Amade ibne Hambal

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Amade ibne Hambal
Nascimento dezembro de 780
Bagdá (Califado Abássida)
Morte 2 de agosto de 855 (74–75 anos)
Bagdá (Califado Abássida)
Cidadania Califado Abássida
Etnia Árabes
Filho(s) Abdullah ibn Ahmad ibn Hanbal, Salih ibn Ahmad ibn Hanbal
Ocupação muhadiz, alfaqui, teólogo, filósofo
Obras destacadas Musnad Ahmad ibn Hanbal
بن حنبل.png
Religião sunismo

Amade ibne Maomé ibne Hambal Abu Abdalá Chaibani (em árabe: احمد بن محمد بن حنبل ابو عبد الله الشيباني; romaniz.: Ahmad ibn Muhammad ibn Hanbal Abu `Abd Allah al-Shaybani; Bagdá, dezembro de 780 - Bagdá, 2 de agosto de 855) foi um importante jurisconsulto e teólogo muçulmano. É considerado o fundador da escola Hambali de fiqh (jurisprudência islâmica). O imame Ahmad é um dos mais célebres teólogos sunitas, muitas vezes chamado de "Xeque do Islão"[1] ou "Imame do Sunismo", a principal autoridade sobre a doutrina ortodoxa. O imame Ahmad personificou a visão teológica dos primeiros estudiosos ortodoxos e, em particular, os fundadores das três escolas jurídicas antes dele, Hanafi, Maliqui e chafeíta.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Juventude e família[editar | editar código-fonte]

Amade ibne Hambal nasceu no Iraque.[2] Sua família era de origem árabe.[3] O pai de Ahmad foi um soldado de Bagdá, que morreu quando Ahmad era jovem.[4]

Ahmad teve duas esposas e de acordo com o imame Ahmad e seu filho mais velho, tornou-se mais tarde um cádi em Isfahan.[1]Ahmad tinha uma relação muito próxima com seus filhos, em especial, com seu filho mais velho, Salih. Foi dito que Ahmad recitava frequentemente o capítulo Al-Kahf do Alcorão, e que costumava recitar o capítulo sobre uma tigela de água e de fazer seu filho beber dela, sempre que este ficava doente.[4]

A busca do conhecimento[editar | editar código-fonte]

A lei de Abu Daúde do Sigistão, de ibne Hambal. Um dos manuscritos literários mais antigos do mundo islâmico, produzido em Rabi I.266 (outubro de 879)

Ahmad mudou-se para o Iraque e estudou extensivamente em Bagdá, e depois usou suas viagens para dar continuidade à sua educação. Estava principalmente interessado em adquirir o conhecimento da Hádice e viajou através do Iraque, Síria e Arábia, estudando religião e coletando tradições do profeta Maomé. Suas viagens duraram vários anos. Ao voltar para casa, estudou com o imame Maomé ibne Idris Xafi sobre a lei islâmica.[5][6] Isto, e o fato de que era um estudioso da Hádice, foram responsáveis por sua profunda devoção à visão textual do Islã e sua oposição a qualquer tipo de inovação.[7] O imame Xafi, que era um gigante acadêmico em seu próprio direito, declarou:

"Deixei Bagdá, e não poderia ter deixado em meu lugar um homem melhor, com mais conhecimento, ou mais (compreensão) da fiqh, nem com maior taqwa (piedade), do que Amade ibne Hambal."[4]

Ibne Hambal passou quarenta anos de sua vida em busca do conhecimento, e só depois foi que assumiu a posição de mufti. Nessa altura, tinha domínio de seis ou sete disciplinas islâmicas, de acordo com Xafi. Tornou-se uma das maiores autoridades em Hádice e deixou uma colossal enciclopédia Hádice, Masnude Amade ibne Hambal, como uma prova viva da sua competência e dedicação a esta ciência. É também lembrado como um líder e o mais equilibrado crítico de Hádice do seu tempo. Manteve-se como o imame nas ciências do Alcorão, sendo autor de obras de exegese (Tafsir), de ciência da abrogação (al-Nasikh wal-Mansukh), bem como dos diferentes modos de recitações (Qira’at), preferindo alguns modos de recitação ao invés de outros, e até mesmo expressando desagrado para a recitação do Hâmeza devido ao seu alongamento exagerado das vogais. Ibne Hambal tornou-se um especialista principal da jurisprudência, já que teve o privilégio de beneficiar-se de alguns dos primeiros juristas famosos e de sua herança, como Abu Hanifa, Malique ibne Anas, Xafi, e muitos outros. Sua aprendizagem, piedade e fidelidade inabalável às tradições reuniu em torno de si um grande número de discípulos e admiradores. Ele ainda improvisou e desenvolveu a partir de escolas anteriores, tornando-se o fundador de uma nova escola independente de jurisprudência, conhecida como a escola Hambali. Alguns estudiosos, como Cutaiba ibne Saíde, observou que se ibne Hambal tinha testemunhado a era de Sufiane Tauri, Malique, Alauzai e Laite ibne Sade, teria superado todos eles. Apesar de ser bilíngue, tornou-se um especialista em língua árabe, poesia e gramática.[8][9]

Morte[editar | editar código-fonte]

