Basidiomycota

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Basidiomicetes da obra Kunstformen der Natur de Ernst Haeckel, 1904

Basidiomicetes da obra Kunstformen der Natur de Ernst Haeckel, 1904
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Fungi
Subreino: Dikarya
Filo: Basidiomycota
R.T. Moore, 1980
Subfilos/Classe

Incertae sedis

Wallemiomycetes
Wikispecies
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Basidiomycota é um dos três grandes filos que juntamente com Ascomycota e Zygomycota constitui o subreino Eukarya no reino Fungi. Engloba as espécies que produzem esporos numa estrutura em forma de bastão chamada basídio e também são chamados de basidiomicetos, o micélio é septado, dividido por paredes celulares, mas os septos ou paredes transversais são perfurados.

Número de Espécies Conhecidas[editar | editar código-fonte]

No mundo estima-se que o grupo dos Basidiomycota tenha em torno de 22.300 espécies, entre elas estão os cogumelos comestíveis, os venenosos, cogumelos com aspecto fálico (ordem Phallales),os stinkhorns, os puffballs, as orelhas-de-pau, bem como dois grupos fitopatogênicos importantes, as ferrugens e os carvões.

Dentre esses, no Brasil estima-se um número de 8.897 espécies de Basidiomycota. O número exato de espécies dos principais grupos é bastante controverso, pelo fato da intensa mudança na classificação, ocorrida nos últimos anos (Capellari et al., 1998).

Grau de Conhecimento do Grupo[editar | editar código-fonte]

Figura 1- Diagrama da formação da ansa: A. Hifa dicariótica, a seta demonstra a direção do crescimento do topo da hifa. B. Crescimento do gancho (grampo) celular, divisão nuclear sincrônica. C. Conexão formada (Swann et al., 2007).

A diversidade dos fungos no planeta Terra é muito grande e, tomando como base hipotética a extrapolação dos dados de trabalhos já concluídos, estima-se que este número seja em torno de 1,5 milhões de espécies (Hawksworth, 2001a). Desta estimativa, aproximadamente 97 mil espécies ou 6.7% do total são conhecidas, um número ainda muito pequeno (Kirk et al., 2008).

Evidências sugerem que a diversidade desses organismos encontra-se principalmente nas regiões tropicais e temperadas (Hawksworth, 2001a).

Características Gerais do Grupo[editar | editar código-fonte]

Os fungos do Filo Basidiomycota podem ser encontrados tanto nas formas miceliais, quanto leveduriformes, sendo a primeira sua fase dominante. O micélio é sempre septado, porém, os septos são perfurados Em muitas espécies, o poro do septo tem margem inflada em forma de barril, denominada doliporo. Qualquer fungo com septos com doliporo pertence aos Basidiomycota. Em ambos os lados do doliporo, são observadas capas membranosas denominadas parentossomos, assim designadas porque lembram de perfil um par de parênteses. Na maioria das espécies dos Basidiomycota, o micélio passa por duas fases distintas – monocariótica e dicariótica – durante o ciclo de vida desses fungos. Quando germina, o basidiósporo produz um micélio que, inicialmente, pode ser multinucleado. Entretanto, ocorre logo a formação de septos, e o micélio é dividido em células monocarióticas (uninucleadas). Comumente, o micélio dicariótico é produzido pela fusão de hifas monocarióticas de diferentes linhagens (que, neste caso, é heterocariótico), resultando na formação de um micélio dicariótico (binucleado) ou secundário, visto que a cariogamia não ocorre imediatamente após a plasmogamia.As células apicais do micélio dicariótico dividem-se habitualmente pela formação de ansas. Essas ansas, que asseguram a distribuição de um núcleo de cada tipo para células-filhas, são encontradas apenas nos Basidiomycota.

