Maine de Biran

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Portal A Wikipédia possui o:
Portal de Filosofia
Maine de Biran.

Marie-François-Pierre Gonthier de Biran, filósofo francês (Bergerac, 29 de Novembro de 1766 - Paris, 20 de Julho (?) de 1824).

Filho de um médico, militou no corpo da guarda de Luís XVI. Em 1792 foi para sua propriedade em Bergerac, onde escapou da perseguição do período do Terror (1793/94), durante a Revolução Francesa. Em 1795, administrou o Departamento de Dordogne e, em 1797, tornou-se membro do Conselho dos Quinhetos, criado dois anos antes. Foi subprefeito de Bergerac sob o Primeiro Império (1804/14). Em 1811, como membro do corpo legislativo, manifesta publicamente sua oposição a Napoleão. Em 1815, torna-se membro da Câmara dos Deputados. No ano seguinte, foi conselheiro de Estado e, em 1818, tornou-se deputado até sua morte.

Seu trabalho filosófico foi realizado na forma de memórias, reflexões e diários. Através da meditação instrospectiva dos seus próprios estados físicos e psíquicos, chegou a concepção de que a consciência, entendida como uma substância independente, existe somente como esforço oposto à resistência do objeto externo. Na resistência é que se daria a consciência do "eu", resultado final da introspecção que iria além dos múltiplos estados, nos quais os sensualistas (como Condillac), dissolviam a subjetividade. Maine de Biran estabelece ainda uma distinção fundamental entre a impressão passiva (provocada pelo exterior) e a ativa (resultante da atividade interna do sujeito).

Seus esforços foram para constituir o que seria uma antropologia filosófica: a distinção entre vida animal, vida humana e vida espiritual. Seu pensamento manifestou uma evolução, através de etapas que podem ser caracterizadas como verdadeiras conversões ao platonismo e ao cristianismo.

Maine de Biran foi o iniciador da reação espiritualista que marcou a filosofia francesa no começo do século XIX. Sua vida, seus desenganos, sucessos e suas posições filosóficas estão presentes em Diário íntimo, considerada uma de suas melhores obras, e cuja edição definitiva somente apareceu em 1927, ou seja, mais de um século após sua morte.

Foi autor de poucas obras: A influência do hábito, de 1802, A decomposição do pensamento, de 1805, Relações entre o físico e o moral, de 1814.