Teodorico Estrabão

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Marino
Nacionalidade Império Bizantino
Etnia Ostrogodo
Cônjuge Sigilda
Filho(s) Recitach
Ocupação Oficial
Título

Teodorico Estrabão[nt 1] (m. 481) foi um chefe ostrogodo que esteve envolvido na política do Império Bizantino durante o reinado dos imperadores Leão I, o Trácio (r. 457–474), Zenão I (r. 474–475)/(r. 476–491) e Basilisco (r. 475–476). Pelo controle dos ostrogodos, Teodorico foi rival de seu parente Teodorico, o Grande que acabou por suplantá-lo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Teodorico foi filho de Triário e um chefe dos godos da Trácia; teve dois irmãos. A esposa do general alano Aspar era sua irmã.[1] Estrabão teve uma esposa, Sigilda, e um filho chamado Recitach. Ele foi o contemporâneo do mais famoso Teodorico, o Amal, que era um godo mésio da família real Amal, e que viria a ser conhecido como Teodorico, o Grande.[nt 2] Por volta de 459, é atestado com uma relação de amizade com o Império Bizantino, possivelmente um federados, recebendo um subsídio anual dos bizantinos.[2]

Sob Leão I[editar | editar código-fonte]

Soldo de Leão I, o Trácio (r. 457–474)

Em 471, o alano Aspar, no período mestre dos soldados (magister militum) do imperador Leão I, o Trácio (r. 457–474), foi assassinado por ordem do próprio imperador. Estrabão, que estava no comando de seu povo na Trácia, revoltou-se para vingar seu parente, mas foi derrotado pelos generais bizantinos Zenão e Basilisco, ambos posteriores imperadores. No entanto, Estrabão foi capaz de criar três condições para acabar com sua inquietude: receber as propriedades deixadas como legado por Aspar, ser autorizado a saldar seus godos na Trácia e ser elevado a categoria de mestre dos soldados Desde que Leão tinha rejeitado os pedidos, oferecendo o posto de mestre dos soldados apenas em troca de um juramento de lealdade, Estrabão começou uma campanha militar contra as cidades da Trácia. Parte do exército gótico atacou Filipos (ou Filipópolis), enquanto ele liderou os homens restantes para atacar e ocupar Arcadiópolis. Quando os godos ficaram sem abastecimentos, Teodorico assinou a paz com Leão (473), de acordo com o qual os bizantinos foram obrigados a pagar ca. 907 quilos de ouro para os godos, cuja independência foi reconhecida, e Estrabão obteve seu posto de mestre dos soldados.[2]

Sob Zenão[editar | editar código-fonte]

Soldo do imperador Basilisco.
Tremisse de Zenão I (r. 474–475)/(r. 476–491)

Com a morte de Leão (janeiro de 474), Estrabão se rebelou contra o recém-nomeado imperador Zenão. Ele matou Heráclio, o mestre dos soldados da Trácia, apesar do pagamento de um resgate, provavelmente porque Heráclio estava envolvido no assassinato de Aspar. O apoio de Teodorico foi fundamental para a derrubada de Zenão e a ascensão de Basilisco no trono bizantino (475), de modo que Basilisco confirmou-lhe o título de mestre dos soldados e deu-lhe outras honrarias. Contudo, Teodorico esteve muito chateado quando Basilisco nomeou seu sobrinho Armato mestre dos soldados na presença (magister militum praesentialis), porque ele o desprezava. Quando Zenão retornou a Constantinopla em 476 e derrotou Basilisco, Estrabão não é relatado como defensor da cidade.[2] [nt 3]

Em 476/477, Zenão aliou-se com o rival de Estrabão, Teodorico, o Amal, e ordenou-lhe atacar Estrabão. O líder dos godos trácios enviou uma embaixada ao imperador bizantino, que ofereceu paz além de culpar o Teodorico mésio. Zenão entendeu que a oferta escondia uma conspiração adicional, e obteve do senado e do exército bizantino o direito de declarar Estrabão um inimigo público.[2]

