Tipologia de Myers-Briggs

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Tabela correlacionando os 16 tipos de personalidade conforme as teorias de Myers-Briggs e David Keirsey.

A tipologia de Myers-Briggs,[1][2] indicador tipológico[3] ou ainda classificação tipológica de Myers-Briggs[4] (do inglês Myers-Briggs Type Indicator - MBTI) é um instrumento utilizado para identificar características e preferências pessoais. Katharine Cook Briggs e sua filha Isabel Briggs Myers[5] desenvolveram o indicador durante a Segunda Guerra Mundial, baseadas nas teorias de Carl Gustav Jung sobre os Tipos Psicológicos.[6] O CPP Inc., editor do instrumento MBTI, o chama de "a avaliação de personalidade mais amplamente utilizada no mundo",[7] com até dois milhões de avaliações administradas anualmente. O CPP e outros defensores afirmam que o indicador atende ou ultrapassa a confiabilidade de outros instrumentos psicológicos[8][9] e inclui relatos do comportamento individual.[10] Estudos têm encontrado divergências frente à validade, consistência interna e confiabilidade (teste-reteste), mesmo havendo sido observadas algumas oscilações.[11][12] Entretanto, alguns psicólogos acadêmicos criticaram o indicador, afirmando que este "carece de dados válidos convincentes".[13][14][15] O uso do MBTI como um prognosticador do sucesso profissional não recebe suporte em estudos,[16][17] e seu uso com este propósito é expressamente desencorajado no Manual.[18]

Conceitos[editar | editar código-fonte]

Tipo e dicotomia[editar | editar código-fonte]

Um conceito fundamental para o MBTI é "Tipo Psicológico". A ideia é que os indivíduos acham certas maneiras de pensar e agir mais fáceis que as outras. O MBTI postula a existência de quatro pares opostos de maneiras de pensar e agir, chamados dicotomias (dimensões).[19] As preferências são normalmente indicadas por letras maiúsculas que indicam cada uma destas quatro preferências.

As quatro dicotomias[editar | editar código-fonte]

As dicotomias
Extroversão Introversão
Sensorial iNtuição
Razão ('T'hinking) Sentimento ('F'eeling)
Julgamento Percepção ('P'erceiving)

Os quatro pares de preferências ou "dicotomias" são apresentadas na tabela à direita.

Os termos usados para cada dicotomia têm significados técnicos específicos relacionados ao MBTI, que diferem do seu significado cotidiano. Por exemplo, pessoas com uma preferência para julgamento em relação à percepção não são, necessariamente, mais críticos ou menos perceptivos.

Além disto, o MBTI não mede as aptidões: apenas mostra que uma preferência se sobressai a outra. Uma pessoa que informa alta pontuação para extroversão em relação à introversão não pode ser corretamente descrita como mais extrovertida: ela simplesmente tem uma preferência evidente.

Atitudes (E-I)[editar | editar código-fonte]

  • Extrovertidos (E). Obtém sua energia através da ação; gostam de realizar várias atividades; agem primeiro e depois pensam. Quando inativos, sua energia diminui. Em geral, são sociáveis.
  • Introvertidos (I). Obtém sua energia quando estão envolvidos com ideias; preferem refletir antes de agir e, novamente, refletir. Precisam de tempo para pensar e recuperar sua energia. Em geral, são pouco sociáveis.

Funções (S-N e T-F)[editar | editar código-fonte]

As dicotomias Sensorial-Intuição e Pensamento-Sentimento são frequentemente chamadas de Funções MBTI. Os indivíduos tendem a preferir uma dicotomia em relação à outra (veja Estilo de Vida).

Sensoriais e Intuitivos[editar | editar código-fonte]

Descrevem como a informação é entendida e interpretada.

  • Sensoriais (S). Confiam mais em coisas palpáveis, concretas, informações sensoriais. Gostam de detalhes e fatos. Para eles o significado está nos dados. Precisam de muitas informações.
  • Intuitivos (N). Preferem informações abstratas e teóricas, que podem ser associadas com outras informações. Gostam de interpretar os dados com base em conhecimento prévio. Trabalham bem com informações incompletas e dedutíveis.

Racionalistas e Sentimentais[editar | editar código-fonte]

Descrevem como as decisões são realizadas.

  • Racionalistas (T). Decidem com base na lógica e procuram argumentos racionais.
  • Sentimentais (F). Decidem com base em seus sentimentos (não confundir com emoções).

Estilo de Vida (J-P)[editar | editar código-fonte]

Myers e Briggs perceberam que as pessoas podem ter uma preferência pela função de julgamento (J) ou pela função de percepção (P). A isto chamaram o embaixador para o mundo externo. Grosseiramente um Julgador tentará controlar o mundo, enquanto um Perceptivo tentará se adaptar a ele (são aventureiros).

  • Julgadores (J). Sentem-se tranquilos quando as decisões são tomadas.
  • Perceptivos (P). Sentem-se tranquilos deixando as opções em aberto.

