Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre

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Hospital
Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre
Nome completo Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre
Localização Porto Alegre,  Brasil
Fundação 1814
Tipo Público e Privado
Universidade afiliada Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)
Emergência Sim
Leitos 1 042
Especialidades Diversas
Site Página Oficial
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O Complexo Hospitalar Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, cujo nome oficial é Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, é um conjunto de sete hospitais de várias especialidades localizado no Centro Histórico da cidade de Porto Alegre, Brasil. A Santa Casa de Misericórdia, fundada em 1814, tem uma origem que se confunde com a história da cidade, tendo prestado relevantes serviços à comunidade, e hoje seus hospitais são hospitais de ensino da UFCSPA e instituições de referência em sua área.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Até início do século XIX Porto Alegre não dispunha de nenhum hospital, e os doentes eram atendidos em seus domicílios ou em dois albergues-enfermarias precários, um administrado por Ângela Reiuna e José Antônio da Silva na Praia dos Nabos a Doze, e outro construído por volta de 1795 na Praia do Arsenal por José da Silva Flores e Luís Antônio da Silva.[1]

Estátua do Irmão Joaquim Francisco do Livramento, nos jardins internos da Santa Casa.
Aspecto da Santa Casa em 1860.

Chegando à província o Irmão Joaquim Francisco do Livramento, ermitão itinerante dado à caridade, que, já tendo fundado antes a Santa Casa de Misericórdia do Desterro, na Ilha de Santa Catarina, associou-se aos dois últimos benfeitores a fim de criar em Porto Alegre instituição semelhante. Como tais Casas de Misericórdia necessitavam de autorização régia para funcionarem, em 3 de abril de 1802 o Senado da Câmara elaborou uma petição ao Príncipe Regente Dom João para que se desse permissão para tal. Um Real Aviso de 14 de maio do mesmo ano foi então expedido pelo Governador da Capitania, Paulo José da Silva Gama, autorizando o início da empreitada, e dando poderes à Câmara para eleger a primeira Mesa Administrativa do Hospital de Caridade de Porto Alegre, a qual foi eleita em 19 de outubro de 1803, escolhendo como tesoureiro o Capitão José Francisco da Silveira Casado, como escrivão Joaquim Francisco Álvares, e como procurador Luís Antônio da Silva. No seguinte dia 23 foi eleito como primeiro provedor o próprio governador Paulo da Silva Gama.[1]

Em fins de 1803 começou a construção da sede, sob direção do Brigadeiro Francisco João Rocio até 1806, ano de sua morte. Os provedores seguintes, o Marquês de Alegrete e o Conde da Figueira, planejaram alterar a designação do hospital para que atendesse aos doentes militares, o que gerou conflitos internos que prejudicaram a arrecadação de esmolas.[1]

Organizou-se com o status de Misericórdia, em 1814, com direito de receber esmolas, legados e outros rendimentos deixados para serem aplicados na construção de um hospital, cuja primeira enfermaria foi inaugurada em 1816.[2] Em 29 de maio de 1822 o Príncipe Dom Pedro confirmou à Irmandade da Santa Casa as prerrogativas comuns às outras Misericórdias, e assumiu a provedoria o Desembargador Luís Correia Teixeira de Bragança, que participando antes da Junta da Fazenda já defendera os interesses legítimos da Santa Casa contra os desmandos dos provedores anteriores. Conseguiu concluir as primeiras enfermarias, a cozinha e a capela, e passou a administração ao Visconde de São Leopoldo, que encontrou a instituição em condições de entrar em funcionamento.[1]

Os primeiros doentes foram admitidos em 1° de janeiro de 1826, sob os cuidados do cirurgião-mor Inácio Joaquim de Paiva e do enfermeiro Joaquim José Cardoso.[1] No ano seguinte adotou-se o compromisso da Misericórdia de Lisboa.[2] Em 1837 a Santa Casa passou a cuidar dos infantes expostos, passando a receber uma subvenção governamental de 12 contos de réis e a posse de todos os terrenos devolutos e aforados da cidade, bem como de suas respectivas rendas.[1] Em 1855 a Santa Casa tinha cinco enfermarias: de homens, mulheres, menores, sócios da Beneficência Portuguesa e dos presos civis pobres.[2]

