Grupo Camargo Corrêa

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Grupo Camargo Corrêa
Grupo Camargo Corrêa S.A.
Tipo Empresa de capital fechado
Indústria Cimento, Concessões de Energia e Transportes, Engenharia, Vestuário, Construção, Calçados, Incorporação, Naval e outras
Fundação 27 de março de 1939
Fundador(es) Sebastião Camargo, Sylvio Brand Corrêa e Mauro Marcondes Calasans
Sede São Paulo, SP,  Brasil
Proprietário(s) Participações Morro Vermelho

S.A

Presidente Vitor Hallack
Empregados 57.700 (2012)
Faturamento Aumento R$ 23,372 bilhões (2012) [1]
Página oficial www.camargocorrea.com.br

O Grupo Camargo Corrêa é uma holding de capital fechado,[2] com sede na cidade de São Paulo, que tem atuação em diversos segmentos da economia, tais como engenharia, construção, energia, transportes, cimento, calçados, entre outros.

História[editar | editar código-fonte]

O início do grupo foi em 27 de março de 1939 na cidade de São Paulo, estado de São Paulo, com a fundação de uma construtora, cuja razão social era Camargo, Corrêa & Companhia Limitada – Engenheiros e Construtores.

Os sócios fundadores foram Sebastião Camargo, Sylvio Brand Corrêa e Mauro Marcondes Calasans. A sede era na rua Xavier de Toledo, centro da capital paulista e o investimento inicial aplicado foi de 200 contos de réis.[3]

Crescimento[editar | editar código-fonte]

Ao longo da sua trajetória, o grupo se diversificou em várias áreas de negócios, incluindo obras de infraestrutura no Brasil e no exterior:

A empresa cresceu no ramo de engenharia e construção, principalmente entre 1968 e 1973, período conhecido como do Milagre econômico brasileiro, tornando-se um grupo diversificado.

Em 2012, atuava em 20 estados brasileiros e em 21 países, encerrando o ano com 57,7 mil funcionários.[2] Suas áreas de atuação são: engenharia e construção, incorporação, naval, cimento, vestuário e calçados, concessões de transporte e energia e outros (menos que 1% da receita) como o de agropecuária.[1]

Desempenho financeiro[editar | editar código-fonte]

As receitas líquidas do Grupo em R$ bilhões, por ano, foram: 10,484 (2007), 13,167 (2008), 16,183 (2009), 17,937 (2010), 17,304 (2011) e 23,372 (2012).[4] (pg.4) [1]

Em 2012, os principais negócios do Grupo - Cimentos, Engenharia e Construção, Concessões de Energia e de Vestuário/Calçados - representaram 84,2% da receita líquida. O setor de cimentos foi o de melhor desempenho, representando 29,9%.[1]

Participação na receita líquida do grupo em 2012 de cada um desses principais negócios:[1]

  • Cimentos: 29,9%
  • Engenharia e Construção: 24,9%
  • Concessões de Energia: 16,5%
  • Vestuário/Calçados: 12,9%

Controle[editar | editar código-fonte]

Com a morte em 20 de abril de 2013, da viúva de Sebastião Camargo, Dirce Navarro de Camargo, que estava no controle do grupo, este passou a ser controlado pelas filhas do casal, Renata de Camargo Nascimento, Regina Camargo Pires Oliveira Dias e Rosana Camargo de Arruda Botelho, representadas pelos maridos de Renata e Regina, respectivamente Luiz Roberto Ortiz Nascimento e Carlos Pires Oliveira Dias. O marido de Rosana, Fernando de Arruda Botelho, faleceu em 13 de abril de 2012 em um acidente aéreo na cidade de Itirapina, interior de SP [5] [6] . Ele já havia ocupado o cargo de vice-presidente do grupo e se afastou do cargo, indicando o americano Albrecht Curt Reuter-Domenech no seu lugar.

O atual presidente do conselho de administração é Vitor Hallack.[7] .

Áreas de atuação[editar | editar código-fonte]

Cimento A InterCement Participações S.A. reúne os ativos do negócio cimento e atua em nove países (Brasil, Egito, Portugal, Argentina, Cabo Verde, Moçambique, África do Sul e Paraguai). É integrada por 40 fábricas, com capacidade de produção de 38 milhões de toneladas por ano. Em 2012, a InterCement produziu 27 milhões de toneladas de cimento. O Grupo Camargo Corrêa, que era acionista da Cimpor (conglomerado português de cimento, concreto e agregados), concluiu em 2012 sua aquisição, passando a ter também presença marcante nos mercados de Portugal, Moçambique, Cabo Verde, Egito e África do Sul, além de saltar para o 2º lugar no Brasil, com um market share de 17%.