A reprodução dos Basidiomycota pode ocorrer de duas formas, assexuada e sexuada. A forma assexuada pode consistir na fragmentação do talo, brotamento em espécies unicelulares ou produção de vários esporos assexuais. O início da fase sexuada se dá pela fusão entre células haploides compatíveis, tornando-se células dicarióticas (e não diplóides) Esse micélio dicariótico dá origem aos basídios, onde, na formação desses esporos, ocorre a união dos núcleos (Alexopoulos et al., 1996; Swann et al., 2007). Não só na formação dos basídios, mas também na formação de novas células do micélio secundário de Basidiomycota, há a formação de um gancho denominado ansa ou fíbula (figura 01). Esse gancho difere do “crozier” encontrado nos Ascomycota. Nesse filo, o gancho ocorre apenas na formação do asco. (figura 02).

Outra característica interessante desses fungos são seus basidiósporos. Ao contrário dos ascósporos nos Ascomycota, os basidiósporos são exógenos e encontrados em quatro por basídio, normalmente (figura 02). Em vários grupos de Basidiomycota, ocorre uma dispersão por meio de uma descarga violenta de esporos. Esses esporos são denominados balistosporos (figura 03).Sabe-se que a gota hilar encontrada na base dos basidiósporos esta relacionada à descarga de balistosporos (Swann et al., 2007). Os tipos e formas de basídios são características muito utilizadas para a identificação dos grupos de Basidiomycota. (Alexopoulos, & Beneke, 1962) (figura 4).

Os Basidiomycota podem apresentar um micélio visível, responsável pela reprodução do grupo, onde são armazenados os basídios. Tal conjunto é chamado de basidioma (figura 5 e 6). Todos os fungos que apresentarem essa estrutura pertencem a esse grupo, mas, a ausência desse caráter não o exclui do mesmo, podendo pertencer a classes que não possuem basidiomas. Outros ainda podem apresentar diferentes formas, como gelatinosas, carnosas, secas, coriáceas, entre outras. (Alexopoulos & Beneke , 1962)

Ciclo de vida[editar | editar código-fonte]

O filo Basidiomycota inclui três subfilos: Agaricomycotina, Pucciniomycotina e Ustilaginomycotina. Os Agaricomycotina incluem todos os fungos que produzem basidiomas, como os cogumelos, as orelhas-de-pau e as bolotas-da-terra. Os Pucciniomycotina (as ferrugens) e os Ustilaginomycotina (os carvões) não formam basidiomas. Em vez disso, esses fungos produzem seus esporos em soros.

Agaricomycotina[editar | editar código-fonte]

O subfilo Agaricomycotina inclui os cogumelos comestíveis e venenosos, os fungos coraloides, os fungos dentiformes e as orelhas-de-pau. Esses Agaricomycotina são comumente designados como “himenomicetos”, visto que eles produzem basidiósporos em uma camada fértil distinta, o himênio, que fica exposto antes da maturação dos esporos. Outro grupo de Agaricomycotina, os “gasteromicetos” (literalmente, os “fungos gástricos”), inclui formas que não apresentam himênio visível por ocasião da liberação dos basidiósporos. Entre os gasteromicetos mais familiares estão os cogumelos com aspecto fálico (ordem Phallales), as estrelas-da-terra, as bolotas-da-terra e os fungos ninhos de pássaro. Os Agaricomycotina apresentam, em sua maioria, basídios claviformes e não septados (internamente não divididos), que habitualmente têm quatro basidiósporos, cada um em uma pequena projeção denominada esterigma.

