Lúcio Júnio Gálio Aniano

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Lúcio Júnio Gálio Aneano)
Ir para: navegação, pesquisa
Públio Cornélio Lêntulo Cipião
Cônsul do Império Romano
Consulado 56 d.C.
Morte 65 d.C.

Lúcio Júnio Gálio Aniano (em latim: Lucius Junius Gallio Annaeanus; m. c. 65), chamado simplesmente de Gálio, foi um senador romano da gente Júnia nomeado cônsul sufecto para o nundínio de julho a agosto de 56 com Tito Cúcio Cilto. Gálio era filho do retórico Sêneca, o Velho, e irmão do famoso escritor Sêneca, o Jovem. Nascido em Corduba, Hispânia (moderna Córdoba, Espanha), no início da era cristã, Gálio foi adotado por Júnio Gálio, um retórico famoso, de quem tomou o nome.

É conhecido por ter participado do julgamento de Paulo em Corinto relatado nos Atos dos Apóstolos.

Vida[editar | editar código-fonte]

Sêneca, seu irmão, que dedicou-lhe os tratados "De Ira" e "De Vita Beata", fala de seu charme, um atributo também citado pelo poeta Estácio[1]. É provável que ele tenha sido banido para a Córsega com o irmão, mas ambos retornaram a Roma quando Agripina escolheu Sêneca para ser o tutor do jovem Nero. Perto do final do reinado do imperador Cláudio (51/52), Gálio foi nomeado propretor da recém-criada província senatorial da Acaia, mas é provável que tenha sido compelido a renunciar ao posto depois de poucos anos por causa de seu estado de saúde. Ele foi chamado de "meu amigo e procônsul" por Cláudio na Inscrição de Delfos (c. 52).

Gálio foi cônsul sufecto em 56[2] e Dião Cássio[3] relata que ele é quem abria as apresentações de Nero.[4] Não muito depois da morte de Sêneca, Gálio[5] foi atacado no Senado por Salieno Clemente, que o acusou de ser um "parricida e inimigo público", mas depois o Senado unanimemente apelou a Salieno para que não se aproveitasse "de infortúnios públicos para satisfazer animosidades privadas".[6] Mas Gálio não sobreviveu muito tempo depois disto. Quando seu segundo irmão, Aneu Mela, cortou os pulsos depois de ser acusado de estar envolvido numa conspiração[7], é provável que Gálio também tenha se suicidado, talvez instruído por alguém.[8]

Gálio nos Atos dos Apóstolos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Julgamento de Paulo em Corinto

De acordo com os Atos dos Apóstolos (Atos 18:1-17), Gálio recusou a acusação contra Paulo apresentada pelos judeus. Seu comportamento na ocasião («Gálio não se importava com nenhuma destas coisas» (Atos 18:17)) tem sido visto como uma demonstração da atitude indiferente dos oficiais romanos em relação ao cristianismo primitivo naquela época.[9]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Cônsul do Império Romano
Vexilloid of the Roman Empire.svg
Precedido por:
Nero I

com Lúcio Antístio Veto
com Numério Céstio (suf.)
com Públio Cornélio Dolabela (suf.)
com Lúcio Aneu Sêneca (suf.)
com Marco Trebélio Máximo (suf.)
com Públio Palfúrio (suf.)
com Cneu Cornélio Lêntulo Getúlico (suf.)
com Tito Curtílio Mância (suf.)

Quinto Volúsio Saturnino
56

com Públio Cornélio Cipião
com Lúcio Júnio Gálio Aniano (suf.)
com Tito Cúcio Cilto (suf.)
com Lúcio Dúvio Ávito (suf.)
com Públio Clódio Trásea Peto (suf.)

Sucedido por:
Nero II

com Lúcio Calpúrnio Pisão
com Lúcio Césio Marcial (suf.)


Referências

  1. Estácio, "Silvae", ii.7, 32
  2. Robert C. Knapp, Roman Córdoba (University of California Press, 1992) ISBN 9780520096769 p.42; Anthony Barrett, Agrippina: Sex, Power and Politics in the Early Empire (Routledge, 1999) ISBN 9780415208673 p.280; Miriam T. Griffin, Nero: The End of a Dynasty (Routledge, 1987) ISBN 0415214645 p.78. E. Mary Smallwood, "Consules Suffecti of A.D. 55", in Historia: Zeitschrift für Alte Geschichte, Bd. 17, H. 3 (Jul., 1968), p. 384
  3. Dião Cássio, História Romana lx.35, lxii.25
  4. Miriam T. Griffin, Nero: The End of a Dynasty (Routledge, 1987) ISBN 0415214645 p.45, baseado em Dião 61.20, 2-3.
  5. Tácito, Anais 15.73
  6. Vasily Rudich, Political Dissidence Under Nero: The Price of Dissimulation (Routledge, 1993) ISBN 9780415069519 p.117. E Steven Rutledge, Imperial Inquisitions: Prosecutors and Informants from Tiberius to Domitian (Routledge, 2001) ISBN 9780415237000 p.169.
  7. Tácito, Anais 16.17
  8. Vasily Rudich, Political Dissidence Under Nero: The Price of Dissimulation (Routledge, 1993) ISBN 9780415069519 p.117.
  9. John Drane,"An Introduction to the Bible",Lion, 1990, p.634-635

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Cowan, H. (1899). «Gallio». In: James Hastings. A Dictionary of the Bible. II. pp. 105–106 
  • Ducos, Michèle (2000). Goulet, Richard, ed. Dictionnaire des philosophes antiques. Iunius Gallio (em francês). 3. Paris: CNRS Éditions. p. 466. ISBN 2-271-05748-5 
  • Lucas, F.L. (1937 / 1938). The Woman Clothed with the Sun, and other stories. The Hydra (A.D. 53) (em inglês). London / N.Y.: Cassell / Simon & Schuster  Verifique data em: |ano= (ajuda)
  • Ramsay, W. M. St Paul the Traveller (em inglês). [S.l.: s.n.] p. 257–261 
  • Winter, Bruce (2006). «Rehabilitating Gallio and his Judgement in Acts 18:14-15». Tyndale Bulletin (em inglês) (57.2): 291-308 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]