Via de Cintura Interna

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IC 23 - Itinerários Complementares de Portugal
IC 23
21
Cruza com:
N 12, N 109

A Via de Cintura Interna - correntemente designada pela sigla VCI (também chamada IC23) - é uma auto-estrada em forma de anel que contorna a zona central dos núcleos urbanos do Porto e de Vila Nova de Gaia, em Portugal, numa extensão total de 21 km. Actualmente 30% da população da Grande Área Metropolitana do Porto vive "dentro" do anel da VCI.[1]

Características[editar | editar código-fonte]

VCI junto ao nó do Regado, em Paranhos

A VCI apresenta normalmente três vias de rodagem em cada sentido, com separadores centrais em betão do tipo "New Jersey" e separadores laterais metálicos (rails). Para reduzir a área ocupada, as bermas são geralmente pequenas. A VCI dispõe de radares de controlo de velocidade—limitada a 90 km/h --, postos SOS, câmaras de videovigilância e painéis de protecção acústica.

Ao longo de todo o seu trajecto de 21 km, a VCI intercepta a maioria das artérias urbanas do Porto e de Vila Nova de Gaia, contando com numerosas passagens superiores e inferiores e dois túneis em Vila Nova de Gaia: um sob a Avenida da República e outro sob o Jardim de Soares dos Reis. Os túneis estão dotados de ventilação, rede de detecção de incêndios e sistema de detecção de monóxido de carbono.

Via de Cintura Interna
VCI.svg
Mapa geral da VCI
Concelho: Porto e Vila Nova de Gaia
Freguesia(s): Porto: Massarelos, Lordelo do Ouro, Ramalde, Paranhos e Campanhã. Vila Nova de Gaia: Oliveira do Douro, Mafamude, Santa Marinha, Madalena, Canidelo e Afurada
Início: Ponte da Arrábida
Término: circular
Comprimento: c. 21.000 m
Abertura: 1963-2007
VCI 2(Porto).JPG
Radares de controlo de velocidade junto ao nó do Regado
Toponímia do Grande Porto

Em 1995 já circulavam na VCI, na margem norte do Douro, 130 mil veículos/dia, com 126 mil a passarem na Ponte da Arrábida e apenas 20 mil a circularem pela Ponte do Freixo. Saindo da VCI, seguiam para Norte 54 mil veículos diários pela Via AEP, 71 mil pela Via Norte e 90 mil pela A3, rumo a Braga e a Amarante (A4).[2]

Nos finais de 2006 a ponte da Arrábida suportava já uma média de 170 mil veículos por dia. Com a conclusão do anel da VCI em Janeiro de 2007, as previsões da empresa Estradas de Portugal apontavam para uma redução em cerca de 20 mil veículos por dia na Arrábida e um aumento de 35 mil no Freixo que passaria para perto dos 125 mil veículos/dia. A Ponte do Infante e o tabuleiro inferior da Ponte Luís I veriam o trânsito automóvel reduzido em 20%.[3]

História[editar | editar código-fonte]

Quem pela primeira vez propôs a construção de uma Avenida de Cintura que contornasse "a região nevrálgica da cidade, sede do comércio, escritórios, bancos, cafés, cinemas, teatros, hotéis, restaurantes, etc." foi Antão de Almeida Garrett, no seu Plano Geral de Urbanização da Cidade do Porto de 1947. Esta Avenida de Cintura começava na ponte projectada para a Arrábida e, ligando à Via Rápida de acesso a Leixões, à Via Norte de acesso a Viana do Castelo e Braga, a uma Via Noroeste em Contumil para aceder a Guimarães e Penafiel, fechava o arco numa nova ponte mista (rodo e ferroviária) que substituiria a velha Ponte Maria Pia. Convém lembrar que, em 1947, nenhuma destas vias ou pontes existia.

Ponte da Arrábida, primeiro troço da VCI entre Coimbrões e Francos

Mais tarde, em 1962, Robert Auzelle, no seu Plano Director retoma algumas das concepções anteriores, tentando dar resposta ao galopante trânsito automóvel. É delineada a Via de Cintura Interna, com assumido perfil de via rápida e já não de avenida urbana. Esta via, que começaria na Ponte da Arrábida (na época, ainda em construção), teria o seu término na Avenida de Fernão de Magalhães, junto à zona das Antas.