Conforme assinalado anteriormente, nos himenomicetos, os basídios formam himênios bem definidos, que ficam expostos antes do amadurecimento dos basidiósporos. Cada basídio desenvolve-se a partir de uma célula terminal de uma hifa dicariótica. Logo após o crescimento do basídio jovem, ocorre cariogamia. A cariogamia é seguida quase imediatamente da meiose de cada núcleo diploide, resultando na formação de quatro núcleos haploides. Cada um desses quatro núcleos pode então migrar para um esterigma, que se alarga em sua extremidade para formar um basidiósporo haploide uninucleado. Em muitos basidiomicetos, a meiose é seguida de mitose, produzindo oito núcleos haploides. O momento de ocorrência e a localização da mitose pós-meiótica variam, assim como o destino dos núcleos. A mitose pós-meiótica pode ocorrer no basídio, no esterigma ou no esporo jovem. Quando a mitose pós-meiótica ocorre no basídio ou no esterigma, um núcleo entra em cada poro, e os outros quatro núcleos abortam, produzindo esporos uninucleados. Quando a mitose pós-meiótica ocorre nos esporos jovens, quatro dos núcleos-filhos podem migrar de volta ao basídio, onde abortam, resultando em esporos uninucleados, ou todos os oito núcleos podem permanecer nos esporos, produzindo esporos binucleados.

Pucciniomycotina[editar | editar código-fonte]

plantas, animais e fungos, a imensa maioria (cerca de 90%) consiste em ferrugens. Diferentemente dos Agaricomycotina, poucas ferrugens formam basidiomas. Conforme assinalado anteriormente, os esporos ocorrem em massas denominadas soros. Entretanto, formam hifas dicarióticas e basídios, que são septados. Como fitopatógenos, as ferrugens são de grande importância econômica, causando, anualmente, a perda de bilhões de dólares para a agricultura mundial. Entre as doenças mais sérias causadas por ferrugens, destacam-se a ferrugem preta dos cereais, a ferrugem branca dos pinheiros, a ferrugem do café, a ferrugem da macieira e cedro-vermelho-do-leste, a ferrugem do amendoim, a ferrugem do trigo e a ferrugem da soja. Os ciclos de vida de muitas ferrugens são complexos, e esses patógenos representam um constante desafio aos fitopatologistas, cuja tarefa é mantê-las sob controle. Um exemplo de ciclo de vida de uma ferrugem é fornecido por Puccinia graminis, a causa da ferrugem do trigo, que é a maior cultura do mundo. Puccinia graminis é heteroécia, isto é, necessita de dois hospedeiros diferentes para completar o seu ciclo de vida. Por outro lado, os parasitos autoécios necessitam de apenas um hospedeiro. Puccinia graminis pode crescer indefinidamente na gramínea hospedeira, porém só se reproduz de modo assexuado. Para que ocorra a reprodução sexuada, a ferrugem precisa passar parte de seu ciclo de vida no arbusto de uva-espim (Berberis vulgaris) e parte sobre a gramínea. Um método que tenta eliminar essa ferrugem tem sido a erradicação dos arbustos de Berberis.

Ustilaginomycotina[editar | editar código-fonte]

Com poucas exceções, os Ustilaginomycotina são parasitas de angiospermas e são comumente designados como carvões. O nome “carvão” refere-se à aparência fuliginosa ou enegrecida das massas de teliósporos pretos e pulverulentos, que caracterizam os esporos de resistência desses fungos. Foram descritas aproximadamente 1.070 espécies de Ustilaginomycotina. Do ponto de vista econômico, os carvões são muito importantes. Atacam cerca de 4.000 espécies de angiospermas, incluindo culturas para alimentação e plantas ornamentais. Três dos carvões mais conhecidos são Ustilago maydis, que causa o carvão do milho, Ustilago avenae, que causa o carvão da aveia, e Tilletia tritici, a causa do carvão do trigo fétido.

O ciclo de vida de um carvão, que é autoécio (i. e., que necessita apenas de um hospedeiro), é consideravelmente mais simples que o da Puccinia graminis. Tomaremos como exemplo o ciclo de vida de Ustilago maydis. As infecções por esporos de U. maydis permanecem localizadas, produzindo soros ou tumores grandes. Os tumores mais visíveis ou galhas ocorrem nas espigas do milho, onde os grãos se tornam muito maiores e de aparência feia, devido ao desenvolvimento de um micélio maciço dentro deles. Um micélio dicariótico acaba surgindo dos teliósporos de paredes espessas, nos quais ocorrem cariogamia e meiose.

