Lúcio Júnio Gálio Aneano

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Lúcio Júnio Gálio Aneano (em latim: Lucius Junius Gallio Annaeanus; m. c. 65), chamado simplesmente de Gálio, era um senador romano e irmão do famoso escritor Sêneca, o Jovem. É conhecido pelo julgamento de Paulo em Corinto relatado nos Atos dos Apóstolos.

Vida[editar | editar código-fonte]

Gálio era filho do retórico Sêneca, o Velho, e irmão mais velho de Sêneca, o Jovem, e nasceu em Corduba, Hispânia (moderna Córdoba, Espanha) no início da era cristã. Ele foi adotado por Júnio Gálio, um retórico famoso, de quem tomou o nome. Sêneca, seu irmão, que dedicou-lhe os tratados "De Ira" e "De Vita Beata", fala de seu charme, um atributo também citado pelo poeta Estácio ("Silvae", ii.7, 32). É provável que ele tenha sido banido para a Córsega com o irmão, mas ambos retornaram a Roma quando Agripina escolheu Sêneca para ser o tutor do jovem Nero. Perto do final do reinado do imperador Cláudio, Gálio era procônsul da recém-criada província senatorial da Acaia, mas é provável que tenha sido compelido a renunciar ao posto depois de poucos anos por causa de seu estado de saúde. Ele foi chamado de "meu amigo e procônsul" por Cláudio na Inscrição de Delfos (c. 52).

Gálio foi cônsul sufecto na metade da década de 50[1] e Dião Cássio relata que ele é quem abria as apresentações de Nero.[2] Não muito depois da morte de Sêneca, Gálio (segundo Tácito, Annales 15.73) foi atacado no Senado por Salieno Clemente, que o acusou de ser um "parricida e inimigo público", mas depois o Senado unanimemente apelou a Salieno para que não se aproveitasse "de infortúnios públicos para satisfazer animosidades privadas".[3] Mas Gálio não sobreviveu muito tempo depois disto. Quando seu segundo irmão, Aneu Mela, cortou os pulsos depois de ser acusado de estar envolvido numa conspiração (Tácito, Annales 16.17), é provável que Gálio também tenha se suicidado, talvez instruído por alguém.[4]

Gálio nos Atos dos Apóstolos[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Julgamento de Paulo em Corinto

De acordo com os Atos dos Apóstolos (Atos 18:1-17), Gálio recusou a acusação contra Paulo apresentada pelos judeus. Seu comportamento na ocasião («Gálio não se importava com nenhuma destas coisas» (Atos 18:17)) tem sido visto como uma demonstração da atitude indiferente dos oficiais romanos em relação ao cristianismo primitivo naquela época.[5]

Referências

  1. Robert C. Knapp, Roman Córdoba (University of California Press, 1992) ISBN 9780520096769 p.42; Anthony Barrett, Agrippina: Sex, Power and Politics in the Early Empire (Routledge, 1999) ISBN 9780415208673 p.280; Miriam T. Griffin, Nero: The End of a Dynasty (Routledge, 1987) ISBN 0415214645 p.78. E. Mary Smallwood, "Consules Suffecti of A.D. 55", in Historia: Zeitschrift für Alte Geschichte, Bd. 17, H. 3 (Jul., 1968), p. 384
  2. Miriam T. Griffin, Nero: The End of a Dynasty (Routledge, 1987) ISBN 0415214645 p.45, baseado em Dião 61.20, 2-3.
  3. Vasily Rudich, Political Dissidence Under Nero: The Price of Dissimulation (Routledge, 1993) ISBN 9780415069519 p.117. E Steven Rutledge, Imperial Inquisitions: Prosecutors and Informants from Tiberius to Domitian (Routledge, 2001) ISBN 9780415237000 p.169.
  4. Vasily Rudich, Political Dissidence Under Nero: The Price of Dissimulation (Routledge, 1993) ISBN 9780415069519 p.117.
  5. John Drane,"An Introduction to the Bible",Lion, 1990, p.634-635

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Fontes antigas: Tácito, Annales, xv.73; Dião Cássio, lx.35, lxii.25.
  • Bruce Winter, "Rehabilitating Gallio and his Judgement in Acts 18:14-15", Tyndale Bulletin 57.2 (2006) 291-308.
  • Sir W. M. Ramsay, St Paul the Traveller, pp. 257–261
  • Cowan, H. (1899). «Gallio». In: James Hastings. A Dictionary of the Bible. II. pp. pages 105–106 
  • F. L. Lucas's story “The Hydra (A.D. 53)” in The Woman Clothed with the Sun, and other stories (Cassell, London, 1937; Simon & Schuster, N.Y., 1938)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]