Em 1891, a pedido do arcebispo Cláudio José Gonçalves Ponce de Leão, a Congregação das Irmãs de São José, recém estabelecida no Rio Grande do Sul, foi convidada a administrar a Santa Casa.[3] Em 1895, o hospital possuía 180 leitos e uma média diária de 258 enfermos internados; já em 1920, recebeu 7.060 doentes, apresentando uma média diária de 400 a 450 pacientes, crescendo gradativamente.[2]

A Santa Casa no início do século XX

A transformação da Santa Casa em instituição educativa ocorreu lentamente; sua ocupação como escola para preparação dos alunos da Faculdade de Medicina, a partir de 1900, fez com que novas tecnologias fossem adotadas e a pesquisa se tornasse um elemento de modificação das condições do hospital, mas que só foi efetivamente realizada após os médicos terem assumido a administração.[2]

O Hospital São Francisco, para não-indigentes, foi erguido na administração do Dr. Aurélio de Lima Py, entre 1926 e 1930. A Maternidade Mário Totta foi criada em 1940, e mais tarde outras instituições floresceram do tronco principal da Santa Casa, como o Hospital da Criança Santo Antônio, o Hospital do Câncer e todos os que hoje perfazem o grande complexo hospitalar da Santa Casa de Misericórida de Porto Alegre. A instituição passou por uma longa crise financeira entre 1958 e 1983, mas a situação começou a mudar quando assumiu a provedoria o Cardeal Dom Vicente Scherer. Atualmente a Santa Casa é um hospital de referência em várias especialidades.[1]

Pela sua provedoria passaram diversas figuras ilustres, como o então Barão de Caxias, o Marechal Luís Manuel de Lima e Silva, o Barão de Guaíba, o Barão de Gravataí, o Dr. Ramiro Barcellos e o Tenente-coronel Antônio Soares de Barcelos.[1]

Hospitais[editar | editar código-fonte]

O complexo hospitalar da Santa Casa de Porto Alegre conta com sete hospitais.[4]

Hospital Santa Clara[editar | editar código-fonte]

O Hospital Santa Clara (HSC) é o maior e mais antigo hospital do complexo, fundado em 1803 e inaugurado em 1826. Conta com 371 leitos (destes, 38 de UTI) e 22 salas de cirurgia. É um hospital geral e responde por 63% dos atendimentos do SUS na Santa Casa. Atua principalmente em clínica médica, cirúrgica e na área materno-infantil, e abrange 28 especialidades, destacando-se a assistência clínica e cirúrgica em cardiologia, cirurgia geral e cardiovascular de alta complexidade.[5] Uma de suas unidades mais importantes é a Maternidade Mário Totta, fundada em 16 de novembro de 1940, a mais antiga do Estado. Realiza atendimentos de emergência de adulto e obstétrica.

Hospital São Francisco[editar | editar código-fonte]

Inaugurado em 1930, o Hospital São Francisco (HSF) é um centro de referência no sul do Brasil na área da cardiologia intervencionista e cirurgia de coronária, também na área pediátrica. Conta com 89 leitos (destes, 20 de UTI) e 5 salas de cirurgia.[6]

Hospital São José[editar | editar código-fonte]

O Hospital São José (HSJ) foi aberto ao atendimento em 1946, e é especializado em neurologia e neurocirurgia. Conta também com os serviços de neurofisiologia clínica e neurorradiologia. Conta com 82 leitos (destes, 13 de UTI) e 3 salas de cirurgia.[7]

Hospital Pavilhão Pereira Filho[editar | editar código-fonte]

Estatísticas da Santa Casa [8]
Hospitais 7
Leitos 1.042 (129 de UTI)
Consultórios 231
Médicos 2.200
Funcionários 6.322