Figura 2 - Diferenças entre a formação do Basídio e do asco. Note a diferença de formação entre o “crozier” e o “grampo de conexão” e também na formação dos meiósporos de cada um dos grupos (The fifth Kingdom online ).
Figura 03. Micrografia mostrando a estrutura de um basídio com gota hilar, responsável pela expulsão dos basidiósporos Basidiospore = basidiósporo, Sterigma = Esterigma, Hilar droplet = gota hilar, Basidium = Basídio (Swann et al., 2007).

Relação Com Outros Grupos de Fungos[editar | editar código-fonte]

Figura 4 - Tipos encontrados de basídios. Em ordem temos um holobasídio típico; um heterobasídio; um basídio em forma de diapasão (Dacrymyces) e um fragmobasídio típico de Auricularia. Basidiospores = basidiósporos, Four types of basidia = Quatro tipos de basídios. (Alexopoulos, C. J. & Beneke E.S, 1962)

A presença de hifas dicarióticas não é uma novidade evolutiva nos grupos de fungos. Os Ascomycota também apresentam hifas dicarióticas no qual seus núcleos se unem apenas na formação dos esporos reprodutivos. Essa característica unida a outras como a presença de hifas septadas, o “crozier” e a fíbula (figura 2) presente nesses organismos, aproximam os filos Basidiomycota com os Ascomycota, formando um Sub-reino denominado Dicarya (Hibbett et al., 2007). Apesar de apresentarem certas diferenças quanto às suas estruturas, estas podem ser casos de homologia, ou seja, apresentarem um mesmo ancestral em comum que compartilhava tais características (Taylor et. al., 2006).

Classificação Mais Aceita[editar | editar código-fonte]

O reino Fungi inclui Microsporidia, os quitrídios, os zigomicetos, Glomeromycota, Ascomycota e Basidiomycota. Acredita-se que os Fungi tenham se originado de protistas estreitamente relacionadoscom o gênero moderno Nuclearia

Basidiomycota era tradicionalmente dividido em duas classes obsoletas, Homobasidiomycetes (incluindo os cogumelos verdadeiros); e Heterobasidiomycetes. Anteriormente os Basidiomycota eram chamados Basidiomycetes, um nome de classe inválido cunhado em 1959 como contraponto a Ascomycetes, quando nenhum destes táxons eram reconhecidos como filos. Os termos basidiomicetes e ascomicetes são frequentemente usados de forma imprecisa para referir-se a Basidiomycota e Ascomycota.

Figura 5 - Basidioma de cogumelo do gênero Amanita
Figura 06. Ilustração exemplificando todas as partes de um basidioma
Figura 07 – Representação didática para a identificação de algumas classes e ordens de Basidiomycota * retirado de American phytopatological Society, 2000

Há fortes evidências de que o filo Basidiomycota é monofilético. A presença de balistosporos,basídios, e fíbulas são características exclusivas nos indivíduos desse grupo. Quanto à sua classificação, atualmente são classificados em Agaricomycotina, Ustilaginomycotina e Pucciniomycotina. Caracteres não moleculares têm sido utilizados para identificar os principais grupos dentro de Basidiomycota, como a forma dos basídios, ultra-estrutura dos septos e hifas, presença ou ausência de formas leveduriformes e composição de metabólitos secundários. Porém, estudos moleculares têm demonstrado que alguns atributos morfológico não são o que realmente aparentam ser, como por exemplo, casos de homoplasia na forma dos basídios. (Swann & Hibbet, 2007).

Importância do Grupo[editar | editar código-fonte]

Os fungos, juntamente com as bactérias heterotróficas, constituem os principais decompositores da biosfera, decompondo os produtos orgânicos e reciclando o carbono, o nitrogênio e outros componentes para o solo e o ar. Como decompositores, os fungos frequentemente entram em conflito direto com os interesses do homem, atacando quase todas as substâncias. Os fungos são, em sua

maioria, saprófitas, isto é, vivem sobre a matéria orgânica de organismos não vivos em decomposição. Entretanto, muitos fungos atacam organismos vivos e causam doenças em plantas, animais domésticos e selvagens e no homem. Diversos fungos são economicamente importantes para o homem por serem destruidores de alimentos estocados e de outros materiais orgânicos. O reino Fungi também inclui as leveduras, os fungos usados na fabricação de queijos, os cogumelos comestíveis, bem como Penicillium e outros, os quais são produtores de antibióticos.