Depois que o imame Ahmad completou setenta e cinco anos, foi acometido de doença grave e febre, e ficou muito fraco, mas nunca reclamou de sua enfermidade e dor, até morrer. Apesar de sua debilidade, pedia a seu filho, Salih b. Ahmad, para ajudá-lo a levantar-se para as orações. Quando era incapaz de se levantar, orava sentado, ou às vezes deitado de lado. Depois de ouvir sobre sua doença, as massas afluíam à sua porta. A família real também mostrou o desejo de visitá-lo, e, para isso buscou a sua permissão. No entanto, devido ao seu desejo de permanecer independente da influência de qualquer autoridade, Ahmad negou-lhes o acesso. Na sexta-feira, dia 12 de Rabi' al-Awwal 241 AH, o lendário imam deu seu último suspiro. A notícia de sua morte se espalhou rapidamente por toda parte da cidade e as pessoas inundaram as ruas para assistir ao funeral de Ahmad.[9] Quando ele morreu, foi acompanhado até seu local de repouso por um cortejo fúnebre de oitocentos mil (800.000) a um milhão e trezentos mil homens (1.300.000), ou por cerca de dois milhões de pessoas (2.000.000), conforme foi estimado por alguns estudiosos presentes no funeral[10] e por sessenta mil mulheres (60.000), marcando a despedida do último dos quatro grandes imames mujtahid do Islã.[11][7][8][9]

A mihna[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Mihna

Ibne Hambal já era famoso antes da inquisição do califa abássida Almamune (786–833) - conhecida como a mihna. Almamune quis afirmar a autoridade religiosa do califa, forçando os principais estudiosos daquele tempo a admitirem que o Alcorão foi criado, em vez de incriado. Amade ibne Hambal foi um dos poucos estudiosos que se recusaram a ceder ao califa, defendendo o poder crescente do ulemá para decidir questões de Direito e Teologia.

Obras[editar | editar código-fonte]

Os seguintes livros são encontrados no Fihrist de ibn al-Nadim:

  • Kitab al-`Ilal wa Ma‘rifat al-Rijal: "O Livro das Narrações Contendo Defeitos Ocultos e de Conhecimento dos Homens (de Hádice)" Riyad: Al-Maktabah al-Islamiyyah
  • Kitab al-Manasik: "O Livro dos Rituais de Hajj"
  • Kitab al-Zuhd: "O Livro de Abstinência", ed. Muhammad Zaghlul, Beirute: Dar al-Kitab al-'Arabi, 1994
  • Kitab al-Iman: "O Livro da Fé"
  • Kitab al-Masa'il: "Questões de Fiqh"
  • Kitab al-Ashribah: "O Livro das Bebidas"
  • Kitab al-Fada'il Sahaba: "Virtudes dos Companheiros"
  • Kitab Tha'ah al-Rasul: "O Livro de Obediência ao Mensageiro"
  • Kitab Mansukh: "O Livro de Abrogação"
  • Kitab al-Fara'id: "O Livro dos Deveres Obrigatórios"
  • Kitab al-Radd `ala al-Zanadiqa wa'l-Jahmiyya: "Refutações dos Hereges e dos Jahmitas "(Cairo: 1973)
  • Tafsir: "Exegese"
  • O Musnad

Notas

  1. a b Foundations of the Sunnah, por Amade ibne Hambal, pg 51-173
  2. Roy Jackson, "Fifty key figures in Islam", Taylor & Francis, 2006. p 44: "Abu Abdallah Ahmad ibn Muhammad ibn Hanbal ibn Hilal al-Shaybani nasceu em Bagdá no Iraque em 780"
  3. H. A. R. Gibb et al., eds. (1986). «Aḥmad B. Ḥanbal». Encylopaedia of Islam. A-B. 1 New ed. Brill Academic Publishers. p. 272. ISBN 90-04-08114-3. Aḥmad B. Ḥanbal era um árabe, pertencente a Banū Shaybān, de Rabī’a,... 
  4. a b c The Creed of the Four Imaams, seção 7, por Muhammad Ibn 'Abdur-Rahmaan al-Khumayyis
  5. [1]
  6. al-Dhahabi, Siyar A`lam al-Nubala’ 9:434-547 #1876 e Tadhkira al-Huffaz 2:431 #438
  7. a b http://www.turntoislam.com/forum/showthread.php?t=62851
  8. a b http://en.academic.ru/dic.nsf/enwiki/236905
  9. a b c http://www.islamicboard.com/islamic-history-biographies/34070-imaam-ahmad-ibn-hanbal.html
  10. «Cópia arquivada». Consultado em 9 de fevereiro de 2011. Arquivado do original em 13 de julho de 2011 
  11. A Literary History of Persia from the Earliest Times Until Firdawsh por Edward Granville Browne – página 295
Fontes primárias
Fontes secundárias
  • Abu-al-Faraj Ibn Al-Jawzi, Manaqib al-Imam Ahmad
  • Nadwi, S. A. H. A., Saviors of Islamic Spirit (Vol. 1), traduzido por Mohiuddin Ahmad, Academy of Islamic Research and Publications, Lucknow, 1971.
  • Melchert, Christopher, Ahmad ibn Hanbal (Makers of the Muslim World), Oneworld, 2006.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]