No ano seguinte é finalmente inaugurada a Ponte da Arrábida e construído o primeiro troço desta via até à antiga Rotunda de Francos onde se iniciava a Via do Marechal Carmona, como foi oficialmente baptizada a via rápida de acesso a Leixões, hoje Avenida AEP. Na verdade este troço era parte integrante da auto-estrada n.º 1 que, passando a Ponte da Arrábida, terminava logo uns 14 km mais a sul, nos Carvalhos.

Só 26 anos depois, em 1989, a VCI seria prolongada no Porto com a inauguração do tramo entre Francos e o Amial. Na altura já estavam adiantados os planos e estudos para a construção de uma nova ponte sobre o rio Douro, na zona oriental da cidade, por onde deveria passar a futura auto-estrada principal de ligação a Lisboa, substituindo a já muito congestionada Arrábida. Em 1994, a VCI é prolongada até às Antas, engolindo a Avenida de D. João II e substituindo a rotunda da Praça de D. Manuel I, a meio da Avenida de Fernão de Magalhães, por um nó rodoviário. No ano seguinte é construída a Ponte do Freixo e a VCI é prolongada até lá, para receber o trânsito que vinha de Sul.

A Sul do rio Douro, as obras seriam mais demoradas. Do lado ocidental, a VCI aproveita o troço da A1 entre a Ponte da Arrábida e Coimbrões, em Vila Nova de Gaia, aberto em 1963, e é construído um pequeno prolongamento para norte, para a zona da Barrosa, em 2002, dando acesso ao centro comercial GaiaShopping que acabava de ser construído. Um pouco mais tarde, a partir do nó do Areeinho, em Oliveira do Douro, na saída sul da Ponte do Freixo, é construído um novo tramo ligando a Avenida da República, junto ao El Corte Inglés.

Viaduto ligando a Avenida 25 de Abril à Corujeira, em Campanhã

Foi preciso esperar mais alguns anos, para que os 1.300 metros que faltavam para fechar o anel fossem concluídos, o que só veio a acontecer a 8 de Janeiro de 2007. Ou seja, 43 anos depois do seu início, a Via de Cintura Interna foi finalmente fechada!

Benefícios[editar | editar código-fonte]

A VCI é um anel rodoviário de fundamental importância para o Grande Porto e para toda a Região Norte. Redistribui os veículos entre as duas principais pontes sobre o Douro (Arrábida e Freixo), descongestiona o centro das cidades gémeas Porto e Gaia, reduz os engarrafamentos, aumenta a segurança, reduz os custos de transporte e a emissão de gases causadores do efeito de estufa.

Além de permitir a distribuição dos fluxos de tráfego regionais, servindo zonas residenciais, industriais, comerciais, universitárias e desportivas, a VCI também é utilizada pelo trânsito nacional para aceder às restantes auto-estradas (nomeadamente, A1, A3, A4, A28 e A41).

Espera-se que a conclusão da A41 (Circular Regional Externa do Porto) possa vir a deslocar para zonas completamente periféricas o trânsito de longo curso que, actualmente, ainda se vê forçado a recorrer à VCI.

Actualidade[editar | editar código-fonte]

A VCI/IC23 foi concessionada pela Estradas de Portugal à Auto-estradas do Douro Litoral (AEDL) em Maio de 2008.

Desde finais de 2007 que as infracções detectadas pelos radares da Via de Cintura Interna não têm consequências. A Estradas de Portugal diz que a responsabilidades sobre a gestão dos radares é do Instituto de Infra-Estruturas Rodoviárias (InIR) e este organismo, dependente do Ministério das Obras Públicas, remete a responsabilidades para o Ministério da Administração Interna. Que, por sua vez, encaminha para a Autoridade Nacional para a Segurança Rodoviária (ex- Direcção-Geral de Viação). Esta justifica que apenas lhe cabe proceder à instrução dos processos de contra-ordenação com base nos autos que lhe são remetidos. Conclusão: ninguém assume a responsabilidade pelo levantamento dos autos.[4]

Referências

Galeria de fotos[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]