Usina Hidrelétrica de Tucuruí
| UHE Tucuruí | ||||||||||||||||||||||||
|
||||||||||||||||||||||||
A Usina Hidrelétrica de Tucuruí é uma central hidroelétrica no Rio Tocantins, no município de Tucuruí (a cerca de 300 km ao sul de Belém), no estado do Pará, com uma capacidade geradora instalada de 8.370 MW.
Em potência instalada, Tucuruí é a maior usina hidroelétrica 100% Brasileira. (A usina de Itaipu tem potência instalada maior, 14.000 MW, mas é dividida entre o Brasil e o Paraguai.) Seu vertedouro, com capacidade para 110.000 m3/s, é o segundo maior do mundo. A construção foi iniciada em 24 de novembro de 1974.[1] A usina foi inaugurada em 22 de novembro de 1984 pelo presidente João Figueiredo com capacidade de 4000 MW, ampliados em meados de 2010 para 8.370 MW.[2] A usina atende principalmente a demanda residencial e industrial nos estados de Pará, Maranhão e Tocantins, e complementa também a demanda do resto do país.[1] Uma eclusa e um canal de 5,5 km possibilita a navegação fluvial entre Belém e Santa Isabel.[2]
A barragem de tucuruí, de terra, tem 11 km de comprimento e 78 m de altura. O desnível da água varia com a estação entre 58 e 72 m. O reservatório tem 200 km de comprimento e 2.850 km2 de área quando cheio, ou seja 0,341 km2 por MW instalado. Quando o nível é mínimo (62 m), a área alagada diminui em cerca de 560 km2. A vazão média do rio ao longo do ano nesse ponto é aproximadamente 11.000 m3/s;[3][1] a máxima observada (março de 1980) foi 68.400 m3/s.[3][1] O reservatório tem volume total de 45,5 km3 (para cota de 72 m) e volume útil de 32,0 km3[3][1] A usina está ligada à rede nacional pela linha de transmissão entre Presidente Dutra (Maranhão) e a Usina Hidrelétrica de Sobradinho, via Boa Esperança (Piauí).
Índice |
[editar] Histórico
Os primeiros estudos de engenheiros brasileiros para aproveitamento hidrelétrico do Rio Tocantins começaram por volta de 1957. O projeto ganhou força na década de 1960 como parte de políticas do Governo Federal para o desenvolvimento e integração da Amazônia, e para atender a indústria de alumínio gerada pelos jazigos de bauxita da região. Outro objetivo era possibilitar a navegação naquele trecho do rio, originalmente cheio de corredeiras.[1]
O projeto civil foi feito pelo Consórcio Projetista Engevix-Themag com estudos hidráulicos realizados no Laboratório de Hidráulica Saturnino de Brito por André Balança e Jorge Rios. A cconstrução coube à Construtora Camargo Corrêa, e quebrou todos os recordes mundiais de terraplenagem, exigindo 50.223.188 m3 de escavações, 41.600.000 m3 de aterro, e 6.000.000 m3 de concreto.[1]
As turbinas e suas instalações foram projetadas na França pelo laboratório da Neyterc na cidade de Grenoble. Seis turbinas foram construídas no Brasil e as outras seis na França.
Para abrigar os operários e famílias foram criadas pela Eletronorte as vilas residenciais Pioneira, Temporária I e Temporária II. As Vilas Temporárias I e II eram construídas em madeira e incluíam, além das residências, um centro comercial com um cinema, uma Escola Infantil (Chapeuzinho Vermelho), um hospital e um clube social. Construída anos mais tarde, em alvenaria, a Vila Permanente dispunha também de um aeroporto, um porto fluvial e um grande hospital para atendimento da população local, além dos funcionários da construção. Essas vilas eram condomínios fechados no meio da selva amazônica, com água e esgoto tratados, ruas pavimentadas, supermercados, e escolas desde creche até o nível técnico. A partir de 1984, finalizada a primeira etapa da construção da hidrelétrica as vilas temporárias foram gradualmente desativadas, ao mesmo tempo que se desenvolvia a infra-estrutura urbana da cidade de Tucuruí.
[editar] Custos e impacto econômico
O município de Tucuruí recebe royalties pela produção de energia elétrica e pela área inundada pela barragem, e por isso é a cidade com segundo maior orçamento no Pará, depois de Belém. Graças a esses recursos, a partir dos anos 1990 ela progrediu muito em urbanização e infra-estrutura.