Relações simbióticas dos fungos[editar | editar código-fonte]

A simbiose – “viver junto” – é uma associação estreita e duradoura entre organismos de espécies diferentes. Algumas relações simbióticas, tipicamente as que causam doença, são parasitárias. Uma espécie (o parasito) beneficia-se da associação, enquanto a outra (o hospedeiro) é prejudicada. Embora muitos fungos sejam parasitos, outros fungos estão envolvidos em relações simbióticas conhecidas como mutualismo – isto é, a associação é benéfica para ambos os organismos. Duas dessas simbioses mutualistas – os liquens e as micorrizas – foram e continuam sendo de extraordinária importância, visto que capacitam os organismos fotossintetizantes a se estabelecerem em ambientes terrestres previamente áridos.

Metodologia de Estudo do Grupo[editar | editar código-fonte]

Para o estudo desses macrofungos, existem três pontos principais na pesquisa, coleta, documentação e preservação dos espécimes. A remoção de espécimes deve ser feita com cuidado para que não haja danos aos fungos, e todas as mudanças no esporoma devem ser anotadas, pois podem influenciar na identificação. A documentação é feita com etiquetas e catálogos. As etiquetas são individuais e levam dados básicos de cada indivíduo, já o catálogo é uma lista mantida por cada pesquisador, onde se encontram todas as coletas organizadas numericamente.

A preservação do DNA atualmente é muito utilizada. Culturas de espécimes são importantes na identificação de alguns grupos de fungos e por isso devem ser feitas. A descrição macromorfológica dos fungos está entre os dados mais importantes. Testes macroquímicos e os esporos são importantes para identificação, que é um dos pontos mais importantes de todos os processos, pois é através dela que vai ser definida a espécie (Mueller et al., 2004).

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

Por ser grande o número de espécies no mundo, só não maior que o número dos Ascomycota, o Filo Basidiomycota apresenta certas peculiaridades, que vai desde o maior organismo do mundo até fungos causadores de doenças. Alguns exemplos podem ser citados, como o cogumelo do mel ou Armillaria ostoyae. O fungo foi encontrado nos Estados Unidos. Descoberto na Floresta Nacional de Malheur, no leste do estado de Oregon. Esse fungo subterrâneo tem 2.400 anos e cobre uma área 890 hectares, o que o torna o maior organismo vivo até agora descoberto (Ferguson et al., 2003).

Existem também registros de novas espécies de Basidiomycota, coletadas em alguns dos últimos remanescentes de habitats florestais do Atlântico, perto de São Paulo, Brasil, que emitem luz verde amarelada 24 horas por dia a partir do gel que cobre suas hastes. Existe cerca de 1,5 milhão de espécies de fungos na terra, e apenas 71 espécies são conhecidas por serem bioluminescentes, algumas espécies do gênero Mycena são das mais impressionantes (Desjardin et al., 2007).

Práticas de Ensino[editar | editar código-fonte]

Uma aula teórica sobre basidiomycetos pode ser muito melhor aproveitada se vinculada com práticas de ensino que envolvam fungos desse filo. Seguem abaixo algumas sugestões práticas que podem ser utilizadas em sala de aula.

