Síndrome pós-aborto

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A síndrome pós-aborto, conhecida também como síndroma pós-traumático pós-abortivo ou por síndroma do trauma abortivo, é uma síndrome de características psicopatológicas que alguns médicos sustentam ocorrer em algumas mulheres após um aborto provocado.[1] Essa ainda é uma questão controversa e para a qual não existe ainda unanimidade entre os médicos.

Existem relatos de problemas mentais relacionados direta ou indiretamente ao aborto; uma descrição clássica pode ser encontrada na obra "Sobre a Psicopatologia da Vida Cotidiana", de Sigmund Freud.[2] No livro "Além do princípio de prazer", Freud salienta: "Fica-se também estupefato com os resultados inesperados que se podem seguir a um aborto artificial, à morte de um filho não nascido, decidido sem remorso e sem hesitação."[3]

Há médicos portugueses que duvidam, entretanto, da existência de tal do síndroma. Alguns outros[4] com resultados contrastantes.

Segundo as narrativas de algumas mulheres, "carregariam para o resto de suas vidas",[5][6] embora as mesmas pesquisas[6] digam que estas reações de culpa "podem ser entendidas como resultantes das normas sociais acerca do comportamento feminino tido como correto, assim como dos mecanismos de regulação social desse comportamento", chegando mesmo a algumas delas ser um "alívio" não terem de se submeter "ao descrédito familiar/social decorrente de uma gravidez inoportuna e indesejada".

Entre os efeitos manifestados sob a designação comum do síndroma pós-abortivo encontram-se:[7]

Tal Síndrome foi catálogada em inúmeras pesquisas, entre elas a do dr. Vincent Rue que no estudo da desordem ansiosa pós-traumática (DAPT), presente em ex-combatentes do Vietnã, que teria sua correspondente na síndrome pós-aborto).

Em um estudo com 331 mulheres russas e 217 mulheres norte-americanas,[19] foram encontradas as seguintes conseqüências para a saúde da mulher:

  • 65% das mulheres norte-americanas sondadas experimentou múltiplos sintomas de desordem de stress pós-traumático, os quais atribuíam ao seu aborto.
  • 64% das mulheres norte-americanas sentiram-se pressionadas por outros a escolher o aborto, em comparação com 37% das mulheres russas.
  • De um modo geral, as mulheres referiram mais reacções negativas do que positivas.
  • A reacção positiva mais mencionada foi o alívio, mas apenas 7% das mulheres russas e 14% das americanas a mencionaram.
  • As mulheres norte-americanas eram mais propensas a atribuir aos seus abortos pensamentos subsequentes de suicídio (36%), um aumento de consumo de drogas e álcool (27%) problemas sexuais (24%), problemas relacionais (27%), sentimento de culpa (78%) e incapacidade de auto-perdão (24%).
  • Aproximadamente 2% das mulheres americanas atribuíram ao seu aborto uma hospitalização psiquiátrica subsequente.

No Estados Unidos, Brenda Major, professora de Psicologia na Universidade do Sul da Califórnia, em Santa Bárbara, não argumenta contra a síndrome pós-parto, porém considera que o tratamento psicológico é fundamental para a sua recuperação das mulheres que passam por algum abalo.[4]

Um estudo com 13.000 mulheres no Reino Unido durante 11 anos comparou mulheres que realizaram por abortos e mulheres que quiseram ter um filho, tendo em conta antecedentes psicológicos, idade, situação matrimonial e educação. Em 1995, foram publicados os resultados: o nível de distúrbios psicológicos era semelhante em ambos os grupos[4] .

Já um estudo recente publicado no British Journal of Psychiatry concluiu que mulheres que fizeram aborto têm 30% mais chances e desenvolverem problemas mentais.[20]

Referências

  1. a b Gomez, Lavin C & Zapata, Garcia R. "Diagnostic categorization of post-abortion syndrome", Actas Esp Psiquiatr. 2005 Jul-Aug;33(4):267-72.
  2. FREUD, S. "Sobre a Psicopatologia da Vida Cotidiana (1901)". In: Edição Standard das Obras Completas de Sigmund Freud. Vol. VI. Rio de Janeiro: Ed Imago, 1976.
  3. FREUD, S. "Além do princípio de prazer (1920)". In: Edição Standard das Obras Completas de Sigmund Freud. Vol. XVIII. Rio de Janeiro: Ed Imago, 1976.
  4. a b c [1] Terra.com.br: Especialistas discutem síndrome pós-aborto
  5. [2] A Decisão de Abortar: Processo e Sentimentos Envolvidos
  6. a b [3] A experiência feminina com o abortamento induzido
  7. [4]
  8. a b [5] The course of mental health after miscarriage and induced abortion: a longitudinal, five-year follow-up study, BMC Med. 2005; 3: 18
  9. a b [6]
  10. a b [7] Legal abortion: a painful necessity. Soc Sci Med. 2001 Dec;53(11):1481-90
  11. [8] Abortion and guilt. Soins. 1998 Jun;(626):26-7.
  12. a b c [9] Psychological effects of abortion. Servir. 1998 Jan-Feb;46(1):5-7
  13. a b c d Fergusson, D.M., Horwood, L.J., & Ridden, E.M. (2006. [10] Abortion in young women and subsequent mental health. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 47(1), 16-24.
  14. [11] Predictors of anxiety and depression following pregnancy termination: a longitudinal five-year follow-up study. 1: Acta Obstet Gynecol Scand. 2006;85(3):317-23.
  15. [12] Washington Times: Abuse risk linked to abortion
  16. a b [13] A history of induced abortion in relation to substance use during subsequent pregnancies carried to term. American Journal of Obstetrics and Gynecology. Volume 187, Issue 6, December 2002, Pages 1673-1678
  17. a b [14] Substance use associated with unintended pregnancy outcomes in the National Longitudinal Survey of Youth. Am J Drug Alcohol Abuse. 2004 May;30(2):369-83.
  18. a b [15] Substance use among pregnant women in the context of previous reproductive loss and desire for current pregnancy. British Journal of Health Psychology, Volume 10, Number 2, May 2005 , pp. 255-268(14)
  19. Rue, V. M., P. K. Coleman, J. J. Rue and D. C. Reardon (2004). Induced abortion and traumatic stress: A preliminary comparison of American and Russian women. Medical Science Monitor 10(10): SR5-16.
  20. [16]
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