Concessões de Energia O Grupo Camargo Corrêa integra o bloco controlador da CPFL com 13% da participação. A empresa é líder no segmento de comercialização de energia e o segundo maior gerador privado do País de energia elétrica. A CPFL tem uma carteira de 7,2 milhões de clientes, atende uma população de 18 milhões de pessoas em 59 municípios. São 8.667 funcionários que atuam em 77 usinas. Outras 20 ainda estão em construção. Em 2012, a quantidade de energia distribuída foi de 56,5 mil de GWh.

Concessões de Transportes A Camargo Corrêa Investimentos Infraestrutura participa do bloco de controle da CCR S.A., o maior grupo privado de operação de infraestrutura de transporte na América Latina na área de rodovias, de transportes, como o Aeroporto de Juan Santamaria, em San José, na Costa Rica, de Quito e Curaçao. No final de 2012, a CCR administrava 2.438 quilômetros de rodovias nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. A empresa também é a operadora da Linha Quatro do Metrô de São Paulo, que transportou 170 milhões de passageiros em 2012. A CCR tem 11.019 funcionários.

Engenharia e Construção Nesse setor, o grupo é líder na construção de hidrelétricas com projetos na América do Sul e África. No Brasil, a companhia foi contratada para as obras de construção das hidrelétricas de Jirau, Belo Monte, Ituango e Batalha. Também participa da construção de linhas de metrô. refinarias, pontes, sistemas de abastecimento de água. Essa área emprega 25.134 pessoas.

Calçados A Alpargatas atua no segmento com as marcas Topper, Rainha, Mizuno, Timberland, Dupé, Havaianas e Sete Léguas. Em 2012, a empresa registrou recorde de vendas de sandálias com 240 milhões de peças comercializadas em todo o planeta. A empresa tem quatro fábricas no Brasil e oito na Argentina, e emprega 18,4 mil funcionários.

Vestuário Em 2012, o Grupo adquiriu 30% da Osklen com o objetivo de abrir novas oportunidades no mercado de moda e luxo.

Incorporação A Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário – CCDI [8] atua na incorporação de imóveis residenciais e comerciais e também no segmento da classe média emergente com a subsidiária HM Engenharia.

Naval Duas empresas são destaque nessa área de atuação do grupo. O Estaleiro Atlântico Sul (Pernambuco), que hoje é a maior empresa de construção naval do hemisfério sul; e da Quip S.A., especializada em implantar projetos de plataformas de petróleo offshore.

Em 2011, o grupo vendeu suas participações nos setores de siderurgia, gestão ambiental e aeroportuário.[4] (pg.9)

Participações acionárias[editar | editar código-fonte]

  • Construção e Comércio Camargo Corrêa (1939): 100%
  • Camargo Corrêa Equipamentos e Sistemas (1979): 100%
  • InterCement (1967): 100%
  • Loma Negra (1926): 99,46%
  • São Paulo Alpargatas (1907): 43,26%
  • Camargo Corrêa Energia (1997): 100%
  • Camargo Corrêa Transportes (1998): 100%
  • Ferrosur Roca (1993): 80%
  • Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (1996): 65,49%
  • Santista Têxtil (1929): 99,08%
  • Morro Vermelho Táxi Aéreo S.A. (1970): 100%
  • Arrossensal Agropecuária e Industrial (1965): 100%
  • Cauê Cimentos S.A. 99,88%
  • Yguazú Cementos S.A. 35%
  • Estaleiro Atlântico Sul: 49,5%
  • VCB 100%
  • CCR 17%
  • Unimar Transportes Coletivos LTDA

Fatos polêmicos[editar | editar código-fonte]

Investigação[editar | editar código-fonte]

Em março de 2009, a Polícia Federal deflagrou a Operação Castelo de Areia, que investigou indícios de crimes financeiros praticados pela construtora. [9] [10]

As investigações da PF apontaram para doações ilegais a sete partidos: PSDB, PPS, PSB, PDT, DEM, PP e o PMDB do Pará [11] [12] . O DEM, PPS e PSDB negaram ter recebido doações ilegais da construtora.