Desde a construção em 1981 até a conclusão das eclusas em 2010 a barragem de Tucuruí interrompeu a Hidrovia Tocantins-Araguaia, um trecho vital para o escoamento da produção do Centro-Oeste do Brasil. A conclusão das eclusas, suspensas por mais de 25 anos por falta de recursos, possibilitou a retomada da navegação até o Porto de Vila do Conde.
O custo da Fase I da barragem foi US$ 7,5 bilhões (dólar de 1986), incluindo US$ 2 bilhões (23%) de juros do financiamento. As linhas de transmissão e sub-estações custaram outros US$ 1,3 bilhões.[1] Os custos de manutenção e operação médios (1995 a 1998) foram US$ 13,8 milhões por ano (em dólar de 1998). A produção entre 1995-99 foi em média 22,4 TWh por ano, a um custo unitário médio entre US$ 34 e US$ 58 por MWh, dependendo do modelo contábil usado. Em comparação, a tarifa média nacional nesse período era US$ 70 por MWh.[1] Entretanto, os benefícios econômicos regionais e nacionais esperados da usina nesse período foram perdidos por conta de tarifas muito reduzidas (US$ 24/MWh em 1998) oferecidas às grandes indústrias, especialmente de alumínio (japonesas, canadenses e norte-americanas), por compromsso assumidos no início do projeto. Outro agravante foi a decisão do governo de usar cimento nacional a um preço elevado, para beneficiar os produtores nacionais, em vez de importar cimento mais barato da Colômbia.[1]
Em 1998 a Fase 2 estava prevista para custar US$ 1,35 bilhões e a finalização das eclusas US$ 340 milhões, e um custo de US$ 20/MWh[1].[1]
[editar] Impacto ambiental e social
Tucuruí foi construída entre 1974 e 1985, durante a ditadura militar, numa época em que havia relativamente pouca preocupação com questões ambientais e desprezo geral por direitos civis.[1] As poucas leis que existiam, como o Códigode Águas, foram geralmente ignoradas. [1]
O plano inicial previa desmatamento da região a ser alagada, mas no fim apenas 140 km2 dos 2.850 km2 foram limpos, com perda de 2,5 milhões de m3 de madeira potencialmente comercializável. Essa omissão prejudicou enormemente a qualidade da água no reservatório pelas décadas seguintes, criando uma zona sem oxigênio abaixo de alguns metros e tornando a água imprória para abastecimento e natação em partes do mesmo. Estes problemas são mais sérios nos períodos de seca, quando a água do reservatório fica parcialmente estratificada.[1]
Por conta desse fenômeno, a jusante da barragem, numa extensão de 40 km, a parte esquerda do rio foi tomada por um fluxo de água anóxica, retirada das camadas mais profundas do reservatório pela tomada das turbinas. Além de prejudicar a pesca das populações da região, essa água libera uma quantidade significativa de metano, um gás com efeito estufa 21 vezes maior que o dióxido de carbono.[1] Segundo algumas estimativas, a contribuição desse metano para o aquecimento global pode ser o triplo do CO2 que seria produzido por uma usina termoelétrica de potência equivalente.[4] Entretanto, esta conclusão foi disputada.[5][1]
A construção de Tucuruí também levou à proliferação de mosquitos e o aumento de casos de malária. Estima-se que houve perda de biodiversidade, especialmente de espécies de peixes adaptados às corredeiras ou que migravam ao long do rio. (Em Tucuruí não foi construída nenhuma escada para peixes, precaução hoje considerada essencial para barragens nesse ambiente.) Há sinais de elevação na quantidade de mercúrio na água, de origem desconhecida. A pesca a jusante diminui de 1000 para 500 toneladas por ano; porem, na região do reservatório ela aumentou de 300 para mais de 3000 toneladas por ano, entre 1981 e 1998[1]
Enquanto boa parte da população a montante, incluindo grandes proprietários do vale de Caraipé e as tribos indígenas Parakanã, foi em parte indenizada e contemplada com investimentos em infra-estrutura, a tribo Gavião da Montanha e toda a população a jusante, incuindo os índios Assurini, não recebeu indenização alguma.[1]
[editar] Ver também
[editar] Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r s Secretariado da comissão Mundial de Barragens (2000), "Usina Hidrelétrica de Tucuruí (Brasil)". Acessado em 2011-11-29.
- ↑ a b Usina Hidroelétrica de Tucuruí. Acessado em 2011-11-29
- ↑ a b c V.M. Ferreira, A. Barbosa, I. R. Costalonga CONTROLE HIDRÁULICO DO RESERVATÓRIO DA UHE TUCURUÍ. Acessado em 2011-11-29
- ↑ Phillip Fearnside.
- ↑ Luiz Pinguelli Rosa.