1- Montagem de uma câmara úmida. A câmara úmida é um instrumento de baixo custo, que auxilia na visualização da parte reprodutiva de algumas espécies de fungos, pois reproduz as condições favoráveis ao aparecimento desses organismos. - Material a ser utilizado: • Micélio de um Basidyomicota; • Pote de plástico ou sacola plástica (de preferência transparente); • Algodão ou Papel higiênico; • Água. - Como montar: • É necessário que a atividade gere um relatório que posteriormente servirá de material de pesquisa e estudo; fotografias podem ser anexadas ao processo; • Depositar o micélio no recipiente transparente; • Depositar o pedaço de algodão/papel higiênico já umedecido com água para simular a fonte de umidade; • Lacrar o recipiente, se escolhido o pote plástico, a tampa deve estar perfurada para a passagem de oxigênio; • O micélio e a fonte de umidade não podem se encontrar unidos; • Colocar o recipiente em um local com baixa incidência de luz; Para finalizar o procedimento, continuar relatando e observando o desenvolvimento da parte reprodutiva desse filo, e se de fato conseguirá se desenvolver sobre essas condições.

2- Confecção de um cartaz expositivo Essa prática é para compreender melhor o ciclo reprodutivo do filo Basidiomycota através da confecção de um cartaz, produzido pelos próprios alunos. - Material a ser utilizado: • Uma figura ilustrativa do ciclo reprodutivo, disponibilizada pelo professor; • Lápis de cor, canetinha; • Folha sufite A4; • Régua, tesoura e cola; • Material de apoio para melhor compreensão do ciclo (sugestão: Raven, 2007); - Como fazer: • A prática pode ser realizada em grupos ou individualizada; • O professor disponibiliza para os alunos uma figura ilustrativa do ciclo reprodutivo, com o nome especifico de cada fase e seu desenho; • Se em grupo, os alunos devem se dividir e cada um ficar responsável pela reprodução através de desenhos manuais de cada uma das partes do ciclo; • Os desenhos devem ser coloridos e de preferência, grandes para uma boa visualização; • Após a confecção dos desenhos, os alunos podem montar o ciclo indicando com setas a ordem correta dos desenhos; • Para finalizar, os alunos devem montar um cartaz expositor, com todo o ciclo reprodutivo ampliado, explicando cada parte do ciclo. • A forma como cada grupo/aluno irá montar o cartaz ou conduzira explicação fica a critério.

3 – Vídeo em time-lapse: A sugestão é que os alunos visitem campos onde o aparecimento de cogumelos deste filo seja frequente e fotografem ou filmem, durante minutos, por muitos dias seguidos e depois relatem essa experiência relacionada ao ciclo de vida dos fungos Basidiomycota. Para essa produção também é possível utilizar parte da prática da câmara úmida (01), já citada anteriormente, caso a visita aos campos seja impossibilitada. O vídeo é uma forma dinâmica para que os alunos consigam assimilar como ocorre o ciclo de vida dos basidiomicetos. - Como fazer: • Expor aos alunos através de uma visita ou coleta em campo, de onde surgem os fungos, como vivem e seus habitats mais comuns; • Se for possível que os alunos retornem ao campo, fotografar ou filmar, junto com anotações sobre o local e a situação do fungo. Caso o retorno não seja possível, realizar a coleta do cogumelo, instruir os alunos a separarem aqueles que são micélios e os colocar em uma câmara úmida para seu desenvolvimento reprodutivo; • É necessário que cada etapa, desde a confecção da câmara úmida como o crescimento do fungo em si seja registrado através de fotografias; • Cada basidomiceto possui um tempo para completar seu ciclo de vida, geralmente acontece em um curto período, por esse motivo é necessário a atenção daquele que desenvolve a prática; • Após o encerramento do ciclo e o registro de cada etapa, as fotografias são agrupadas e transformadas em um vídeo; • As imagens podem ser aceleradas, acarretando um efeito interessante de velocidade ao processo, chamado de time-lapse, onde um segundo do vídeo equivale a muitos minutos na vida real. • O vídeo pode ser exposto para o restante da turma, que ajudará no entendimento e visualização do ciclo.