Em 01 de dezembro de 2009 o Ministério Público Federal indiciou Fernando Botelho, vice-presidente da empresa e mais dois diretores do grupo por crime de corrupção, fraude, falsidade ideológica, sonegação, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. [13]

Em janeiro de 2010, a Justiça autorizou a Polícia Federal a abrir 19 inquéritos para apurar atos de corrupção ativa e passiva envolvendo o grupo, órgãos, agentes públicos e obras, dentre as quais o Rodoanel Mário Covas e a Linha 4 do Metrô de São Paulo. [14]

Em 5 de abril de 2011, a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu que as escutas telefônicas e apreensão de documentos não tinham validade legal, pois foram autorizadas com base em uma única denúncia anônima [15] [16] , sem investigação preliminar ou indício de irregularidades, o que afrontava a garantia dos direitos individuais estabelecidos na Constituição Federal. Esta decisão na prática encerrou os atos jurídicos decorrentes da operação.

Barragem de Campos Novos[editar | editar código-fonte]

O grupo também participou do consórcio (Engevix Engenharia e GE-Andritz Hydro & Inepar do Brasil [17] [18] responsável pela construção da Barragem de Campos Novos, em Santa Catarina que colapsou em junho de 2006 [19] [20] causando extensos danos a região, tanto ambientalmente quanto para os moradores. O prejuízo foi estimado em aproximadamente 1 bilhão. [21]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e Grupo Camargo Corrêa. Relatório Anual 2012. Página visitada em 20 de Fevereiro de 2014.
  2. a b Perfil corporativo. Grupo Camargo Corrêa (2011). Página visitada em 20 de fevereiro de 2014.
  3. Camargo Corrêa_História (1909-1949). Grupo Camargo Corrêa. Página visitada em 20 de setembro de 2013.
  4. a b Grupo Camargo Corrêa. Relatório Anual 2011. Página visitada em 20 de Fevereiro de 2014.
  5. Exame (Brasil). 13/abr/2012 - Fernando de Arruda Botelho, da Camargo Corrêa, morre em acidente de avião. Página visitada em 10 de Fevereiro de 2013.
  6. Grupo Camargo Corrêa. 13/abr/2012- Comunicado. Página visitada em 15 de Fevereiro de 2013.
  7. Grupo Camargo Corrêa (2012). Conselho de administração. Página visitada em 20 de Fevereiro de 2014.
  8. Camargo Corrêa. Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário. Página visitada em 12 de Fevereiro de 2013.
  9. Folha de S. Paulo. 25/03/2009 - PF realiza operação contra crimes financeiros na Camargo Corrêa. Página visitada em 10 de Fevereiro de 2013.
  10. Correio Brasiliense. 02/12/2009 - Justiça nega pedido para anular ação penal da Operação Castelo de Areia. Página visitada em 10 de Fevereiro de 2013.
  11. O Globo. 25/03/2009 - Justiça cita 7 partidos que teriam recebido doações da Camargo Corrêa. Página visitada em 10 de Fevereiro de 2013.
  12. Folha de S. Paulo. 25/03/2009 - Investigações apontam que Camargo Corrêa fez doações ilegais a sete partidos. Página visitada em 10 de Fevereiro de 2013.
  13. Correio Braziliense. 02/12/2009 - Justiça nega pedido para anular ação penal da Operação Castelo de Areia. Página visitada em 10 de Fevereiro de 2013.
  14. Folha de S. Paulo. 14/01/2010 - PF abrirá 19 inquéritos na Castelo de Areia. Página visitada em 10 de Fevereiro de 2013.
  15. O Estado de S. Paulo. 07/04/2011 - STJ derruba Castelo de Areia. Página visitada em 10 de Fevereiro de 2013.
  16. Superior Tribunal de Justiça. 05/04/2011 - Castelo de Areia: autorização de escutas telefônicas apenas com base em denúncia anônima é ilegal. Página visitada em 10 de Fevereiro de 2013.
  17. Grupo Inepar. Fev/2012-Linha do Tempo – Histórico das Organizações INEPAR. Página visitada em 15 de Fevereiro de 2013.
  18. ANDRITZ HYDRO Brasil Ltda, São Paulo, Brasil. Página visitada em 15 de Fevereiro de 2013.
  19. ACIDENTES EM BARRAGENS BRASILEIRAS - BARRAGEM DE CAMPOS NOVOS. Página visitada em 15 de Fevereiro de 2013.
  20. CBDP. Comitê Brasileiro de Barragens -. Página visitada em 15 de Fevereiro de 2013.
  21. Consciencia.net. 27/jun/2006-Campos Novos: R$ 1 bilhão rio abaixo. Página visitada em 15 de Fevereiro de 2013.