Os 16 tipos[editar | editar código-fonte]

Às quatro dicotomias correspondem 16 tipos psicológicos que podem ser divididos em 4 grupos de temperamentos (ordenados segundo a frequência na população nos Estados Unidos em How Frequent Is My Type?):

SJs' ou Guardiões (46,1%) SPs' ou Artesãos (27%) NTs' ou Racionais (10,4%) NFs' ou Idealistas (16,5%)

O MBTI é frequentemente utilizado nas áreas de aconselhamento de carreira, pedagogia, dinâmicas de grupo, orientação profissional, treino de liderança, aconselhamento matrimonial e desenvolvimento pessoal, entre outros.[20]

O Relatório[editar | editar código-fonte]

O instrumento gera um relatório onde as 4 dicotomias do respondente são representadas niveladamente em um gráfico de barras em que quanto mais longa a barra, mais clara e certa é a preferência. Na sequência, as preferências analisadas serão relacionadas e alinhadas detalhadamente de acordo aos patamares: "Seu estilo de trabalho", "Suas preferências no trabalho", "Seu estilo de comunicação", "Ordem de suas preferências", "Sua abordagem para resolução de problemas".

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. «O PERFIL PSICOLÓGICO E O ESTILO DE NEGOCIAÇÃO DOS NEGOCIADORES DE ENERGIA ELÉTRICA NO BRASIL» (PDF) 
  2. «Mapeamento das Relações entre Perfis de Jogadores, Tipos Psicológicos, Emoções e Componentes de Jogos Eletrônicos» (PDF) 
  3. «Detecção e Correção Automática de Estilos de Aprendizagem em Sistemas Adaptativos para Educação» 
  4. Fábia Rímoli, Hades, o rei dos ínferos, in: Alvarenga, Maria Zelia (org.) (2007). Mitologia Simbólica: Estruturas da Psique e Regências Míticas. [S.l.]: Casa do Psicólogo. pp. 117 e seg. ISBN 978-85-7396-522-3 
  5. Myers, Isabel Briggs with Peter B. Myers (1980, 1995). Gifts Differing: Understanding Personality Type. Mountain View, CA: Davies-Black Publishing. ISBN 0-89106-074-X  Verifique data em: |ano= (ajuda)
  6. Jung, Carl Gustav (August 1, 1971). Psychological Types (Collected Works of C.G. Jung, Volume 6. Princeton University Press. ISBN 0-691-09774.
  7. «CPP Products». Consultado em 20 de junho de 2009 
  8. Schaubhut, Nancy A.; Nicole A. Herk and Richard C.Thompson (2009). «MBTI Form M Manual Supplement» (PDF). CPP. 17 páginas. Consultado em 8 de maio de 2010 
  9. Clack, Gillian; Judy Allen. «Response to Paul Matthews' criticism». Consultado em 14 de maio de 2008 
  10. Barron-Tieger, Barbara; Tieger, Paul D. (1995). Do what you are: discover the perfect career for you through the secrets of personality type. Boston: Little, Brown. ISBN 0-316-84522-1 
  11. Thompson, Bruce; Gloria M. Borrello (outono de 1986). «Construct Validity of the Myers-Briggs Type Indicator». SAGE Publications. Educational and Psychological Measurement. 46 (3): 745–752. doi:10.1177/0013164486463032 
  12. Capraro, Robert M.; Mary Margaret Capraro (agosto de 2002). «Myers-Briggs Type Indicator Score Reliability Across: Studies a Meta-Analytic Reliability Generalization Study». SAGE Publications. Educational and Psychological Measurement. 62 (4): 590–602. doi:10.1177/0013164402062004004 
  13. Hunsley J, Lee CM, Wood JM (2004). Controversial and questionable assessment techniques. Science and Pseudoscience in Clinical Psychology, Lilienfeld SO, Lohr JM, Lynn SJ (eds.). Guilford, ISBN 1-59385-070-0, p. 65.
  14. McCrae, Robert R.; Costa Jr., Paul T. (Março 1989). «Reinterpreting the Myers-Briggs Type Indicator from the perspective of the five-factor model of personality» (PDF). Journal of Personality. 57 (1). pp. 17–40. PMID 2709300 
  15. Stricker, L J; Ross, J (Janeiro 1964). «An Assessment of Some Structural Properties of the Jungian Personality Typology». Journal of Abnormal and Social Psychology. 68. pp. 62–71. PMID 14105180 
  16. Pittenger, David J. (novembro 1993). «Measuring the MBTI...And Coming Up Short.» (PDF). Journal of Career Planning and Employment. 54 (1): 48–52 
  17. Nowack, K. (1996). Is the Myers Briggs Type Indicator the Right Tool to Use? Performance in Practice, American Society of Training and Development, Fall 1996, 6
  18. Myers, Isabel Briggs; McCaulley Mary H.; Quenk, Naomi L.; Hammer, Allen L. (1998). MBTI Manual (A guide to the development and use of the Myers Briggs type indicator). [S.l.]: Consulting Psychologists Press; 3rd ed edition. ISBN 0-89106-130-4 
  19. Myers, Isabel Briggs; McCaulley Mary H.; Quenk, Naomi L.; Hammer, Allen L. (1998). MBTI Manual (A guide to the development and use of the Myers Briggs type indicator). Consulting Psychologists Press; 3rd ed edition. ISBN 0-89106-130-4
  20. http://dinamicasocial.com/2010/08/17/leitura-fria-personalidades-e-myers-briggs-parte-3/

Referências[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]