O Pavilhão Pereira Filho (PPF), inaugurado em 1956, é especializado em Pneumologia clínica, cirurgia torácica e radiologia do tórax. É uma referência latino-americana no diagnóstico e tratamento pneumológico e pioneiro na América Latina em transplante pulmonar. Tem ainda expressiva produção científica e no ensino de graduação e pós-graduação. Conta com 78 leitos (destes, 12 de UTI) e 3 salas de cirurgia.[9]

Hospital Santa Rita[editar | editar código-fonte]

O Hospital Santa Rita (HSR), especializado em oncologia, funciona desde 1967. Possui o maior parque radioterápico do país e um laboratório de medicina nuclear. Conta com 178 leitos (destes, 10 de UTI) e 6 salas de cirurgia.[10]

Hospital da Criança Santo Antônio[editar | editar código-fonte]

O Hospital da Criança Santo Antônio (HCSA) é especializado em pediatria. Conta com 180 leitos (destes, 30 de UTI) e 6 salas de cirurgia. Realiza atendimentos de emergência pediátrica. Seus espaços são todos adaptados aos pacientes infantis.[11] É um hospital acreditado pela Joint Comission International.

Hospital Dom Vicente Scherer[editar | editar código-fonte]

O Hospital Dom Vicente Scherer (HDVS), a mais nova unidade da Santa Casa, inaugurado em 2001, além de um centro clínico, possui o único centro exclusivo para transplantes da América Latina. Realiza atendimentos de emergência. Conta com 64 leitos (destes, 11 de UTI), 4 salas de cirúrgicas para transplante e 6 salas cirúrgicas ambulatoriais.[12]

Centro Histórico-Cultural Santa Casa[editar | editar código-fonte]

Frascos de medicamentos do século XIX

Atualmente um conjunto de casas geminadas anexas à Santa Casa, no lado da avenida Independência, estão sendo adaptados para se transformarem num grande centro cultural, o Centro Histórico-Cultural Santa Casa,[13] cuja inauguração está prevista para outubro de 2013.[14]

O centro deverá contar com uma pinacoteca de retratos de personalidades ligadas à história da instituição e figuras importantes na história do estado e do Brasil; um arquivo com cerca de 200 mil documentos históricos, como livros de óbitos, registros dos infantes expostos, prontuários médicos e testamentos; uma fototeca com cerca de 12 mil imagens; um museu com uma variedade de objetos médicos e farmacêuticos que ilustram a evolução das artes médicas no estado; uma biblioteca aberta à consulta do público, com obras científicas, didáticas e de literatura em geral, e o Arquivo Histórico de Medicina, com documentos datando desde 1843. Também haverá uma cafeteria, teatro, salas multiuso e salas de exposição.[14] Escavações arqueológicas realizadas sob os alicerces dos edifícios durante o processo de seu restauro e adaptação revelaram uma grande quantidade de objetos que serão incorporados ao futuro museu, como louças, ferramental variado e frascos de medicamentos.[15]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h Franco, Sérgio da Costa. Guia Histórico de Porto Alegre. Porto Alegre: EdiUFRGS, 2006, 4ª ed. pp. 359-362
  2. a b c d e Caridade e Assistência Social: instituições leigas de assistência no Rio Grande do Sul, 1880-1920. Santa Maria: UFSM
  3. Cheuiche, Edson Medeiros. Fragmentos Históricos do Hospital Psiquiátrico São Pedro, na Porto Alegre do século XIX a meados do século XX. Porto Alegre: [s.n.], 2012.
  4. Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Relatório Anual e Balanço Social, 2010, p. 11
  5. Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, pp. 22-25
  6. Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, pp. 26-28
  7. Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, pp. 29-30
  8. Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Nossos Números. Consulta em 04/04/2013
  9. Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, pp. 36-38
  10. Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, pp. 39-40
  11. Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, pp. 34-35
  12. Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, pp. 41-43
  13. "Santa Casa anuncia centro cultural para 2012". In: Zero Hora, 17/10/2011
  14. a b Centro Histórico-Cultural Santa Casa. O Projeto.
  15. Centro Histórico-Cultural Santa Casa. Nossa Sede.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]