Guillermo Lasso

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Guillermo Lasso
55.° Presidente do Equador
Período 24 de maio de 2021
até a atualidade
Vice-presidente Alfredo Borrero
Antecessor(a) Lenín Moreno
Ministro da Economia do Equador
Período 17 de agosto de 1999
até 24 de setembro de 1999
Presidente Jamil Mahuad
Governador de Guayas
Período 15 de janeiro de 2003
até 15 de abril de 2003
Presidente Jamil Mahuad
Antecessor(a) Guido Chiriboga Parra
Sucessor(a) Benjamín Rosales Valenzuela
Dados pessoais
Nome completo Guillermo Alberto Santiago Lasso Mendoza
Nascimento 16 de novembro de 1955 (67 anos)
Guayaquil, Equador
Nacionalidade equatoriano
Alma mater Pontifícia Universidade Católica do Equador
Cônjuge María de Lourdes Alcivar (c. 1980)
Filhos 5
Partido CREO
Profissão Banqueiro

Guillermo Alberto Santiago Lasso Mendoza (Guayaquil, 16 de novembro de 1955) é um empresário e político equatoriano, sendo o 55.º presidente da República do Equador, desde 24 de maio de 2021, sucedendo Lenín Moreno.[1][2][3]

Conhecido por ter sido presidente executivo do Banco Guayaquil. Além disso, foi fundador e presidente do "Movimiento CREO - Creando Oportunidades", partido pelo qual disputou as eleições para Presidente do Equador, em três oportunidades: 2013, 2017 e 2021, saindo vencedor nesta última, após derrotar o socialista Andrés Arauz.[1]

Na administração pública, Lasso ocupou diversos cargos, foi governador de Guayas entre 1998 e 1999, Ministro de Economia e Energia, em 1999, na gestão do presidente Jamil Mahuad, e Embaixador Itinerante do Equador, em 2003.[4]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu na cidade de Guayaquil, em 16 de novembro de 1955. Lasso é o último de onze irmãos de uma família de classe alta. Seu pai, Enrique Lasso Alvarado, era um funcionário público oriundo de Quito, e sua mãe, Nora Mendoza, era originária de Portoviejo. Em 1976, conheceu sua futura esposa, María de Lourdes Alcívar Crespo, com quem casou, em 1980, e teve 5 filhos.[5]

Estudou no Colégio San José La Salle e trabalhou para pagar seus estudos. Posteriormente, estudou administração de empresas no Instituto de Desarrollo Empresarial (IDE), em 1993. Em 11 de outubro de 2011, a Universidad de las Américas outorgou-lhe o título de Doutor Honoris Causa.[6]

Aos 23 anos, fundou sua primeira empresa, a Constructora Alfa y Omega, com o irmão Enrique Lasso, em 1978. Trabalhou em diversas empresas de créditos financeiros e, nos anos 1980, foi vice-presidente da filial da Coca-cola, no seu país, além de ter sido representante da fábrica japonesa de caminhões Hino.

Em 1994, foi designado presidente executivo do Banco Guayaquil, cargo que ocupou até 2012, quando decidiu se afastar para se dedicar a outros projetos. É presidente da Fundación Ecuador Libre, um "think tank" sobre políticas públicas que seguem os princípios de liberdade e solidariedade social.[7]

Campanhas eleitorais[editar | editar código-fonte]

Eleições presidenciais de 2013[editar | editar código-fonte]

A partir do ano de 2011, Lasso tomou una postura política pública, com aspirações presidenciais[8][9] para as Eleições Gerais no Equador em 2013, criando o movimento CREO, um movimento de centro-direita fundado por ex-integrantes do movimento UNO (Una Nueva Opción), Izquierda Democrática, Movimiento Concertación e integrantes do setor privado do Equador. Estabeleceu uma coligação "Unidos por el Ecuador" para as eleições presidenciais, conseguindo obter 22,68% dos votos válidos (quase 2 milhões de votos), perdendo ainda no primeiro turno contra o então presidente Rafael Correa.[10]

Apesar da derrota, Lasso continuou na militância política, sempre aparecendo na mídia nacional com comentários de oposição ao governo de Rafael Correa.

