO 639-1: fo
ISO 639-2: fao
ISO 639-3: fao

A língua feroesa (ou feróica; nativamente føroyskt) é a língua oficial das Ilhas Feroé, falada pelos 47 000 habitantes da ilha mais cerca de 12 000 feroeses na Dinamarca. Junto com o islandês e com o extinto norn, é uma das três línguas escandinavas insulares descendentes do norueguês antigo.

História[editar | editar código-fonte]

O feroês deriva do Norueguês Antigo falada pelos povoadores noruegueses que se estabeleceram nas ilhas Féroes no século IX. Como nestas ilhas não houve uma era viking nem fontes medievais, conhece-se pouco sobre seu desenvolvimento até antes da Reforma. Durante a reforma, a línguas nas Féroes foi o dinamarquês, sendo esta língua até o século XIX o meio de transmissão da língua escrita nas ilhas.

Os únicos resquícios de feroes da época anterior à Reforma são documentos épicos medievais realizados por copistas nativos (aprox. século XVI), uns poucos fragmentos de canções do século XVII e documentos épicos ocasionais em escritos dinamarqueses (séculos XVI e XVII).

V. U. Hammershaimb, padre, político e linguista feroês, criador da moderna língua feroesa escrita, representado num selo das Ilhas Féroes

A língua nativa das ilhas (independentemente de seu status anterior à Reforma) havia se convertido no final do século XVI em pouco mais que uma língua familiar e de trabalho. Os assuntos públicos, religiosos e legais eram tratados em dinamarquês, além do uso ocasional do norueguês antigo em alguns manuscritos legais ou cópias dos mesmos.

Portanto, o conhecimento da evolução da língua nas ilhas Féroes, da sua ocupação até as primeiras tentativas de se gravar por escrito os textos orais da língua nativa, nos anos finais do século XVIII, é muito escasso. Devido à falta de status oficial no período posterior à Reforma o feroês sofreu uma série de conseqüências, sendo uma delas a forte influência do dinamarquês, especialmente no léxico.

Sua ortografia, estabelecida em meados do século XIX, deve muito ao antigo norueguês e um pouco ao islandês, tendo estas línguas influência na morfologia, sintaxe e léxico do feroês escrito. Ainda que cada povoado feroês tenha suas próprias características no estilo da língua, a compreensão mútua é total, e a capital, Tórshavn, converteu-se no centro lingüístico das ilhas, do que se pode supor que com o passar do tempo a língua falada nesta cidade se converta na variante normativa.

A língua escrita foi definida pelo lingüista e folclorista feroês Venceslaus Ulricus Hammershaimb em 1846. Em 1912 foi autorizada para uso em algumas escolas e igrejas e em 1938 se converteu na única língua para ensino nas escolas, no lugar do dinamarquês.

Dados[editar | editar código-fonte]

O feroês é a língua materna de cerca de 47.000 habitantes das Ilhas Feroé, um grupo de 18 ilhas no Atlântico Norte, a meio caminho entre a Escócia e a Islândia, constituindo, junto com o dinamarquês, as línguas oficiais do país. Estas ilhas perteceram à coroa norueguesa até 1816, quando passaram ao domínio da coroa dinamarquesa, recebendo um status semi-independente em 1948.

Dialetos[editar | editar código-fonte]

A partir do século XVIII, pelo menos, o feroês experimentou uma considerável variação lingüística. Foram definidas fronteiras dialetais básicas, nas quais cada povoado conta com uma forma de falar própria e definida. A maioria das diferenças se observa na ordem fonológica, ainda que não existam problemas de incompreensão mútua; ao contrário, cada pessoa usa sua própria variedade de língua sem que ocorram dificuldades de entendimento.

Devido à imposição do dinamarquês como língua oficial, não se elaborou uma forma normativa de feroês, nem tampouco está claro que isso seja feito no futuro. Desde 1958, um instituto de línguas (e posteriormente um comitê lingüístico) tem observado a evolução do feroês, tendo as atividades desta instituição orientado seu trabalho a purificar a língua da influência dinamarquesa e de outros elementos estrangeiros o que pode ser considerado um possível formato para uma futura língua padrão.

Escrita[editar | editar código-fonte]

Disposição de um teclado em língua feroesa

Em contraste com o islandês, o feroês não possui tradição escrita até recentemente. Os textos mais antigos, exceto algumas características feroesas em textos noruegueses, são três canções de 1773. Desde o século XIX a língua feroesa deixou de ser uma língua meramente falada para ser uma língua ensinada na escola, dos jornais, igrejas e rádios, além da administração pública.

Alfabeto[editar | editar código-fonte]

Maiúsculas
A Á B D Ð E F G H I Í J K L M N O Ó P R S T U Ú V Y Ý Æ Ø
Minúsculas
a á b d ð e f g h i í j k l m n o ó p r s t u ú v y ý æ ø

Gramática[editar | editar código-fonte]

Como língua escandinava ocidental, a língua feroesa está relacionada com a islandesa e a vários dos dialetos noruegueses ocidentais e se desenvolveu a partir da língua falada pelos noruegueses que colonizaram as ilhas até o século IX. Ainda que haja variantes significativas em pronúncia de ilha a ilha não há verdadeiras variantes dialetais. É notável pelos vários ditongos desenvolvidos das antigas e simples vocais.

Os substantivos têm variações fortes e fracas, havendo três gêneros, dois números e quatro casos.

O artigo determinado singular masculino e feminino é hin e neutro hitt, com formas plurais hinir, hinar e hini.

A numeração de 1 a 10: ein, tvær, tríggir, fýra, fimm, seks, sjey, átta, níggju, tíggju; 11 ellivu, 12 tólv, 20 tjúgu 30 tríati, 40 fýrati.

Os verbos têm:
Três vozes: ativa, intemediária e passiva.
Modos: indicativo, subjuntivo e imperativo
Oito tempos: perfeito, imperfeito, mais-que-perfeito, futuro perfeito e passado condicional. Os tempos presente e imperfeito são simples, os demais compostos.

Os pronomes pessoais em terceira pessoa dintinguem gênero. Singular 1 eg, 2 , 3 hann, hon, tað; Plural 1 vit, 2 tit, 3 teir, tær, tey. O demonstrativo masculino e feminino é tann. O pronome relativo é /sum.

A ordem da frase é sujeito, verbo e objeto.