4 - Crescimento de cogumelos: Essa prática foi baseada nas práticas de Berchtold (1991), sobre criação de mofos, s obre criação de Aspergillus e Penicillium (Bold, 1972), e sobre a prática de bolores que são encontrados na água (Craig, 1970). Objetivos: Testar o crescimento de cogumelos em 8 tipos de substratos diferentes. Procedimentos: Para esta prática deverá ser realizada a coleta de cogumelos em dias anteriores a aula. Na aula os alunos deverão cultivar os esporos presentes no cogumelo sobre os seguintes substratos: substrato 1: pão; substrato 2: inseto morto; substrato 3: fezes de mamífero (ex. vaca, capivara); substrato 4: fruta; substrato 5: madeira em decomposição; substrato 6: vaso com grama; substrato 7: objeto de plástico; substrato 8: lata de metal (ex. lata de refrigerante ou alimentos em conserva). Adicionar cinco gotas de água em cada substrato. Esses substratos deverão ser armazenados durante duas semanas em estufa improvisada feita de caixa de papelão (ex. caixas de sapatos). Os materiais deverão ser mantidos na estufa durante duas semanas, ao abrigo da luz, sendo que, deverão colocar as estufas a luz do sol, em dias alternados. Adicionar cinco gotas de água em dias alternados ao dia que foi expostos a luz (ex. 2º dia= adicionar gotas de água; 3º dia=exposição a luz; 4º dia= adicionar gotas de água). Relatório: Deverá ser feito um diário de anotações, com observações e desenhos de acordo com percebido de mudança no substrato, por exemplo, o crescimento de hifas e dos cogumelos. Resultados esperados: Espera-se que o cogumelo cresça em todos os materiais, menos no plástico e metal, já que são matérias orgânicas. Porém em alguns substratos os fungos deverão ter um desenvolvimento melhor devido a sua especificidade com o substrato. Observação: Estes procedimentos ainda não foram testados, mas acredita-se que que é uma prática viável, pois todos os materiais são propícios para o crescimento de fungos.

5 - Trilha do conhecimento - Essa prática foi baseada nas práticas de Mamede (2003) no qual consiste em um jogo cooperativo com alunos de todas as idades, jogo da trilha do conhecimento, promovendo interações com o meio ambiente. Objetivo: Promover a construção de conhecimento da biologia dos fungos do filo Basidiomycota e sua interação com o ambiente em que vivem. Procedimentos: Será realizada uma trilha do conhecimento com duração de 05 horas obedecendo às regras e orientações a seguir: 1. Essa prática deverá ser efetuada em um sábado em um ambiente fora da escola escolhido pelo professor, ambiente que apresente grande quantidade de fungos do filo Basidiomycota. 2. A sala deverá ser dividida em dois grupos. 3. Cada grupo escolherá um grito de guerra (o nome de uma família do filo Basidiomycota). 4. Haverá uma competição, que resultará de pontuações. 5. O professor planejará duas trilhas antes da aula em locais próximos, fixará nesse ambiente, 10 estacas, em pontos estratégicos relacionados aos fungos do filo localizados no local, sendo espalhadas nesses ambientes duas perguntas e duas charadas. Como exemplo de Pergunta: Qual o ambiente mais propício para a proliferação dos basidiomicetos? Observação. A estaca estará fixada nesse ambiente propício, porém esse detalhe o aluno que perceberá. Exemplo de charada: Atrás do tronco eu vou encontrar um cogumelo redondinho para brincar. Saborear ou não saborear? A pergunta que não quer calar, olhos por debaixo e que barato vejo o anel, mas logo acima percebo a grande estrutura chamada de (resposta do aluno). 6. Cada grupo deverá responder às 10 questões e as 02 charadas rimadas com característica dos basidiomicetos. 7. As perguntas e charadas serão pontuadas de acordo com as respostas. 8. Ao final os alunos serão pontuados igualmente (Somente o professor saberá dessa pontuação), devido ao desempenho dos mesmos, valendo um ponto na média final, não permitindo uma competição ofensiva dependendo da idade dos mesmos. Estes procedimentos ainda não foram testados com o reino Fungi, mas é uma prática viável a ser feita nas escolas para alunos de ensino fundamental e médio.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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Referências