Eleições presidenciais de 2017[editar | editar código-fonte]

Desde 2015, Lasso se posicionava como pré-candidato do seu partido ao organizar um coletivo "Compromiso Ecuador" com consulta popular sobre as novas emendas constitucionais que estavam sendo votadas pelo Poder Legislativo. Nas eleições de 2017,[11] Guillermo Lasso ficou em segundo lugar no primeiro turno e recebeu 28,10% dos votos válidos contra 39,36% do candidato governista Lenín Moreno.[12]

Pelas regras eleitorais do Equador, a eleição segue para o segundo turno se o candidato mais votado não ultrapassar os 40% dos votos válidos, devendo possuir mais de 10% de diferença em relação ao segundo colocado. Sendo assim, após difícil apuração eleitoral,[13] foi declarada a realização de um segundo turno no dia 02 de abril de 2017 entre Moreno e Lasso.

Sua principal plataforma política consiste na defesa da liberdade de imprensa, combate à corrupção,[14] geração de empregos com apoio ao empreendedorismo no país, segurança jurídica após nova reforma constitucional[15] e se declara contra o socialismo promovido por alguns países, com referências a Bolívia.[16]

Eleições presidenciais de 2021[editar | editar código-fonte]

Em 2021, Lasso enfrentou novamente um candidato apoiado por Rafael Correa, o economista Andrés Arauz. Dessa vez, venceu o pleito no segundo turno, derrotando o Correísmo nas urnas pela primeira vez em quinze anos.[1]

A fim de libertar recursos financeiros para o Estado, anunciou na sua inauguração a privatização de três refinarias, algumas auto-estradas, a empresa pública de telecomunicações e o Banco del Pacífico, bem como a isenção fiscal para investimentos no sector do turismo, que foi particularmente afectado pela pandemia, durante trinta anos.[17]

Em Setembro de 2021, anunciou o lançamento da Lei de Criação de Oportunidades (CREO), com o nome do seu partido político, que inclui a reforma fiscal e a flexibilização do código do trabalho. A lei prevê uma redução do IVA sobre vários produtos, a abolição do imposto sucessório para filhos e cônjuges, a abolição do imposto sobre as pequenas empresas, uma maior flexibilidade na contratação e horários de trabalho para novos empregos, e a criação de zonas de comércio livre com incentivos fiscais para atrair o investimento estrangeiro.[18]

Posições políticas[editar | editar código-fonte]

É membro do Opus Dei e opõe-se à legalização do aborto, mesmo em casos de violação ou malformação fetal.[19]

Durante a sua campanha presidencial em 2021, explicou que faria da eliminação total do défice a sua prioridade, propondo a redução das despesas e o aumento das receitas petrolíferas. Defensor do comércio livre, comprometeu-se a abolir o imposto sobre as remessas para o Equador e a assinar acordos comerciais com os EUA, China e Coreia do Sul, entre outros. Também pretende promover o investimento estrangeiro através da redução de impostos, respeitar acordos com o Fundo Monetário Internacional e os mercados financeiros, privatizar o Banco del Pacífico, limitar os subsídios de combustível para os mais pobres, aumentar os impostos de consumo, e criar um milhão de empregos.[20]

Apoiou a expulsão de Julian Assange da embaixada do Equador em Londres.