O plano de Zenão I era que os dois Teodoricos atacassem um ao outro. Ele enviou o Amal contra Estrabão, com a promessa de um enorme reforço das tropas romanas (478). Quando Teodorico, o Amal chegou através das montanhas do Monte Sundis, não encontrou o reforço do exército romano que esperava, mas sim o exército de Teodorico Estrabão, em um acampamento fortemente fortificado. Estrabão provocou Amal, correndo na sua frente para o campo dos godos mésios alegando que a liderança de Amal havia reduzido o godos a disputar entre si, somente para o ganho romano, sem ter nenhuma riqueza pela qual eles tiveram que mudar seus territórios. Com esse discurso lembrando o interesse comum do godos, Estrabão forçou Amal a pedir a paz. Os dois Teodoricos concordaram em apresentar um pedido conjunto ao imperador romano, a fim de estender para o sul o território de assentamento dos godos da Mésia Secunda.[4]

Zenão tentou dividir os dois Teodoricos, subornando Amal, que recusou. O exército imperial obteve alguns êxitos iniciais, no entanto, Zenão não tirou proveito de suas vitórias, permitindo que Amal se movesse para o oeste, na Trácia, saqueando os territórios. Com Amal longe, Estrabão aceitou um acordo com Zenão: Estrabão recebeu de volta sua riqueza, dinheiro para pagar 13 mil soldados, o comando de duas unidades palatinas, e mais uma vez o título de mestre dos soldados. No entanto, o exército de Teodorico Estrabão, com 30 mil homens fortes ainda era uma ameaça para Zenão, que convenceu os búlgaros[nt 4] a atacar os godos trácios na sua própria base. Estrabão derrotou os búlgaros em 480/481, e se mudou para Constantinopla, contudo, teve que lidar com problemas com seus próprios homens, não podendo aproveitar-se de suas vitórias e sendo forçado a regressar à Grécia. No caminho de volta, durante um acampamento em Estábulo de Diomedes (em latim: Stabulum Diomedis), perto de Filipos, na Trácia, ele estava tentando montar em um cavalo rebelde, quando caiu sobre uma lança pendurada diante de uma tenda ou pendurada em um vagão e morreu.[4]

Na ficção[editar | editar código-fonte]

No romance Raptor de Gary Jennings, Estrabão é um personagem importante. No livro, o Estrabão fictício tem seus membros amputados pelo personagem principal, Thorn, que foi no tempo marechal de Teodorico, o Grande. Alguns anos mais tarde, Estrabão morreu antes de uma batalha iminente com Teodorico, o Grande, quando foi levantado por uma maca e derrubado sobre a ponta da lança de um soldado. Embora Estrabão tenha morrido realmente na lança de um soldado, a maneira específica de suas amputações e morte eram invenções do autor.

Notas

  1. "Estrabão" ("estrábico") foi uma palavra usada pelos romanos para alguém cujos olhos eram distorcidos ou tortos.
  2. De acordo com João de Antioquia (214.3), Teodorico, o Amal era o primo de Recitach (Bury). Embora de origem gótica, conservando Teodorico como núcleo tradicional gótico, é negada a adesão hostil de Teodorico entre os Amal; estudiosos modernos, tais como Wolfram (1990:32, 247f), confirmam uma relação entre os dois.
  3. Zenão tornou-se aliado nesta ocasião de Teodorico, o Amal, cujos godos haviam se mudado para atacar o Império Bizantino. Tem sido sugerido que Constantinopla estava indefesa durante o cerco de Zenão, pois o mestre dos soldados Estrabão tinha se mudado para o norte para combater essa ameaça.[3]
  4. Por búlgaros deve-se entender possivelmente hunos.

Referências

  1. Wolfram 1990, p. 32
  2. a b c d Martindale 1980, p. 1073-1074
  3. Heather 1998, p. 158-159
  4. a b Wolfram 1990, p. 32; 270-276

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Wolfram, Herwig. History of the Goths. Londres: California University Press, 1990. ISBN 0-520-06983-8.