Patrimônio e paraísos fiscais[editar | editar código-fonte]

De acordo com o jornal argentino Página/12, Guillermo Lasso é associado com quarenta e nove companhias situadas em paraísos fiscais. Sua fortuna aumentou de 1 a 31 milhão dólares entre 1999 e 2000, durante seu passagem do governo.[21] O seu nome foi mencionado em Outubro de 2021 nos chamados Pandora Papers.[22]

Referências

  1. a b c «Ecuador: con más del 95% de los votos escrutados, Guillermo Lasso derrota a Andrés Arauz en el ballotage presidencial». Infobae (em espanhol). Consultado em 11 de abril de 2021 
  2. «Guillermo Lasso gana la presidencia de Ecuador». PanamPost (em espanhol). Consultado em 11 de abril de 2021 
  3. «Lacalle Pou saludo a Guillermo Lasso como presidente electo de Ecuador». Radio Uruguay (em espanhol). Consultado em 11 de abril de 2021 
  4. null. «Quem é Guillermo Lasso, conservador eleito presidente do Equador». Gazeta do Povo. Consultado em 7 de dezembro de 2021 
  5. «La vida de Guillermo». Sitio Oficial de Guillermo Lasso (em espanhol). Consultado em 10 de março de 2017 
  6. «Guillermo Lasso y José Ma. Aznar, Doctores Honoris Causa, en Quito | La República EC». La RepúblicaEC (em espanhol). 12 de outubro de 2011 
  7. «Saiba quem é Guillermo Lasso, o banqueiro que vai presidir o país». Valor Econômico. Consultado em 7 de dezembro de 2021 
  8. «En el nuevo libro de Lasso se percibe un plan de Gobierno». El Universo. 12 de julho de 2012. Consultado em 10 de março de 2017 
  9. Ecuador, Terra Networks. «Ecuador: Lasso busca acabar con 'franquicia socialista'» (em espanhol) 
  10. «Rafael Correa é reeleito no 1º turno no Equador». O Globo. 17 de fevereiro de 2013 
  11. «Guillermo Lasso inicia su campaña electoral visitando puerta a puerta a ciudadanos en Guayaquil». www.ecuadorinmediato.com. Consultado em 10 de março de 2017 
  12. «Lenín Moreno e Guillermo Lasso vão para o 2º turno no Equador». G1 
  13. «Linha Direta - Conselho Eleitoral confirma segundo turno no Equador». RFI. 23 de fevereiro de 2017 
  14. «Guillermo Lasso: Combate à corrupção é aposta do principal rival - Internacional - Estadão». Estadão 
  15. «La Constituyente propuesta por Guillermo Lasso se dará solo en caso de un bloqueo con el legislativo». El Comercio. Consultado em 10 de março de 2017 
  16. «Guillermo Lasso: Mi vida me hizo liberal». El Universo. 9 de maio de 2012. Consultado em 10 de março de 2017 
  17. «Guillermo Lasso anuncia concesión de refinerías, carreteras, telefónica y venta del banco estatal». El Universo (em espanhol). 24 de maio de 2021 
  18. «¿De qué se trata la 'Ley de Creación de Oportunidades' anunciada por el presidente Guillermo Lasso en Ecuador?». RT en Español (em espanhol) 
  19. «Debate sobre el aborto en Ecuador "está en un momento crítico"» (em espanhol) 
  20. Long, Gideon; Stott, Michael. «Wealthy ex-banker campaigns as Ecuador's 'change candidate'». Financial Times. Consultado em 20 de janeiro de 2022 
  21. «Los negocios del candidato de la derecha de Ecuador | Lasso, el magnate de las offshore». PAGINA 12 (em espanhol). Lasso está associado a 49 empresas em paraísos fiscais e em apenas um ano, entre 1999 e 2000, seu patrimônio declarado aumentou de 1 milhão para 31 milhões de dólares graças à especulação com títulos emitidos após o feriado bancário, o equivalente ao corralito argentino. doi= 
  22. «Ecuador's legislature to investigate president over Pandora Papers» (em inglês). 11 de outubro de 2021 

Precedido por
Lenín Moreno
Presidente do Equador
2021 - presente
Sucedido por
-